Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt

30.12.10

# 48 @ 101 em 1001

Bem este ano resolvi contestar o uso de lingerie azul no início de ano e optei pela cor vermelha. Depois de alguma procura (na verdade nunca gostei muito de lingerie vermelha) lá encontrei algo muito simples e a meu gosto para celebrar o novo ano, que se quer Red, Hot & … (aceitam-se sugestões!)

29.12.10

Alma de Pássaro, M. Rebelo Pinto

Sou o que considero uma leitora atrasada: raramente leio novidades literárias e demoro anos para, pela primeira vez, pegar num autor de quem já toda a gente disse tudo o que havia para dizer. Neste contexto, cheguei, finalmente, à minha primeira leitura de Margarida Rebelo Pinto.
A minha apreciação é que a sua escrita é escorreita, de leitura rápida e que capta a linguagem quotidiana, o que gostei. O que não apreciei é a “análise” superficial das personagens. É verdade que retrata pessoas que todos nós conhecemos dos nossos círculos sociais e, desse modo, são extremamente contemporâneas. Mas também são muito lineares na sua construção e desenvolvimento.
Embora esteja longe de qualquer top de preferências pessoais, gostei e voltarei a ler MRP pelo menos mais uma vez, paraaferir a sua eventual capacidade de variar estilos de escrita. Seja como for, há que tirar o chapéu à senhora: vende como poucos no mercado editorial nacional.

28.12.10

Diálogo de partida

- vais ficar com ele?
- não. Não vou.
- queres que tentemos novamente?
- não, também não. Vou ficar só. Apenas isso. Isto não é uma competição entre vocês.
- eu sei, aliás se fosse eu recusava. Amei, e, apesar de tudo, ainda de amo, mas recuso-me a competir.
- já disse: não há competição.
Arrumei algumas roupas num saco de viagem e alguns produtos de higiene intima.
-para ti podem ser só palavras, mas, acredita, lamento. Não merecias.
- então, então, porquê? Porque é que te meteste na cama com ele?
- porquê… olha porque as coisas não estavam bem entre nós, porque já nem tentávamos nada para que melhorasse, porque me soube bem o galanteio, porque me fez sentir de novo o desejo e o prazer de ser desejada, porque o proibido tem uma adrenalina altamente aliciante, porque pensei que fosse encontrar o que não sabia ao certo que faltava, porque achei que não tinha nada a perder, por tantas coisas como vês.
- valeu a pena?
- não sei responder nem vou tentar descobri. O que está feito, feito está e, é verdade, mudou tudo. Agora, vou apenas seguir em frente com esta mudança.
- de entre todos esses porquês, algum foi amor?
- amor, como nós tivemos? Não. Gosto dele, como se gosta, sei lá, de um irmão mais novo. Bem irmão, não, talvez um primo. Percebes?
- continuo a perguntar-me porquê, o que é que viste nele?
- vi apenas alguém diferente de nós, sem a nossa história, sem aquilo que conhecemos um do outro. Uma página em branco sem passado. O novo. Só que percebi que se o que faltava não se devia só a ti e também não o encontrei com ele, então é em mim que o necessito descobrir e não vai ser com nenhum dos dois que o vou fazer. Vou fazê-lo sozinha, vou encontrar o que me falta, demore dias ou meses, mas vou fazê-lo.

27.12.10

as canções que escreveria... #3

Deixa-me rir Afinal a história é minha
Falo da festa, do Sol e do prazer
Mas nunca aceitei o convite
Tenho medo de me dar
E não é meu o que queres comprar

Deixa-me rir
já lambi muitas lágrimas
Conheço os cambiantes do seu sabor
E tu nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não te vou falar de amor

Pois é , pois é
tenho vivido escondida a vida inteira
Domingo sei de cor
O que vou dizer Segunda-Feira

Deixa-me rir
Nunca perscrutei esse engenho
De que falam com tanto apreço
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso

Deixa-me rir
Não queiras entrar em mim
nem Ser meu mestre nem por um instante
não te vou dar a chave do meu refúgio
as minhas mãos já são quentes
E a máscara aconchegante
Deixa-me rir, Jorge Palma

 
Deixa-me rir, Jorge Palma

26.12.10

Os Estados Carenciais, Ângela Vallvey

Segundo Schopenhauer, a vida divide-se: no que representamos, no que temos e no que somos. É com base nesta divisão que a autora espanhola Ângela Vallvey estrutura e analisa Os Estados Carenciais de uma série de personagens na Madrid Moderna, personagens essas cujo objectivo é perceber o que é e atingir a felicidade.
No cerne do enredo, temos um casal – Ulisses e Penélope, o casal clássico revisitado e adaptado à sociedade actual – e os seus (des)encontros amorosos, familiares e profissionais. Mas as referências clássicas não terminam aqui: são elas que dão o mote para todo o desenrolar desta história de aceitação, perdão, emancipação e esperança.

25.12.10

Madagáscar 2

Uma divertida mistura entre Rei Leão, Joe vs the Vulcano, Lost e outros tantos!

Penguins Rule!

Juliano, ma crazy man!

24.12.10

"Não é uma coisa só.
São muitas coisas nuas.

Não é o desabar de uma casa.
É percorrer os seus escombros.

Não é aguardar por um filho.
É voltar a sê-lo.

Não é penetrar em ti.
É sair de mim.

Não é pedir-te que faças.
É fazer-te.

Não é dormir lado a lado.
É estar jacente de mãos dadas.

Não é ouvir vento e chuva.
É franquear-lhes a cama.

E relâmpago que pela terra se funde.

"Luz Fraterna" - António Osório
Descoberto via Trama

23.12.10

O 1º Beijo

O primeiro beijo é aspirado pelas raparigas com um misto de ansiedade e ilusão de que é mágico como em quaisquer filmes Disney ou outras comédias românticas. Mas este, como outras primeiras vezes na vida, nem sempre têm a magia que julgamos.
O meu primeiro beijo foram na verdade dois: o técnico, com troca de salivas inesperadas, e o mágico, com troca de calores e línguas e carícias e…
O Miguel foi meu colega de escola durante anos e nunca conseguiu esconder que gostava de mim. Prestes a cada um seguir diferentes rumos, e porque já quase toda a gente em meu redor namorava, resolvi aproveitar (oportunista!) aquele tão prestável colaborador. E o primeiro beijo lá aconteceu à entrada de um prédio vizinho, de olhos bem abertos, e com muitas salivas inesperadas. E depois houve o 2º e o 3º e o 4º e lá entre o 5º e o 6º resolvi que não íamos a lado nenhum e que o melhor era mesmo cada um seguir o seu caminho. Perdi um óptimo amigo e comecei a minha trajectória de certa insensibilidade para com os homens.
O Nelson era colega de faculdade da Susana, uma das minhas melhores amigos e era normal, de quando a quando, sairmos todos juntos. O Nelson era moreno (e eu sempre tive mais do que um fraquinho por morenos), bem humorado e diferente dos restantes rapazes que conhecia. No final do curso, fomos festejar num novo bar e os ânimos estavam ao rubro. Após dançarmos um bom bocado em que nos fomos aproximando gradualmente, o inevitável aconteceu. E eu, singelamente à espera de algumas salivas menos apropriadas, fui surpreendida por tudo aqui que imaginava ser um beijo.
É uma das minhas mais caras memórias e ainda hoje, sempre que um beijo não é lá grande coisa, recordo o longínquo prazer de beijar o Nelson.

22.12.10

SACIAMENTO E PAZ

Vulcão ativo que és, com teu inesgotável amor
Explodindo no cume das nossas existências,
Ejaculas larvas de dentro de tua medula;
Larvas que o fogo das lavas não matou.

Elas lavram o campo de nossas esperanças;
Transmutam-se em borboletas coesas,
Lavam nossos ventres impuros e estéreis
E, sem dor, nos engravidam de trigo e trégua.


Oswaldo Antônio Begiato
Publicado no Recanto das Letras em 23/08/2010

21.12.10

A bolsa da amizade

Qualquer mulher deve transportar consigo o que denomino a bolsa da amizade. Nunca se sabe quando a oportunidade surge, mas quando surge devemos estar devidamente preparadas para não deixa-la escapar.
A minha bolsa da amizade contem: um par de cuecas, 3 preservativos e mais umas quantas toalhitas intimas (que belas invenções humanas!).
Ok, é preciso sorte para utilizar todos os preservativos numa noite, mas também não é impossível. Até porque nunca sabemos até que ponto a sorte está do nosso lado! ;)’ Seja como for, faço-me acompanhar da minha bolsa – vermelha, comme il faut – porque nunca se sabe o que se pode seguir a um café, um jantar, ou um chá à beira Tejo.
Meninas, como é a vossa bolsa?

20.12.10

Máxima do Dia

Chefe que trabalha durante as férias é competente.
Funcionário que trabalha durante as férias é parvo.
C.C.

19.12.10

The dark side, not of the moon

Não só a lua tem o seu lado negro e até já o Rui Veloso o cantou. Embora todos o tentemos ocultar de olhares alheios, o lado negro permanece no fundo do nosso olhar e o meu está prestes a emergir. Wait and see…

16.12.10

E assim acontece...

O Acontece foi para mim uma escola de como se pode falar de cultura e arte sem pedantismos e falsos moralismos estéticos. Obrigado!

14.12.10

A igreja

Estava mal iluminada àquela hora e com o frio da noite, ninguém circulava no adro, nem nas ruas contíguas. Ninguém, ninguém excepto nós, que encontrámos nesse frio e nesse escuro o momento para os nossos corpos se unirem e saciarem.

13.12.10

JIP recebe reconhecimento pelo projecto de arquitectura

Agualva-Cacém, ou simplesmente Cacém, não costuma protagonizar notícias pelos melhores motivos, mas de quando em quando há-os. As páginas do Público de Sábado brindam-nos com a notícia de que o projecto de arquitectura do JIP - Jardim de Infância Popular, da autoria dos arquitectos Nadir Bonaccorso e Sónia Silva, recebeu um prémio. É bom ver o nosso pedaço de terra protagonista de boas notícias. Venham mais!

12.12.10

Iron Man

A fórmula é conhecida: um playboy multimilionário – da indústria de armamento -, após um acidente quase fatal, decide dedicar todo o seu conhecimento e riqueza para o bem. Com todos os ingredientes de um blockbuster, Iron Man é um bom produto de entretenimento cozinhado por Jon Favreau e a que a interpretação de Robert Downey é a cereja no topo do bolo.

11.12.10

O estranho caso de Benjamin Button, F.S. Fitzgerald

Do conto fantástico russo, passamos ao conto fantástico americano, pela mão de F. S. Fitzgerald. Deste autor conhecia apenas alguns trechos de The Great Gatsby, lidos para efeitos de explicações, e a sua prosa não me aliciou.
No conjunto de 4 contos que incorporam este volume (O Diamente tão Grande Como o Ritz, O Estranho Caso de Benjamin Button, O Tarquinio de Cheapside e ÓBruxa de Cabelos Vermelhos), não não foi aprosa que me aliciou, mas sim o enredo dos mesmos. São contos fantásticos no sentido tradicional e tornam-se apelativos pela imaginação e colorido das situações e personagens.
O conto que dá título ao volume tornou-se conhecido através da sua adaptação recente ao cinema, protagonizada por Brad Pitt, mas que ainda não tive oportunidade de ver. Mas a minha leitura permite-me concluir que as duas histórias são bastante diferentes, sendo o filme bastante mais romantizado.

10.12.10

Indiana Jones e a Caveira de Cristal

O meu herói de criança e adolescência foi sempre Indiana Jones, tanto que nas minhas redacções de primária sobre o que queríamos ser quando fossemos grandes a escolha natural era: arqueóloga. E lá me via com uma roupa cool a percorrer o mundo em mil e uma aventuras a descobrir segredos da humanidade que até aí ninguém tinha conseguido. É claro que depois cresci e os cavaleiros jedi começaram a ser também interessantes, mas IJ continua a ser o meu modelo de herói: inteligente, que passa à acção sempre que necessário, sem medo de pelo meio destruir uns quantos tesouros históricos.
IJ entrou no nosso imaginário em 1981 com Os Salteadores da Arca Perdida, ao qual se seguiu o mais sorumbático Templo Perdido em 1984. Em 1989, Jones é acompanhado pelo seu pai na Grande Cruzada, na qual ficamos a saber algo mais do seu passado. O seu passado foi depois explorado na televisão na série de 1992, Crónicas de Juventude. Mas como os heróis são sempre heróis, Spielberg ressuscitou a personagem em 2008, nesta Caveira de Cristal, mostrando que, apesar da idade, quer IJ, quer Harrison Ford, ainda estão para as curvas, piscando ainda o olho a futuras sequelas. A passagem de testemunho é assegurada com um novo personagem, Henry Jones III, interpretado por Shea Labeouf, com cartas já dadas em filmes de acção como Transformers.
IJ e a Caveira de Cristal traz-nos o nosso herói de sempre e apesar dos exageros (vá, liberdades criativas) das cenas de acção, não nos sentimos defraudados. IJ ainda é IJ.
(E a Karen Allen continua a ser a dona dos mais belos olhos do cinema.)

9.12.10

O que escolhe ou o que se escolhe em nós quando escolhemos é um belo mistério. Para aqueles que sabem que há um mistério nisso, claro. Esses que sabem não perguntam porquê, dispõem-se a ouvir uma história, talvez até a acompanhar-nos na nossa história. Não perguntam por razões, sabem que as razões não explicam o essencial. Os outros — bem, os outros ajuízam. O tribunal do senso comum, ou pior ainda, a estupidez do completo auto-desconhecimento de si mesmos.
Luís Mourão, in Manchas

7.12.10

O que mais aprecio na blogosfera são as inesperadas descobertas que me permite fazer. Através do Poplex, da Rachelet, descobri a fotografia de Jan von Holleben

Holleben, The Hokusay

Holleben, The Mondrian

6.12.10

O verão

O verão tem destas coisas. O calor atravessa-nos a pele, o sol promete-nos dias cheios e luminosos. É tempo de promessas , esperanças, palavras soltas, e desejos inconsequentes.

5.12.10

A Punição

Quando se me apresentou a possibilidade de concretizar algumas expectativas de vida, revoltei-me contra o seu proponente. Puni-o. Não merecia. Afinal, quem defraudou as minhas expectativas fui eu, mas é mais fácil revoltar-nos contra outros do que nós próprios. Quando o tempo permitiu o distanciamento necessário, percebi que o erro era meu, a revolta é minha.

4.12.10

O último airbender

O último filme de M . Night Shyamalan, embora visualmente aliciante – factor potencializado pelo 3D -, é, em termos de enredo, o menos cativante da sua filmografia. Baseado numa saga de novelas gráficas, este filme destina-se a um público maioritariamente infanto-juvenil.
A sua história baseia-se na mitologia oriental e possui elementos que recordamos de outras histórias: o escolhido, o filho renegado pelo pai, a missão, os poderes desconhecidos. Concebido em episódios, resta-nos aguardar pelo(s) restante(s), embora não seja difícil adivinhar o desfecho do(s) mesmo(s), e esperar que não sofram da edição aos supetões deste.

3.12.10

Reconhecimento

Estugo o passo e subo pelo carreiro íngreme e enrugado pelas raízes das árvores que ensombram a marcha. A humidade abafa a respiração profunda e o vento sussurra ligeiros murmúrios de solidão.

2.12.10

Cyberdate

Sentei-me no café, numa mesa com plana visão sobre a entrada, que me permitisse perceber a sua chegada. Não é exactamente um hábito arreigado, mas de quando em quando apetece-me marcar encontros com estranhos através da net.
Fico com uma imagem panorâmica de toda a área de restauração. Não tenho qualquer pretensão amorosa, apenas satisfazer um apetite sexual que se acumula durante demasiado longas abstinências.
Sentada, pedi um panaché, algo que descontraísse, mas tão estupidamente fraco que me mantenha lúcida Escolho, como mandam as regras de segurança, um local público e prefiro a impessoalidade de um centro comercial e as suas múltiplas possibilidades de evasão. Gosto de sexo, mas raramente tenho paciência para relações e hoje, ao espaço de um clique, é só escolher um parceiro dentro dos nossos parâmetros de atracção física.
Necessito sempre de um ponto de fuga e quanto mais melhor. Nunca conto a minha verdadeira história, apenas partes, muito poucas. Não quero realmente conhecer ninguém, quero apenas alguns encontros saciantes que me aliviem o desejo.

1.12.10

O aprendiz de feiticeiro

Numa geração marcada cinematograficamente por feiticeiros, vampiros, dragões e outras figuras míticas, a Disney resolveu recriar um dos seus clássicos de animação homónimo, do qual todos conhecemos a dança de Mickey e as suas vassouras, que não podia ficar desta adaptação. Na versão de 2010, os personagens são de carne e osso e interpretadas por Nicholas Cage, numa das suas melhores personagens dos últimos tempos, e Jay Baruchel, o guy next door dos próximos anos.

30.11.10

sabedorias

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

Antoine de Saint-Exupéry.

29.11.10

Louca por compras

Uma jovem recém licenciada na área de moda e completamente viciada em roupa de marca aceita um trabalho editorial numa revista económica para poder face às suas muitas dívidas financeiras. O seu desafio é explicar economia através de conceitos que todos compreendem, como a moda, e depressa se torna uma cronista de eleição. Isto sem esquecer que pelo meio encontra o amor da praxe e vence os seus vícios de compras.

27.11.10

Como treinares o teu dragão

Um jovem Viking que aspira a ser caçador de dragões trava uma inesperada amizade com o mais temido dos dragões e descobre que até as criaturas ferozes são dóceis e amigas.
Como qualquer filme de animação, é uma hora e meia de puro entretenimento, que se recomenda a todos.

26.11.10

é díficil, mas...

Há um tempo em que é preciso abandonar
as roupas, que já tem a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.

Fernando Teixeira de Andrade

25.11.10

as canções que escreveria... #2

Mm ba ba de
Um bum ba de
Um bu bu bum da de
Pressure pushing down on me
Pressing down on you no man ask for
Under pressure - that burns a building down
Splits a family in two
Puts people on streets
Um ba ba be
Um ba ba be
De day da
Ee day da - that's o.k.
It's the terror of knowing
What this world is about
Watching some good friends
Screaming 'Let me out'
Pray tomorrow - gets me higher
Pressure on people - people on streets
Day day de mm hm
Da da da ba ba
O.k.
Chippin' around - kick my brains around the floor
These are the days it never rains but it pours
Ee do ba be
Ee da ba ba ba
Um bo bo
Be lap
People on streets - ee da de da de
People on streets - ee da de da de da de da
It's the terror of knowing
What this world is about
Watching some good friends
Screaming 'Let me out'
Pray tomorrow - gets me higher high high
Pressure on people - people on streets
Turned away from it all like a blind man
Sat on a fence but it don't work
Keep coming up with love
but it's so slashed and torn
Why - why - why ?
Love love love love love
Insanity laughs under pressure I’m cracking
Can't I give myself one more chance
Why can't I give love that one more chance
Why can't I give love give love give love give love
give love give love give love give love give love
'Cause love's such an old fashioned word
And love dares me to care for
The people on the edge of the night
And love dares me to change my way of
Caring about ourselves
This is our last dance
This is ourselves
Under pressure
Under pressure
Pressure
Queen, Under Pressure

20.11.10

Contos russos, Andreev, Dostoievski e Tolstoi

Um dos volumes da famosa colecção Biblioteca de Babel, organizada por Jorge Luís Borges, e dedicada à literatura fantástica, é Contos Russos, que reúne contos de Andreev, Dostoievski e Tolstoi. O mote destes 3 contos é a morte, de certo o mais fantástico e inexplicável fenómeno no decurso de qualquer vida. Cada conto apresenta uma perspectiva sobre a morte: a morte certa que nunca aconteceu; o regresso à vida e a morte em vida ou a morte como vida. Ou seja, o mais fantástico dos acontecimentos é a possibilidade de ludibriar do fim da vida através da morte, que afinal pode ser apenas um recomeço.

19.11.10

A morte de Ivan Iliitch, Lev Tolstói

Durante toda a sua vida, Ivan teve como objectivo seguir o modelo de ascenção social vigente. Cumpriu todos os requisitos: um trabalho público, um casamento adequado, os filhos necessários, as promoções profissionais desejáveis, os amigos convenientes. Mas, em pleno usufruto da sua mais recente promoção profissional, o espectro da morte anuncia-se subtil e inexoravelmente. Como qualquer humano que sente a proximidade da morte, Ivan interroga-se sobre o seu percurso e opções de vida, só para nos últimos segundos perceber que apenas viveu uma morte em vida.

18.11.10

Bookcrossing

A leitura é uma das minhas paixões, mas tal como para muitas outras pessoas o actual momento económico não é propicio a grandes compras ou a muitos investimentos, como pode ser a compra de livros. Mas felizmente, ler não custa dinheiro. Todos temos à nossa disposição uma rede de bibliotecas públicas que nos permite o acesso à leitura de forma gratuita. Outra forma de rentabilizar um bem cultural como o livro é através do Bookcrossing. O bookcrossing é um clube de livros global, em que os interessados têm acesso gratuito a livros colocados em locais pré-designados ou simplesmente deixados nos mais variados locais. A partir desta semana, um desses pontos é o Centro de Documentação da Casa da Juventude.

17.11.10

Workshop de Técnicas de Comunicação Escrita

Um dos projectos a que me dediquei esta temporada foi a organização de um workshop de Técnicas de Comunicação Escrita. O objectivo deste workshop é dotar os seus participantes de indicações sobre como elaborar uma série de documentos necessários à nossa vida profissional, associativa e pessoal, tais como currículos, projectos, relatórios, actas, entre outros. Mais informações em Câmara Municipal de Sintra.

16.11.10

Amor é sintese

Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise profunda
Quanto mais eu
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei perfeito amor.

Mario Quintana

15.11.10

Sondagem: Que temas gostaria de ver mais desenvolvidos?

Arte e Cultura 1 (100%)
Política 0 (0%)
Aspectos do quotidiano 0 (0%)
Dúvidas existênciais 0 (0%)
Outros 0 (0%)

Votos apurados: 1

Este realmente é um dos meus temas de eleição. Tal deve-se ao facto de um dos meus grandes sonhos é fazer jornalismo cultural. Não o faço profissionalmente, mas decidi não deixar de ofazer e assim este espaço torna-se um local ideal para esboços de textos. Infelizmente, acabam por raramente ter a profundidade e riqueza de pormenor que pauta um artigo exigente. No entanto, estes esboços obrigam-me a acompanhar o que se faz, nem que seja pelos textos de outros, e obrigam-me a treinar também o raciocínio. Por isso, é um exercício plenamente válido. Valor ao qual se acrescenta o dos vários leitores que têm a paciência de passar por este espaço que de tão pessoal quer apenas reflectir um pouco daquilo que recebe.

13.11.10

O corpo II

O carreiro estreito, íngreme e solitário era pouco convidativo a percorrer. Ladeado por muros pouco altos que protegiam de ladeiras íngremes, parecia protegido contra quedas acidentais. Por isso mesmo talvez fosse o melhor sítio para deixar o corpo.
Não sabia quanto tempo demoraria a ser encontrado, mas depositado da maneira correcta, a sua morte seria tida como acidental. Talvez uma garrafa estilhaçada por perto completasse o cenário o suficiente para dissipar quaisquer dúvidas.
Depositaria o corpo já no fim do dia, depois fustigaria a velha mula durante a noite até à aldeia mais próxima. Faria o mesmo nos próximos 3, 4 dias. Esperava deste modo afastar qualquer suspeita sobre si, um estranho a vaguear de terra em terra, sem ninguém conhecer a sua história, e que poderia bem ser a mais tenebrosa de todas.

12.11.10

alfabeto minúsculo

a. atrofia, ar, aniversário, amor, apenas, água b. broche, boom, bruxa
c. cuidar, catástrofe, conseguir o que queremos, canguru, curtir, comprimidos
d. dialecto, decisões
e. esquecimento
f. fortuna, feliz
g. gatos
h. hummm?
i. interesse, igloo, intimidade, insolência, inépcia
j. jogo
k. ---
l. lar, lamento, lontra
m. maçã, mãos, mentiras, movimento, mérito
n. nome, notoriedade
o. obrigatório, opinião, orgulho
p. perdão, perda, perto, princesa, prontidão, peso
q. quietude
r. raiva, recordação
s. sonhos, sorte, sobriedade, surpresa
t. tudo, tempo, tentativa, tartarugas, tango, terra estéril
u. universo
v. verdade, vitória, visão
w. ---
x. xilofone
y. ---
z. zebra, zoo, zipper

10.11.10

Bandana

ASB cresceu no seu de uma família humilde e encontrou nos livros a companhia de muitas horas.
Durante anos, décadas mesmo, teve o não secreto desejo de também escrever um livro. Matutou e matutou e já em idade balzaquiana mandou às urtigas todos os receios e desculpas que sempre utilizou para que as suas palavras ficassem apenas consigo. Demorou o seu tempo e com vagares escreveu Poeira Residual.
Ficou satisfeita com o resultado e decidiu plantar uma árvore e pondera mesmo vir a ter um filho.

9.11.10

sabedorias

"Não somos apenas o que pensamos ser...
Somos mais.
Somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos...
Somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, sem querer".
(Freud)

7.11.10

O consumidor do pós-crise

Se há algo inevitável com a actual crise é que todos nós vamos alterar os nossos hábitos de consumo. O Imagens de Marca (SIC Notícias) apresentou um perfil do que será o futuro consumidor pós-crise:
- Selectivo, que sabe identificar os produtos/serviços essenciais;
- Que não abdica do conforto nos bens essenciais;
- E não fidelizado.

6.11.10

O corpo

Restava saber o que fazer com o corpo. Era importante fazer passar aquela morte como um acidente, uma queda inesperada, e quanto mais tarde o corpo fosse encontrado, mais difícil seria perceber alguma intencionalidade na sua morte, o que era verdade.
Não foi planeada, nem desejada, mas um momento de raiva e um empurrão bastaram para acabar com uma vida. Mas seria justo que acabasse com duas, a do morto e do seu perpetrador? Georg considerou que a sua vida já tinha sido demasiado sacrificada para ainda se entregar nas mãos das autoridades, que não olhariam a meios para conseguir a sua condenação e uma vida de ainda maior degredo numa prisão imunda.
A sua vida era cheia de privações, mas possuía a liberdade de dormir, mesmo com o corpo massacrado pelo frio, pelo chão e até pela chuva, onde quer que a sua pequena carroça e a sua velha mula o levassem.

5.11.10

Jumper

Todas as sociedades têm os seus super-heróis, tendo alguns ascendido à categoria de deuses. Na actual sociedade, estes heróis continuam a ter o seu lugar e a responder a uma necessidade das massas em acreditar que uma realidade cruel e sem esperança pode ter um fim muito esperado. Estes heróis têm, sobretudo, início nas tiras dos autores da banda desenhada e é costume ganharem uma nova vida através do cinema, onde são a fórmula mais apelativa para um blockbuster. O herói de Jumper nasceu directamente para as salas de cinema, mas o seu conceito é em tudo familiar dos heróis Marvel. Com a sua capacidade de saltar de local em local, este herói responde a um dos maiores anseios do homem comum, fugir à realidade e aos seus momentos de extrema dificuldade e não só.
Este Jumper não é um filme extraordinário, mas é um produto bem conseguido e adequado a uma tarde de fim-de-semana.

4.11.10

Padrinho... mas pouco

Na senda de sucesso de Anatomia de Grey, Patrick Dempsey volta aos papéis de protagonista romântico, que o popularizaram na década de 80, enquanto ídolo juvenil.
Se a idade é outra, isso reflecte-se nos novos papéis, em que o amor inconsciente da juventude dá lugar à maturidade e ao amor sentido e consciente.

2.11.10

Diálogo literário

- O truque é escolher um nome marcante e diferente. É meio caminho para uma personagem inesquecível.
- Diferente como?
- Por exemplo, Scarlett. Quem é que se chama Escarlate. Em português ninguém, mas em inglês funciona. Não é Red, nem Ginger, nem Copper, é Escarlate: uma cor de travo forte e inigualável. Scarlett.
- Realmente. Em português que nomes só poderiam ser de uma personagem?
- Blimunda, Sete Luas.

1.11.10

Nunca é Tarde Demais

Dois desconhecidos, em fase crítica de cancro, decidem aproveitar o tempo ao máximo e elaboram uma lista de desejos (a bucket list), aproveitando as últimas oportunidades para viver experiências diferentes e, inclusive, remendar alguns erros.

31.10.10

Rally to restore Sanity and/or Fear

Jon Stewart e o seu séquito são há anos uma Voz crítica na sociedade Americana, pondo a descoberto o Ridículo da classe politica e da sua entourage, nomeadamente a Comunicação social que vampiriza qualquer situação, primeiro contra, seja qual for o discurso. Se a classe política é eximia a montar comícios-espectáculo, que se dirá de um espectáculo que quer ridicularizar essa mesma classe através da simulação de um dito comício. é como quem diz: se não os podes vencer, junta-te a eles e vence-os por dentro.
Jon à presidência!

“Sabemos, instintivamente, como povo, que se quisermos atravessar a escuridão e regressar à luz, devemos trabalhar juntos. E a verdade é que vai sempre haver escuridão. Por vezes, a luz no fundo do túnel não é a Terra Prometida. Por vezes, é apenas New Jersey.”
Jon Stewart

30.10.10

Lázaro, Andreév

 Não nos enganemos, a morte não é para os vivos. É um mistério que assim deve permanecer, porque não nos diz respeito. a seu tempo será revelado.
Todos conhecemos, pelo menos superficialmente, a história de Lázaro ressuscitado por Cristo, mas e a história da sua segunda vida? É na possível resposta que Andreév centra o seu enredo. Uma história de estranheza, exílio, e morte, passe o pleonasmo.

28.10.10

Alma gémea vs. Soul mate

O amor em português requer uma alma gémea. Aquela que, como num jogo caleidoscópico, nos perdemos de quem e quem e de quem é reflexão. O amor em inglês requer uma soul mate, uma companhia de alma. Mas como definiremos esta companhia? Será similar ou complementar? Um reflexo ou alguém que nos complementa?

26.10.10

- Não és tu, sou eu!

O maior cliché relacional é a mais fácil de todas as respostas, porque verdadeira. É a resposta de quem não tem coragem para assumir o desafio de conhecer (se) e aceitar (se) (e) o outro.

24.10.10

isn't it ironic?

Empresário: Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo??!!!
Ministro: Olha, olha, está tudo bem?!
Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.
Ministro: E que habilitações ele tem?!
Empresário: Tem o 12.º completo.
Ministro: O que ele sabe fazer?!
Empresário: Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!
Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor, fica a ganhar cerca de 4000, agrada-te?!
Empresário: Isso é muito dinheiro, com a cabeça que ele tem era uma desgraça não arranjas algo com um ordenado mais baixo?!
Ministro: Sim, um lugar de Secretario já se ganha 3000!...
Empresário: Ainda é muito dinheiro, não tens nada volta dos 600/700euros???
Ministro: Eh pá, isso não, para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês, dominar Informática e ainda por cima tem que ir a Concurso Público.

23.10.10

Senhor Brecht, Gonçalo M. Tavares

Esta foi a minha primeira incursão nos livros deste autor, de cuja escrita conhecia apenas os seus textos de algumas revistas nacionais. Não apreciei a escrita, mas aprecio o exercício, e estou curiosa para ler o autor na versão romance. Este Sr. Brecht tem um tom negativista e irónico. Aborda a estupidez humana, a inversão de papéis e a dicotomia estranheza/beleza (que está nos olhos de quem vê).

22.10.10

Porque em cada filho se cruzam os filhos que somos, os país que tivemos, os que desejámos ter tido (e que, por algum motivo, não foi possível ter) e os pais que desejamos ser.
Eduardo Sá, Os meus Livros, Outubro 2010

21.10.10

O Crocodilo, Dostoievski

A literatura fantástica define-se pela existência de um acontecimento inexplicável e explora as reacções das personagens perante essa adversidade.
Neste conto inacabado de Dostoievski, um homem é engolido por um crocodilo, mas, ao contrário do que dita toda a lógica, não morre e instala-se confortavelmente no seu interior, sendo o seu desafio tirar o melhor partido da sua inusitada situação. Este conto comporta uma crítica social e à predominância dos valores economicistas perante os valores da família, da amizade e da ética, entre outros.

20.10.10

Inteligência é…

Resolver problemas em conjunto, porque os problemas que me afectam, afectam igualmente mais pessoas. Mas vivemos numa cultura de não admitir problemas e em que sem comunicação, não há respostas conjuntas aos problemas. Inteligente não é aquele que resolve todos os problemas, é aquele que percebe que não os resolve e que procura ajuda em quem tem outras capacidades.

19.10.10

Concepção e gestão de projectos

Profissionalmente, tenho a oportunidade de frequentar algumas formações. Todas têm sido uma aprendizagem que procuro pôr em prática diariamente no meu local de trabalho. Com todas aprendi coisas novas e, sobretudo, novas perspectivas. Actualmente, a formação que estou a ter é de Concepção e gestão de projectos, outro aprendizado útil. Uma das tónicas da formação é a da identificação de problemas e, sobretudo, da sua hierarquização. Será um aprendizado útil não só profissional mas também a nível pessoal.

18.10.10

A transparência do Estado

O site http://www.directobras.pt/ publica as adjudicações directas de aquisições de serviços feitas pelos vários órgãos estatais. Em período de contenção orçamental e de OE em que ao tapar os braços e se destapa as pernas, este site tem servido para ilustrar o absurdo de muitas opções orçamentais. Infelizmente, há muitas decisões desnecessárias e aquisições duvidosas. E para quem está fora da função pública e das suas burocracias, parecem ainda mais duvidosas. E a verdade é que há muitas situações duvidosas, algumas ouvimos uns sussurros, outras parecem mas até não são, outras são tão óbvias que ninguém menciona.
Como funcionária pública, lamento algumas decisões e lamento ainda mais que muitos dos dirigentes pensem mais em termos partidários do que em servir os cidadãos.

16.10.10

Diálogo natalício

- não podes acreditar no pai natal.
- E não acredito.
- és muito crédula.
- gosto de acreditar na magia do natal, mas daí a acreditar no Pai Natal vai uma longa distância. O que acontece, é que há pessoas que não querem que eu acredite no Pai Natal, mas desde que ele não seja essa pessoa.

15.10.10

Edie & Thea

Infelizmente, não tenho muito o hábito de ver documentários. Vejo algumas reportagens de fundo, mas, documentários propriamente ditos, são poucos. Mas, felizmente, tive a oportunidade de ver este Edie & Thea.

Este é o relato de uma relação de mais de 40 anos: o conhecer, a atracção, os obstáculos, as dúvidas, as pressoões sociais, os desafios, o encontro de alma, o poder da dança, a devoção, o companheirismo, a esperança, a doença, o casamento, a aceitação, …

É o relato pessoal do encontro de duas pessoas, iguais a tantas outras, que apenas são homossexuais.

14.10.10

Uma casa fria

É uma casa vazia
Sem histórias de riso
Sem memória de dor

Uma casa vazia
São paredes estéreis
De ecos de sorrisos futuros

13.10.10

Comer, Orar, Amar


Todos nós passamos por momentos de transformação extrema na nossa vida. Por vezes julgamos que esses momentos são mais facilmente ultrapassáveis mantendo a nossa vida o mais intacta possível. No entanto, há pessoas cuja coragem e percepção as leva a mudar tudo de forma radical. Foi o caso de Elisabeth Gilbert, a autora do livro homónimo que deu origem ao filme.

A mudança radical não é fácil, mas também nem todos têm essa possibilidade. Cada um possui âncoras diferentes na vida. Mas, sempre que possível, temos de enfrentar a insatisfação com a nossa vida e ter a coragem e confiança em nós para quebrar correntes e âncoras.

Elisabeth Gilbert assumiu esse risco e encetou uma viagem de transformação interior e aceitação. Ao comer, fazemos as pazes connosco, com a nossa imagem e a imagem que o mundo tem de nós. Ao orar, encontramos o equilíbrio, reflectindo mas também definindo os nossos objectivos. Ao amar, aceitamos o risco de nos darmos e de aceitarmos o outro.

A autora passou por esta transformação usufruindo da uma situação propícia: afastando-se de âncoras e hábitos adquiridos. Para os demais, o desafio é: como atingir a transformação necessária no caos da nossa vida diária?

11.10.10

Antes que Anoiteça, Reinaldo Arenas


Reinaldo Arenas é um autor cubano que foi perseguido pelo regime castrista e que, no início da década de 80, conseguiu o exílio nos EUA, onde acabaria por falecer com HIV. Esta é uma forma simplista de apresentar este autor, de cujo a obra conheço apenas esta sua autobiografia escrita no exílio.
Há vários anos, vi o filme homónimo com Javier Bardem. Não me recordo muito bem do mesmo, mas tenho a sensação que este se centra mais na vida de Reinaldo Arenas após o exílio, ao contrário do livro.
Este é daqueles livros em que parece estranho utilizar a expressão “gostei”, porque é impossível gostar dos seus relatos verídicos. Será mais justo dizer que é um livro que nos consciencializa para várias realidades. O relato de Arenas aborda várias temáticas, como: a homossexualidade, a perseguição política, a instalação gradual da ditadura cubana, a luta pela liberdade intelectual e pela dignidade humana, o processo de criação artística, a resistência humana sob condições adversas, a denúncia e a sobrevivência, os sonhos e aspirações, entre outras…
É uma leitura que recomendo!

10.10.10

as canções que escreveria...

it ain't getting better
nor do I feel the same
& it ain'teasier on me now
I’ve got someone to blame
I say
One love
One life
When it's one need
In the night

One love
We get to share it
Leaves mebaby if I
Don't care for it

I disappointed you
& left a bad taste in your mouth
I act like I never had love
And I want you to go without
Well it's

Too late
Tonight
To drag the past out into the light
we're alike, but We're not the same
We get to
carry each other
carry each other
One

Have I come here for forgiveness?
Have I come to raise the dead?
Have I come here to play Jesus?
To the lepers in my head

you asked too much
More than a lot.
I gave you nothing,
Now it's all you’ve got
We're alike
But we're not the same
See, I
Hurt you
Then I do it again
I say
Love is a temple
Love a higher law
Love is a temple
Love is a higher law
I ask you to enter
But then I make you crawl
And you can't keep holding on
To what I got
When all I’ve got is hurt

One love
One blood
One life
I got to do what I feel
One life
With each other
Sisters, brothers
One life
But we're not the same
We get to
Carry each other
Carry each other

One...
One...

One, U2

9.10.10

A alegria constrói-se sobre a tristeza,
A esperança sobre o desespero,
A força sobre a fragilidade.
Nietzsche

8.10.10

Sometimes we can’t make it on our own

Sempre tive complexos em pedir ajuda. Primeiro, porque considero que tenho de provar o meu valor e capacidade, segundo, porque considerava que pedir ajuda era assumir a minha incapacidade para realizar algo.

Mas pedir ajuda não é vergonha para ninguém. Ninguém é perfeito e ninguém consegue fazer tudo. Pedir ajuda é aceitar que os outros são importantes e que juntos, sim, somos uma força. Sozinhos, somos apenas isso: pessoas sós.

Estou a aprender a pedir ajuda a quem me rodeia. Estou a assumir que não consigo fazer tudo aquilo a que me propus. As tarefas e obrigações feitas em conjunto são mais fáceis de realizar e também a recompensa é mais alegre quando partilhada.

7.10.10

Os lençóis na máquina

O meu corpo no duche
As manchas de sexo
Apagadas pela água

E outra noite
E outro homem
O corpo cansado
O sono pesado

Outro nome
Desnecessário no amanhecer
Em cada vestido despido
A alma ausente

6.10.10

4.10.10

Evita

O musical é um género que não é para toda a gente. Gosto de musicais, mas nem sempre consigo resistir a tudo. Foi o que aconteceu com este Evita, que, apesar da piada fácil, não é de evitar. Este musical é sempre cantado, dai que se torne cansativo assistir a quem não está habituado ao género, ou, até, mais habituado a musicais com os diálogos falados.

O musical procura retratar a vida da primeira dama argentina Evita Péron, uma mulher de origem pobre que soube lutar e subir na vida utilizando todas armas femininas ao seu dispor. Uma mulher que, sendo uma má atriz, viveu o papel da sua curta vida como primeira-dama através de um casamento de interesses comuns, em que soube galvanizar, como poucos, o povo para as pretensões políticas do seu marido.

Como base no musical de Lloyd Webber, com letras de Tim Rice, Evita é mais reconhecido pelo carismático Don’t Cry for Me Argentina. A adaptação ao cinema foi feita por Alan Parker e o seu maior cartão de visita era a participação de Madonna como Evita.

3.10.10

“Obstáculos são aquelas coisas medonhas que você vê quando tira os olhos do seu objetivo.”

Henry Ford

2.10.10

O que esperamos do amor

Para a sociedade em geral, o amor concretiza-se no casamento, nos filhos, na família. Para os que não casámos e nem temos essa perspectiva coloca-se a questão: o que esperamos do amor?

O amor é uma questão de qualidade de vida. Mas amor e casamento não têm de ser equivalentes. Muitos de nós não vivem um amor, vivem vários.

De quando em quando pergunto-me: o que espero do amor? Mas nem sempre a resposta é a mesma. Depende quase sempre da segunda pergunta que me faço: que sentimento estou disposta a entregar a alguém?

1.10.10

Estudo de públicos

Qualquer regra básica de satisfação de públicos implica que primeiro temos de conhecer as suas necessidades e gostos. Graças às aplicações do Blogger, realizei o meu primeiro inquérito e no qual obtive duas muito bem-vindas respostas. Através deste método de avaliação directa, afiro que os leitores perferem textos de Ficção / Poesia e Curiosidades.

Através de uma avaliação indirecta, sei que tenho aproximadamente 30 leitores, mais ou menos assíduos, dos quais 11 seguidores através da aplicação Seguidores, e os restantes dentro do meu círculo de amizades e conhecimentos pessoais. Se é gratificante que os amigos nos leiam, é duplamente gratificante quando alguém desconhecido aprecia o que escrevemos e é sempre motivador para continuar.

Não obstante o resultado do inquérito, os comentários aqui deixados também são uma forma de perceber interesses e gostos de quem visita este humilde estamine. O ideal era ter sempre reacções aos nossos textos, mas tal é impossível, pois se forem como eu – sigo mais de 200 blogues, alguns com vários posts diários – torna-se incomportável. Além de alguns comentários habituais que muito aprecio, o normal é receber um comentário de “apresentação” de quem pela primeira vez visita a chafarica. Para facilitar a participação dos leitores, aderi igualmente à aplicação Reacções, cujo registo é simples.

Outra facilidade que o blogger permite é o das Estatísticas, que me confirma que o artigo mais lido é A Partida de Xadrez, artigo que já me valeu conhecer um blogger vizinho.

Estas têm sido algumas das formas de perceber o que eventualmente atrai que visita este blog, mas apenas posso agradecer a quem o faz, uma vez que o que aqui escrevo é sobretudo um processo de reflexão sobre o que me rodeia, mas também um testemunho daquilo que me deslumbra ou comove.

30.9.10

Vou terminar tudo o que comecei:

- colocar os pontos em cada final;
- encerrar cada capítulo;
- fechar cada livro.

Só assim serei livre para um novo futuro.

29.9.10

Sintra-Oriente

Um dos meus sonhos é viajar no Expresso do Oriente e ter a possibilidade de conhecer terras diferentes, paisagens inóspitas, desertas de vida …

Em vez disso, deparo-me diariamente com a paisagem urbana da viagem Sintra-Oriente:

• A construção desenfreada;

• A rede viária e a IC19;

• As ruínas na zona de Braço de Prata;

• O vislumbre da catedral benfiquista;

• O perfil do palácio;

• Um pedaço de rio com as luzes da Ponte Vasco da Gama;

• A mistura de turistas e trabalhadores;

• Os viajantes diários, homens e mulheres de trabalho, vidas de sacrifícios e sonhos fugidos.

28.9.10

O conde de Monte Cristo

Sempre tive a sensação de que o Conde de Monte Cristo era uma história para rapazes e homens, mas nunca li o livro. Segui a versão telenovelesca A Vingança, já de si uma versão de uma telenovela latina, e fiquei com alguma curiosidade. Continuo sem ler o livro, mas desta feita vi o filme com Jim Caviezel e Guy Pearce.

Sei saber ao certo se gostei ou não, pareceu-me uma boa reconstrução histórica, com interpretações eficazes, o enredo escorreito, mas no fundo nada de especial.

Consigo perceber o fascínio da história, mas o filme não me entusiasmou, talvez por ter seguido vários meses a novela, o que permitiu um maior contacto com as personagens. Daí que, o que este filme me suscitou foi a vontade de ler o original um destes dias.

27.9.10

As palavras insinuadas


Os sinais lidos

As mensagens elípticas

Os desejos não proferidos

Nós, na nossa viagem

24.9.10

O amor é…

O amor não existe por si só. O amor é um conjunto de tantas características que diferem que se transforma de ser para ser e, como tal, nunca é igual, permanecendo indefinível.

O amor é respeito, admiração, cumplicidade, descoberta, surpresa, riso, companheirismo, calor, ternura, carinho, desejo, … Mas, sobretudo, o amor começa com disponibilidade.

Disponível para o amor não é um título de filme, é um estado de espírito que nos temos de permitir, pois ninguém entra por uma porta fechada. O amor começa com disponibilidade e é um caminho percorrido em conjunto.

Não sei se há a pessoa certa, mas sei que há a pessoa no momento certo. No momento em que nos dispomos a aceitar alguém, encetamos uma viagem de descoberta e assim se inicia a conjugação de todos esses sentimentos que compõem o amor, esse sentimento que é…

23.9.10

Quando se é preso por ter cão e preso por não ter, prefiro ser por não ter, porque ao menos não tenho de me preocupar com ele enquanto estou presa.

22.9.10

A última ceia

O formato de talk show tem uma dinâmica muito peculiar que depende quase exclusivamente do seu apresentador. o modo como direcciona os seus convidados, os temas a abordar, como deixa ou não fluir, a empatia com os convidados: são características aparentemente fáceis, mas cujo treino e sensibilidades nem sempre se atingem. É por isso que muitos já o tentaram, mas pouco conseguem fazê-lo.
Um dos talk shows da minha preferência é a Última Ceia de Rui Unas. Com um tom assumidamente cómico, Unas apresenta-nos uma variedade de convidados, sobretudo da área artística, mas nem sempre conhecidos do grande público. O tom é irreverente e irónico e o formato/cenário simples.

21.9.10

Ao entrar por esta porta sabia que nada seria igual no futuro. Uma vez transpostas, há portas que nunca mais se reabrem.

20.9.10

Sobre o anonimato

A blogosfera é rica em opiniões, ficções, desvarios e fantasias.

Assinadas ou em nome próprio, pseudónimos ou sob pretensos colectivos, adicionei recentemente ao meu Google Reader vários blogues sobre Sintra. Se por um lado tem sido uma forma de conhecer melhor a realidade que me rodeia, por outro tem sido interessante perceber como a crítica se esconde sob o anonimato.

Alguns blogues são notoriamente alimentados por pessoas de forças políticas diferentes da actualmente À frente do município. Talvez nos corredores políticos se saiba exactamente quem os escreve, mas o público em geral acaba por conhecer apenas a crítica, sem saber exactamente quem a subscreve. Provavelmente pessoas dentro do aparelho municipal, mas cuja frontalidade se fica pelo anonimato, ou então alguém que notoriamente lá quer chegar.

É claro que neste país nem sempre é fácil assumir o que se diz: há consequência e que ninguém diga o contrário. É pena, porque uma censura velada é pior que uma censura explicita. Não há fair play para assumir uma voz crítica, porque o máximo que se ganha é palmadinhas no ombro de uns e outros, os primeiros a depois a abandonar o barco, em seu proveito.

Tenho pena que assim seja. Aprendi a respeitar pessoas – mesmo sabendo que estas são falíveis – e não blocos amorfos de opiniões.

19.9.10

Nós, os excluídos

Nós, os que não temos Nexpressos, nem Delta qs, nem bimbis, nem ipods, iphones ou ipads, nem e-books e outros gadgets que tais, somos os novos excluídos sociais.

Não estamos capacitados para tecer considerações sobre cores e aromas de café, não trocamos receitas e os nossos truques culinários são obsoletos, não aconselhamos aplicações informáticas ou digitais. De há anos para cá, alguns temas de conversa reduziram-se drasticamente. Há mesmo pessoas com quem já não há qualquer tema de conversa, pois a sua personalidade esgota-se nos aparelhometros que possuem. Quem são elas para além dos gadgets? Não consigo perceber.

Quem sou eu? Nem sempre sei quem sou. Inevitavelmente, a vida tem-me mudado, quero querer que para melhor, embora nem sempre o pareça. Mas sei que sou alguém para além de qualquer objecto de moda e status. Defino-me. Não sou definida pelos objectos que tenho.

18.9.10

Peso Certo

Primeiro pensei: um concurso sobre gordos a perder peso, só mesmo os obesos dos americanos para pensar nisso. Depois, vi um ou dois episódios e fiquei curiosa: será que conseguiram perder peso? Agora: sigo quase todos os dias as pesagens e desafios. Não torço por nenhum participante, mas fico espantada com as suas perdas de peso semanais. E é isso que nos mantém presos ao ecrã: o suspense. É claro que os participantes se encontram, em condições muito especiais para perderem os imensos quilos que perdem (há quem perca, no final do concurso, o equivalente a uma outra pessoa). por um lado, transmite ao público a sensação que é possível: basta determinação e disciplina. o que infelizmente não são as caracteristicas mais usuais num obeso. Mas ainda assim, a motivação e a competitividade que são induzidas nos concorrentes, tornam este concurso uma "gula" diária.

17.9.10

Perdi a minha capacidade de comunicar

Ao longo dos últimos meses, fui calando em vários momentos palavras que deveriam ser ditas. Por falta de coragem em admitir o erro. Para evitar verbalizar a dor e encara-la cara a cara.
Soterrei palavras na esperança de soterrar sentimentos e agora o meu peito pesa e de tão pesado já nem força para respirar. O cansaço toma conta de mim e a angústia deixou-me ancorada.

16.9.10

Quando se diz adeus para sempre é necessário olhar frente a frente o objecto da nossa despedida. O luto consequente necessita dessa última memória aonde voltar sempre que o coração aperta. Essa memória que garante a sua presença eterna em nós.

15.9.10

COGITO

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.


Torquato Neto
(1944-1972)

Visto no Poemargens.

14.9.10

O meu poema é de silêncio
Não sei as palavras para escrever
Em obsoletas páginas de papel
E impessoais tecnologias

13.9.10

Diálogo negligente

- Merda, já sabia que a negligência se pagava caro. Porque é que fui arriscar, ainda para mais neste momento, quando não me posso dar a esse luxo? - Porque a tentação está lá e há momentos em que precisamos de nos deixar ir, em que já não aguentamos ser racionais e não pensar em nada é um oásis.
- Mas as consequências… e se acontecer o pior?
- E se acontecer o melhor? É o que nos diz o diabinho no fundo da mente e por vezes ele leva a melhor sobre nós.
- E se acontecer o pior?
- Se acontecer, lidas com as consequências: vês quais são as tuas opções e optas pela menos má. É sempre assim…
- Fui tão negligente!
- Agora não adianta chorar sobre o leite derramado. Há que esperar e ver o que acontece. Se há coisa certa na vida são os nossos inúmeros erros. Diferentes, como convém, mas ainda assim erros.

11.9.10

Conta Corrente I (1969), Vergílio Ferreira

Não considero imperativo conhecer a vida do autor para conhecer e apreciar a sua obra. Sendo a obra um objecto de reflexão do autor, é também um reflexo mais ou menos explicito da sua vida. Conhecer a vida do autor é ter uma perspectiva pessoal da sua obra, mas mal da obra se esta não excede a via do autor.

Se a biografia do autor se pretende um relato fiel, a diaristica pode e deve ser encarada como uma mais uma vertente da sua escrita. Uma reflexão, quiçá, mais intima do seu ser. Mas que não deixa de ser um discurso escolhido, em que a selecção de temas, abordagens e tons são opções mais próximas da narrativa ficcional.

Uma das minhas últimas opções de leitura tem recaído sobre a diaristica de dois dos meus autores de eleição: Migual Torga e Vergílio Ferreira. Neste Conta Corrente, ano de 1969, predominam a reflexão literária, bem como observações sobre acontecimentos pessoais, dentro da esfera familiar e de amizades. Das várias reflexões literárias saliento a temática da edição, revisão e tradução, bem como da construção do romance. Das reflexões pessoais, saliento a temática do tempo e da morte.

8.9.10

Diálogo médico

- odeio ir ao médico.
- ninguém gosta de estar doente.
- com a doença posso eu bem, o que não gosto é de ser escrutinada, questionada. Mesmo com sigilos profissionais, não gosto de me explicar.

7.9.10

Por vezes, tantas vezes, demasiadas, tão embrenhados estamos nos nossos problemas que descuidamos dos problemas de quem nos rodeia.


Egoístas, julgamos que as outras vidas são rotineiras e apenas têm contratempos menores. Sobrestimamo-nos. Julgamo-nos os únicos com problemas aos quais se podem realmente chamar problemas. Só nós temos uma vida difícil de sacrifícios e desnortes.

Mas nas outras casas, para lá das outras portas, há também dramas, que do nosso umbigo, recusamos verm ou, vendo, dar importância.

Até na dor somos egoístas, queremo-la unicamente para nós, para sermos únicos mártires, dignos de compaixão.

Que triste… pois somos tão incapazes de compaixão com os demais.

5.9.10

O humor e a cidade – Seja ela qual for…

O humor está cada vez mais enraizado no espírito e na televisão nacional, alargando o seu espectro a programas sem tradição de produção cá pelo burgo, como é o caso dos magazines de viagens. À excepção da rubrica da SIC Ir é o Melhor Remédio, esta tradição anglo-saxónica chega-nos via produções estrangeiras como o Sem Reservas, de Anthony Bourdain.
A premissa é apresentar não só os lugares mais turísticos de uma cidade portuguesa, mas também explorar humoristicamente o seu património e idiossincrasias. Para algumas gargalhadas, Domingo, 21h30, RTPN.

4.9.10

"Os livros são espelhos:
só se vê neles o que a pessoa tem dentro."

Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento, p.224

2.9.10

Diálogo vergonhoso

- ontem fiz a walk of shame.
- Sério?
- Sim. Eram 10 da manhã, e só sentia o sol a ofuscar-me enquanto ia para o carro.
- Isso não é uma walk of shame. Walk of shame é serem 2 ou 3 da manhã e dizerem-te que já é tarde e que amanhã se levantam cedo, sem que pelo meio se mencione “dorme cá em casa.”

1.9.10

Chile subterrâneo

As notícias dos últimos dias têm-nos bombardeado com as mais ínfimas vitórias relativas à tentativa de resgates dos 33 mineiros soterrados numa mina no Chile.
Tanto tem sido dito e escrito e apenas me consigo sentir assombrada perante esta situação.
A resistência humana é por vezes inexplicável e este é um dos mais notórios exemplos: resistir durante duas semanas sem qualquer contacto exterior e, agora, quem sabe, resistir ainda meses antes de um resgate que ninguém pode garantir ileso.
O meu respeito por estes homens.

30.8.10

Diálogo prioritário

- Essa devia ter sido uma decisão conjunta.
- Não, a decisão é minha.
- Devias ter falado comigo, sabes o que queria.
- Sim, e também te disse o que queria, ou melhor, o que não queria. Daí, tomei as providências que considerei necessárias.
- Entristece-me não me teres em conta nessa decisão.
- Acredito. Mas a decisão só me diz respeito a mim e por mais que consideres que devia ser conjunta, acho que não te compete a ti. A tua opinião seria importante e tida em conta se fosse conforme ou conciliável à minha. Não é despotismo da minha parte, apenas acontece que tenho prioridade nas opções que determinam a minha vida.

29.8.10

Programa de Domingo de Manhã

Aproveitando a gratuidade de visita dos museus nacionais ao domingo de manhã, recomenda-se:
Seguido, se possível, de pequeno lanche nos apeteciveis jardins do Monteiro-Mor.

28.8.10

Um estádio desejável do ser humano era este saber diferenciar entre públicas virtudes e vícios privados. Vemos as pessoas como um todo uniforme mais fácil de perceber e não como um conjunto heterogéneo de diferentes aspectos, com muitos dos quais não sabemos reagir e lidar. Insistimos que público e privado sejam o mesmo: facilita a nossa catalogação, pois processar a diferença é um trabalho complexo e moroso.

27.8.10

Diálogo escrito

- o que é que escreves?
- A mulher que queria ser.
- Não és a mulher que queres ser?
- Não, estou muito longe disso.
- Não acredito. Que mulher querias ser?
- Inteligente. Confiante. Tolerante. Amiga. Amante.
- Tu és tudo isso. Porquê essa crise de auto-estima?
- Não é crise. É saber a verdade do que sou. É ser eu e não aquilo que procuro ocultar aos demais.
- Mas tu és todos esses adjectivos.
- Não. Sou apenas alguém que utiliza frases feitas de alguém, ditas com uma convicção ensaiada, que emite juízos parciais, incapaz de estar presente em momentos complexos da vida dos outros e que não sabe amar, apenas exigir.

26.8.10

Cármen, Prosper Merimée

A personagem de Cármen é mais conhecida através da ópera. No entanto, a sua génese está no conto homónimo de Merimée. Tal como na ópera, esta é a história de uma paixão e ciúme fatais. Uma história de homens – seduzidos -, de honra e de obsessão.

25.8.10

Travel light

Through this world
For when you leave
You won’t carry any earthly possessions
Only the memories and the love

Travel light
Worry not with hates, houses, cars ang gold
But build a home
See the world outside your horizon
And shine, shine out all the love inside

You must learn to travel light
Or else life is but a burden

24.8.10

O Alienista, Machado de Assis

De médico e de louco todos temos um pouco.

Este conto de Machado de Assis interroga os limites da mente, nomeadamente, os critérios, e quem os estipula, que permitem atestar, ou não a loucura de alguém. o conto ironiza igualmente os extremismos (loucuras) que se realizam em nome da sanidade.

23.8.10

O verdadeiro amor não é para sempre. É o que nos transforma. Para sempre. Aquele que marca um antes e um depois na nossa vida. Aquele que mesmo ausente será sempre parte de nós. Aquele nos faz ser o que somos hoje.

22.8.10

diálogo decisivo

- vais acabar comigo. - Talvez.
- Talvez? Que raio de resposta. Ou sim ou não…
- Talvez. A minha intenção é falarmos sobre uma série de coisas. Depois podemos ou não decidir terminar.
- E falar sobre o quê?
- Sobre uma série de coisas como expectativas, objectivos, a nossa situação actual. Coisas sobre as quais talvez até já devesse ter falado, mas que não considerei relevante, tendo em conta que nos conhecemos há tão pouco.
- E agora já achas. Isso quer dizer que já tenho importância suficiente na tua vida?
- Quer dizer que não quero criar falsas expectativas, o que me parece estar a acontecer.
- Tens-me estado a mentir?
- Não, mas tenho omitido várias coisas. Coisas sobre o meu passado e consequentemente sobre o meu futuro.
- E achas que é grave para o nosso futuro.
- Sim.
- Vai impedir que o tenhamos?
- Depende das expectativas. Impedir não, mas implica condicionantes. Condicionantes que não imaginas, que não está a ter em contas, daí o achar que estás a criar falsas expectativas.
- Como é que sabes?
- Se o que por vezes me dizes for verdade, então são expectativas que não poderei cumprir. Dai ser importante falarmos agora, antes de nos envolvermos mais profundamente. Não seria justo para ti, nem para mim.

21.8.10

Uma segunda juventude, Mircea Eliade

Há já vários meses que este livro esperava na prateleira por uma leitura num momento mais oportuno. Esse momento chegou com o visionamento recente do filme. Um dos motivos para a leitura foi perceber as naturais diferenças entre os dois formatos. Para meu espanto, a adaptação cinematográfica é bastante fiel, contribuindo para a história original com o seu componente visual, oferendo pormenores enriquecedores. Outra diferença é que o filme, como é hábito, dá maior relevância à história de amor, enquanto o livro explora sobretudo as questões existenciais inerentes ao processo no qual o protagonista se vê envolvido.
Como a leitura de um livro nunca é isolada, as palavras de um mergem-se sempre nas de outras leituras passadas, esta Juventude remeteu-me para Conrad e o seu Coração nas Trevas. Talvez pela exploração dos meandros da mente humana face a situações limite, mas também pelo modo como (não) explora as personagens femininas. Estas são elementos impactantes, mas não lhes conhecemos a profundidade de uma história, de um passado, de um sentimento, o que lhes confere um atrativo mistério.
É interessante, embora não densa, a abordagem de conceitos como o homem pós-histórico, a educação versus conhecimento, a emoção, juventude e velhice, espiritualidade e religião, experiência e oportunidades.

20.8.10

Algumas histórias são inventadas e é mesmo inventadas que as queremos. Outras são verdadeiras, e são sobre nós mesmos, e omitem alguns pormenores e realçam outros. Ajudam-nos a fazer sentido de nós.
Rui Tavares, in Público, 16 de Agosto

19.8.10

5 vícios de verão

- McFlurry Magnum
- Pleno Suyo de romã e bagas vermelhas
- gelados de frutos silvestres
- ar condicionado dos comboios
- colecção Biblioteca de Verão

17.8.10

Diálogo substancial

- há uma diferença substancial entre nós. - Há com certeza várias, mas diz…
- Talvez por seres homem, o sexo para ti é uma obsessão. Para mim é um prazer que partilho, mas não me comanda.
- Vais dizer que nunca tomaste decisões baseadas no sexo.
- Claro que dita algumas das minhas decisões, mas não é o denominador comum.
- Nem para mim.
- Não parece.

16.8.10

Volume ao Máximo – Pump up the Volume


Sempre tive uma paixoneta por Cristian Slater, principalmente pelos seus olhos azuis, tendo visto grande parte dos seus filmes durante a minha adolescência. Depois, o moço enredou-se pelas drogas e os filmes deixaram de aparecer. Este filme é de 1990, mas só agora o vi, não em nome dessa paixoneta adolescente, mas sim da banda sonora que comprei há vários, muitos anos numa promoção. É sempre estranho ver filmes de/para adolescentes quando já não o somos. Se por um lado recordamos alguns “dramas” da adolescência, por outro parece que fazem parte de uma outra vida, uma outra existência. Ou não tive algumas dessas angústias, ou pelo menos com a mesma intensidade, ou, simplesmente, o tempo encarregou-se de as relativizar.
A minha adolescência foi como a de tantos outras pessoas. Enquanto tentava definir a minha identidade, as minhas pequenas angústias foram o excesso de peso e o usar óculos, porque percebi desde sempre que a imagem é mais importante do que todos queremos admitir. Mas a adolescência teve também o acontecimento que eclipsou outros: o nascimento da minha sobrinha, o meu primeiro grande amor.
Apesar de não me identificar, foi interessante ver o filme e rever não só C. Slater mas também Samantha Mathis, par que viria a reencontra-se em Operação Flecha Quebrada.

15.8.10

Quem quer ser bilionário?, Vikas Swarup

Gostei bastante do filme homónimo realizado por Danny Boyle. Tenho um jogo de tabuleiro do concurso. Sou viciada no jogo televisivo, no qual participei duas vezes. Logo, não é de espantar que não tenha resistido à leitura desta obra de Vikas Swarup.
Livro e filme apresentam algumas diferenças, sobretudo na ênfase dada a determinados aspectos da história, como a violência e a pobreza. No filme estas são mais explícitas, porque visuais, enquanto no livro não há discrições muito pormenorizadas. Também a história de amor ocupa mais tempo no filme, mas também o que seria do cinema sem histórias de amor.
O livro apresenta os capítulos estruturados de acordo com os níveis de perguntas do concurso, que remetem para determinados episódio, quase sempre cronológico, da vida do personagem e que de algum modo lhe permitiu saber a resposta necessária.
A mensagem subjacente quer ao filme quer ao livro é que a nossa sorte é construída por nós, através das decisões que tomamos, dos riscos que aceitamos e também pela persistência com que seguimos os nossos objectivos. A sorte é importante, não pode ser menosprezada, mas sem aceitar e estimar essa sorte, essa acaba por se esgotar.
A participação vitoriosa neste tipo de concurso comporta um grande factor de sorte: é necessário que saiam perguntas cujas respostas saibamos. Mas estes concursos devem grande parte do seu sucesso e fascínio por funcionarem como o RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências). Todos temos os mais variados conhecimentos e áreas de interesse, que muitas das vezes não são valorizados nem por quem nos rodeia, nem por nós próprios. Dai que estes concursos funcionem como um momento em que se pode afirmar e confirmar muitos dos conhecimentos adquiridos ao longo das mais variadas experiências. Tendo já participado, posso confirmar que, não menosprezando o desafogo financeiro que me proporcionou nos tempos seguintes, a sua importância para mim foi claramente maior a nível pessoal e sob vários aspectos: o orgulho dos meus pais, o reconhecimento de que o tempo que emprego a ler tem compensações, e a “coragem” de participar. E foi notório como muitas pessoas me passaram a olhar de outro modo e a respeitar.

14.8.10

Diálogo responsável

- achas mesmo que somos responsáveis por aqueles que cativamos, mesmo quando não temos qualquer intenção de o fazer? - dizer desinteressadamente é querer fugir às responsabilidades, porque no fundo todos gostamos de cativar os outros.
- sim, também é verdade, mas neste momento não quero assumir essa responsabilidade. Definitivamente, não agora. Por isso me mantenho em silêncio, quanto menos falar, menos cativo, certo?
- errado, é exactamente o contrário.
- como?
- quando calas, quando omites, o outro preenche os espaços em branco com projecções das suas expectativas. Claro que se cativa, não por ti, é verdade, mas por aquilo que se espera que sejas.
- não tinha pensado nessa perspectiva. Ou seja, a minha estratégia não é a mais correcta, mas no fundo também não tenho a culpa que o outro projecte em mim as suas expectativas.
- só temos culpa das expectativas alheias quando realmente são induzidas por nós, muitas vezes até as desconhecemos. No fundo a nossa maior responsabilidade é sempre sermos sinceros e directos nas nossa intenções e explicitar o que queremos, o que não queremos, e, claro, o que nem sabemos se queremos ou não.

13.8.10

Inxalá – Espero Por Ti na Abissínia, Carlos Quiroga

Sempre que esperes alguma coisa do futuro, pronuncia um inxalá.

Este é o meu primeiro contacto com este autor, cujo nome sequer conhecia. No entanto, tal como a maioria das descobertas inesperadas, revelou-se-me de uma estranha cumplicidade com o momento que vivo.
Não apreciei particularmente a primeira parte, com a sua prosa poética e hermética. Mas, à medida que o enredo do protagonista se foi revelando e contextualizando o estado de espírito do personagem e a sua viagem, foi-se tecendo essa estranha cumplicidade. A obra oferece uma reflexão sobre a religiosidade e, em particular, as religiões orientais, acabando por ser didáctico. Apresenta o divino como experiência, como caminho a percorrer (metáfora antiga e sempre actual), e o amor como a mais verdadeira forma de ascender ao divino e a única capaz de dar sentido à existência.