Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt

30.6.08

Sonhos doces são feitos disto

Sonhos doces são feitos disto

Quem sou eu para discordar?

Viajo o mundo

E os sete mares

Todos procuramos algo

Alguns querem usar-te

Outros querem ser usados por ti

Alguns querem abusar

Outros ser abusados

Sweet Dreams (Are Made Of This), Eurythmics

29.6.08

Workshop semântico #25

A velha bessagana observa o ritmo das jovens na sua péla, mas não consegue ver a beleza dos seus movimentos, apenas o seu salso erotismo.

28.6.08

Workshop semântico #24

Não parecia o mesmo aparador emanciado que encontrara abandonado naquele sótão poeirento e bafiento. Era apenas uma esconsa estrutura de madeira.

Agora, graças às mãos sensíveis e fortes de Georg, recuperara a beleza e brilho que se crê de outrora. Ou talvez até a tenha superado.

Com a calma necessária, Georg limpou todo o pó da madeira, polindo-a de seguida. Depois, espalhou várias camadas de greda, até que toda a madeira tivesse um tom homogéneo. Deixou repousar e voltou a polir todo o aparador. Finalizou o trabalho com duas demãos de verniz que lhe conferiram o aspecto viçoso e tablado que agora possui.

Ao acabar, Georg sorriu. Estava satisfeito com o seu trabalho.

27.6.08

a rapariga do lado


e se aquela simpática e gira vizinha do lado fosse na verdade uma actriz porno, isso seria: uma teen comedy assim-assim.

25.6.08

o lugar do morto

Este é o título da crónica ficcional de J. E. Agualusa na nova LER. Nesta, o autor procura capturar o espírito e o estilo de um autor já falecido e assim produzir uma carta que este envia do além, seja lá de que sítio especifico. É sempre um exercício engraçado e com resultados curiosos, apesar de não ser um conceito inovador. Já a colecção Literatura e Morte, editada em Portugal pela ASA, tinha como pressuposto um conceito semelhante. No entanto, é sempre interessante ler estas páginas.

24.6.08

haveria o dia em que me contarias os teus silêncios e eu revelaria os meus segredos.

esse dia não chegou...

22.6.08

Palavras #89 a 91

Emaciado - adj., muito magro; macilento.

Tabla - do Lat. tabula, ou Cast. Tabla. s. f., lâmina; chapa; adj., diz-se do diamante chato e lapidado.

Greda - do Lat. Creta. s. f., barro macio e amarelado, que se emprega geralmente para tirar nódoas da madeira.

21.6.08

A Monografia Local

São várias as problemáticas, virtualidades e desafios com que um tipo de pesquisa como a Monografia Locai se debate actualmente.

Dentro das problemáticas, salienta-se a tendência para a utilização deste tipo de trabalho como uma memória com utilidade pública, utilizada como modo promocional, por exemplo a nível autárquico, de determinada região, carecendo por vezes de imparcialidade de análise dos factos apresentados. Sendo por vezes este tipo de trabalho uma encomenda com fins específicos, apresenta apenas uma perspectiva única e não obedece a uma correcta pesquisa e exposição metodológica.

Mas apesar de alguns aspectos negativos, as monografias locais, muitas vezes levadas a cabo de boa fé por locais não profissionais nesta área, são instrumentos de preservação da memória que apresentam uma demonstração de vivência de espaço incapaz de ser captada por profissionais não locais. E mesmo quando são trabalhos “amadores” menos bem conseguidos, não é de descurar a sua importância para trabalhos futuros de maior profundidade de pesquisa e com outros métodos de análise.

Mas, mais importante do que observar as problemáticas e virtualidades, é relevante perceber as novas potencialidades que actualmente se apresentam e possibilitam este tipo de investigação. Primeiro, a nível de recursos, a proliferação e disponibilização de arquivos digitais e de conteúdos bibliográficos permite o acesso de informação a um maior leque de público. Também o contributo de novas fontes de informação como a iconografia, em particular a fotografia e o registo audiovisual, tem permitido novas abordagens aos quais se podem igualmente juntar os novos olhares advindos da arte, como literatura, e da cartografia, por exemplo. Igualmente relevante é a nova multidisciplinaridade que actualmente reveste este tipo de pesquisa e a necessidade de criar equipas com elementos das mais variadas áreas.

A monografia local é um relevante trabalho de investigação para a historiografia e para a compreensão de dinâmicas internas nacionais, daí que não deve ser descurada nem pelos meios académicos, nem pelos poderes, quer autárquicos, quer centrais.

20.6.08

Workshop Semâmtico #23

Exercício 1
antes de vestir o sambenito, comeu a sua última refeição: um mal enjorcado cibo de calau cozido com duas batatas negras de velhas.

19.6.08

Natalie Portman

Quase todos a vimos pela primeira vez a roubar a cena a Jean Reno em Leon, O Profissional, já lá vão uns 15 anos. Mas a menina cresceu, apesar de manter um olhar travesso e desarmante que tanto nos atrai para as suas personagens. A actriz cresceu também e tem tido o mérito de construir uma carreia diversificada e com papéis muito interessantes, que lhe têm permitido trabalho com alguns dos melhores realizadores da actualidade. Dos seus vários trabalhos gostei muito de: Leon (Luc Besson); Raparigas giras; Star Wars (George Lucas), Garden State (Zach Braff); Closer (Mike Nichols). Mas ainda quero ver: Toda a gente diz que te Amo (Woody Allen); Os Fantasma de Goya (Milos Forman) e Duas irmãs e um Rei.

18.6.08

Às vezes lembro-me do pouco corpo que ainda te restava e te arrastava ainda pela vida que era fácil ver no teu olhar vazio já tinhas deixado para trás não se sabe muito bem quando.

17.6.08

Sabedorias

os 20 são para aproveitar

os 30 para aprender lições

os 40 para pagar bebidas…

16.6.08

O Original da Espécie

Querida, calma
O fim não é tão divertido quanto o início
Peço, permanece criança algures no teu coração

Dar-te-ei tudo o que quiseres
Excepto aquilo que queres
És a primeira do teu género

Sentes o que ninguém sentiu antes
Roubas mesmo debaixo do meu nariz
Ajoelho-me por que te quero um pouco mais
Quero tudo o que tens
E recuso tudo o que não és

Onde quer que vás mostra-te
Não precisas ser tímida

Não deves aperfeiçoar-te em certas coisas
Como sorrir, chorar e ser célebre
Há quem adquira demasiada arrogância amor

Doçura, vá, mostra a tua alma
Tens controlado o teu amor

Onde quer que vás gritas adeus
U2,Original of the Species

15.6.08

Closer – Perto Demais


Paixão, desejo, amor(es)… nem sempre se sentem pela(s) mesma(s) pessoa(s), nem nos mesmos planos temporais, feitos mais de desencontros que de encontros. Sem santos, nem pecadores, nem morais que valham seja o que for. Às vezes apenas perto demais para se ver por completo.

14.6.08

Deixa!
Não te importunes com as minhas lágrimas.
São para ser choradas na minha solidão e no meu silêncio.
Nem todas as lágrimas são para ser amparadas ou acarinhadas ou apagadas.
Há lágrimas que não podem ser contidas ou sossegadas.
Têm de sair com ímpeto com raiva com desapego.
São estas as lágrimas.

11.6.08

o público estruturado por configurações sociais

A obra Sociologia dos Públicos , de Jean-Pierre Esquenazi (1), aborda várias questões que permitem uma maior compreensão dos públicos, ao salientar alguns dos seus modos de recepção, percepção, estruturação e configuração. O capítulo quinto evidência alguns modos de percepção dos públicos consoante a sua estruturação cultural. Esta observação tem como base os pressupostos de Bourdieu e a sua teoria de Distinção (2) social com base nos valores estéticos e no modo como estes são perpetuados em cada grupo social:
“[Taste] functions as a sort of social orientation, a ‘sense of one’s place’, guiding the occupants of a given…social space towards the social positions adjusted to their properties, and towards the practices or goods which befit the occupants of that position” (Bourdieu 466)
Nesse sentido, o autor evidencia dois traços de divisão cultural dos públicos: o nacional e o feminino. No primeiro caso, salienta a percepção do filme A Cor Púrpura (3) e o modo como os públicos francês e húngaro recepcionam obras literárias.
No entanto, o autor detém maior atenção nas apreciações do público feminino, nomeadamente no que diz respeito ao produto televisivo das novelas, e os valores veiculados por este produto.
Analisando o papel das personagens femininas nas novelas americanas, observa-se que estas se baseiam num ideal de figura materna (4) . Apesar das novelas apresentarem uma verosimilhança com os vários papéis sociais femininos, estes correspondem a padrões culturais da década de 80, veiculados pelas novelas Dallas e Dinastia, que mostravam sagas familiares de grupos sociais de elevados recursos financeiros.
Mas será que duas décadas depois o papel da mulher nas produções televisivas é o mesmo? Não. A mulher deixou de ter o papel principal somente nas novelas e passou igualmente a ser protagonista de várias séries. Um factor preponderante nesta mudança foi desempenhado pela série O Sexo e A Cidade (5). Daí para cá as mulheres têm protagonizado séries como: Weeds – Erva; Anatomia de Grey; Bonés; Irmãos & Irmãs; Men in Trees – O Amor no Alasca; Entre Vidas; Terminator – The Sarah Connor Chronicles (6). Nestas séries, as protagonistas são mulheres trabalhadoras economicamente independentes e que assumem a resolução dos seus problemas, sejam em que sector da sua vida.
Ao recolher esta informação é curioso observar os canais em que são transmitidas e os respectivos horários, quando em comparação com séries com protagonistas masculinos.
Assim, as séries com protagonistas femininos são exibidas sobretudo diariamente às 22h40, na RTP2, e nos fins-de-semana no período da tarde. Já as séries com protagonistas masculinos, como A Lei do Mais Forte, A Vedeta, House são exibidas em horários mais tardios, depois das 24 horas, com excepção de Lost e Prision Break, cuja exibição decorre aos fins-de-semana à tarde, pela RTP1.
Deste modo, podemos observar como os papéis sociais femininos se alteraram, bem como a sua veiculação mediática. As representações femininas já não se restringem somente aos seus papéis no seio familiar, mostram também a sua influência e capacidade nos mais variados meios profissionais.

(1) ESQUENAZI, Jean-Pierre : O Público Estruturado por configurações culturais : In Sociologia dos Públicos. Porto : Porto Editora, 2006. p. 61-71.
(2) BOURDIEU, Pierre : Distinction: A Social Critique of the Judgement of Taste : Harvard University Press, 1984.
(3) Filme de 1985, realizado por Steven Spielberg, baseado na obra literária homónima de Alice Walker. Esta obra tem como protagonista uma mulher negra residente num estado sulista dos Estados Unidos da América que ao longo da trama se confronta com demonstrações de racismo por parte da cultura branca, bem como com os valores patriarcais da cultura negra. (http://en.wikipedia.org/wiki/Alice_Walker, consultado a 12/06/2008)
(4) ESQUINAZI, Jean-Pierre : idem. p. 68.
(5) Estreada em 1998, a série da HBO teve seis temporadas e presentemente está em cartaz a nível mundial o filme homónimo que continua as peripécias das quatro protagonistas, que representam várias formas de encarar a vida profissional, amorosa e familiar da mulher citadina (www.imdb.com, consultado a 12/06/2006)
(6) Títulos recolhidos das grelhas de programação dos quatro canais generalistas nacionais, durante o mês de Maio.

10.6.08

Livros fúteis

A mais recente crónica de Pedro Mexia disponível na Ler é uma pérola. Denomina-se Livros Fúteis e é dedicado a todos aqueles livros que nunca deveriam ter ousado sair das escassas e deterioradas células cinzentas dos seus autores.

Nem todos têm estofo e/ou criatividade para ser escritor, mas também há gente muito iludida neste mundo e é verdade que as ilusões são tramadas, sejam quando ainda se possuem ou quando já se perderam.

Mas há casos em que não há sequer ilusões. Há apenas marketing de um nome que se julga poder vender tudo.

9.6.08

Sou a primeira a afirmar que ouço muito pouca música, logo conheço muito poucos autores e intérpretes.

Mas isto da Internet tem as suas vantagens e hoje andei a descobrir Tom Waits.


8.6.08

Palavras #86 a 88

Sambenito - do Cast. Sambenito s. m., hábito ou balandrau, em forma de saco, que se enfiava pela cabeça dos condenados, quando eram levados para os autos-de-fé.

Cibo - do Lat. Cibu s. m., alimento, comida (especialmente das aves); fam., pedacinho de qualquer coisa.

Calau - s. m., Ornit., ave de tamanho relativamente grande, de bico muito desenvolvido e que vive em bandos na Ásia, África e Austrália.

6.6.08

O Diário da Nossa Paixão


Nicholas Spark é sinónimo de best seller quer nos EUA, quer deste lado do Atlântico, mas cuja escrita desconheço. No entanto, esta é a terceira adaptação de um livro seu ao cinema que vejo, depois de As Palavras que Nunca te Direi – Message in a Bottle e A Walk to Remember. Em comum, estas são histórias de amores profundos e sinceros, mas que de algum modo se desencontram no tempo. O curioso sobre as três histórias é que abordam três faixas etárias e consequentemente esse factor altera a percepção e o modo de aceitação dos sentimentos amorosos.
Este Diário da Nossa Paixão é exactamente isso: o relato do encontro dos protagonistas e do seu enamoramento. Mas mais interessante do que esse amor pueril é o amor maduro que pauta a narração. Um amor que teima em permanecer mesmo quando um dos cônjuges é acometido de uma doença mental degenerativa que lhe rouba a memória quer do passado, quer das pessoas importantes da sua vida.
E isto sim é i mais relevante do filme, pois infelizmente é uma realidade cada vez mais frequente nas nossas sociedades: a existência deste tipo de doenças que nos retiram quem mais amamos e apreciamos, sejam familiares, amigos e vizinhos. Só é pena que os finais reais não sejam tão poéticos e ideais como o do filme. Mas seria bom, seria sinal de dignidade e respeito, quiçá divino ou biológico, pelo humano.

5.6.08

crónica de uma morte anunciada


Como o nome indica, este é o relato de uma morte anunciada, ou como o narrador frisa “morte mais anunciada que esta nunca houve na história”. De tal modo, que parece incrível como é que a mesma se concretiza sem que ninguém realmente tente evitá-la e “obrigando” os seus perpetuadores a leva-la a cabo. Temos aqui o relato o mais “sincero” e explicito possível da apuração dos factos e do que correu mal no impedimento desta morte, relembrando a máxima de que “para que o mal triunfe, basta que os homens de bem nada façam”. E neste caso, os homens de bem, na sua incredulidade, na sua incapacidade para ver não o mal, mas o erro, foram capazes de permitir um crime horrendo.

3.6.08

Sabedorias

... as mulheres não têm acidentes: causam acidentes.

ou como canta Bono

... you're an accident waiting to happen.

2.6.08

vivemos no limite

Há algo errado no mundo de hoje

E não que seja

Algo errado com os nossos olhos

Vemos de um modo diferente

Que Ele sabe não ser o Seu

E não é nenhuma surpresa

vivemos no limite

Há algo errado no mundo de hoje

As luzes enfraquecem

Há fusões no céu

Se podes considerar um homem sábio

Pela cor da sua pele

Então, és melhor do que eu

Vivemos no limite

Sem conseguir evitar a queda

Vivemos no limite

Sem conseguir evitar nada

diz-me o que pensas da nossa situação

Complicação. agravamento

Está a afectar-te

Se alguém diz que o céu está a cair

Mesmo que não esteja ainda te rastejarias

De volta – acredito que sim meu amigo –

De novo e de novo e de novo e de novo e de novo

Há algo certo no mundo de hoje

E todos sabem estar errado

Mas não podemos negar

Ou escapar-nos-ia

Mas prefiro aguentar-me

Livin' On The Edge , Aerosmith

1.6.08

Já fizemos de tudo nesta vida e ainda nos resta outro tanto. Valeu-nos viver a vida ao contrário.

Agora que perdemos as rugas e ganhamos a juventude tudo tem mais sabor. Sabemos o que estamos a ganhar e vivemos ao rubro. Agora sim vivemos.


A ideia de que ainda podemos fazer algo pela primeira vez atrai sempre. JEA in Ler#70