Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
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30.6.10

A última tarde...

Ao final de 7 anos, vou mudar de horário de trabalho. Das vantagens e desvantagens, saliento apenas a perda das minhas segundas, mas também as novas possibilidades que se apresentam. Profissionalmente, o novo horário vai possibilitar um maior acompanhamento dos projectos em que estou envolvida.
Assim, amanhã é um novo dia, em que se inicia mais uma das novas fases com que este ano me está a brindar. Será um novo amanhecer!

29.6.10

bullying estatal


uma das falhas do nosso estado sempre foi a fiscalização, daí que muitos cidadãos se tenham habituado a não regularizar os seus incumprimentos. A verdade é que o estado perde(u) muito dinheiro, até porque, entretanto, vários processos acabam por prescrever. Num momento em que o estado necessita fazer dinheiro a todo o custo, este vira-se para os cidadãos em falta, o que é lógico.

Muitos destes cidadãos faltosos são-no propositadamente e até estão numa boa situação, outros são-no por ignorância ou por engano de terceiros. A maioria debate-se ao final do mês para pagar as suas contas, quando são confrontados com citações inesperadas, que complicam ainda mais a sua situação.

O que mais custa, além das eventuais dívidas, é o desprezo com que estes cidadãos são tratados. As citações mencionam números de processos, montantes em dívida e mil e uma formas de as regularizar, mas em momento algum se menciona a razão das dívidas. Quando o cidadão se dirige aos serviços, após maratonas de espera, percebe-se que algumas dívidas são antiquíssimas e até já prescreveram, o que poderá até ser um mal menor, pois eventuais comprovativos podem já não existir.

O que é triste perceber das várias conversas que se ouvem é que:

- os cidadãos não sabem o que pagam e porquê;

- se o estado falha, o cidadão é que paga, com juros, que não são poucos e são constantemente actualizados, tornando-se facilmente superiores às eventuais dívidas;

- a defesa dos interesses dos cidadãos depende apenas da solidariedade dos funcionários que os atendem.

A única conclusão é que o estado adoptou a estratégia do bullying para aterrorizar os cidadãos. Infelizmente, muitos caem na esparrela, acabando por pagar o que eventualmente devem e o que não devem.

28.6.10

a vida é uma viagem de patins

há os que deslizam suavemente
os que fazem malabarismos surpreendentes
os periclitantes
os que se levantam e continuam
e os que uma vez no chão nunca mais se equilibram.

27.6.10



Amigas, muito obrigado. Espero poder retribuir o carinho e a amizade. 

26.6.10

Lullaby, Chuck Palahniuk


E se os pensamentos, através de uma fórmula conhecida só por si, pudessem exterminar? E, em posse desse poder, qual seria o critério de utilização, se é que algum é válido? E se esse poder for incontrolável?
Neste romance moderno, Chuck Palahniuk, autor de Clube de Combate, através do tema da morte, explora outros como: luto, poder, magia, ruído, crença, aleatoriadade, perversão.

23.6.10

Uma das prerrogativas do ser humano é mudar de opinião, de objectivos, de crenças, e de tudo o mais...
... hoje, é um desses dias!

18.6.10

José Saramago

Da obra de Saramago, li apenas o Memorial do Convento, por curiosidade sobre a fama da obra e não por obrigação escolar. Não se tornou um escritor de eleição, mas percebi o porquê do seu valor.
A importância de Saramago para o panorama cultural português ultrapassa a sua obra e é indissociável do Prémio Nobel. Este tornou-se uma porta de entrada da literatura nacional na cena internacional. Sem Saramago, muitos dos escritores portugueses hoje traduzidos estariam ainda confinados ao nosso público ou ao mercado lusófono.
Se a obra de Saramago é notória, mais notório é o reconhecimento que permitiu a uma geração de escritores.
Hoje, com a sua morte, essa porta semicerrar-se-á. É certo que as vendas dos seus livros vão disparar nos próximos dias, mas depois virá a calmaria. Será importante perceber qual o impacto da sua morte na promoção da sua obra, mas também na divulgação da literatura nacional.
É certo que a Fundação com o seu nome terá um papel preponderante e será interessante acompanhar o seu trabalho futuro.

17.6.10

Diálogo solitário


- posso fazer uma pergunta pessoal?
- sim, claro.
- estás só há muito tempo, não é?
- sim, há bastante.
- nota-se que estás muito à vontade só.
- sim, quando é uma opção torna-se fácil estar só.

16.6.10

A melhor forma de desperdiçares a vida é tirando apontamentos. A forma mais fácil de evitar viver é limitares-te a observar. Dar atenção aos pormenores. Relatar. Não participar.
Lullaby, Chuck Palahniuk

15.6.10

É certo que se uma casa estiver edificada tempo suficiente, mais tarde ou mais cedo, albergará o espectro da morte.

12.6.10

Heis que as noites de Junho se revelam frias e desconfortáveis, pouco convidativas às quentes descobertas de verões mais pueris.

10.6.10

Fauna bibliotecária

Um velho de casaco azul e botões dourados debruçado sobre o jornal diário, apoiando a testa na mão, enquanto através dos óculos colocados a dois terços do nariz perscuta o editorial.

O telemóvel em vibração quase se confunde com o ressoar do scanner na sala ao lado e continua o seu zumbido até que o individuo de óculos e boné azul de uma qualquer marca desconhecida se apercebe que este advém do bolso da camisa aos quadrados esbatidos pelas inúmeras lavagens.

O casal de namorados divide-se entre o diário futebolístico e o guia turístico mensal, ambos em escape do outro.

9.6.10

Jon Stewart


Se me pedirem um exemplo do que seria o homem ideal, Jon Stewart seria uma resposta. Pelo humor para lá de sarcástico, pela capacidade de falar sobre vários temas, pela visão crítica, e, vá lá, é giro!

8.6.10

Há noites e há dias assim…
Em que o calor convida os corpos a unirem-se.
Entre a antecipação e a concretização fica o meu desejo.

7.6.10

Flexível? Sim. Mas até que ponto?

A vida acontece e questiona crenças e princípios orientadores.
Em certos aspectos tornamos-nos mais inflexíveis, noutros o contrário.
O que me inquieta é estabelecer esse novo grau de flexibilidade.
Até que ponto podemos esticar a nossa flexibilidade sem anular o que fomos?

6.6.10

Lado B


São quase inexistentes os programas que suscitam o meu interesse no fim-de-semana televisivo nacional, mas felizmente há o quase… já há várias semanas que o Bruno Nogueira reina nas noites de Domingo e nos faz ir mais descansadinhos e animados para mais uma semana de trabalho.
Bruno rocks!

5.6.10

Nunca uma despedida…
Somos o reencontro dos nossos corpos,
Na manhã de ontem
Numa noite futura,
Cravados de desejo
Saciável apenas em nós.

4.6.10

As opções racionais, fiz com o coração. As do coração, fiz com a razão.
O resultado foi ter falhado em ambos.

3.6.10

João Aguiar


Normalmente, não escrevo sobre desaparecimentos, mas hoje vou fugir à regra. Hoje a cena literária nacional ficou mais pobre com a morte de João Aguiar.
Li apenas dois dos seus livros e espera-me na prateleira um terceiro. Mas o seu livro A Encomendação das Almas tocou-me como muito poucos o fizeram e ainda me arrepia pensar no seu final e me comove o seu relato. Por isso aqui deixo uma nota sentida à sua partida.