Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt

31.12.09

O balanço inevitável

A passagem de ano não muda o inevitável discorrer das nossas vidas. Apresenta-se apenas como um ponto a partir do qual se analisa um período e se perspectiva outro. O mesmo acontece com os aniversários.
A nível pessoal, os últimos meses têm sido complexos e o próximo ano será ainda mais. Ânimo pois para ultrapassar as complexidades que se avizinham.
A nível profissional, novos passos terão e serão dados para ultrapassar o impasse.
A nível associativo, o tempo a dispor será por ventura diferente, mas a vontade será a mesma.
A nível blogosférico, o objectivo este ano foi fazer um post diário, mas tal não será eventualmente exequível no novo ano, mas a presença manter-se-á.

29.12.09

A mudança não depende do calendário

Está em nós no momento em que o estômago se enovela e paramos ou quando pula e arriscamos. A mudança está nesse músculo esquecido e tão pouco poético que absorve energia e a devolve ao corpo.

28.12.09

O formato do livro

Mais do que o formato, a minha escolha de alguns livros deve-se mais ao corpo de letra e respectivo espacejamento. Quando se tem mais dioptrias do que as desejáveis, estes são pormenores que pesam sobremaneira.

27.12.09

Leitura ouvida

Durante a infância, creio que nunca ninguém leu histórias para mim. Talvez por isso, tentei incutir esse hábito com os meus sobrinhos. Também por isso, fiquei traumatizada com o Cavaleiro da Dinamarca, cuja leitura a minha sobrinha obrigou a fazer vezes sem conta a partir do início, mas sem nunca chegar ao fim.

24.12.09

Persépolis

Desde a infância que me foi óbvio que vivo num tempo e numa sociedade que me permite ser mulher no pleno uso das minhas opções. Essa consciência foi-me transmitida pela minha mãe, que sempre lutou para que tivesse e aproveitasse oportunidades que me dessem independência, principalmente financeira. A única que me permitiria fazer outras escolhas também independentes. Não cheguei ao nível de independência a que aspirou, mas consegui muito do que desejou para mim.

Não sou uma feminista exacerbada, mas defendo a igualdade de oportunidades, embora aceite que, biologicamente, haja tarefas mais aptas a homens ou mulheres. Mas ainda há muito a fazer.

Porquê esta introdução? Porque este filme é a voz de uma mulher num tempo e num local em que a sua voz não é livre. É um filme que com uma simplicidade estética nos transporta e dá corpo às restrições sentidas por essa mulher. É uma história pessoal, mas que sabemos idêntica a tantas outras. E não posso senão deixar de sentir solidariedade por essa(s) mulher(es), e por esses homens, que não têm possibilidade de escolher, cujos seus direitos e dignidade não são reconhecidos e que não passam de seres inferiores.

23.12.09

Quase transparente

Quando me olho de manhã ao espelho, não considero a minha pele especialmente branca. É clara, apanha pouco sol, mas não lhe vejo nenhum tom fora do vulgar. Por isso, quando me dizem “estás muito branquinha, precisas de apanhar sol”, aceno condescendentemente que sim.

Nas viagens diárias de comboio, vejo as mais diversas compleições, fruto da diversidade étnica hoje existente no nosso país. Mas entre estas, destacam-se pessoas de aspecto quase etéreo. Pessoas que entre as quatro paredes de casa, dos transportes e do trabalho, não vislumbram raios de sol, porque saem de noite e chegam de noite. São pessoas quase sem vida, suspensos na existência. Quase transparentes.

21.12.09

Os pontos nos iiis

Esta é a minha mais recente experiência. Nasce na necessidade de ganhar um dinheiro extra, pondo em prática as minhas mais valias, e da observação de que há um grande número de pessoas que não conseguem, não querem ou não sabem escrever ou elaborar os vários documentos que necessitamos diariamente, seja a nível pessoal, profissional ou escolar. Assim, proponho-me a:
- Redigir currículos e Cartas de Apresentação e outros textos;
- Realizar traduções de Inglês para Português;
- Corrigir textos vários e trabalhos escolares;
- Transcrever actas;
- Elaborar e formatar de trabalhos em Word, Power Point e Excell;
- Dar explicações de Inglês e Português;
Para mais informações e esclarecimentos, consultar http://ospontosnosiiis.blogspot.com/ .

20.12.09

Que importa se não vemos ninguém durante o ano inteiro, quando por alturas do Natal almoçamos/jantamos com todos e mais alguns?

19.12.09

Pluft, o fantasminha



Esta é a segunda produção de Os Cintrões, o grupo de teatro dos funcionários da Câmara Municipal de Sintra, e foi levada a cena hoje no Olga Cadaval, no âmbito da festa de Natal para os filhos dos funcionários do Município.
Tive o prazer de participar nesta produção, embora não de um modo tão efectivo como seria desejável (segundo fantasma a contar da direita). Foi uma óptima experiência que espero continuar de forma mais efectiva.

18.12.09

Auto-mutilação

Lembro-me de roer as unhas (onicofagia) desde sempre. É um vício que já tentei deixar, mas descobri que sou muito fraquinha de espírito para tal. Durante a adolescência, juntou-se a este o hábito, hoje também vício, de rebentar borbulhar (dermatotilexomania), tirar crostas, etc, o que além de pouco higiénico, é muito pouco estético. Com fases mais ou menos intensas, sempre que passo por uma época de maior stress, o problema é pior.
Estando numa dessas fases, e sabendo que conhecer a raiz de um problema é a melhor forma de combate-lo, resolvi investigar e perceber melhor o que em mim o origina. Entre algumas suspeitas, vieram sobretudo as confirmações.
Estes dois vícios são formas de auto-mutilação, um meio de obter alívio de emoções insuportáveis, relacionado com baixa auto-estima e perfeccionismo exacerbado. Usualmente, os seus perpetradores são conscientes das feridas e cicatrizes – na sua maioria situadas em áreas do corpo escondidas por roupa ou acessórios. A onicofagiarelaciona-se sobretudo com o nervosismo, o stress, a fome e o tédio. A dermatotilexomania é considerada um transtorno obsessivo-compulsivo.

12.12.09

outro testemunho de espiritualidade

Nem a propósito, poucos dias após ler a entrevista de Zimler na Ler #85, leio no Ípsilon desta sexta a entrevista ao realizador espanhol Alejandro Amenábar. A sua evolução em termos de crença e espiritualidade são semelhantes à minha, e ao que denomino uma visão panteísta da divindade.

"E então li os evangelhos e havia tantas coisas que desafiavam o senso comum e o conjunto dos meus valores... Resolvi que devia haver uma maneira qualquer de se ser boa pessoa sem ter de acreditar naquilo. Na altura em que fiz 'Os Outros' já era um agnóstico e o filme reflectiu esse sentimento. Depois, quando já tinha terminado 'Mar Adentro', assumi que era ateu - querendo com isso dizer que, se há uma presença acima de nós, penso que não é nenhum dos deuses referidos na História. Prefiro chamar-lhe 'natureza'."

11.12.09

O nobel de Obama

Não conheço o historial de atribuições deste prémio, mas ao consulta-lo na Wikipédia é curioso compreender a sua evolução. Os primeiros prémios são relacionados com conflitos armados e gradualmente passaram a abranger áreas como a defesa dos direitos humanos, a diminuição da desigualdade social e, actualmente, os problemas ambientais. Ou seja, a concepção de paz é também a da dignidade da vida humana.
os prémios anteriores parecem-me atribuídos por feitos ou contribuições significativas, o de Obama é feito de intenções. Entreo voto de confiançae realizações futuras, poderá haver um caminho imenso. ainda assim, há que acreditar que também a paz é possível.

10.12.09

Ler #85

entrevista a Richard Zimler
Richard Zimler é um dos meus escritores favoritos. a sua escrita tem uma cadência que permite a interiorização e nos enreda nos dramas pessoais que aborda, maioritariamente motivados pela intolerância religiosa, pela injustiça contra os seres anónimos e pela memória do passado. Esta entrevista à Ler cimentou o meu respeito por este autor, sobretudo no que diz respeito à sua visão de religiosidade e da espiritualidade, que partilho.  

9.12.09

Leitura de imagens

À excepção da leitura dos Estrumpfs durante a infância, nunca tive o hábito de ler banda desenhada. Às vezes, até por causa de certas adaptações cinematográficas, fico curiosa com certas novelas gráficas. No entanto, quando as desfolho numa livraria nunca que suscitam a vontade de comprar.  
Por outro lado, gosto imenso de visitar o FIBDA e ver os desenhos e pinturas originais de alguns destes livros. Já compreendi que não são as histórias que me atraem, são a conjugação de cores, as texturas. Vou lá não para ver livros, mas para ver pintura e artes plásticas.

8.12.09

Betânia, Filomena Marona Beja

Nessa altura, Marta principiou a recriar um espaço. O da intimidade. 


Betânia, terra natal de Lázaro, conhecido por ser ressuscitado por Jesus, tem uma história menos conhecida: a das suas mulheres, subordinadas ao pode patriarcal.
Betânia contextualiza assim o conjunto de valores exigidos à protagonista deste romance.
Marta nasce a meio do século 20, e com um projecto definido pela posição social e económico da sua família burguesa. Dela é esperada a virtude e recato apreendidas no colégio de freiras – onde os preceitos de Betânia são ensinados, uma profissão digna e que constitua família digna de postal.
Esta é uma história de transformação – que tem igualmente como pano de fundo a transformação política do país nesse período – gradual e inexorável, em que uma mulher toma as rédeas da sua vida, subvertendo expectativas sociais e até mesmo pessoais.
Há muito tempo que não me identificava com uma personagem, mas Marta possui traços e experiências que partilho e inevitavelmente permanecerá na minha memória durante muito tempo.

7.12.09

Nos últimos dias escrevi uma série de pequenos textos que optei não publicar. Eram desabafos demasiado privados para constarem nesta página, que não se quer depressiva ou invasora de outras privacidades.
A verdade é que estou a passar por um momento menos bom, como acontece a todos, e isso nota-se no tom de alguns posts. Mas este é também o local onde reflicto e procuro uma perspectiva positiva em relação aos problemas, sejam eles de que ordem. Por isso, não é de estranhar um tom talvez mais triste nos próximos tempos, é natural.
Como diz a canção:somos humanos.

4.12.09

nunca foi tão verdade



A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
E
sconde-se à espreita

Nunca dei um passo
Que fosse o correcto
Eu nunca fiz nada
Que batesse certo
(...)


Circo de Feras, Xutos e Pontapés (1987)



1.12.09

Museu de História Natural de Sintra



Não tenho por hábito visitar museus ligados a esta temática, mas sendo este o mais recente equipamento cultural do município de Sintra era meu dever conhecê-lo.
Não tendo prestado exactamente muita atenção à informação didáctica, pois não é exactamente a área de conhecimento que mais me seduz, concentrei a minha atenção na organização do equipamento: mobiliário, disposição de informação e estética.
Gostei muito da opção de mobiliário: módulos trapezóides coloridos, que transmitem uma imagem dinâmica de possível mudança a qualquer momento, sugerindo a possibilidade de contínua adaptação a qualquer alteração de espaço ou conteúdos. A Sala de Exposição Permanente é caracterizada por “prateleiras” assimétricas que além de dar uma estética dinâmica, simula as faixas de sedimentação dos solos. É também aqui que está um pequeno simulador da evolução da crosta terrestre desde a pangeia – ideia que me apraz muito - até aos nossos dias.

27.11.09

Governar sem dinheiro

A minha mãe costumava dizer: sem dinheiro ninguém se governa. Há também o ditado popular: em casa em que não há dinheiro, todos ralham e ninguém tem razão.
Um dos problemas de muitos dos municípios nacionais é a sua gradual redução orçamental nos últimos anos.
O orçamento sintrense para 2010 apresenta também uma redução em relação ao ano que agora finda. Este valor engloba ainda o valor dos compromisso assumidos este ano e que por algum motivo não foram pagos. Para alguns departamentos e/ou divisões isto representa uma redução severa. Assim, a questão que se coloca é: como gerir uma instituição, divisão ou departamento cuja acção está seriamente condicionada.
Sem dinheiro para investir em novas actividades ou acções e limitando as já existentes, como oferecer aos munícipes programas e/ou actividades do seu interesse? Como fazer perceber aos munícipes estas limitações? Como fazer perceber as prioridades das Grandes Opções do Plano, isto é, o programa de governo municipal para o próximo ano?
Até como funcionária, esta é uma situação complexa. Por muito que nos sejam solicitadas sugestões de actividades e nos esforcemos por idealiza-las, a custo quase zero é uma tarefa complexa. Porque, entre a imagem e o serviço que o município quer prestar junto do seu público e o custo disposto a realizar, há uma diferença abismal.
Fazer mais como menos é uma boa intenção, exequível até certo ponto. Porque, na maioria das vezes, é apenas uma falácia. Como diz a sabedoria popular: não se fazem omeletas sem ovos. Ou seja, não há milagres.
Assim, resta esperar que as prioridades políticas sejam realmente prioridades municipais e que o dinheiro disponível seja empregue nas medidas necessárias que sirvam os munícipes em geral e não apenas a alguns em particular.

26.11.09

Massacre nas Filipinas


Quando em Portugal se fala de asfixia democrática, o facto assume quase o tom de brincadeira de crianças quando nos chegam notícias do massacre de 57 pessoas nas Filipinas.
O facto e as imagens parecem saídos de um filme de terror e quedamo-nos incrédulos com tal grau de violência e crueldade. Mas estas não são mortes ficcionadas, são a prova do quão baixo pode ser o ser humano.
Quando falamos de ameaças terroristas, oriundas de teorias da conspiração, estas deixam de ter impacto perante o verdadeiro acto de terror que foi cometido. O terror das vítimas que pereceram e o terror dos familiares e amigos.
Sempre respeitei a democracia e a liberdade de expressão, que sempre me foram dados como um direito e um estado natural. Também sempre me fez confusão quem menospreza esse direito, porque é de conhecimento geral que nem todos podem usufruir deste direito, e lamento tantos desrespeitos que vejo.
Perante tal atrocidade, sinto-me pequenina enquanto ser humano. Sinto-me também abençoada por viver quando e onde vivo.

25.11.09

Uma história da leitura, A. Manguel




Como o próprio indica, esta não é a história da leitura, mas uma história da leitura a partir de uma visão pessoal, sempre devidamente justificada e documentada.
O grande contributo desta obra é pontuar os aspectos históricos, relacionados com a evolução de hábitos e perspectivas sobre a leitura, com perspectivas pessoais de quem testemunhou os seus efeitos, sejam eles reconhecidas personalidades ou personagens que o tempo não registou.
Pautada por saltos cronológicos, enfatizando os efeitos e impactos, mais do que as datas concretas, a estrutura enfatiza também ela a noção de que, em última análise, a leitura é sempre pessoal, daí que não faça sentido senão uma história da leitura.

24.11.09

O Assobiador, Ondjaki


… olhava para longe, tão longe que … percebeu tratar-se não de um sítio, mas de uma boa lembrança.
Numa pequena aldeia fluvial, chega um dia um desconhecido com a inaudita capacidade de com o seu assobiar levar os seus ouvintes a um estranho êxtase. Dotado de tão simples dom, mas com um poder quase divino, consegue, em poucos dias, causar uma transformação nos habitantes da pequena aldeia: o coveiro, o padre, dona mamã, o caixeiro-viajante, entre outros.

23.11.09

XIV Mostra de Arte de Professores e Educadores do Concelho de Sintra

A Galeria Municipal de Sintra promove regularmente a mostra de trabalhos de artistas locais, alguns deles ainda sem renome.
A exposição patente até dia 25 reúne trabalhos de mais de 40 professores, sobretudo na área da pintura. Com tanta diversidade – e sem um tema em comum – é possível observar as mais variadas técnicas – óleo, acrílico, colagem – e temas, desde as clássicas flores, até outros mais abstractos. Seja como for, foi uma agradável surpresa observar a qualidade técnica e conceptual de muitos dos trabalhos.

22.11.09

orientação

A minha experiência escotista tem sido um proveitoso aprendizado nas mais variadas áreas. Penso por vezes o quão proveitoso me teria sido aderi ao movimento na adolescência. Mas nunca é tarde para aprendermos seja o que for.
O mais recente aprendizado foi na área da orientação. Foi um dia de teoria e exercício de cálculo. Agora, só espero a oportunidade de colocar em prática as novas noções. Pode ser que, finalmente, me oriente.

21.11.09

Testamento Vital

Ponderar hoje o que seria o meu testamento vital é obrigar-me a dar materialidade à morte. E aos 33 ninguém está preparado para enfrentar a sua morte. Por outro lado, quando se tem uma tradição familiar de cancro, a morte é sempre um fantasma presente. Mas há sempre uma diferença entre essa presença difusa e o que será a nossa morte concreta.
Então, hoje, num estado saudável, em caso de acidente, sou a favor de métodos de reanimação. Se eventualmente entrar em morte cerebral, os meus órgão são para doação. A mim já nada fazem, que sejam uma nova oportunidade para quem deles precise.
Se daqui a uns anos o cancro for uma realidade, tentarei combate-lo com o máximo das minhas forças. Quanto este entrar numa fase terminal[1], quero passa-la com a maior dignidade possível: sem tratamentos supérfluos e debilitantes e recorrendo a cuidados paliativos.


[1] De todas as pessoas que conheci com cancro, ninguém lhe sobreviveu. Considero que é uma guerra que nunca se vence, apenas se ganham batalhas.

20.11.09

palavras #197 a 199

Enxovia - s. f. Parte térrea ou lajeada da prisão, rente com a rua, ou abaixo do seu nível.
Lura - (talvez do latim lura, -ae, boca de saco de couro). s. f. 1. Toca de certos animais, especialmente de coelho ou lebre. = covil 2. Buraco na terra. = cova 3. Artefacto de barro para criação de coelhos.
Pua - s. f. 1. Espigão, bico, ponta aguçada. 2. Aguilhão, ferrão. 3. Espinho. 4. Parte da espora que entra no buraco do tacão. 5. Extremidade da verruma e de alguns outros instrumentos. 6. Nome de um instrumento que serve para furar. 7. Intervalo entre os dentes do pente do tear. arco de pua: instrumento de carpinteiro para abrir furos.

19.11.09

Apuramento para o Mundial 2010

A verdade é que há uns meses atrás pensei que a tarefa fosse impossível, mas estou contente por me ter enganado.

18.11.09

Associativismo Local

Hoje, assisti a um Seminário sobre Associativismo Local, promovido pelos Serviços Desconcentrados do IPJ – Instituto Português da Juventude.
Dos vários temas abordados, foi interessante perceber: o modo como certas associações de suposto carácter não lucrativo funcionam como verdadeiras empresas; as diferentes realidades no que diz respeito a apoios municipais; as dificuldades causadas pelos requisitos burocráticos dos apoios, sejam estatais ou municipais; o valor e empenho de certos indivíduos e instituições; a importância do trabalho em rede, mas que raras vezes consegue ser implementado.

17.11.09

Em português nos entendemos

Ontem, duas notícias chamaram-me a atenção: a atribuição ao português Arnaldo Saraiva de uma das Cadeiras da Academia Brasileira de Letras; e o aumento do ensino do português na Estremadura espanhola. 
Estas duas notícias evidenciam duas situações paradoxais: a importância e potencialidade do português como língua de comunicação internacional; e a ineficácia das entidades portuguesas competentes na sua respectiva promoção.
A promoção do português no estrangeiro tem tido uma actuação falhada e é simultaneamente com gosto e tristeza que vemos outros países ter papéis mais activos nesta área. O Brasil, com uma comunidade superior a 40 milhões de falantes, tem sido o grande operário desta promoção. Dai que não seja de estranhar que, por exemplo as últimas edições de prémios como o Leya o PT tenham sido ganhas por autores desta nacionalidade. Também não será de estranhar a existência no Brasil deum Museu dedicado à língua portuguesa (e que o nosso ainda anda à toa).
Agora é a vez dos espanhóis salientarem a importância do português como língua franca, pois constatam o aumento do número de trabalhadores português no país (p. ex. a construção pública emprega mais de 3000), bem como a procura de serviços de saúde e de comércio.

16.11.09

Há uma parte de mim que fantasia
Há uma parte de mim que deseja
Mas maior é a parte de mim que anseia apenas por um abraço

15.11.09

Reinventar Carl Sagan

A minha geração conheceu alguns dos segredos do universo através da locução de Eládio Clímaco, que dava voz à narração de Carla Sagan.
Para mim assistir aos seus programas significava muito simplesmente imaginar. Imaginar mundos, conceitos, seres.
Para relembrar o seu trabalho, aqui fica um video que comemora o que seria o seu 75º aniversário.



[Sagan]
Se quiseres fazer uma tarte de mação desde o início
Primeiro tens de inventar o universo

O espaço é preenchido com uma rede de buracos de verme
Podes emergir num qualquer outro lugar no espaço
Num outro tempo qualquer

o céu chama-nos

senão nos destruirmos
um dia aventuraremo-nos pelas estrelas

aguardamos uma madrugada ainda mais gloriosa

não um nascer de sol, mas o despertar de uma galáxia
uma manhã com 400 biliões de sóis
o despertar da via láctea


o cosmos transborda de verdades elegantes
de extraordinárias relações
de fantásticas máquinas da natureza

Acredito que o futuro depende profundamente

Do quão bem compreendermos este cosmos
No qual flutuamos como um grão de poeira
No céu matinal

Mas o cérebro faz muito mais do que lembrar

Compara, sintetiza, analiza
Gera abstrações

O pensamento mais simples como o conceito de número um
Possui uma elaborada lógica subjacente
O cérebro tem a sua própria linguagem
Para testar a estrutura e a consistência do mundo

[Hawking]
Durante milhares de anos

As pessoas têm deambulado pelo universo
Terá dilatado para sempre
Ou teve um limite

desde o big bang aos buracos negros

da materia negra a um possível esmagamento
a nossa imagem do universo hoje
está repleta de ideas extraordinárias


[Sagan}
quão afortunados somos por viver agora

o primeiro momento na história humana
em que de facto visitamos outros mundos

a superficie da terra é a costa do oceano cósmico

ainda agora nos aventuramos
e a água parece convidativa.

Descoberto no  De Rerum Natura.

13.11.09

Antologia de Contos, Mª Teresa Horta



Como é característica da escrita da autora, a mulher assume o protagonismo de todas as histórias. Nos seus inúmeros papéis, a mulher apresenta-se como: fonte de sedução, conquista, ausência, abandono materno, (in)conformidade expectativas sociais, transformação, loucura; mas sobretudo como dona do seu destino.

12.11.09

Heights


Heights é um bairro nova iorquino onde se cruzam muitas vidas. Entre elas, as das cinco personagens deste filme, que, num espaço de 24 horas, são obrigadas a fazer escolhas decisivas na sua vida.
Apesar de pouco conhecido, é um filme interessante.

11.11.09

diálogo friorento

-         hoje, demorei mais de 20 minutos no duche.
-         E?
-         Não é normal. Demoro, quando muito, cinco minutos.
-         Isso não é um banho, é passar o corpo por água.
-         É tempo mais que suficiente para lavar o cabelo e o corpo. Não ando a cavar terra para andar imunda.
-         Então, demoraste 20 minutos. qual é o problema? Estava a saber-te bem e aproveitaste.
-         O problema é que no meio do duche finalmente percebi porque é que também ando a dormir tanto e porque é que quando chego a casa visto quase logo o roupão.
-         Andas cansada, precisas de relaxar.
-         Não, não é isso. É pior. É porque não tenho calor na minha vida. Por isso recorro ao calor do duche, da cama, do roupão. Para sentir calor. Para me sentir aconchegada, reconfortada.
-         És friorenta. Não é nada demais.
-         Não, não sou friorenta. Sou sozinha, sabes há quanto tempo ninguém me abraça? Eu já nem me lembro quando foi a última vez.
-         Tadinha. Precisas de um abraço. Anda cá que isso resolve-se.
-         Desculpa, mas não se resolve com os teus abraços, por mais bem intencionados que sejam, apesar de ajudar sempre. Obrigada. Sinto falta de um abraço a meio da noite, tem de ser o calor de um corpo ao meu lado no sofá em silêncio ou a partilhar os acontecimentos do dia. Tem de ser uma mão a ajeitar-me os caracóis e a acariciar-me o pescoço.
-         Compreendo. Realmente esse calor não te posso dar lamento.
-         Também eu. Infelizmente, a conta da água este mês vai ser grande. 

10.11.09

O Efeito Dominó

Por mais que tente, não consigo ter uma memória precisa de "onde é que estava" aquando da queda do Muro de Berlim. Tenho noção de notícias e reportagens televisivas posteriores, de falar sobre o assunto na disciplina de História e do posterior concerto de Roger Waters - que foi para mim uma revelação.

Hoje, ao ver imagens do derrube do dominó gigante que assinala o 20º aniversário da queda do muro, não posso deixar de considerar esta inicitativa de uma simplicidade e simbologia atrozes.

8.11.09

Joelho, Maria Teresa Horta

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.

7.11.09

Só de amor, Mª Teresa Horta




Este foi o meu primeiro contacto com a obra da autora. Este livro de poesia apresenta em três “actos” a relação de mulher contemporânea com o amor.
A voz poética é a da mulher que ama livremente (sem sombra de pecado ou culpa) e que se entrega por completo na expressão física desse amor. A mulher que é parceira activa no jogo da sensualidade, do desejo e da sedução.

6.11.09

Marnie


Em 1964, Alfred ^Hitchcock realizou este Marnie, interpretado por Sean Connery e Tippi Heddren. É um thriller psicológico em, como noutros filmes do realizador, as personagens são muito mais do que aparentam e ao longo da trama ficamos a conhecer novas e mais densas camadas. Não é o mais bem conseguido dos seus filmes – há algo na relação dos dois protagonistas que simplesmente não cola -, mas vale a pena pela abordagem dramática e psicológica  da personagem título. 

5.11.09

opinião política

Normalmente não escrevo sobre política, sobretudo porque considero que não domino o assunto o suficiente para ter uma opinião devidamente fundamentada. Outro factor para o silêncio é o facto de trabalhar num município e procurar ter uma posição neutra sobre determinada matérias.
No entanto, tenho uma opinião (mesmo que eventualmente errada) sobre determinados assuntos e considero que chegou o momento de a expor de um modo mais frequente. Será um exercício benéfico pois obrigar-me-á a um olhar mais atento sobre acontecimentos, sejam locais, nacionais ou internacionais.

4.11.09

Sobre o casamento homossexual


Um dos temas da agenda política é o do casamento homossexual, que ainda não se sabe se a respectiva legalização será votada a nível parlamentar ou se será sujeita a referendo. Embora considere que seja mais fácil a sua aprovação por via parlamentar, pois considero que a sociedade no seu geral ainda é bastante conservadora, no entanto, não esqueço que há tempos o PS utilizou a disciplina de voto partidária para chumbar a proposta.
Creio que mais tarde ou mais cedo, o casamento será legalizado. É uma tendência mundial: um pouco por todo o mundo vão surgundo, quase diariamente, notícias sobre a sua legalização. Caso por cá se opte pelo referendo, o meu voto será sim.
É claro que o complexo desta questão não é o casamento propriamente dito. O complexo são as alterações legislativas que posteriormente serão necessárias efectuar, nomeadamente em leis como a da adopção. Também nesse assunto sou a favor do alargamento da adopção. Sempre defendi que é preferível uma criança ser amada e educada por dois “pais” do mesmo sexo, do que passar uma infância aos cuidados de uma instituição, por muito boa que ela seja. É isso que considero o real interesse da criança.

2.11.09

Palavras #194 a 196

Guipura - s. f. Renda muito fina de linho ou seda.
Estamenha - s. f. Tecido grosseiro de lã.
Cassa - s. f. Tecido transparente de linho ou algodão.

1.11.09

a filha do vidreiro

E assim é
Exactamente como dizias
A vida é-me
Quase sempre fácil
E assim é
A pequena história
Sem amor, sem glória
Sem heróis nos céus

Não consigo desviar o meu olhar de ti
Não consigo desviar o meu olhar

E assim é
Exactamente como dizias
ambos esqueceremos a brisa
quase sempre
e assim é
a água fria
a filha do vidreiro
a rapariga em negação

Disse que te abomino?

Disse que quero
Deixar tudo para trás?

Não consigo esquecer-te

Não consigo esquecer
Esquecer, esquecer
Até encontrar alguém novo
The Blower's Daughter, Damien Rice

30.10.09

Aprendizagem da leitura

Aprendi a ler na primária. Ler ajustou-se à minha personalidade introvertida.
Demorei a encontrar uma voz e a dar-lhe corpo, mas sem dúvida que a leitura me permitiu maturar uma identidade e o conteúdo dessa voz, que hoje posso fazer ouvir a quem queira, ou não.

29.10.09

Mandato Municipal 2009-2013 em Sintra


Decorreu há pouco, no C. C. Olga Cadaval, a cerimónia de tomada de posse dos Membros para a Assembleia Municipal e Câmara Municipal para o mandato 2009-2013, eleitos nas eleições autárquicas efectuadas no passado dia 11 de Outubro.
Espera-se agora a distribuição efectiva de pelouros para que se dê início a um novo ciclo de trabalho e projectos.

28.10.09

Dia D com António Barreto

Um dos temas abordados na edição de ontem do Programa dia D na Sic Notícias, em que o entrevistado foi António Barreto, foi o da vaga de emigração portuguesa. Isso fez-me ponderar quantos colegas e amigos têm apostado numa vida no exterior devido à falta de oportunidades e baixos ordenados existentes em Portugal. Assim, a Ana foi viver para a Holanda, a Alex para o Luxemburgo, a Carla para a Suécia. Depois, há quem aposte em estagiar ou completar os estudos fora. é o caso da Lu em Inglaterra, da Xana no Brasil. Isto sem falar de quem tem trabalhos ou formações que os leva esporadicamente ou até frequentemente ao estrangeiro.
O mundo hoje é transversal, e o que será de nós que ficamos?

27.10.09

O livro da memória

Um objectivo de há longo tempo é escrever o pouco que sei da história familiar, porque tenho a noção do papel primordial da escrita na preservação da memória. Tenho alguns pudores quanto a essa escrita, pois há os vivos e há também os mortos sobre os quais posso apenas efabular.

26.10.09

XVIII Governo constitucional

Do elenco do governo que hoje tomou posse, há dois nomes que me suscitam curiosidade, porque, pela primeira vez, conheço o seu trabalho previamente.
De Isabel (Alçada) Villar, a colecção Uma Aventura… acompanhou parte da minha adolescência e, mais recentemente, o Plano Nacional de Leitura e os seus documentos, nomeadamente alguns dos seus relatórios e estudos, tornaram-se uma ferramenta de trabalho.
De Gabriela Canavilhas, conheço apenas o seu trabalho na Antena 2, mas cuja prestação me merece consideração.
Parecem-me ambas pessoas com conhecimento de causa nas áreas que (ad)ministram, por isso, os meus sinceros votos de um bom trabalho.

25.10.09

Leitores silenciosos

A leitura em voz alta para mim nunca passou da leitura de excertos de textos na escola. Agora que penso nisso, nunca ninguém leu para mim, nem em criança. O mais próximo, foram as leituras de texto nos ensaios de teatro.

23.10.09

As mesmas canções ecoam noite a pós noite. A maioria apenas aumenta este vazio no peito, mas não tenho outras vozes que me acompanhem na noite. Vozes cujos braços substituam as acolhedoras asas dos anjos entoados.
Ainda assim, as promessas de que deus me enviará os braços protectores dos seus anjos, proferidas em voz grave apaziguam a minha solidão na noite.

20.10.09

Leitura de sombras

Aos seis anos, no início da primeira classe, foram-me diagnosticadas miopia e estigmatismo. Desde esse momento, se há objecto que nunca me abandonou são os meus óculos. Não posso viver sem eles, porque sem eles pouco mais me restava do que ficar sentadia a um canto a executar algumas poucas tarefas que não incluíssem a visão.
Tal como outros portadores de diminuição da capacidade visual, aprendi a ler não só as letras e números, mas sobretudo a apreende-las através das suas sombras e formas esborratadas. Consigo muitas vezes “ler”, não por ver literalmente letras e números, mas por perceber, por exclusão de partes, que tal formato só pode corresponder à letra ou número x. mais do que ler, fui obrigada desde cedo a saber interpretar signos.

19.10.09

A última página

Nem sempre o faço, mas muitas vezes ao ler o primeiro capítulo de um livro não resisto e dou uma olhadela ao último. Ler o último capítulo ou página não me retira o prazer da surpresa ou revelação final, porque o que mais me intriga num enredo não é o fim propriamente dito, mas o caminho que nos leva lá.
Aliás, tal como na vida…

18.10.09

JOTA/JOTI 2009

O Concelho de Sintra foi palco da estação nacional do Jamboree On The Air (JOTA JOTI), um encontro internacional virtual que ligou durante 48 horas, via net e rádio, mais de 700 escoteiros do Concelho de Sintra a milhares de escoteiros de todo o planeta.


Para além dos contactos nacionais e internacionais que foram estabelecidos a partir das 00h00 de dia 17 até às 24h de dia 18 de Outubro, via rádio amador e via internet, os jovens escoteiros participaram também em 30 ateliês em áreas desportivas, culturais, ambientais e cívicas dentro do município.
A organização esteve a cabo do grupo 93 de Sintra da Associação de Escoteiros de Portugal, no âmbito das comemorações dos 75 anos de existência do grupo.
Mais informação em: http://jotajoti.blogspot.com/ e http://www.escoteirosdesintra.org/pt/

17.10.09

autarquias.org

as autarquias nacionais têm ao seu dispor uma nova ferramenta de auxilio no seu trabalho quotidiano. trata-se do site www.autarquias.org , que pretende ser uma plataforma em que munícipes alertam para os mais variados problemas do seu município. Embora ainda precise de alguns desenvolvimentos, esta pode ser uma mais valia para os responsáveis autárquicos.

16.10.09

A outra senhora

O humor é uma característica humana bastante complexa. A sua compreensão implica tantos factos comunicativos, emocionais e culturais, que torna complicada a análise objectiva de um discurso. Dai que seja usual que uma intenção não ofensiva se torne numa compreensão ofendida. Foi o caso nos últimos dias do “escândalo” Maitê Proença.
Como a maioria dos portugueses, não gostei do vídeo, porque é redutor da nossa cultura. Mas tenho o direito de atirar pedras? Nem por isso, afinal também a blogoesfera tem mostrado exemplos humorísticos que revelem o quão redutora é a nossa imagem do povo brasileiro.
De todo este episódio, retenho uma única certeza: quando somos o objecto de humor, é sinónimo de ofensa; quando somos o produtor/emissor, é apenas uma brincadeira. Daí o poder desta que considero uma arma comunicativa: a sua ambiguidade pode até camuflar intenções, mas nunca o seu potencial ofensivo.

Nota: como em tudo na vida, há sempre um lado positivo. Graças a este episódio, este humilde estaminé recebeu mais de duzentos visitante em apenas dois dias. Isto porque há poucos meses, escrevi aqui um post intitulado O site de Maitê Proença, em que louvo bom gosto do site, opinião que mantenho.

15.10.09

Palavras #191 a 193

álea - (francês allée). s. f. 1. Gal. Renque ou fileira de árvores. 2. Fileira de pedras ou figuras esculpidas, esfinges ou outras, dispostas em renque. 3. Sorte, risco, acaso.
homiziar v. intr. 1. Dar couto a (o que é perseguido pela justiça). 2. Ant. Malquistar. v. pron. 3. Fugir (à acção!ação da justiça).
Sege - (francês siège, assento). s. f. 1. Carruagem antiga, com duas rodas e um só assento. 2. Pop. Qualquer carruagem.

14.10.09

a lua inteira

Imaginei um arco-íris
Nas tuas mãos
Eu Vislumbrei
Mas tu Viste o plano
Vaguei pelo mundo durante anos
Enquanto permaneceste no teu quarto
Eu vi o crescente
Tu viste a lua inteira
A lua inteira

Estavas na roleta
Com o vento aos pés
Almejaste as estrelas
E sabes como o que se sente
Ao subir tão alto
Tão longe
Tão cedo
Viste a lua inteira


Fiquei no chão
Enquanto enchias os céus
Estava perplexo com a verdade
Ultrapassaste mentiras
Vi o vale inundado
Tu viste Brigadoon
Eu vi o crescente
Tu viste a lua inteira

Falei de asas

Limitaste-te a voar
Imaginei, adivinhei e tentei
Tu sabias
Eu suspirei
Mas tu desmaiaste
Eu vi o crescente
Tu viste a lua inteira
A lua inteira

A tocha no teu bolso
E o vento nos teus pés
Subiste uma escada
E sabes o que se sente

Pipocas e tiros de canhão

Todos os medos da estação
Trombetas, torres e apartamentos
Vastos oceanos de lágrimas
Bandeiras, trapos, cacilheiros
Senadores e cicatrizes
Cada precioso sonho e visão
Sob as estrelas
Subiste uma escada
Com o vento nas tuas velas
Vieste como um cometa
Tão alto
Tão longe
Tão cedo
Viste a lua inteira
  The Whole of the Moon, Mike Scott


12.10.09

há prendizagens com o xão, ondjaki



Este foi o meu primeiro contacto com a escrita de Ondjaki, a quem espero voltar. O estilo segue a criatividade das palavras abensonhadas de Mia Couto, que muito aprecio.

11.10.09

Quando a política é uma desculpa


Há quem viva demais a política. E há situações em que esta é só uma desculpa, um despoletar de outras raivas e vinganças. Porque a vida é mais do que política (se há alguém para quem não seja, é porque não tem vida), não lhe atribuemos o injustificável: o homicídio frio e calculista.

9.10.09

Willem Dafoe


Aminha paixão mais antiga é Willem Dafoe. Foi amor à terceira vista. À 1ª achei-o horrível, à 2ª foi-me indiferente, à 3ª apaixonei-me. Tinha 13 anos. Nos últimos 20 anos, passei pelos vários estágios: borboletas no estômago, olhos somente para ele, outras paixões, outros amores, personagens que adorei e que não gostei, afastamentos. Mas no fim, há sempre um retorno. É um amor nunca esquecido que amadureceu com o tempo e que me deixa sempre um brilho nos olhos.
São muitos os trabalhos de Dafoe que vi e é difícil salientar os que gostei sem tornar a lista extensa. Dafoe tem uma carreira diversa, desde os seus trabalhos em papéis secundários, a protagonista, seja em blockbusters (onde normalmente é o vilão e tem mortes aparatosas) ou em produções independentes, tendo trabalhado com quase todos os grandes realizadores. É um exercício complexo, mas aqui vai uma selecção dos que mais me tocaram e porquê:
  Mr. Bean's Holiday (2007) – no papel de um realizador megalómano, o filme tem a particularidade de apresentar o que seria o último trabalho deste realizador e que está na linha de outros trabalhos menos conhecidos do actor.
  Inside Man (2006) -  Um papel secundário sóbrio e eficaz.
  The Life Aquatic with Steve Zissou (2004) – Um papel secundário, em que brilha a equipa.
  Spider-Man (2002) – Se há algo que vale na saga, para mim é o Duende Verde.
  New Rose Hotel (1998), de Abel Ferrara. História contada em dois tempos: o que parece e o que é.
  Affliction (1997) – Um filme de personagens masculinas duras. Contracena com Nick Nolte e Charles Bronson.
  The English Patient (1996) -  O filme que quando fosse grande gostaria de interpretar. Nele se juntam ainda Colin Firth, Ralph Fiennes e Naveen Andrews.
  In weiter Ferne, so nah! (1993), de Win Wenders -
  Wild at Heart (1990), de David Lynch -  Perde literalmente a cabeça.
  Born on the Fourth of July (1989), de Oliver Stone – Veterano Deficiente do Vietname.
  Triumph of the Spirit (1989) – Biopic de um boxeur judeu preso nos campos de concentração alemães.
  Mississippi Burning (1988) – Um agente da CIA na luta contra o KKK.
  The Last Temptation of Christ (1988), de Bryan de Palma – Interpreta Jesus.
  Platoon (1986) – A 2ª e 3ª vistas. Marca o antes e o depois.
  To Live and Die in L.A. (1985), de W. Friedkin – No papel de falsificador de dinheiro, tem uma das minhas sequências favoritas onde observamos o processo todo de falsificação. É claro que hoje os processos são diferentes. Contracena com William Peterson, mais conhecido como Gil Grisson de CSI Las Vegas.
  Streets of Fire (1984) -  A 1ª vista.
E tenho de salientar que aprecio também a sua voz rouca.