Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
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29.2.12

Palavras #224 a 226

sopor - (latim sopor, -oris, sono profundo) s. m. 1. Sono profundo. 2. Desejo de dormir. = MODORRA, TORPOR, SONOLÊNCIA 3. Estado comatoso. 4. Esquecimento.
escarcha - s. f. 1. Orvalho congelado; geada. 2. Fio de metal fino de brocado. 3. Aspereza. 4. Coisa áspera ao tacto... 5. [Popular] Acto.. ou efeito de escarchar.
redivivo - adj. 1. Ressuscitado. 2. Rejuvenescido. 3. Que se manifestou de novo.

in O Ano do Dilúvio, Eduardo Mendoza

28.2.12

Palavras #221 a 223

moringa - s. f. 1. Vasilha de barro para conservar a água fresca. 2. (Tem a asa na parte superior e um gargalo de cada lado.)
equanimidade - (latim aequanimitas, -atis, benevolência, igualdade de ânimo) s. f. 1. Igualdade constante de ânimo (em qualquer conjuntura da vida); serenidade. 2. Moderação. 3. Rectidão.
felonia - (francês félonie) s. f. 1. [História] Rebelião de vassalo para com o seu senhor. 2. Traição. 3. Crueldade.

in O Ano do Dilúvio, Eduardo Mendoza

27.2.12

Palavras #218 a 220

filípica - s. f. 1. Discurso violento e pessoal. 2. Sátira acerba.
vicinal - adj. 2 g. 1. Vizinho; próximo. 2. Que liga aldeias ou localidades próximas dentro de um concelho (caminho).
inerme - adj. 2 g. 1. Desarmado; inofensivo. 2. Diz-se dos animais que não têm órgãos de defesa, e das plantas que não têm espinhos ou acúleos.

in O Ano do Dilúvio, Eduardo Mendoza

26.2.12

Palavras #215 a 217

troneira - s. f. [Fortificação] Intervalo dos merlões por onde se enfiava a boca do canhão ou bombarda; bombardeira.
garavanço - s. m. Forquilha para limpar os cereais na eira.
mísula - s. f. 1. [Arquitectura] Ornato que serve de suporte a vários objectos. 2. [Marinha] Curva em que assenta a varanda da popa.

in O Ano do Dilúvio, Eduardo Mendonza

25.2.12

O Ano do Dilúvio, Eduardo Mendonza


Esta foi a minha primeira incursão pela escrita deste autor espanhol, para mim completamente desconhecido. É uma história concisa sobre a paixão arrebatada e fulminante entre uma freira e um latifundiário na década de cinquenta. É uma história simples que vale sobretudo pelo estilo adotado pelo autor, nomeadamente o seu uso dos discurso indireto.  

23.2.12

Sobre a ordem e o caos


Madrid 17, Hin Chua
A vida nasce do caos que tentamos ordenar sem sucesso. Mas é lado a lado que ordem e caos funcionam, é lado a lado que a vida ganha sentido. É o caos que abala e dá sentido às rotinas. É a ordem que implementa a segurança e permite apreciar as surpresas. O caos e a ordem, a matéria e a energia, tudo em nós.

22.2.12

Sobre o exercício da escrita

Fica para quando a vida não nos ocupa do acordar ao adormecer, porque o exercício da escrita é um sonho acordado.

21.2.12

Plano B...ebé (2010)


E se conhecer o home da sua vida depois de ter levado todos os planos que não o incluem? É assim este Plano B…ebé, em que JLo é inseminada artificilamente apenas para conhecer o seu grande amor no mesmo dia. Comédia romântica para domingos chuvosos em que apetece acreditar em príncipes encantados.

Título original: The Back-up Plan * Realização: Alan Poul * Argumento: Kate Angelo *Elenco: Jennifer Lopez, Alex O'Loughlin, Michaela Watkins, Eric Christian Olsen e Melissa McCarthy

20.2.12

X-Men: O Início (2011)


mais um início de saga que irá ocupar os ecrãs mundiais nos próximos anos. Desta feita, assistimos ao inicio da pandilha X-men, aqui liderada por James MacAvoy e Michael Fassbender, nos papéis de Xavier e Magneto, respetivamente. E como não poderia deixar de ser, alguns destes mutantes resultam de experiências nazis no campo da pesquisa e desenvolvimento de capacidades sobre-humanas, ou seja, eugenia. E como estes, e todos os outros, mutantes são sempre considerados uma arma de guerra, há também a oportunidade de dar um lamiré pela Guerra Fria e a crise dos mísseis de cuba. E será assim que muitos das jovens gerações vão aprender a história bélica do séculos XX. É triste. E é assim que vão refletir, ou não, sobre a diferença e a sua aceitação. É triste. Mas estes são os filmes que temos e que vemos. E é triste da nossa parte, espetadores.

Título original: X-Men: First Class * Realização: Matthew Vaughn * Argumento: Ashley Miller e Zack Stentz * Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Oliver Platt, January Jones e Jennifer Lawrence

19.2.12

Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)


depois de Thor, mais um filme com base no universo Marvel e que abre portas a futuras aventuras, afinal este Capitão América é apenas o primeiro vingador e nesta aventura já travamos conhecimento com Howard Stark, mais conhecido por Ironman.
Durante a II Guerra Mundial, algures na Alemanha nazi, desenvolve-se o projeto Hydra, que sob o manto da eugenia visa desenvolver o soldado perfeito (onde é que já vimos isto?). e para combater este mal, o que fazem os americanos? Pegam num cândido e bondoso jovem inapto para o combate e, com base na mesma tecnologia, transformam-no no Capitão América, que há-de proteger os mais fraquinhos e tal, como underdog que se preze.
Bom filme para um domingo à tarde e esperam-se as próximas aventuras dos Vingadores no próximo verão.

Título original: Captain America: The First Avenger * Realização: Joe Johnston Argumento: Christopher Markus e Stephen McFeely *Elenco: Chris Evans, Hugo Weaving, Hayley Atwell, Tommy Lee Jones, Stanley Tucci, Toby Jones

18.2.12

Back on dating


I feel like dating again, but I’m not sure how to get back on the game. Internet? Done that, and its only goo for getting laid. Going out to trendy clubs? Not without a wingfriend, who happen to be all married or similar. And besides, I lack patient and money to throw away. Work colleagues? Than again, all married or similar, and I refuse to play that role. So, what other dating strategies are left? Please, indulge me and help get back on the game.
Edwina White

17.2.12

Um Perfeito Estranho (2007)


Uma jovem repórter procura justiça para a morte de uma amiga de infância, supostamente morta pelo amante rico e poderoso. Mas nem tudo é o que parece e este é um daqueles thrillers, sem nada de mais a apontar, de gato e rato, que já não surpreende porque a fórmula é sempre a mesma, como, por exemplo, em Sem Provas.

Título original: Perfect Stranger * Realização: James Foley * Argumento: Todd Komarnicki e Jon Bokenkamp * Elenco: Halle Berry, Bruce Willis e Giovanni Ribisi

16.2.12

Sobre Andreia

Além da notícia da publicação da primeira obra Andreia, de Susana Ferreira, veio o convite para rever o texto. Entre o entusiasmo, veio também o receio: esta não seria uma mera revisão de um texto: teria impacto na versão final impressa do mesmo. Além de que a autora é uma amiga de longa data e não sabia ao certo como é que esse facto condicionaria, ou não, a minha leitura, apreciação e correção.
A primeira reflexão com que me deparei foi a diferente entre o estilo adotado e o meu estilo pessoal e a necessidade de criar um maior distanciamento em relação ao texto e vencer alguns preconceitos pessoais. Tive de perceber a intencionalidade das opções e se o estilo adotado mantinha coerência e ponderar também sobre a capacidade de compreensão de demais leitores. Ou seja, tive de vencer a minha leitura e tentar perceber também outras leituras.
Organizadas estas linhas orientadoras, foi relativamente fácil continuar a revisão e realizar um trabalho que considero válido na identificação de repetições, pequenas incoerências, gralhas e maior transparência do texto.
Conto convosco para conhecer este texto que tem data prevista de publicação para o início de Maio. Assim que houver novidades, serão aqui transmitidas.

15.2.12

Ecos da Semana, Ferreira de Castro

Durante 1924 e 1926, Ferreira de Castro colaborou assiduamente no suplemento literário do jornal a Batalha, assinando vários artigos, entre os quais a coluna Ecos da Semana – A vida, Arte e a Sociedade. Tal como o nome indica, o autor tece considerações variadas sobre acontecimentos e personalidades que se destacaram nesse período, mas também considerações sobre temas como eutanásia e humanidade na morte, anticolonialismo, catolicismo, defesa das minoria, escravatura branca, teatro, cinema, politica, a condição social da mulher, entre outros.

Foi a minha primeira incursão na obre deste escritor e apesar de apreciar algumas das suas posturas ideológicas, não posso tecer muitas considerações sobre a sua capacidade como romancista. Um ponto positivo da sua leitura foi o contato como vocabulário atualmente como menos uso, por isso valeu a pena.

14.2.12

Farenheit 451 (1966)

A visão distópica de Ray Bradbury, no seu romance homónimo de 1953, inspirou a adaptação cinematográfica de Truffaut, pouco mais de 15 anos depois. Agora, volvidos quase 60 sobre a edição do livro e 45 sobre o filme, é interessante observar alguns detalhes. Um deles é a visão da década de 60 sobre o futuro, nomeadamente na área do design de guarda-roupa e de interiores.
Comparando livro e filme, hás dois personagens do livro que desaparecem, o cão-robot e o antigo impressor, dando lugar, o primeiro, a um colega delator e, o segundo, sendo incorporado na personagem de Clarisse, que no livro desaparece a meio da trama, e aqui permanece até ao final, com uma personagem mais madura, resistente e também ela incorporando a visão utópica final.
Uma cena que vale a pena salientar é a da emolução voluntária de uma mulher, detentora de uma vasta e proibida biblioteca, como demonstração e afirmação do poder do livro como fator de liberdade individual.

Realização: François Truffaut * Argumento: François Truffaut e Jean-Louis Richard, baseado no romance homónimo de Ray Bradbury * Elenco: Oskar Werner, Julie Christie e Cyril Cusack

13.2.12

Andreia e Um Capuccino Vermelho


Andreia e Um Capuccino Vermelho são os títulos das primeiras obras editadas por dois amigos de longa data, a Susana Ferreira e o Joel Gomes, respetivamente, e serão comercializadas em breve.
A Susana é minha companheira de aventuras teatrais, com uma enorme capacidade interpretativa e criativa, e que dá agora o primeiro passo na publicação, ao qual se seguirão certamente outras aventuras literárias. O Joel foi meu colega num curso na Independente (risos), que acabou por não dar em nada, mas que alimentou alguns laços de amizade que entretanto o tempo afastou do contato, mas não da memória. Já com uma vasta experiência na blogosfera, no guionismo e com artigos publicados, o Joel edita agora o seu primeiro trabalho e já tem outros em via de publicação.
Estas são duas boas notícias para iniciar o ano e tenho enorme prazer em partilhar.

12.2.12

11.2.12

Sem Provas (2007)

Este thriller tem como protagonista S. L. Jackson, no papel de um empresário responsável por uma empresa de limpeza de cenas de crime, que se depara com um serviço em que os pormenores não batem certo. Na procura de uma resposta, envolve o seu ex-colega de trabalho e compadre na investigação e acaba por desvendar um novelo bem diferente do que esperava. Um enredo sólido, uma interpretação competente, uma realização eficaz.

Título original: Cleaner * Realização: Renny Harlin * Argumento: Matthew Aldrich * Elenco: Samuel L. Jackson, Ed Harris and Eva Mendes

10.2.12

Sete vidas (2008)

O mítico Shylock de William Shakespeare exigia uma libra (pound) de carne aos seus usuário, caso estes não pagassem as dívidas e juros devidos, imortalizando assim o conceito de pagamento com a própria carne por contra partida de uma soma de alto valor.
Qual a relação com este filme de 2008? O seu protagonista – um jovem engenheiro aeronáutico – num momento de distração, provoca um acidente de viação no qual sucumbem sete pessoas, entre as quais a sua noiva. Transtornado e inconformado com culpa, delineia um plano que lhe permitirá salvar a vida de outras tantas pessoas, numa tentativa kármica de compensar as vidas que ceifou.
Este melodrama revela uma vez mais as capacidades dramáticas de Will smith, mas sobretudo leva-nos a refletir sobre a vida, o sentido que lhe damos, o papel do amor e dos afetos e surpreende (ou não) pelo final. Vale a pena ver.

Título original: Seven Pounds * Realização: Gabriele Muccino * Argumento: Grant Nieporte *Elenco: Will Smith, Rosario Dawson, Woody Harrelson e Bill Smitrovich

9.2.12

#125 @ 101 em 1001 – Museu dos Coches

Este era mais um museu que desconhecia e que quase toda a gente visitou através da escola. Envolto em alguma polémica devido ao projeto do novo edifício, que ficará apenas a meia dúzia de passos, não tem realmente um espaço agradável para o visitante. Sombrio e húmido, o que calculo que também não fará bem nenhum às madeiras dos coches, torna a visita desconsolada e se a isso juntarmos as conversas particulares, e desagradáveis, dos funcionários, só nos faz ansiar por um melhor espaço, que faça jus ao espólio interessante e aparentemente único deste museu.

7.2.12

#108 @ 101 em 1001 - Museu da Presidência

Este é um museu de dimensões reduzidas e que exibe, sobretudo, as ofertas realizadas por outros chefes de estado aos presidentes da republica nacionais por ocasião de visitas oficiais. São trabalhos esplendorosos, que refletem a história e artesanatos locais. Outro pólo de atracão do museu, são os retratos oficiais de todos os presidentes da República nacional, do qual se destaca o de Mário Soares, o menos “tradicional” de todos. É de salientar ainda o espaço destinados às comendas e ordens honorificas, onde além de expostas, é possível, através de um quadro interativo, perceber a sua atribuição.

6.2.12

#121 @ 101 em 1001 - Centro cultural casapiano

Depois do período negro que esta instituição sofreu, importa relembrar a sua importância na formação técnica e artisitica dos milhares de jovens que ao longo dos seus mais de três séculos de existência aí aprenderem um oficio que lhes garantiu sustento. Esta é uma das funções deste Centro cultural casapiano, onde se pode visitar não só a história da instituição, mas também a história do país, da cidade de Lisboa, bem como a evolução de métodos e princípios educativos.
De acesso gratuito e, eventualmente, “abafada” pela oferta cultural e museológica em redor, é por certo um espaço desconhecido para a maioria dos lisboetas e demais cidadãos, mas cuja visita permite uma perspetiva particular sobre o pais e a cidade.

5.2.12

Falar sozinha em estações de comboio

Aos olhos de outros transeuntes, devo parecer louca, porque, imperceptível e gradualmente, desenvolvi o hábito de falar sozinha nas estações de comboio. Talvez devesse adquirir um auricular de telemóvel para, pelo menos, pensarem que tenho outro interlocutor, que na verdade tenho, mas que nesses momentos está ausente. São interlocutores virtuais, avatares com quem tenho conversas substitutas, ensaios de conversas reais futuras.
E com quem falo? Chefes, colegas de trabalho, famílai, amigos, funcionários de repartições, empresas e outros tantos. Falo sobre situações, testo hipóteses, perscruto pormenores, desabafo mal-estares, prevejo argumento, pondero, desenvolvo contra-argumentos, ensaio briefings, idealizo atividades, sintetizo acontecimentos, resumo ideias, etc.
É uma forma de extravasar pensamentos, opiniões e ideias, num tempo e velocidade que mais se coadunam com o ritmo do meu cérebro e que, tal panela de pressão, necessita aliviar a pressão interna e obter um sossego mental.

4.2.12

Sobre conversas desagradáveis

De vez em quando, calha a toda a gente, seja com o chefe, com amigos ou familiares, com condóminos, estranhos ou simplesmente conhecidos metidos ao pingarelho. Sou apologista de que devemos restringir-nos a um máximo de uma conversa desagradável por dia, mais do que isso, torna-nos pessoas amargas e consome-nos desnecessariamente. O ideal mesmo era limitarmos este tipo de conversa a uma por semana, mas sendo impossível, aqui vai uma proposta de calendarização de conversas desagradáveis:
Sábado – repreensão/confissão de amigo adultero;
Domingo – dia de descanso do senhor;
Segunda – amigos demasiados curiosos;
Terça – troca de pontos de vista opostos com o chefe;
Quarta – reunião de condóminos;
Quinta – familiares;
Sexta – vizinho cusco.

3.2.12

Percurso Lisboeta: Belém

Uma nova proposta para percorrer uma zona de Lisboa, refere-se à área de Belém. Se tiver de recorrer à opção transportes públicos, um bilhete de ida e volta de autocarro/elétrico a partir da Praça da Figueira custa 2.50€/3.00€ - se tiver ou não de comprar o bilhete Lisboa Viva -, mas vale a pena pelo percurso e pela vista.
Ao chegar a Belém é certo que há muito para ver, mas para fugir ao óbvio, sugiro a visita ao Centro Cultural Casapiano, que lhe permitirá uma nova perspetiva pela evolução histórica do país, bem como das várias teorias pedagógicas existentes. Depois sugiro a visita aos Museus Presidência da República e dos Coches, cujos espólios são únicos.
Depois de alimentar o espírito, há que alimentar o corpo. Para fugir aos lotados e óbvios pasteis de Belém, bem como às várias propostas de fast food, sugiro um pastel de cerveja, uma iguaria menos conhecida mas que também vale a pena.
Antes de regressar, sugiro igualmente uma visita à biblioteca de Belém, um espaço que está a usufruir de obras de recuperação, mas que vale como exemplo de aproveitamento de um edifício para equipamento cultural.

Autocarro/Elétrico                               2.50€/3.00€
Centro Cultural Casapiano                   0.00€
Museu da Presidência da república      2.50€
Museu dos Coches                              5.00€
Refeição nos Pasteis de Cerveja          4.00€/7.00€
Biblioteca de Belém                             0.00€
Total   13.50€/17.00€

2.2.12

Ser filha de um bêbado

Não sei exatamente em que idade as crianças começam a ter noção do certo e do errado, ou de que certas situações não são normais. Quando a mina avó paterna faleceu, não compreendi a sua ausência, apenas achei estranho aquelas pessoas lá em casa e, sobretudo, os senhores que traziam uns candelabros enormes, e que mais tarde vim a perceber serem os senhores da funerária.
O que para mim começou a parecer errado era ter de cumprimentar o meu pai quando este chegava à noite em casa bêbado, com um bafo insuportável. Tanto me pareceu errado que um dia recusei-me dar-lhe o habitual beijo de boa-noite simplesmente porque:
- ele está bêbado!
Isso valeu-me o primeiro (e único, é certo) estalo por parte do meu pai. Não sei se conseguem perceber o impacto que isso teve em mim, mas na verdade, nesse dia, deixei de gostar do meu pai. É muito triste, aos cerca de 3, 4 anos percebermos que não gostamos do nosso pai e que ele nos causa repulsa. Há infelizmente situações piores e respeito-as profundamente, porque sei o que é deixar de gostar e respeitar aqueles que devemos amar incondicionalmente.
O certo é que passei a infância e a adolescência a cumprimentar o meu pai por pura obrigação, sem qualquer desejo ou prazer em fazê-lo, até que, em virtude de atrasos e aulas mais tardias lá me ia escapando.
Só mais tarde conseguir racionalizar o carinho que hoje nutro por ele, por perceber o que também fez por mim e por perceber que também ele foi fruto de uma educação diferente. Mas este meu carinho é racional, não é incondicional, pois nunca lhe perdoei o facto de colocar o vinho à frente da família. Mesmo quando lhe pedíamos para se controlar, por exemplo, no nosso aniversário, o resultado era o mesmo e a resposta:
- quando me avisam, ainda é pior!
No fundo, mesmo sabendo que somos acarinhados, nunca nos sentimos amados, pois entre nós e a porra do vinho, este ganha.
Esta situação condicionou é claro a minha relação com o álcool. Não sendo abstémia, também não sou apreciadora e abomino quem abusa dele, por exemplo, como alavanca de descontração social ou ao volante de um automóvel, pondo em causa a vida de terceiros. Não tenho paciência para bêbados. Ou melhor, a minha paciência está canalizada e esgota-se numa única pessoa, mais do que isso não sou capaz.
Viver com um bêbado não é fácil. É viver na constante incerteza de como é que entrará em casa. É ter de fazer ronda aos cafés e bares em redor. É desistir de ter tapetes no chão com medo de consequências drásticas de um tropeço. É não saber se ele entrará em casa pelo próprio pé. Ou até de dará a chave de casa a um qualquer estranho que o leve. É nunca ter a segurança de marcar um jantar de celebração com pessoas fora do núcleo familiar por vergonha. É fazer os ditos jantares com ele a dormir no sofá. É tê-lo a dormir no corredor ou no chão da sala. É nunca saber se uma ida à casa de banho resultará numa queda. É suportar as repetições, as teimosias, as tacanhices. É não conseguir falar. É vómitos e mijos. É tanta coisa. É tanta raiva.
Hoje, aos 70, as bebedeiras são menos frequentes e intensas, mas ainda subsistem. Mas aos 70 é já tarde para sentir mais do que pena e raiva, muita raiva por tanto que se perdeu por causa do vinho.
E durante toda uma vida, calquei em mim esta raiva, este inconformismo, esta descrença que generalizei para todos os homens e que acredito estar também na génese da minha incapacidade e relutância de me envolver romanticamente seja com quem for. Porque a minha percepção é de que não posso contar seja com que homem for e assim recuso-os e recuso-me também a qualquer outro tipo de sentimento(s) e de futuro(s).

1.2.12

Diagnóstico Individual de Aprendizagem

No âmbito da minha participação na Formação de Formadores para a Participação Juvenil, promovida pela Dinamo, e de  modo a obter o meu YouthPass, fui desafiada a identificar as principais aprendizagens adquiridas nestes processo. Foi realmente um desafio e se as aprendizagens descritas foram as mais óbvias e que me pareceram mais úteis ressalvar em termos de certificação, há aprendizagens ou consciencializações igualmente transformadoras que não me foi exequível transpor para palavras. ainda assim, deixo aqui o meu DIA:

Nesta formação identifiquei as seguintes aprendizagens:
- compreensão da Educação Não Formal como ferramenta de aprendizagem transversal e ao longo da vida;
- conhecimento de métodos e metologias integrados nos princípios da Educação Não Formal não formais e compreensão da sua importância, utilização e possível adaptação;
- aquisição de ferramentas na área de gestão de projecto que permitem delinear um projecto de Educação Não Formal;