Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt

29.4.10

Tenho medo do futuro

Nunca pensei muito no futuro a longo prazo. Fui vivendo apenas o dia a dia. Foi o meu erro. Hoje, sou obrigada a isso e o futuro mete-me medo.
A minha situação pessoal é complexa e, juntamente com a perspectiva nacional de cortes salariais e de subsídios, que para a maioria de nós são pequenas bolsas de oxigénio que permitem equilibrar certas necessidades, ainda mais complexa fica.
O futuro apresenta-se sem luz ao fundo do túnel.

27.4.10

Ser funcionário público, não é só uma fama, umas vezes merecida, outras não. É também ser um ouvinte de desabafos, problemas e preocupações dos munícipes, mesmo quando, infelizmente, não podemos dar resposta às suas necessidades. Ouvir é também um acto de serviço público. 

26.4.10

Quando somos crianças e fazemos asneiras, basta por vezes um pedido de desculpas para emendar a situação e evitar o castigo.
Quando somos adultos, não há pedidos de desculpa que nos valham, a inconsciência tem consequências e paga-se muito caro.
Mais do que por vezes temos força ou ânimo.

24.4.10

um telemóvel e o mau olhado?

Para ajudar ao ramalhete, perdi o meu telemóvel. Não é que seja o maior dos inconvenientes, mas, tendo em conta os últimos tempos, só ajudou a desmoralizar-me.
Foi quase impossível não pensar que, além de estar a pagar por todas as asneiras que cometi, estou com um mau olhado.
Racionalmente, sei que a série de outros pequenos azares que me têm ocorrido são fruto da minha desorientação em relação aos problemas maiores. Mas quando o desânimo e a impotência nos cercam, precisamos de algo que nos dê alento e nos mantenha à tona. Então, dei por mim a pesquisar modos de saber se estou ou não sob um mau olhado. O teste mais simples que encontrei reza assim:
Enche um prato branco com água e unta um pouco de azeite no dedo anelar da tua mão direita. Deixa que o azeite goteje sobre a água (deixa cair três gotas) e espera um pouco. Se o azeite flutuar, não te preocupes. Se ele se estender por toda a superfície da água ou se for ao fundo, então tens mau olhado.
O resultado foi: espalhou-se por grande parte da superfície da água.
Não sei qual o comportamento do azeite na água, excepto que não se misturam. Não sei se o tipo e a espessura do azeite têm alguma influência. Não sei, mas a fazer ver pelo resultado, alguém me lançou um mau olhado.
É claro que isto não explica tudo o resto, cuja culpa é inteiramente nossa, mas agora compreendo o fascínio e a atracção que este tipo de explicações têm quando se está em momentos de grande fragilidade. Todos necessitamos de uma luz ao fundo do túnel e buscamo-la onde for possível.
Não acredito em muitas coisas, mas acredito em energias, positivas e negativas. Creio que ao contrário do imans, em que os opostos se atraem, o positivo chama o positivo e o negativo o negativo. Também sempre acreditei no ditado: não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. É um ditado de equilíbrio: um aviso, pois tudo tem um fim, e também um sinal de esperança para os momentos difíceis. Tal como sempre acreditei que tudo na vida tem aspectos positivos e negativos, seja o bom, seja o mau.
Neste momento, está-me a ser difícil ver o positivo, quando todos os dias parecem ser bombardeados de notícias que variam entre as más e as menos boas. Por isso, cedi à necessidade de uma esperança, de um alívio, e dei por mim à procura de explicações exteriores a mim.
Era bom que fosse tão simples…

22.4.10

Tentei disfarçar, mas já não consigo conter as lágrimas da minha tristeza. O esforço da contenção é insuportável e o ecoar do som da televisão na sala vazia já não ilude a minha solidão.

O vazio no meu peito cresceu tanto que duvido já se alguma vez se desvanecerá.

21.4.10

Fernando Pinto do Amaral

desde cedo aprendeste
que a beleza é injusta, mas talvez
mereça ainda a luz,
o enlouquecido espectro de um poema.

20.4.10

#1 @ 101 em 1001

1. organizar todos os ficheiros do meu computador / pens e fazer devidos backups.
A coisa torna-se:
a) complicada quando se perde a pen antes de qualquer backup e se tem de refazer documentos relevantes, tipo CV reformulado há dois dias, e não só;
b) mais fácil quando já não há backups a fazer e somos obrigados a fazer uma nova aquisição:

19.4.10


Sempre me fez confusão a violência pela violência.
Compreendo a legitima defesa (instantânea ou até calculada), mas a violência sem justificação, a sério que não compreendo.
Ao ver certas notícias fico chocada com o grau de violência e perversão de certos crimes. Como é que se chega lá?

18.4.10

A (quase) catástrofe natural


Normalmente, os nossos noticiários são inundados pelas consequências trágicas das catástrofes naturais. Com a erupção do vulcão na Islândia, creio que é a primeira vez que vejo uma situação em que essas consequências estão a ser prevenidas.

17.4.10

O pessimista queixa-se do vento,
o optimista espera que ele mude,
o realista ajusta as velas.
William G. Ward

16.4.10

14.4.10

101 Objectivos em 1001 Dias

Até ao final do ano, a minha vida vai mudar por completo. Diz se que quando Deus fecha uma porta, abre sempre uma janela, assim o espero… Para conseguir manter a serenidade e a sanidade preciso de perceber uma luz ao fundo do túnel. Talvez, porque neste mundo de aleatoriedades há acasos ou coincidências ou linhas tortas, para me ajudar a manter focada deparei com este desafio, através da Li@.

Assim, cá vão alguns dos 101 objectivos que se esperam cumpridos ao final de 1001 dias, ou seja no próximo dia 09 de Janeiro de 2013.

Era impossível neste momento, e neste estado de espírito, apresentar a lista completa. Muitos não se cumprirão, mas alguns com certeza. Alguns são quase megalómanos, mas também necessitamos de sonhar. Outros vão ser pequenos passos num longo trajecto.

Cá estaremos daqui a aproximadamente três anos para o balanço e para os novos desafios.

1. organizar todos os ficheiros do meu computador / pens e fazer devidos backups (Maio 2010)
2. digitalizar a Do Papel (Jul. 2012)
3. ir a um SPA
4. chegar a técnica superior
5. tirar um curso de línguas (espanhol, alemão, árabe, ...)
6. Fazer uma tatuagem.
7. escrever um livro
8. fazer desporto regularmente (caminhadas)
9. fazer um curso de fotografia
10. manter a sanidade
11. concluir um mestrado
12. fazer uma viagem surpresa
13. ir a um motel
14. organizar todas as minhas fotografias no computador e em CDs
15. manter os 60 e pouco quilos
16. passar a pasta da administração do condomínio (Out. 2010)
17. normalizar as finanças
18. normalizar a ss
19. ler 12 clássicos (1.Bíblia, 2.Ulisses, 3.D.Quixote, 4.Os Maias, 5.Os Lusíadas, 6.1001 Noites, 7.Tora, 8.Corão, 9.A ìliada, 10.A Eneida, 11. ..., 12. ...)
20. escrever uma carta de amor, tola como todas as cartas de amor
21. experimentar cozinhas internacionais (japonês, ...)
22. aprender os passos de tango e de salsa / danças de salão
23. comprar um artigo numa sexshop
24. conseguir um trabalho em que me sinta realizada (2012)
25. aprender a jogar poker
26. aprender a fazer um nó de gravata
27. fazer um curso de mergulho
28. conhecer uma das 7 maravilhas modernas
29. participar num protesto
30. ser mais humilde
31. tomar um banho de imersão, com direito a velas e óleos aromáticos
32. dar aulas ou formação (TCE - Jan 2011, Dez 2011, ST - Nov. 2012/... 2013)
33. entrar nos 35 tranquila (Maio 2011)
34. aprender a fazer a palpação da mama
35. nadar com golfinhos
36. tomar uma decisão importante
37. aprender a fazer risoto
38. Ir ao museu Berardo
39. marcar consulta no dentista
40. fazer a minha viagem de sonho (Austrália/ Expresso do Oriente /Matchu Pitchu / Monte Roraima)
41. sorrir todos os dias
42. ver o Sunset Boulevard.
43. ver o Citizen Kane.
44. Conhecer o Convento de Cristo.
45. Conhecer o Castelo de Almorol.
46. Andar de TGV.
47. Andar de patins.
48. Comprar lingerie vermelha. (Dezembro 2010)
49. Ver pegadas de dinossauro. (Agosto 2011)
50. Ter coragem para seguir alguns sonhos.
51. Deixar de roer as unhas. (estratégias: unhas de gel; vernizes)
52. Raptar alguém, devidamente raptado.
53. Fumar uma ganza.
54. Andar de mão dada sob as estrelas.
55. acabar esta lista… (Setembro 2011)
56. travessia de comboio sobre o tejo.
57. Comprar um par de sapatos vermelhos (Ago. 2012)
58. Fazer a cirurgia de correcção à miopia.
59. Ir a um festival de cinema.
60. six pack abs
61. frequentar um workshop de escrita criativa (Jan. 2011-...)
62. ir à Cinemateca (Jul. 2012)
63. conhecer mais do nosso pais (alpiarça Jun. 2011, Benavente Fev. 2012, Santiago do Cacém Jun. 2012, Santarém Dez. 2012)
64. religar-me às amizades que, não tendo saído do coração, sairam do contacto
65. mudar de penteado (Abril 2011)
66. fazer um cruzeiro no Mediterrâneo
67. elaborar um manual de Técnicas de Comunicação Escrita
68. acabar de ler, pelo menos, metade dos livros pendurados (Nov. 2011: 19, Dez. 2012: 22)
69. deixar de escarafunchar as borbulhas
70. ler a obra de Richard Zimler editada em Portugal (A Sétima Porta - Fev. 2011, Ilha Teresa - Jun. 2012)
71. ler os títulos disponíveis em Portugal dos concorrentes da Copa de Literatura Brasileira (Rakushisha - Maio 2011, A Margem Imóvel do Rio - Agosto 2011, ...)
72. aprender a tocar viola
73. visitar o MUDE (Agosto 2011)
74. visitar o Museu NAcional de Etnologia
75. trocar um vício por um novo hábito
76. fazer rappel
77. fazer canoagem
78. consultar uma cartomante
79. ir a Fátima a pé
80. andar a cavalo
81. ir ao Planetário
82. visitar o Museu do Fado
83. atingir 100 seguidores no blog (Dezembro 2011:55; Abril 2012: 60; Dez. 2012: 66)
84. visitar a Bedeteca
85. Fazer Formação de Formadores (Maio 2011)
86. comprar um mapa mundi para por na parede (Dez. 2011)
87. escrever uma carta para mim, para abrir daqui a 1 ano (Novembro 2011)
88. fazer uma lista com 100 coisas que me fazem feliz (Novembro 2011)

89. fazer um picnic (Agosto 2011)
90. integrar um clube de leitura (Junho 2011)
91. conhecer o Convento dos Capuchos (MArço 2012)
92. conhecer o palácio e os jardins de Monserrate (Fev. 2012)
93. conhecer o Castelo dos Mouros
94. conhecer o Museu de Odrinhas
95. andar no elétrico de Sintra (Setembro 2011)
96. beber um copo de chuva
97. visitar a Casa das Histórias (Oeiras)
98. encher uma embalagem de balões e deita-los pela janela
99. visitar a Casa da Escrita (Coimbra)
100. adquirir um portátil/notebook
101. fazer uma caminhada superior a 20 km (Novembro 2011 - Serra das Minas > Cabo da Roca)

E porque não mais uns quantos? (Novembro 2011)

102. andar no Elevador de St.ª Justa
103. visitar o Museu Arqueológico do Carmo (Dez. 2011)
104. fazer um ensaio fotográfico sensual
105. visitar a Casa dos Bicos (Fundação saramago)
106. ler um livro em espanhol (Dez. 2012: Abierto toda la noche, David Trueba)
107. ler um livro em italiano
108. visitar o Museu da Presidência (Fev. 2012)
109. ir ao Hard Rock Café LX
110. adquirir uma máquina fotográfica / telemóvel
111. fazer uma caminhada com mais de 30 kms
112. adquirir um GPS para Geocaching
113. adquirir um conta-quilómetros
114. percorrer 200 kms em caminhadas em 2012 (Jun. 2012)
115. ir ao Fantasporto
116. visitar o Museu da Cidade de Lisboa (Campo Grande)
117. visitar a Torre de Belém
118. visitar o Palácio NAcional da Ajuda
119. visitar a Basílica da Estrela
120. visitar o Panteão NAcional (Santa Engrácia)
121. visitar o Centro Cultural Casapiano  (Belém) (Fev. 2012)
122. visitar a Culturgest (Campo Pequeno)
123. visitar a Fundação Ricardo Espírito Santo (Portas do Sol)
124. visitar o Museu da Música (Alto dos Moinhos)
125. visitar o Museu dos Coches (Fev. 2012)
126. visitar o Museu NAcional do Azulejo (Madre Deus)
127. visitar o Museu Rafael Bordalo Pinheiro (Campo Grande)
128. visitar o Museu do Chiado
129.
130. ir ao Hot Club (Praça da Alegria)
131. adquirir um livro sobre cogumelos
132. adquirir um livro sobre plantas
133. queimar um livro
134. ir às Berlengas
135. ler Dickens (Nov. 2012: O Cântico de Natal)
136. ir ao Correntes d'Escrita (Póvoa do Varzim)
137. apaixonar-me
138. concretizar o projeto de mestrado
139. ver a filmografia de Michael Fassbender
140. desenvolver um conjunto de 10 contos até Dezembro de 2012

13.4.10

As Despedidas

Há todo o tipo de despedidas: de pessoas, de lugares, de objectos, de fases, de sonhos… e até de nós próprios.
Há despedidas alegres: quando desejadas, quando novas etapas são desafios aliciantes, quando se abraça possibilidades.
Algumas são dolorosas: a ausência física, a constatação do engano, a desilusão, a perda.
As despedidas alteram-nos: ora nos dão uma confiança intrínseca, ora nos quebram e nos quedam.
Recordamos sobretudo as despedidas dolorosas, porque as alegres são assumidas como ponto de partida, enquanto as outras são chegadas.
Mas a vida é feita de partidas e chegadas (e até de viagens em círculo).

Que esta longa despedida seja também um ponto de partida.

12.4.10

Uma falsa esperança

É estranho quando nos dizem: em princípio é possível, mas dificilmente alguém o vai fazer. Ou seja, pouco ou nada há a fazer, mas as pessoas ao verem a nossa cara de desânimo não querem pintar o quão negro o quadro é e procuram dar-nos esperança, onde não existe.

11.4.10

Viver a Vida


Sou viciada em ficção televisiva. Se pudesse, seguia todas as séries. No entanto, em termos de novelas, estou cansada do formato e é raro seguir uma, sem ser nos capítulos finais, nos quais sou ainda mais viciada.  

Actualmente, sigo apenas a novela brasileira Viver a Vida, de Manuel Carlos. Não obstante alguns temas serem também abordados em novelas nacionais (como é o caso da deficiência Física em Perfeito Coração), o que me apela nesta, e nas outras novelas do autor, são os testemunhos reais no final de cada episódio. 

Sei que tive uma vida privilegiada. Apesar das dificuldades e do dinheiro não abundar, sempre tive um tecto e comida na mesa. As histórias de pobreza e de dificuldades extremas são uma lição de vida. Não sei se conseguiria suportar ou sobreviver a muitas das situações descritas. Por isso, admiro, admiro muito a resistência e a fé com que as pessoas ultrapassam os mais complexos obstáculos na vida.  

Espero encontrar em mim essa força.

8.4.10

As não decisões

Todos nós aceitamos as consequências positivas ou negativas das nossas decisões. Não prevemos todas as consequências, mas percebemos. Mais complexo é perceber as consequências das nossas não decisões, principalmente quando negativas.
Por vezes demitimos-nos de tomar determinadas decisões na nossa vida. Subestimamos a sua importância e deixamos que outros tomem as rédeas: por preguiça, por medo de assumir a nossa voz, por insegurança em relação à complexidade das decisões. Mas, há sempre um momento em que somos responsabilizados por essas não decisões.
As consequências podem ser as mais variadas, às vezes tão imperceptíveis que nem nos apercebemos das mesmas. outras são tão drásticas que nos sentimos no meio de um pesadelo surreal, que, de tão estranho, não temos a capacidade de perceber uma saída. É ai que o nosso maior pesadelo se torna real.

6.4.10

Programação e divulgação

Ao elaborar uma programação de uma comemoração que envolve actividades e pólos de atracção distintos, há que planificar uma estratégia de divulgação que contemple as especificidades de cada evento.
Há publicidade diferente e diferentes maneiras de chegar a cada público. Há actividades que têm público próprio e há actividades cujo público, sem hábito, necessita ser cativado. Não se pode pensar que se atraem estes públicos do mesmo modo, nem se pode pensar que alguns métodos tradicionais de divulgação, por vezes demasiado enraizados nos responsáveis, são eficazes com os novos públicos, cujo cada vez maior contacto com as tecnologias apaga qualquer impacto em relação aos métodos tradicionais.
Os novos desafios da divulgação passam por conseguir um plano de evidência entre as demais ofertas e ruído promocional. Mas há algo que qualquer promotor não pode deixar de esquecer: a divulgação necessita de tempo, seja para poder abranger um maior número de destinatários, seja para criar nesses a necessidade/desejo de participar nos eventos promovidos.

5.4.10

O meu maior sonho, o que sobrepunha aos demais e que eram apenas um meio de o atingir, era ser independente. Não depender de pais, eventual companheiro, ou demais família. Hoje, vejo-me na contingência de vir a pedir o seu auxílio. Não é que haja vergonha em pedir ajuda, mas a ajuda necessária é toda aquela que desejava não pedir.

4.4.10

Diz-se que Deus não nos dá um fardo maior do que aquele que pudemos suportar. Gosto de acreditar nessas palavras, dão-me esperança, mas temo que o fardo seja demasiado pesado e a perspectiva é que aumente ainda mais.

3.4.10

É verdade: quando julgamos que temos algumas respostas, a vida muda todas as perguntas:
Sempre considerei que era uma máxima lógica e verdadeira, mas nunca me tinha acontecido. A minha vida tem uma mudança anunciada, uma mudança tão radical que me tem feito repensar quase tudo nos últimos dias: tanto que tomava como certo e estava errado; tudo o que pensava ter alcançado e que agora está perdido; tanto que nos outros não comprendia e desprezava, agora percebo e tenho um respeito que não tinha; os objectivos que não tinha e que agora necessito alcançar, por uma questão de sobrevivência; a fé que não tinha e que dou por mim a necessitar para poder sentir uma luz ao fim do túnel.
Não sei como o futuro se resolverá. Sei apenas que não será nada como desejei ou aspirei.

2.4.10

Chamemos-lhe Maria…


Perto das 18, estica a colcha da cama e ajeita as duas almofadas acetinadas que permitem dizer que aquele é um quarto de mulher. Passa mais uma vez uma mão pelo cabelo para disfarçar com os caracóis o jeito feito pelo elástico que o amarrou durante quase todos o dia. Chegou há pouco e rapidamente trocou de roupa e refrescou-se depois de um dias sentadas a uma máquina.
As batidas levam-na a abrir a porta e a deixar entrar o senhorio, um homem baixo e balofo, com bigode farto a ironizar a já extensa calvice. Não são necessárias palavras para a rotineira cobrança.
Maria desabotoa a blusa deixando a combinação de renda preta sintética contrastar com a alvura da sua pele. Inclina-se um pouco para desabotoar a saia quando a mão de dedos curtos agarra o seio esquerdo numa amassada carícia. O movimento da saia ao atingir o chão é obliviado pela sonora sucção do seio direito e pela mão que rápida invade as cuecas secas.