11.11.09

diálogo friorento

-         hoje, demorei mais de 20 minutos no duche.
-         E?
-         Não é normal. Demoro, quando muito, cinco minutos.
-         Isso não é um banho, é passar o corpo por água.
-         É tempo mais que suficiente para lavar o cabelo e o corpo. Não ando a cavar terra para andar imunda.
-         Então, demoraste 20 minutos. qual é o problema? Estava a saber-te bem e aproveitaste.
-         O problema é que no meio do duche finalmente percebi porque é que também ando a dormir tanto e porque é que quando chego a casa visto quase logo o roupão.
-         Andas cansada, precisas de relaxar.
-         Não, não é isso. É pior. É porque não tenho calor na minha vida. Por isso recorro ao calor do duche, da cama, do roupão. Para sentir calor. Para me sentir aconchegada, reconfortada.
-         És friorenta. Não é nada demais.
-         Não, não sou friorenta. Sou sozinha, sabes há quanto tempo ninguém me abraça? Eu já nem me lembro quando foi a última vez.
-         Tadinha. Precisas de um abraço. Anda cá que isso resolve-se.
-         Desculpa, mas não se resolve com os teus abraços, por mais bem intencionados que sejam, apesar de ajudar sempre. Obrigada. Sinto falta de um abraço a meio da noite, tem de ser o calor de um corpo ao meu lado no sofá em silêncio ou a partilhar os acontecimentos do dia. Tem de ser uma mão a ajeitar-me os caracóis e a acariciar-me o pescoço.
-         Compreendo. Realmente esse calor não te posso dar lamento.
-         Também eu. Infelizmente, a conta da água este mês vai ser grande. 

10.11.09

O Efeito Dominó

Por mais que tente, não consigo ter uma memória precisa de "onde é que estava" aquando da queda do Muro de Berlim. Tenho noção de notícias e reportagens televisivas posteriores, de falar sobre o assunto na disciplina de História e do posterior concerto de Roger Waters - que foi para mim uma revelação.

Hoje, ao ver imagens do derrube do dominó gigante que assinala o 20º aniversário da queda do muro, não posso deixar de considerar esta inicitativa de uma simplicidade e simbologia atrozes.

9.11.09




A minha mão só tem sentido se cerrar os olhos e a imaginar tua.

8.11.09

Joelho, Maria Teresa Horta

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo

Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.


Maria Teresa Horta

7.11.09

Só de amor, Mª Teresa Horta




Este foi o meu primeiro contacto com a obra da autora. Este livro de poesia apresenta em três “actos” a relação de mulher contemporânea com o amor.
A voz poética é a da mulher que ama livremente (sem sombra de pecado ou culpa) e que se entrega por completo na expressão física desse amor. A mulher que é parceira activa no jogo da sensualidade, do desejo e da sedução.

6.11.09

Marnie


Em 1964, Alfred ^Hitchcock realizou este Marnie, interpretado por Sean Connery e Tippi Heddren. É um thriller psicológico em, como noutros filmes do realizador, as personagens são muito mais do que aparentam e ao longo da trama ficamos a conhecer novas e mais densas camadas. Não é o mais bem conseguido dos seus filmes – há algo na relação dos dois protagonistas que simplesmente não cola -, mas vale a pena pela abordagem dramática e psicológica  da personagem título. 

5.11.09

Participação política

Normalmente não escrevo sobre política, sobretudo porque considero que não domino o assunto o suficiente para ter uma opinião devidamente fundamentada. Outro factor para o silêncio é o facto de trabalhar num município e procurar ter uma posição neutra sobre determinada matérias.
No entanto, tenho uma opinião (mesmo que eventualmente errada) sobre determinados assuntos e considero que chegou o momento de a expor de um modo mais frequente. Será um exercício benéfico pois obrigar-me-á a um olhar mais atento sobre acontecimentos, sejam locais, nacionais ou internacionais.

4.11.09

Sobre o casamento homossexual


Um dos temas da agenda política é o do casamento homossexual, que ainda não se sabe se a respectiva legalização será votada a nível parlamentar ou se será sujeita a referendo. Embora considere que seja mais fácil a sua aprovação por via parlamentar, pois considero que a sociedade no seu geral ainda é bastante conservadora, no entanto, não esqueço que há tempos o PS utilizou a disciplina de voto partidária para chumbar a proposta.
Creio que mais tarde ou mais cedo, o casamento será legalizado. É uma tendência mundial: um pouco por todo o mundo vão surgundo, quase diariamente, notícias sobre a sua legalização. Caso por cá se opte pelo referendo, o meu voto será sim.
É claro que o complexo desta questão não é o casamento propriamente dito. O complexo são as alterações legislativas que posteriormente serão necessárias efectuar, nomeadamente em leis como a da adopção. Também nesse assunto sou a favor do alargamento da adopção. Sempre defendi que é preferível uma criança ser amada e educada por dois “pais” do mesmo sexo, do que passar uma infância aos cuidados de uma instituição, por muito boa que ela seja. É isso que considero o real interesse da criança.

3.11.09

Telepatia, Lara Li

2.11.09

Palavras #194 a 196

Guipura - s. f. Renda muito fina de linho ou seda.
Estamenha - s. f. Tecido grosseiro de lã.
Cassa - s. f. Tecido transparente de linho ou algodão.

1.11.09

a filha do vidreiro

E assim é
Exactamente como dizias
A vida é-me
Quase sempre fácil
E assim é
A pequena história
Sem amor, sem glória
Sem heróis nos céus

Não consigo desviar o meu olhar de ti
Não consigo desviar o meu olhar

E assim é
Exactamente como dizias
ambos esqueceremos a brisa
quase sempre
e assim é
a água fria
a filha do vidreiro
a rapariga em negação

Disse que te abomino?

Disse que quero
Deixar tudo para trás?

Não consigo esquecer-te

Não consigo esquecer
Esquecer, esquecer
Até encontrar alguém novo
The Blower's Daughter, Damien Rice

31.10.09

today's treat


30.10.09

Aprendizagem da leitura

Aprendi a ler na primária. Ler ajustou-se à minha personalidade introvertida.
Demorei a encontrar uma voz e a dar-lhe corpo, mas sem dúvida que a leitura me permitiu maturar uma identidade e o conteúdo dessa voz, que hoje posso fazer ouvir a quem queira, ou não.

29.10.09

Mandato Municipal 2009-2013 em Sintra


Decorreu há pouco, no C. C. Olga Cadaval, a cerimónia de tomada de posse dos Membros para a Assembleia Municipal e Câmara Municipal para o mandato 2009-2013, eleitos nas eleições autárquicas efectuadas no passado dia 11 de Outubro.
Espera-se agora a distribuição efectiva de pelouros para que se dê início a um novo ciclo de trabalho e projectos.