Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
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31.12.07

Mudar o mundo

se pudesse alcançar as estrelas
e puxar-te uma
fazê-la brilhar no meu coração
para que visses a verdade
deste amor que tenho por dentro
que é tudo o que parece
mas por agora
está apenas nos meus sonhos

Se pudesse mudar o mundo
Seria a luz no teu universo
Tomarias o meu amor por algo realmente bom
Amor se pudesse mudar o mundo

E se fosse rei
Ainda que por um dia
Tomar-te-ia como rainha
Não quereria doutra forma
E o nosso amor governaria
Neste reino que inventamos
Até então serei um louco
À espera do dia

Change The World, Babyface

30.12.07

Workshop Semântico #12

Exercício 1

Ele ficava de longe a admirar o donaire com que ela, absorta nos seus pensamentos, dobava e o pequeno novelo roçagava no seu vestido.

Exercício 2

O novo traje é um primor e com uma leveza que o seu roçagar apenas se nota pela subtil vibração de ar que provoca.

Ela doba-se frente ao espelho só para observar todos os pormenores da nova indumentária e apreciar o seu donaire.

29.12.07

Revista do Ano A-Z (ou talvez não…)

AB Produções – com o apoio e entusiasmo de alguns familiares, a AB Produções tomou corpo e ganhou algum terreno. De um hobbie simples, passou a ser também, assim o espero para 2008, uma pequena fonte de rendimento. É sobretudo um modo útil de passar alguns tempos livres, canalizando a imaginação e ganhando algum dinheiro.

Acto – Infelizmente, o Acto tinha já há bastante tempo uma pausa anunciada. Custou-nos admitir, mas finalmente demos por encerradas as actividades. Temos, no entanto, a esperança de ainda retoma-las. O tempo o dirá.

Balanço – Foi um ano normal. Nem bom, nem mau.

Crise – Parece ser o mal geral e este realmente sentia-a. Parece que anteriormente os meus rendimentos davam para o essencial e alguns pequenos luxos. Este ano foi de corte em alguns desses luxos: concertos, música e saídas.

Escoteiros – às vezes despedimo-nos, outras vezes aceitamos novos desafios. Finalmente convenceram-me e agora sou escoteira oficial. Resta esperar pelo verão para o ser na prática. Isto tem de ser devagarinho.

Poeiras – Este blog comemora um ano no próximo dia 01. Apesar uma experiência que mais três anos na blogosfera, este representa um novo estágio que está a ser plenamente satisfatório.

Tabaco – Os fumadores falam da falta de alternativas que terão. É um facto. Mas pela primeira vez, nós, fumadores, teremos alternativas. Eu agradeço.

28.12.07

Grande Entrevista I

Carlos do Carmo

Não é segredo para ninguém o quanto aprecio a voz deste homem. É para mim uma das mais bonitas que conheço. É simultaneamente suave, forte e profunda.

Mas para além da voz, gosto de ouvir a pessoa que me parece a de um artista bastante lúcido em relação à sua prestação e à arte a que se dedicou. Por isso mesmo é o porta-voz da candidatura do fado a património mundial. E foi com muita calma que fez uma breve resenha da sua carreira e dos seus últimos projectos pessoais e relativos à candidatura, como o filme de Carlos Saura e o livro que documenta a evolução do fado. Agora, resta esperar pelo projecto que está a ser desenvolvido pela RTP e que será transmitido no decorrer deste ano.

27.12.07

Benazir Buttho

Admiro a coragem desta mulher em regressar ao seu país natal mesmo sabendo que a esperam mais do que ameaças de morte. Admiro que mesmo após um primeiro atentado tenha continuado a dar voz ao seu projecto político. Lamento que o mundo tenha perdido aquela coragem e determinação.

26.12.07

La Mala Educacion

… continua haciendo cinema com la miesma passion.

É assim que termina esta película referindo-se a uma das personagens, que é cineasta. E é esta mesma paixão que transparece em cada filme de Almodovar. A paixão pelo cinema e pelas suas personagens, tão humanas quanto marginais. Personagem sexuais, que na maioria das vezes conseguem encontrar o seu mundo fora da identificação sexual social e biologicamente imposta. E é dessa paixão, dessa sede pela vida em plenitude que vive mais esta obra.

Poderíamos dizer que é mais do mesmo, sim. Mas Almodovar não seria o criador que é se não nos levasse mais além, sendo esse além a humanidade das personagens, que os torna tão iguais a mim ou qualquer outra pessoa em redor.

25.12.07

Pronto lá está, às vezes dá-se prendas que mais valia ficar quieto.

Um protector de telemóvel da Hello Kitty?

Mas desde quando, my Godinho…

24.12.07

Viver o Natal

É habitual ouvir dizer que actualmente o natal não passa de consumismo e é verdade. Estamos tão habituados às prendas que parece já não sabermos viver esta época sem elas.

Por motivos vários, este ano não tem sido muito pródigo em dinheiro, mas não há que ter vergonha nisso. Não somo, e infelizmente, não seremos os únicos a ressentir-se com isso.

Fiquei apenas chateada quando ao fazer os habituais convites para a consoada e dia de natal me diziam que não podiam ir porque não tinham dinheiro para comprar prendas. Mas sempre aprendi que esse não é o espírito de natal.

O importante é convivermos e estarmos com aqueles que gostamos. É claro que todos gostamos de receber prendas, eu pelo menos gosto bastante. Mas se não é possível, também não é necessário fazer disso um impedimento. Pelo menos lá em casa, mesmo que não haja prendas, haverá que comer e isso sim é o mais importante.

23.12.07

Palavras #51 a 52

Donaire - do Cast. Donaire, s. m., gentileza; garbo; elegância; bizarria; adorno; enfeite.

dobar - do Lat. depanare, enovelar, v. tr., enovelar ou enrolar em novelo o fio da meada; v. int., fazer novelos; fig., voltear.

roçagar - de roçar, v. int., roçar pelo chão; arrastar-se, fazer ruído semelhante a um vestido de seda que se arrasta pelo chão; passar de leve.

21.12.07

Ondas de Paixão

Os grandes filmes bastam-se. Ou seja, não é preciso ninguém falar-nos da sua qualidade ou da sua magia para o percebermos. É o caso de Ondas de Paixão.

É uma história da amor, mas não um amor qualquer. É um amor tão puro e sincero que se manifesta para lá de qualquer convenção social ou parâmetro de normalidade.

Relatar a história do argumento é reduzi-la a uma linearidade que não lhe faz jus. Há histórias que não se contam, têm de se sentir. Temos de nos deixar envolver para podermos apreender as suas subtilizas. Temos de deixa-las levar-nos onde for necessário, onde nos quiserem levar.

Este filme é a oportunidade de conhecer um daqueles seres maiores do que a vida. Daqueles que só na ficção recebem o espaço e reverência merecidos. Um ser regido pela fé no sentimento e uma capacidade de abnegação que o coloca numa esfera superior de humanidade.

A representação de Emily Watson é extraordinária.

20.12.07

Caché – Nada a esconder


será que realmente ninguém tem nada a esconder? Haverá alguém sem esqueltos no armário, por mais pequenos que sejam? Aparentemente sim, mas na verdade há sempre algo. Alguma acção mais sórdida vergonhosa que relegamos para o fundo de um qualquer arquivo na nossa memória. Mas como o passado tem sempre forma de emergir quando menos se espera, nunca se está realmente a salvo desses esqueletos.

Caché é uma viagem vagarosos a um esqueleto de infância atormentou a sua vítima, mas que ao tornar-se impossível de continuar a comportar, esta impõe irremediavelmente ao seu causador, sob a forma não de esqueleto mas de continuo fantasma.

19.12.07

E-escola

O governo lançou este ano o projecto e-escola para permitir aos estudantes o acesso a computadores pro preços acessíveis, o que é uma iniciativa muito louvável

e muito prática, desde que quem faça a inscrição on line não se engane em nada. Senão, é uma maratona de telefonemas para números que afinal não constam na páginas, um rol de repetições, de explicações, e nunca é naquele número que solucionam o problema. No final, ainda é necessário escrever uma carta para ficar tudo por escrito.

Simplex...

18.12.07

Almoço de Natal

Os almoços de natal são muito engraçados. É um dos momentos ideais para se observar jogos de poder, quem dá graxa e cisões.

Estes dois últimos natais foi interessante ver como todos “fugiam” de estar perto do nosso superior hierárquico, ficando esses lugares para os atrasados. Depois há as divisões entre colegas. Normalmente tem a ver com as idades e eventualmente com a proximidade entre as funções de cada um.

Este ano como cheguei atrasada fiquei praticamente em frente ao meu superior e entre grupos.

17.12.07

Estou a ficar ligeiramente louco

Quando a temperatura exterior aumenta
E o significado se torna claro
Mil e um gladíolos amarelos
Começam a dançar à nossa frente – oh credo
Falta-te um último parafuso
Simplesmente não está no ponto
Para ser franco, não fazes a mínima ideia

Estou a ficar ligeiramente louco
Finalmente aconteceu
Estou ligeiramente louco
Ai querido

Falta-me uma carta no baralho
Não estou exactamente no ponto
A uma onda de um naufrágio
Não estou o meu habitual melhor
Estou a chocar uma febre
Estou realmente borda fora
A chaleira está a arrufar
Julgo que sou uma bananeira
Ai credo

Estou a tricotar com apenas uma agulha
A desbaratar depressa é verdade
actualmente conduzo com apenas três rodas
mas meu caro então e tu?

E aqui tens
I'm Going Slightly Mad, Queen

16.12.07

Noel

De quando em quando surge um novo filme mosaico, em que várias histórias aparentemente estanques se vão tocando e influenciar as restantes. Aqui «, todas as histórias têm lugar na época de natal e têm como ponto em comum a necessidade de redenção e perdão. Há um homem perseguido pela memória da mulher, cuja morte provocou, um jovem cujo ciúme excessivo está a separa-lo da mulher que ama, um padre à beira da morte e uma mulher em crise de fé. Pessoas anónimas que por algum motivo se cruzam e inevitavelmente ajudam a superar receios e angústias.

15.12.07

Nanny Mcphee

















A lembrar Mary Poppins com o seu casaco comprido, a mala de viagem e o chapeú, Nanny McPhee é também uma ama exemplar e invulgar nos seus métodos. Tem como lema: enquanto não for desejado, mas necessária, ficarei; quando for desejada, mas não necessária, partirei.

E é com a ajuda da magia que vai disciplinar as sete crianças de um recém viúvo e ajudar todos a construir um novo lar cheio de alegria e muita cor.

14.12.07

Meu Amor, Era de Noite, Vasco Graça Moura

Existe romance sem histórias de amores impossíveis?

O verdadeiro amor é o inconcretizado. Aquele que alimenta as páginas de livros com a sua sublimação. Só nos livros se sente tudo até ao máximo das nossas capacidades. Só aí se arrisca a dor suprema de um coração for de corpo entregue a um outro ser. Só nos livros se obtém a redenção.

13.12.07

À Procura de Nemo


Agora percebo melhor onde Mel Gibson foi buscar a ideia para o seu Apocalipto: a saga de um homem obrigado a enfrentar os mais variados perigos para salvar o seu filho preso dentro de um aquário.

12.12.07

A Decifração - Parte I

Fui afastando a poeira pouco a pouco, mas era ainda difícil decifrar o que exactamente se escondia atrás dela. Com a poeira maior retiradas, mudei de escova e minuciosamente fui descobrindo símbolo a símbolo sem ligar muito aos seus significados.

Ainda não era o momento para isso.

Parecia, no entanto, que estes reportavam a uma forma muito rudimentar de escrita hierática. Mas cada coisa a seu tempo.

Foram ainda várias horas de trabalho para limpar todo o burilado da pedra e revelar toda a beleza daquele rendilhado ainda secreto para mim.

Fiz uma pausa merecida. Bebi um chá e fiz uns exercícios de descontracção para os músculos das costas. Se o trabalho tinha sido lento e minucioso até ao momento, ainda seria mais daqui para a frente.

Até agora o cansaço era só físico, o verdadeiro desafio estava prestes a começar. Ponderei inicia-lo no dia seguinte. Descansar por uma noite mais o corpo e a mente e levantar-me de manha com o dia a clarear e começar com as baterias recarregadas e com a mente clara. Afinal, não seria uma noite que a atrasar o trabalho.

Então, brindei-me com uma noite relaxante antes da decifração. Poderia ser a última nos próximos tempos.

Pus a música a tocar e deixar as notas de jazz deambular por toda a casa. Escolhi uma garrafa de vinho de 75 e levei para junto da banheira que enchi e perfumei com sais. Despi-me e mergulhei no líquido morno que me esvaziou a mente e limpou quaisquer resquícios de pó na pele. Deixei-me ficar até a água esfriar, mas sai antes que se tornasse desagradável. Fui deglutindo o meu vinho e retendo o mais possível o seu aroma e sabor na minha memória sensorial, a que iria recorrer em momentos menos calmos e pacíficos. E como aquelas memórias iriam ser necessárias no futuro…

9.12.07

Palavras #47 a 49

hierático - do Lat. hieraticu, hieratikós, sagrado; adj., relativo às coisas sagradas; relativo aos sacerdotes; que tem as formas de uma tradição litúrgica; sagrado, religioso. escrita -a: traçado cursivo da escrita hieroglífica dos Egípcios correspondendo a uma simplificação.
invectivas - do Lat. Invectiva, s. f., acto ou efeito de invectivar; expressão violenta e injuriosa; diatribe; objurgatória.

soezes
- adj. 2 gén., vil; torpe; ordinário.

7.12.07

Herbie – Prego a fundo

O Herbie faz parte do nosso imaginário infantil com as suas acrobacias e personalidade. Esta nova aventura, apesar de servida por melhores efeitos especiais, não consegue ter o mesmo carisma patusco dos antigos filmes. É um filme previsível e simplista.

6.12.07

Alguém tem de ceder

Esta é uma divertida comédia sobre encontrar o amor quando menos se espera.

Aos 63 anos, Harry (Jack Nicholson) é um solteirão adepto de relações passageiras com mulheres bem mais jovens. Aproximadamente com a mesma idade, Erica (Diane Keaton) não perspectiva nenhuma relação para o seu futuro. Mas o destino prega partidas e vêem-se forçados a uma semana de convivência e acabam por se envolver.

Será esta uma relação de futuro? Sim, mas alguém terá de ceder. Em quê? No seu modo de vida, na sua maneira de encarar as relações e da realização pessoal que daí possa obter.

4.12.07

Eleições na Argentina

Fiquei contente pelo resultado final do referendo na Argentina, apesar de me ter assustado os valores tão próximos do sim e do não.

A liberdade é uma das conquistas mais complexas da humanidade e houve muitas pessoas que deram a vida para consegui-la. Então, para mim, é muito difícil perceber como uma grande facção de um país está disposto a abdicar dela. É que uma vez perdida, é ainda mais difícil voltar a consegui-la.

3.12.07

Espantoso

Mantive as pessoas certas fora
E deixei entrar as erradas
Tive um anjo de misericórdia
Que me acompanhou em todos os meus pecados
Houve momentos na minha vida
Em que ia dando em louco
Ao tentar ultrapassar a dor

E quando perdi o controlo
E bati no chão
Sim, pensei que podia sair
Mas não consegui passar a porta
Estava tão farto e cansado
De viver uma mentira
Desejava poder morrer

É espantoso
Com um piscar de olhos
Vês finalmente a luz
É espantoso
Que quando o momento chega
Sabes que vai correr bem
É espantoso
E rezo

Pelos corações desesperados esta noite

Essa última oportunidade é uma Vaga Permanente
E quão longe consegues voar com asas quebradas
A vida é uma viagem – não um destino
E não consigo dizer o que o amanhã trará

Tens de aprender a rastejar
Antes de aprender a andar
Mas não conseguía ouvir
Toda aquela conversa séria
Estava na rua
A tentar sobreviver
A lutar por continuar vivo

Lembra-te: a luz ao fundo do túnel
Podes ser tu. Boa noite!

Amazing, Aerosmith

2.12.07

Michael Palin e a Nova Europa #3

Kaliningrado (russo: Калининград) é a capital da província russa de Kaliningrado, enclave russo entre a Polónia e a Lituânia, na beira do Mar Báltico.

1.12.07

virgem aos 40


Diverti-me imenso com este filme. Aliás, quase todos os meus amigos recomendaram-mo e realmente é puro entretenimento.

Apear do enfase dado à virgindade do protagonista, o filme é uma comédia sobre quase tudo o que pode falhar no que diz respeito a relações. Como mensagem fica a ideia de que não adianta tentar passar por alguém que não somos e que também não faz mal darmo-nos o tempo necessário para conseguirmos o que queremos. O importante é que tentar alcançar os nossos desejos.

30.11.07

A Minha 1ª Greve

Pela primeira vez decidi fazer greve. Não para simplesmente ter um dia de folga, apesar de dar sempre jeito para adiantar outras coisas. Optei fazê-lo por duas razões: primeiro, porque ainda não percebi muito bem o que se quer de nós funcionários públicos e pelo clima de insegurança que se tem gerado; segundo, como protesto aos meus actuais superiores hierárquicos, cujos objectivos para o meu departamento são ainda mais incompreensíveis.

27.11.07

Hoje dói-me a alma. Tenho de tomar uma decisão e nunca fui boa a fazê-lo.

As pequenas decisões são fáceis, mas as grandes não e sempre acabei por deixa-las para que outros as fizessem por mim. Assim, sempre foi mais fácil pôr as culpas nos outros e isentar-me de responsabilidades.

Sou responsável apenas por omissão. E agora é necessário tomar as rédeas e decidir, por mais difícil que possa ser. E é tão difícil.

Tenho um nó no estômago e preciso desfazê-lo. Sei como, mas falta-me a coragem. Sou tão medrosa. Tenho tanto medo de encarar as coisas de frente e arcar com as consequências. É difícil, mas necessário para evitar o descalabro.

Espero ter forças para o fazer.

26.11.07

Workshop Semântico #10

Exercício 1

O alcaravão retoiçou devido a um deliquo.

Exercício 2

As crianças retoiçavam alegremente no jardim. Percebia-se pela algazarra e pelos gritinhos de contentamento. Mas subitamente cessou a confusão.

Que aconteceu?

Dirigi-me Às traseiras da casa para ver o que se passava. Um alcaravão esperneava a um canto do jardim. Parecia já velho.

Espantei-me. Era raro ver um destes bichos. Talvez a última vez que vi era ainda criança. Não recordo ver mais nenhum depois.

Dirigi-me À sua beira. Os miúdos olhavam-no intrigado. Mandei-os recuar, mas eles mantinham-se no mesmo lugar. Tive de os obrigar a ir para dentro de casa.

Era óbvio que o bicho estava mal. Tinha o olhar vazio. O fim estava próximo e não queria que os miúdos assistissem. Tinham tempo para estas situações mais tarde na vida.

Pobre bicho, deve ter sido acometido por uma síncope no seu lento rasgar pelos céus. Faltou-lhes as forças para chegar ao seu destino. Quedou-se no nosso jardim rodeado por crianças esfusiantes e a olhar o céu ao qual jamias voltaria.

Compreendo-o. É um bom lugar para nos despedirmos da vida: a vislumbrar um céu a perder de vista.

25.11.07

Palavras #44 a 46

retoiçar - do Lat. *ressaltare, com metát. Silábica, v. int., brincar na retoiça; espojar-se por brincadeira.

delíquio - do Lat. deliquiu < delinquere,s. m., desmaio, síncope, desfalecimento; acidente, fraqueza. do Lat. deliquiu < deliquere, s. m., liquefacção pela humidade do ar.

alcaravão -do Ár. Alkarawan, s. m., Ornit., ave de arribação da ordem dos pernaltas, semelhante à garça, cujo nome científico é Ardea stellaris.

24.11.07

Conclusões sobre a inveja

A inveja é o mais inconfessável dos pecados e realça as características mais vis das pessoas. Enquanto todos os outros pecados são contra uma virtude, ela é contra toda virtude.

A inveja necessita sempre de pelo menos dois indivíduos com uma relação de desigualdade e o invejoso é sempre aquele que se sente prejudicado. Ela é socialmente útil, pois controla a vaidade e o orgulho; além disso, estimula a inovação, impedindo a acomodação, reduzindo o desequilibro entre os indivíduos. Só se inveja quando se está triste e a quem está perto. A sua base é a busca do poder: a mais-valia; mas o que mais desperta é a impotência: ficar passivo, olhando, se corroendo por dentro. Muitas das vezes é a projecção nos outros da malícia que na verdade está dentro de nós.

A inveja é mais azeda entre as mulheres por causa de uma vivência de privação. Elas têm de lutar mais, ter mais talento, mais competência. A maioria das coisas invejadas pertence à esfera do narcisismo: beleza, juventude, honra, glória, fama, poder, coisas tangíveis mas que se podem perder facilmente.

A inveja é a exploração de nosso campo magnético por outra pessoa e está sempre associada ao olhar, ao mau-olhado. E a inocência não serve para proteger. Mascara-se muitas vezes sob a forma de elogio, que é sempre recebido com reservas, porque se teme que ele funcione como mau agouro. Ninguém elogia com boas intenções.

A inveja tem sempre uma energia negativa e não há diferenciação entre boa e má inveja: destrói e corrói sempre.

23.11.07

A Promessa

Esta é a história de uma promessa que se transforma numa obsessão que não olha a meios para se cumprir.

Jack Nicholson interpreta um polícia que à beira da reforma de depara com o assassínio de uma criança por parte de um pedófilo. Incapaz de encontrar o culpado ainda durante a sua comissão de serviço, enceta uma silenciosa busca por conta própria. E na sua obsessão para conseguir descobrir a identidade do assassino chega mesmo a envolver terceiros na sua busca.

É um filme interessante, pois observa uma primeira obsessão através de uma segunda obsessão e demonstra que quer uma, quer outra fazem vítimas inocentes. Demonstra que o desejo é sempre nocivo quando chega ao nível da obsessão, mesmo que aparentemente movido pelos melhores motivos.

21.11.07

La Fille de Agammenon, Ismaël Kadaré

Este terceiro livro de Kadaré que leio apresenta uma diferença em relação quer a Abril Despedaçado, quer a O Palácio dos sonhos. A sua acção passa-se na actualidade, o livro foi escrito em 1985, e numa cidade, em oposição ao passado de Abril e ao tempo e espaço indeterminado de O Palácio. Outra diferença foi ter lido a obra em francês, coisa que já não faço há muito tempo.

Mas há aspectos que se mantêm nos três livros: a figura do sistema omnipotente, omnipresente e invisível; o tratamento referencial da figura feminina, como ideal a atingir, mas sempre ausente; e a importância da figura do tio como elemento de afirmação política. Aqui, a figura do tio é uma figura conservadora que alinha pelos ideais do regime instalado e funciona como elemento antagonista do protagonista. Em O Palácio dos sonhos, o tio era alvo de admiração pela sua postura inovadora, mas que acaba por ser sacrificado em nome da manutenção dos valores vigentes. Aliás, o elemento do sacrifício em prol da tradição e dos valores impostos é também uma constante nas três obras: Georg é sacrificado em nome do Kanun; o tio em nome do império; e Susana em nome do regime. Aqui o elemento do sacrifício é bem mais explicito, como o autor faz questão de frisar ao fazer uma analogia entre Susana e Efigénia, a filha de Agamemnon que é sacrificada pelo próprio pai para que este consiga obter a vitória na guerra de Tróia. Esta simboliza o sacrifício máximo, que à posteriori se revela infrutífero.

20.11.07

O Recruta

“Nada é o que parece” é o lema de um agente veterano da CIA, interpretado por Al Pacino, responsável por seleccionar e formar novos agentes. Colin Farrel é um desses agentes que estabelece com ele uma relação de confiança. E é com base nessa confiança que o veterano o vai enredar num jogo de rato e do gato para proveito próprio.

O filme não é inovador, mas é eficaz na forma como o argumento é estruturado e a edição é escorreita. As personagens são estereotipadas, mas ainda assim bem desenvolvidas e com uma boa prestação por parte dos seus interpretes.

19.11.07

Absolutos novatos

tenho pouco a oferecer
há pouco a levar
sou um absoluto novato
mas absolutamente são
enquanto estivermos juntos
o resto pode ir pró inferno
amo-te absolutamente
mas somos novatos absolutos
de olhos completamente abertos
e ainda assim nervosos

Se a nossa canção de amor
Poder voar sobre as montanhas
Poder rir no oceano
como nos filmes
Não há razão
Para sentir todos os momentos difíceis
Para estabelecer limites
É absolutamente verdade

Pouco pode acontecer
Nada que não ultrapassemos
Somos novatos absolutos
Com pouco a arriscar
Enquanto continuares a sorrir
Não preciso de mais nada
Amo-te absolutamente
Mas somos novatos absolutos
Mas se o meu amor for o teu amor
Conseguiremos com certeza

Se a nossa canção de amor
Poder voar sobre montanhas
Poder navegar sobre as mágoas
Como nos filmes
Se for necessário
Sentir os tempos difíceis
E definir limites
É absolutamente verdade

Absolute Beginners, David Bowie

18.11.07

Michael Palin e a Nova Europa #2

Curiosidades:

A Transnístria é uma região oficialmente pertencente à Moldávia, mas que em 1990 se autoproclamou independente. A sua independência não é reconhecida pela quase totalidade dos países europeus.

A Moldávia é uma região romena que faz fronteira com a República da Moldávia.

17.11.07

Altos Voos


É uma comédia romântica que apesar do nome não chega a levantar voo. O romance é insípido e a comédia é salva pró Mike Meyers no papel de um instrutor estrábico.

15.11.07

Meu amor

Meu amor,
Era de noite
E partiste-me
Tomaste rumo
No escuro imenso
Que era apenas noite
E se tornou o meu esperar
Meu amor,
Era de noite
e partiste-me
estilhaçaste
o meu ser inteiro
sou apenas pedaços
que não espero recolher
Meu amor,
Era de noite
E partiste-me
Cerro os olhos
E retenho-te
Na noite contínua
Que os meus olhos encerram.
Adelaide Bernardo

14.11.07

Workshop Semântico #9

Exercício 1

Para honrar a tradição patronímica, Georg coartou as suas aspirações e tornou-se janízaro.


Exercício 2

Enquanto janízaro, Georg tinha o poder de coartar os movimentos inclusive do seu sultão. Raras eram as pessoas que o podiam fazer. Ele gostava de acreditar que de algum modo podia diminuir as acções do déspota e assim fazer jus ao seu patronímico que significava o justo.

13.11.07

Finding Forrester

Finding Forrester não sendo um filme inovador, pois em momento algum se observa um desapego à sua fórmula, não deixa de em alguns momentos ser interessante para quem gosta destas coisas da leitura e da escrita.

O filme acompanha a inesperada amizade entre um escritor eremita já de alguma idade e um adolescente e promissor escritor. O Ansião escritor publicou apenas um livro na sua juventude que depressa se tornou um clássico da literatura norte-americana, tendo posteriormente continuado a escrever mas optado por não publicar mais nada. Sem o saber, o jovem trava conhecimento com aquele que julga apenas ser um excêntrico vizinho amante de literatura. Entre os dois desenvolve-se assim uma amizade em que o Ansião vai treinando as capacidades do jovem, aumentando o potencial deste.

Pontilhado por uma série de clichés, pelo meio ficam dois concelhos para quem envereda pelas lides da escrita:

- só há uma maneira de escrever, escrevendo.

- o primeiro rascunho faz-se com o coração, o segundo com a razão.

11.11.07

Palavras # 41 a 43

patronímico - do Lat. Patronymicu, do Gr. Patronymikós. adj., relativo ao nome do pai ou aos nomes de família; derivado do nome do pai; diz-se dos nomes próprios que indicam filiação; s. m., sobrenome ou apelido derivado do nome do pai.
janízaro - s. m., soldado turco que fazia parte da guarda do sultão; fig., guarda-costas ou satélite de uma autoridade despótica.
coarctar - do Lat. coarctare, apertar, v. tr., restringir; limitar; estreitar; circunscrever estreitamente.

10.11.07

Gripe

Há muito, muito tempo que não me sentia tão mal fisicamente. Acordei a tremer, cheia de frio, com dores no corpo e com vómitos. O dia não está a ser nada bom.

8.11.07

Discorrer

Sonido, off. Remela. Chinelos, luz, sanita, papel, autoclismo. (censurado) rádio, leite, pão, conduto. Tv. Esquentador. Água fria morna quente, champoo, sabonete, esponja, roupão, toalha. Cuecas, sutiã, creme hidratante, calças/saia, desodorizante, camisola, meias, sapatos/ténis. Creme alisante, desembaraçar, pentear. Mala carteira Multibanco chave telemóvel. Saco do lixo, contentor. Montra, montra. Loja, cestinho, colocar, caixa, pagar. Casa, guardar. Cama, puxar, esticar, dobrar, ajeitar, aspirador, vai frente, vem trás, zumbido. Pano, brilho. Roupa branca/escura, máquina, detergente, botão, roda roda. Ferro tomada, quente, vai, vem, direito franzido vinco folho. Tacho, cebola, azeite alho, dourar, carne/peixe, espera, massa/batata, envolve, molho. Prato faca garfo copo guardanapo. Água, detergente, escoador. Mala carteira dinheiro chaves, casaco. Comboio, correr/esperar, entrar, sentar, sair. Café. Recados. Telefone fax mail telefone fax fax ofício erro refazer ordens exigências impasses contradições indecisões registos contas cálculos previsões intromissões pesquisas redacções lufa-lufa. Mala carteira telemóvel chaves, casaco. Comboio, esperar, entrar, sentar, sair. Almoço: micro-ondas. Prato faca garfo copo, guardanapo. Pilha. Tv/livro. Pijama. Vazio. Lençóis, edredão. Escuro.

7.11.07

A Inveja em mim

A inveja em mim tem algo a ver com um sentimento de injustiça. Com o considerar que a outra pessoa não merece o que tem.

Não invejo toda a gente: gosto de festejar e partilhar as vitórias e as conquistas muito desejadas dos meus amigos. Mas custa-me imenso que algumas pessoas tenham coisas e estejam em situações que olho e questiono: como é que conseguem. Como é que conseguem ter a vida que têm e há tanta gente que se esforça e não o consegue alcançar.

Há pessoas que têm lugares e trabalhos que não se percebe como os conseguem atingir e depois manter. E talvez o que inveje nessas pessoas não seja a sua posição mas sim a sua capacidade para o atingir.

Como é que a cabeça dessas pessoas funciona, como é que agem, o que é que as move? Como é a sua esperteza? É isso que me intriga e que verdadeiramente cobiço nos outros

5.11.07

Lista de Desejos

Desejo ser uma bomba de neutrões, e assim poder rebentar.
Desejo ser um sacrifício e continuar a viver.
Desejo ser um ornamento sentimental que pendures
Na árvore de Natal, Desejo ser a estrela no seu topo,
Desejo ser a prova
Desejo ser a base de cinquenta milhões de mãos levantadas em direcção ao céu.

Desejo ser um marujo com alguém que espere por mim.
Desejo ser tão afortunado, tão afortunado como eu.
Desejo ser mensageiro e que todas as notícias sejam boas.
Desejo ser a lua cheia reflectida no capô de um Camaro.

Desejo ser um extraterrestre, em casa atrás do sol,
Desejo ser a recordação onde guardas a chave de casa.
Desejo ser o travão do qual dependes.
Desejo ser o verbo confiar e nunca te desapontar.

Desejo ser a canção de rádio, aquela que sintonizas,
Desejo, Desejo, desejo, Desejo,
Bem, acho que nunca acaba.


Wishlist, Pearl Jam

4.11.07

Michael Palin e a Nova Europa

Na sua nova série de documentários, Michael Palin apresenta-nos os mais recentes membros do clube da União Europeia. Neste primeiro episódio, os anfitriões foram os países balcânicos: Croácia, Bósnia, Sérvia e Albânia. Para mim, foi a oportunidade de ver mais algumas imagens desse país e região, que é a Albânia, que tanto me tem intrigado.

PS: Quando for grande, quero viajar assim pelo mundo como o Michael Palin.

3.11.07

Inveja - Mal Secreto, Zuenir Ventura

Este é o 4º livro da Colecção Plenos Pecados publicada originalmente pela editora brasileira Objetiva. Já li sobre a gula, a luxúria e a ira e ficam a faltar a preguiça e a avareza. E não sei se o sétimo pecado chegou a ser editado, pois não encontro o seu registo no site da editora.

Em comparação com os outros títulos da colecção, a diferença maior é que este não é apenas uma ficção. Ou melhor, para lá da ficção ou não, assume-se como um relato de uma viagem sentimental. É o relato da descoberta de um sentimento recôndito e inconfessável. Um mal secreto. Acompanhamos a pesquisa feita em torno do tema: as pessoas ouvidas, os livros lidos, os conceitos apreendidos, alguns exemplos e um case study. Aparentemente ficcional, ou talvez não.

É um livro interessante pois nos leva a pensar no tema e a avaliar até que ponto ou em que aspectos do nosso quotidiano a inveja nos suga grande parte da nossa energia e vitalidade.

2.11.07

Procurei o meu nome nas linhas do jornal.
Queria assim saber novas da minha vida.
Algum qualquer acontecimento que me tivesse passado despercebido com o andar dos dias.
Nada.
Passei até os olhos pela necrologia.
Quem sabe a minha morte seria notícia.
Nada.
Quer dizer que ainda vivo?
Procurei procurei procurei
Estava ausente.
Não encontrei qualquer informação.
Onde ando?
Que faço?
Alguém me diz?

Vou tentar na enciclopédia.

1.11.07

The Deep End of the Ocean


Este filme retrata o desespero de uma família a quem desaparece um filho de três anos e posteriormente o … quando este é reencontrado. À luz de alguns últimos casos bastante mediáticos – Maddie e Esmeralda – é interessante observar o desenrolar do enredo e o desenvolvimento dos personagens dos pais, pois parece ser uma conjunção das duas situações, em períodos diferentes.

Primeiro, há a situação do desaparecimento. Numa reunião de antigos colegas de escola num hotel, uma mãe perde os filhos de 3 e 4 anos de vista por momentos. É o suficiente para que o mais novo desapareça. Começam-se a tomar as primeiras medidas: alerta-se toda a gente presente, que se empenha em encontrar uma criança que primeiro se julga apenas escondida. O tempo passa e surge a polícia que assume as buscas. Há o fantasma das 5 horas pós desaparecimento, o tempo que os especialistas determinam como crucial, pois é nesse espaço de tempo que usualmente ocorrem abusos sexuais ou homicídios. Há o arrastar das horas, as dúvidas, as culpas, as reacções, as desconfianças dos pais, da família, da polícia. Há o lidar com a perda, o questionar até quando se justifica continuar a busca, se há mesmo um período para se terminar, como se refaz uma vida quotidiana depois de uma perda deste género. São tudo aspectos que, embora merecessem uma análise mais profunda, são tratados com dignidade e sem uma resposta cabal do que seria o mais correcto.

Depois há o segundo desafio, quando nove anos depois a família, por mero acaso, reencontra o filho e o tenta recuperar. Para a policia é o perceber o que correu mal na investigação, para a família é a integração daquele membro tão ansiado mas que é simultaneamente um estranho, é o restabelecer laços que se reconhecem racional mas não emocionalmente, é o lidar com a família de criação e também com a dor da sua perda actual, é a emersão de vários sentimentos como a culpa, a redefinição de expectativas e a aceitação da nova situação.

É um filme bastante interessante e infelizmente bastante actual. E um ponto de partida de reflexão.

31.10.07

Workshop Semântico #8

Exercício 1

O are em redor daquela súcia tresandava a araca condimentada de cinamomo.

Exercício 2

Ela sentia-se mais do que perdida naquelas ruas imundas. Sentia-se desorientada e desamparada. Nada em seu redor lhe era familiar. Nem os edifícios degradados. Nem a súcia que a marcava com um olhar zombeteiro. Nem os cheiros nauseabundos de uma qualquer araca pestilenta. Um cheiro que a momentos se tornava adocicado e enjoativo e que por fugazes segundos lhe pareciam recordar o aroma do cinamomo.

30.10.07

Scientific discovery

Scientists have finally discovered what's wrong with the male brain:
On the left side, there is nothing right, and on the right side, there is nothing left !!!

29.10.07

Your Hidden Talent

You are both very knowledgeable and creative.

You tend to be full of new ideas and potential - big potential.

Ideas like yours could change the world, if you build them.

As long as you don't stop working on your dreams, you'll get there.

28.10.07

Palavras #38 a 40

araca - do Ár. arak, (attamr) suor de tâmaras. s. f., bebida alcoólica que se obtém pela fermentação do suco de palmeira, de arroz, etc. ; Bot., planta leguminosa, também conhecida por chícaro-miúdo.

cinamomo - do Lat. cinnamomu < kinnámomon, caneleira. s. m., género das lauráceas, a que pertencem a caneleira e a canforeira; Miner., nome de um mineral da família das granadas; ant., certo perfume usado pelos antigos.

súcia - de súcio. s. f., reunião de pessoas de má índole ou fama; malta; prov., patuscada.

27.10.07

I’ve noticed that love is as ephemeral as seasons.

It grows, it flourishes, it perishes.

Within a season.

Maybe two or three.

But it inevitably ceases.

But I don’t want a season’s love.

Not me.

For I am a woman for all seasons.

25.10.07

Todos nós procuramos uma sensação de lar, cuja definição mais próxima e mais simples é talvez a do sentimento de pertença e bem querença. Mais do que um porto seguro para tempos de intempérie, é uma escola que nos prepara e nos lança na vida e a que sabe bem retornar. O lar impele-nos a seguir em frente e rejubila no regresso, oferecendo o reconforto no momento certo.

24.10.07

Skirts Ahoy!

Em noites di insónia por vezes recorre-se à televisão para o tempo passar mais rápido ou para que o sono venha mais depressa. Então, esta noite passei pelo TCM e fiquei a ver este Skirts Ahoy!
Protagonizado por Esther Williams, tem como cenário o serviço voluntário feminino da marinha norte-americana na década de quarenta. Desprovido de qualquer realismo, é um musical que acompanha três mulheres e os seus problemas com os homens. Lá pelo meio vemo-las dentro de uma piscina e é a única água que vemos. Temos ainda direito a duas ou três coreografias aquáticas por Esther Williams que ficam aquém da beleza e espectaculariedade de outros filmes em que vemos a sua técnica de natação sincronizada bem melhor aproveitada.

23.10.07

Hope Springs

Um dos géneros cinematográficos aparentemente mais fáceis é o da comédia romântica. No entanto, esta vive de um equilíbrio difícil de atingir.
Este Hope Springs não é um produto final bem sucedido. A mistura dos vários ingredientes é deficiente e assenta numa fórmula sem quaisquer rasgos de originalidade. Há alguns momentos engraçados, mas não se consegue nunca alcançar uma gargalhada bem dada. A história de amor também sofre de demasiados clichés.
Vale a pena por Colin Firth.

22.10.07

Mundanices

A minha alma está um ouço mais parva do que é habitual. No espaço de apenas uma semana e picos, o Gmail aumentou a sua capacidade em cerca de um giga e meio. Passei dos habituais 90 e tal porcento de ocupação, para uns singelos 60.

21.10.07

Miss Sarajevo

Existe um tempo para manter a distância
Um tempo para desviar o olhar
Existe um tempo para baixar a cabeça
Para
avançar com a rotina

Existe um tempo para base e batom
Um tempo para encaracolar o cabelo
Existe um tempo para fazer compras na avenida
Para encontrar o vestido certo

Aí vem ela
As cabeças viram-se
Aí vem ela
Buscar a sua coroa

Existe um tempo para procurar abrigo
Um tempo para beijar e falar
Existe um tempo para cores diferentes
Nomes diferentes e difíceis de pronunciar

Existe um tempo para a primeira comunhão
Um tempo para ouvir East 17
Existe um tempo para virar para Meca
Existe tempo para ser uma rainha de beleza

Aí vem ela
Bela na sua coroa
Aí vem ela
Surreal na sua coroa

Dizes que o rio
Encontra o caminho para o mar
E como o rio
Encontrar-me-ás
Para lá das fronteiras
E das terras secas
Dizes que como um rio
Como um rio
O amor virá
O amor
E já não sei rezar
E já não sei como encontrar esperança no amor
E já não sei esperar por esse amor

existe um tempo para fazer laçinhos
Um tempo para árvores de Natal
Existe um tempo para por mesas
E a noite está fria

20.10.07

Eu não tenho amor que chegue. Nem para todos. Nem para alguns. Nem apenas para mim. Não me basto.

19.10.07

17.10.07

Às vezes quem parte sabe antes o que é melhor para quem fica

Quando disseste para não partir, sabia melhor do que tu que estavas a mentir. Na verdade não estavas. Estavas apenas a enganar a ti próprio. Por isso não fiquei.

Parti. Só assim, o que quer que tivemos pode ser verdadeiro. Só assim terá sentido: transformando-o numa boa recordação.

Querias mesmo transformar-nos numa discussão constante marcada por acusações dilacerante e dores massacrantes?

Um de nós tinha de ter a lucidez necessária para acabar antes da destruição total.

Parti. Preservei o que vai perdurar-nos: a nossa memória. Fica quase imaculada. Assim como um ponto algo baço, mas que o tempo vai aclarear e definir.

Reservei-nos.

16.10.07

Workshop Semântico #7

Exercício 1
Um dos aspectos mais importantes da polemologia é a capacidade de perorar e tornar os ânimos ígneos.
Exercício 2
O general, empunhando o ígneo estandarte do seu exército, empenhou todo o seu saber em polemologia e perorou aos seus homens a total dedicação ao combate decisivo que daí a pouco teria lugar.

15.10.07

What Your Hands Say About You

You are logical, analytical, and rational. You have good verbal skills.

Bold and daring, you're not afraid to change your life if you think it needs an overhaul.

Practical and down to earth, you're a doer not a dreamer. You rather get something done than think about it all day.

Your emotions tend to be nervous and potent. Your energy - both positive and negative - deeply impacts your life.

14.10.07

Palavras # 35 a 37

ígneo - do Lat. Igneu, adj., de fogo; da natureza e cor de fogo; que é produzido pela acção do fogo.

polemologia -s. f., ciência da guerra, em geral.

perorar - do Lat. Perorare, v. int., terminar um discurso; exprimir-se oratoriamente com pompa ou com ênfase; discursar afectadamente; pedir com insistência.

12.10.07

exercício de desconstrução

“… a memória e os equívocos que resultam da sua fragilidade” JEA

Equívoco: acto induzido por uma interpretação de uma informação incompleta ou descontextualizada.

Memória: acção psicológica através da qual se reconstroem experiências do passado do indivíduo, sejam estas de carácter sensorial ou afectivo.

Fragilidade: qualidade daquilo que é frágil; deficiência ou debilidade de um objecto ou individuo que impliquem um manuseamento ou tratamento mais cuidadoso.


Conclusão

A memória, enquanto acto de reconstrução e não de reprodução fiel de acontecimentos passados, pode induzir o indivíduo a interpretações erróneas desse mesmo passado. Dai que a memória do indivíduo seja altamente frágil, pois apresenta debilidade passíveis de serem contestadas.

11.10.07

Imagens de Marca


Um dos programas que mais me apraz ver nas televisões nacionais é o Imagens de Marca da Sic Notícias. Primeiro, porque divulga vários exemplos de empresas nacionais de sucesso desconhecidas do grande público. Depois, pela apresentação de making ofs de anúncios e a explicação dos conceitos que os norteiam, descodificando assim ideias e códigos visuais.


10.10.07

Coordenar equipas de trabalho

Coordenar qualquer equipa de trabalho não é fácil. Definir objectivos e estratégias, atribuir tarefas, calendarizar etapas, toda esta conjugação é complexa. E depois há ainda a tarefa mais complexa de todas: gerir pessoas.

E isto em ambiente de trabalho.

Em ambiente de associativismo, a situação torna-se ainda mais complexa. Primeiro, porque há outras prioridades legítimas na vida dos envolvidos, como trabalho e família. Segundo, porque o velho ditado de quem corre por gosto não cansa, não é 100% verdade, temos é talvez mais ânimo para continuar. Terceiro, porque às vezes estamos tão envolvidos nas exigências da nossa vida que nos esquecemos que as outras pessoas também têm as suas e nem sempre se tem isso em consideração. Quarto, porque por tudo isto é sempre necessário ter a noção de que ou remamos todos para o mesmo lado a mais ou menos a mesma velocidade, ou não se chega a bom porto. Porque não adianta uns darem o litro, quando os outros apenas vêem e esperam. É que chega sempre o dia em que o cansaço vence e se decide empenhar o esforço noutros projectos ou tarefas igualmente dignos.

9.10.07


Quando amanhece
E a luz na sua preguiça se estende lentamente sobre as coisas e as pessoas
Os olhos vagarosamente cedem ao encanto da claridade
Abrem-se ao mundo
A um novo começar
E como da primeira vez
Observam maravilhados o vigoroso despertar do fulgor do mundo em rotação
E o mundo gira ainda assim docemente, mas apenas durante mais alguns momentos
Em breve
Muito em breve mesmo
As rodas do mundo restabelecerão a sua velocidade própria para a qual não haverá paragens nem abrandamentos
Não, não até que o sol se ponha de novo e aí
Aí a lentidão e o vagor ganham outra vez o seu ritmo de contemplação e repouso
Outra vez
Mas até lá
Até lá há todo um buliço do dia que corre sem, sem parar
Sem pausas, sem intervalos, sem interrupções, sem quebras
Há todo um caminho, há todo um percurso
Só logo, mais logo
Regressará a calma
E a sua dolência
Só logo, mais logo
Repousaremos de novo
E os olhos semicerrarão 
Como agora
Adelaide Bernardo

8.10.07

Alice & Martin

Alice e Martin é uma história de amor com uma possibilidade de final feliz, mas com um tortuoso caminho a percorrer. Martin é um jovem tímido e reservado que se apaixona por Alice e cuja relação se inicia meio atabalhoadamente. Mas quando tudo parece estar bem, uma revelação de Alice faz emergir em Martin os traumas do seu passado que quase o levam à demência. Para o curar, Alice procura descobrir esse passado e com isso a aceitação e o perdão para as acções de Martin.

7.10.07

Nessum Dorma

há anos que conheço esta música, mas desconhecia o seu significado.

O príncipe desconhecido (Calàf)

Que ninguém durma!
Que ninguém durma!
Você também, ó Princesa
Em seu quarto frio, olhe as estrelas
Tremendo de amor e de esperança
Mas meu segredo permanece guardado dentro de mim
O meu nome ninguém saberá
Não, não, só o direi na sua boca
Quando a luz brilhar
E o meu beijo quebrará
O silêncio que te faz minha
Coro feminino
O seu nome ninguém saberá
E nós teremos, oh!, que morrer, morrer
O príncipe desconhecido (Calàf)
Parta, oh noite
Esvaneçam, estrelas
Ao amanhecer eu vencerei!
Vencerei! Vencerei!


Nessun Dorma
é uma ária do último acto da ópera Turandot, de Giacomo Puccini. A ária refere a proclamação da princesa Turandot, determinando que ninguém deve dormir: todos passarão a noite tentando descobrir o nome do príncipe desconhecido, Calàf, que aceitou o desafio. Caláf canta, certo de que o esforço deles será em vão.

6.10.07

Cuidados paliativos

Comemora-se hoje o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. Estes têm como objctivo minorar a dor e melhorar a qualidade de vida de doentes terminais. É uma área de trabalho meritória, porque reúne profissionais muito competentes w, principalmente, porque se destina a pessoas que mais não querem do que morrer com a dignidade possível.

Infelizmente, pude já ver como funciona uma destas unidades, pois a minha mãe chegou a ser internada numa. Qualquer pessoa daquela equipa foi atenciosa, carinhosa e paciente com os doentes e também connosco, a família, que nos sentimos na maioria das vezes à deriva numa situação destas.

Sendo um período de sentimentos muito contraditórios, lidar com as necessidades especificas de quem está a partir e gerir esses sentimentos é bastante difícil. Por isso, todo e qualquer desenvolvimento no aumento do número e capacidade destas unidades tem o meu inequívoco apoio e encorajamento.

5.10.07

pegada ecológica

Categoria

HECTARES GLOBAIS

Alimentação

1.6

Mobilidade e transportes

0.4

Habitação

0.8

Bens de consumo e serviços

1.3

Valor total da pegada

4.1

Como termo de comparação, a pegada ecológica média no seu país é 4.5 hectares globais por pessoa.
Mundialmente, existem 1.8 hectares globais de área biologicamente produtiva por pessoa.
Se todos tivéssemos uma pegada ecológica semelhante à sua, iríamos precisar de 2.3 planetas terra.

Nota: O cálculo da Pegada Ecológica passa por somar as várias parcelas de terreno produtivo (terra e mar) necessárias para produzir os recursos utilizados e assimilar os resíduos produzidos por uma dada unidade de população. Por comparar a utilização dos recursos naturais com a capacidade da Natureza em os fornecer, a Pegada Ecológica serve como indicador de sustentabilidade - ou insustentabilidade, no caso de haver défice ecológico.

4.10.07

consumerismo

Trata-se do acto de consumir com base em atitude informada, consciente, criteriosa, e crítica. É o consumo ético. O consumidor tem conhecimento dos canais de produção, transformação, distribuição e consumo. Tudo isto é mediado com uma posição moral do ponto de vista social, económico e assente na solidariedade e no respeito.

3.10.07

Workshop alfabético

Marcolino Mercúrio é um mercador de melancias, maças, morangos e mais mercearia.

Em Portimão de Portugal, Paulino Paupério pinta paredes e postigos de portas de preto.

Queria que na quitanda de Carlos Quitério houvesse kiwis e outros quitudes.

Dália Dolores dedilhava com os dengosos dedos as deliciosas …

Na tendinha de telha vã, Teodoro Torquato tem uma tendinite no tendão e também tendência para a tensão alta.

2.10.07

Workshop Semântico #6

Exercício 1

O corpo foi embrulhado num panal e deposto sem cuidado num féretro fruste.

Exercício 2

Sentia-se sujo. Não era para mais. Habituado que o seu corpo estava a sentir o toque suave de sedas e veludos, ver-se agora trajado de modo tão andrajoso com um mísero panal de qualidade mais que fruste era uma experiência degradante. E a sujidade exterior estendia-se já aos mais recônditos recantos do seu espírito e a cada passo que dava dentro daquele espaço limitado e esconso sentia-se também preso e sem movimento, como que encerrado em vida num féretro sem saída nem luz.

1.10.07

Compreender os meandros da Comunicação Social

Apesar de nem sempre o fazer, um dos programas que gosto de ver é o do Provedor da RTP. E este fim-de-semana tive também a oportunidade de ouvir o programa do provedor de uma rádio cujo nome esqueci. A existência cada vez maior desta figura do provedor e deste tipo de programas é bastante salutar. Primeiro, porque é um espaço de diálogo entre quem concebe e produz e quem recebe e consome. Segundo, porque deste diálogo advêm trocas de informação e interpretações que só pode ser benéfica para as questões abordadas. Terceiro, porque é para outros espectadores e ouvintes uma chamada de atenção e de consciencialização sobre os conteúdos e informações que lhes entram porta dentro.

É minha convicção, que reitero demasiadas vezes para o meu gosto, que a maioria das pessoas apenas vê programas, mas não sabe ver além deles. É o problema da iliteracia mediática, que começa sem dúvida na iliteracia literária.

Um dos grandes desafios presentes e futuros da sociedade é ensinar não só técnicas de compreensão escrita, um trabalho árduo e primordial, mas também de compreensão mediática. Há que ensinar certas técnicas de descodificação da informação veiculada pelos vários media. Há que ensinar como por vezes se manipula a informação, não exactamente para se transmitir mentiras, mas para de dourar ou denegrir certas pílulas.

Há que ensinar que o que vemos é apenas um lado de uma verdade que tem muitos outros ângulos. Esse é um desafio enorme. E, claro, o seu sucesso depende também da vontade de se querer ser ensinado.

30.9.07

You Belong in Barcelona

When it comes to Europe, you don't want to decide between culture and fun. You want art by day and a big party by night.
Barcelona is ideal for you. You can check out some Picasso, eat some tapas, take a siesta, and then dance all night!

29.9.07

Palavras # 32 a 34

fruste - do Fr. Fruste, adj. 2 gén., ordinário; de qualidade inferior; sem colorido. de frustar? adj. 2 gén., diz-se da forma leve e passageira de uma doença.

féretro -do Lat. feretru >Phéretron, s. m., tumba; ataúde; esquife.

panal -s. m., pano grande em que se estende ou embrulha alguma coisa;cueiro;cada um dos rolos de madeira sobre os quais os pescadores fazem deslizar o barco;vela de moinho;tapume de tábuas que resguarda a mó dos cereais; adj. 2 gén., parvo; pacóvio; papalvo.

28.9.07

A morte é nada
Não se vê porque nada resta
A morte é o baço nos olhos
O negro das olheiras
O sorriso que não aflora
No rosto dos que ficam
É aí que encontro a tua morte
Já que nada mais encontro
Adelaide Bernardo

27.9.07

O Caso Esmeralda

O Caso Esmeralda tem causado uma enorme controvérsia e também uma enorme paixão da opinião pública nacional. De um lado a lei, do outro os afectos e pelo meio uma série de erros de parte a parte. Tudo culminou num acórdão que tenta minimizar os erros judiciais, mas que em nada ajuda a pequena Esmeralda ou Ana Filipa.

Tomei conhecimento do caso ainda antes de este se tornar mediático. Conheci o pai biológico e a companheira que me relataram a sua versão dos conhecimentos até à altura, isto já há cerca de quatro anos talvez. Já na altura me pareceu que houve erros de actuação quer do pai biológico, quer dos pais afectivos. O primeiro por não se ter disponibilizado a fazer o teste de paternidade, mesmo que duvidasse da palavra da mãe. Do pouco que conheci dele foi um jovem bastante inconsequente até certo momento da sua vida, o que levou a certos erros e desfechos menos positivos. Este foi um deles. Creio que quando o conheci estava finalmente num processo de maturação e de compreensão das consequências dos seus actos. Neste momento nada mais posso dizer, pois não tornámos a falar.

Enquanto a legitimação da paternidade não se resolveu, a criança foi entregue ao casal que a criou e cuidou e junto do qual desenvolveu todos os seus afectos. Claro que os laços que se desenvolveram não são pequenos e não são passíveis de serem anulados, como algumas posturas do tribunal o parecem querer. Talvez quem faça as leis e quem depois as aplique já se tenha esquecido do que é ser criança. Talvez também não tenham filhos, porque se os tivessem perceberiam que as referências que se tem ao um e dois anos de idade não são olvidáveis.

Não tenho filhos, mas tenho uma relação próxima com os meus sobrinhos. De cada vez que ouvia uma notícia relativa a este caso, achava ridículo e de uma tacanhez que alguém pensasse que esses vínculos pudessem ser alterados ou, melhor, substituídos. Uma criança de tenra idade não é capaz de racionalizar uma situação destas e, digamos, dar uma “oportunidade” ao pai biológico. A criança que conhece um porto de abrigo seguro, que são os seus pais, não compreende nem aceita um pai que não é o seu pai.

O casal que a criou errou ao fugir com ela, porque infelizmente essa nunca seria a solução. Mas o pai biológico, na sua ânsia de ser pai, também não está talvez a ter a postura correcta. A sua postura vai implicar um processo muito traumático para a criança, que não tem culpa dos erros dos pais, nem biológicos, nem afectivos.

Já na altura, disse directamente ao pai que seria uma situação muito complicada para a criança e que seria necessário muito tempo para que ela o aceitasse como pai. Disse também que a situação ideal seria que a criança ficasse com os pais biológicos e que chegassem, se possível, a um acordo de custódia conjunta. Como quando um casal se separa e acorda, para bem dos filhos, em compartilha-los e não em disputa-los. Para isso seria necessário muito senso e também muita sensibilidade. Não seria fácil é verdade, mas seria realmente o melhor para a pequena Ana Filipa.

É tão óbvio para todos que houve tudo menos consideração pelas necessidades da criança.

26.9.07

Domingo à Tarde, Fernando Namora


Ruy de Carvalho no papel de Dr. Jorge, 1965

O meu primeiro contacto com Namora foi através da televisão com Retalhos da Vida de Um Médico, do qual ainda retenho a voz de Carlos do Carmo a cantar a música do mesmo nome.

Aqui há uns anos adquiri a sua obra completa que o Círculo de Leitores editou. Tempos depois li a Casa da Malta por completo e ainda excertos de Retalhos e de Deuses e demónios da Medicina, um interessante trabalho sobre o contributo dado por vários homens ao longo da história para a evolução da ciência médica e a partir do qual é também possível ver uma evolução do pensamento e costumes humanos.

Este Domingo à Tarde relata a história de um médico especialista em doenças terminais, no que hoje se diria de cuidados paliativos, mas que pese embora a sua especialização é tudo menos entendido nessa grande ciência que são a sensibilidade e as relações humanas.

O Dr. Jorge acompanha os seus doentes mas nunca se envolve e nunca se mostra tocado pela sua fragilidade. Até conhecer Clarisse, que o vai desafiar a conhece-la e com quem vai partilhar os seus últimos dias e experimentar uma série de sensações e sentimentos até desconhecidos.

23.9.07

Retalhos da Vida de Um Médico


Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento

Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas

O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde

[refrão]
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão

As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste

E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade

Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina

Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura

Voz: Carlos do Carmo

Música: Tozé Brito

Letra: Ary dos Santos

Carlos Coutinho
(Tema da série televisiva "Retalhos da Vida de Um Médico")

22.9.07

American Pie - Campo de Férias

Tal como os manos Farrelly têm os seus ingredientes do costume - humor non sense e escatológico q.b. - que misturam e voltam a misturar, a saga American Pie utiliza os mesmos ingredientes, mas no universo adolescente. De salientar mesmo, a extraordinária parecença do protagonista com Sean William Scott, the one & only, Stiffmeister.

21.9.07

Me, Myself & Irene

Esta é mais uma demonstração do humor non sense e escatológico dos irmãos Farelly. Vê-se bem, mas está longe de ser extraordinário.

20.9.07

Finalmente há um assunto capaz de destronar o mediatismo do caso Maddie. Só mesmo o futebol poderia fazê-lo. É o “special one” e está tudo dito.

Ah, e neste caso não há criticas ao profissionalismo nacional.