Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt

31.3.07

Cartas de Iwo Jima

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Antes de mais, devo elucidar que fui ver este filme com as expectativas bastante elevadas. Primeiro, porque realmente adorei o Flags of Our Fathers e, depois, porque em várias críticas e comentários, a ideia era que este filme era ainda melhor e, por último, devido às nomeações para os Óscares recaírem sobre este segundo título. Assim, deve ser compreensível que tenha acabado de o ver e tenha ficado com uma certa sensação de algo em falta.
Há várias diferenças entre os dois filmes sem ser somente temáticas. Há também duas realizações, apesar de uma mesma cinematografia. Talvez tenha gostado mais do primeiro pelo próprio tema: a manipulação de informação. Esta segunda história é mais intimista e também mais simples: um grupo de homens condenados, e sabendo disso, decide lutar até à última, até por uma questão cultural, para impedir que o inimigo o capture. O modo como cada um lida com essa situação é o âmago da história. Como consequência, a realização parece-me ainda mais despida de truques de imagem. Seguem-se as personagens, mas não se fazem malabarismos ou evidentes truques de câmara. Serve-se a vivência dos personagens e não se afasta a atenção deles, como que sendo o único tributo possível aos mesmos.
É uma realização que me faz lembrar Woody Allen em Scoop.

30.3.07

Tertúlia de 5ª

Paralelamente ao Curso Livre, iniciei com algumas amigas do teatro uma pequena tertúlia semanal. É um plano já há muito traçado, mas que ainda não tinha sido posto em prática. Para início de actividade, o tema foi a concepção de arte sob uma perspectiva platónica, aristotélica e horaciana, com mais alguns nomes à mistura. Houve também uma troca de impressões sobre a tragédia clássica e a sua cosmogonia. O objectivo foi ajudar a S. com algumas luzes para a sua tese de mestrado. A próxima sessão será sobre a sensualidade na literatura, sugestão da X., e com alguns poemas sui generis de Carlos Drummond de Andrade que descobri na net. Adivinham-se muitas risadas. A ideia é que cada um contribua um pouco com as leituras que vai fazendo e descobrindo. Aliás, fui logo incumbida de transmitir o que aprender no Curso Livre.

29.3.07

Sob Pressão

Pressão a empurrar-me para baixo
A pressionar-te - ninguém o pediu
Sob pressão
Que destrói um edifício
Divide uma família
Desaloja pessoas

É o terror de saber
O que este mundo é
Ver alguns bons amigos
Gritar deixem-me sair!

O amanhã eleva-me
Pressão nas pessoas
Pessoas nas ruas

Estilhaçando-se
A bater com a cabeça no chão
Nestes dias
Nunca chove, jorra água
Pessoas nas rua

Afastei-me de tudo
Como o homem cego
Sentei-me numa vedação mas não resultou
Continuo a voltar com amor
Mas tão ameaçado e rasgado
Porquê?

Amor amor amor amor

A insanidade ri, sob pressão cedemos
Será que não nos conseguimos dar mais uma oportunidade?
Porque não conseguimos dar ao amor uma nova oportunidade?
Porque não conseguimos dar amor dar amor dar amor?
Porque o amor é uma palavra tão fora de moda
E o amor desafia-te a preocupar
Com as pessoas no limite da noite
E desafia-te a mudar o teu modo
De cuidar de nós
Esta é a nossa última oportunidade

Estes somos nós
Sob pressão

Under Pressure, Queen & David Bowie

28.3.07

Curso Livre de Literatura Portuguesa Contemporânea 2007

Este ano, inscrevi-me neste curso ministrado pela faculdade de Letras e composto por dez sessões, cada uma dedicada a um autor. Decorrerão já três sessões, das quais não me foi possível assistir à primeira, dedicada à revista Presença. No entanto, as que assisti, dedicada a Vitorino Nemésio e Miguel Torga, foram bastante interessantes. Para mim tem sido um relembrar de uma terminologia já um pouco enferrujada, ao qual se juntam novas pistas de leitura e alguns autores cuja obra desconhecia. Tem sido salutar retomar um ritmo de estudo, de pesquisa, de ir para Lisboa e aproveitar a viagem de comboio para ler. Num tempo só nosso.

27.3.07

Splash, Francisco Salgueiro

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Se não me engano nas contas, foi há três anos que o N. e a S. me ofereceram o Homens há Muitos. E porque seria? Por causa do título, é claro, muito em consonância com o meu sentido de humor sobre o sexo oposto. O que, ligado a uma capa com uma imagem de uma embalagem de supermercado de cenouras, juntava mais umas quantas gargalhadas na certa. Li o livro e, não sendo um grande marco literário na minha vida, foi com certeza bastante divertido.

Aqui há alguns dias, numa feira do livro, deparei com este Splash numa promoção bastante jeitosa e vai daí: Multibanco para que te quero.

Chego a casa, folheio o livro, leio o título dos capítulos e digo para com os meus botões: c****o, já me gamaste a ideia, e coloco-o na sempre crescente pilha de livros a ler. Hoje, no entanto, apetecia-me uma coisa light que me relaxasse e vai daí: Splash. O que resultou no desejado: um dia bem calmo, sentadinha a ler, a ouvir um sozinho e de sorriso na cara. Foi divertido, sim senhor.

Agora, em jeito de Splash (não da sereia), vamos lá a umas notazinhas, também elas com algum pendor cinematográfico.

Nota: o sonho do Francisco é ser o Bem Affleck, que, a julgar pelo texto e pela conta-capa, até são parecidos.

Nota2: a sua mulher se sonho não sei se será tanto a Julia Roberts, mas sim a Sandra Bullock.

Nota3: vai daí depois dos remakes do Die Hard e da Louca Academia do Ski, é a vez do Speed 2, desta vez sem o Jason Patrick.

Nota4: Ah e coisa e tal, e foram felizes para sempre. Pelo menos durante os créditos finais.

26.3.07

Palavra #9

apascentar - do Lat. *appascentare, v. tr., trazer a pastar; pastorear; fig., recrear; deleitar; doutrinar; ensinar; v. refl., deleitar-se; instruir-se.

25.3.07

A amizade só atrapalha o amor

Esta frase foi proferida aqui há uns dias numa novela da noite e ficou-me na cabeça. Ficou porque a considero verdadeira, pelo menos para mim que me resguardo em bem intencionadas amizades com medo de apostar num outro tipo de sentimento. E o que me faz recuar e não avançar? O medo de que dê em nada, que termine em inevitável sofrimento. Medo de não conseguir gostar o suficiente. Medo de não ser suficientemente capaz de cativar um homem. No fundo, uma grande insegurança que me prende a uma confortável amizade com sei lidar e levar a bom porto.

23.3.07

Excerto de Diálogo:

J. diz:

Como é que tu fazes quando há certos obstáculos na tua vida que tendem a não desaparecer???

A. diz:

Tento perceber se vale ou não a pena lutar contra eles, alguns não vale a pena, porque vão continuar a derrotar-nos, então tento não lhes dar importância

22.3.07

4 Quartets

Em 1994, Willem Dafoe protaginizou o filme Tom & Viv, sobre um período da vida do crítico e autor americano T. S. Elliot. Aqui fica uma narração de Dafoe de um dos mais conhecido poemas de Elliot.

21.3.07

História de um amor sonhado

Gosto quando me sorris. Do modo como semi-cerras as sobrancelhas e os teus lábios se curvam nos cantos e giras ligeiramente a cabeça.

Imagino-nos abraçados e de rostos colados a movimentarmo-nos ao som de uma música que realmente não ouvimos, apenas sentimos. E assim ficamos no calor um do outro, esquecidos pelo fluir do tempo que continua fora do nosso abraço.

Antevejo o momento em que os teus dedos escorreitos me vão percorrer a face e lentamente seguir pelo meu pescoço até ao ultimo pedaço de pele descoberta, para então procurar qualquer botão que te impeça de sentir a minha pela sob o escrutínio pormenorizado dos teus dedos.

Não sei bem o que poderás ver em mim e às vezes nem sei bem o que vejo em ti. Não são os teus olhos azuis nem o teu cabelo claro, sem dúvida atraentes. É o modo como o teu olhar encontra o meu e sorris quando me vês, que me faz encolher a barriga e respirar bem fundo.

Fizeste-me sorrir como há muito não o fazia. Talvez há demasiado: como se por ventura houvesse um tempo correcto para o coração. Mas não. Há apenas o tempo certo, o momento certo em que uma porta se entreabre e enxergamos quem temos na frente. Pouco a pouco fui te vendo e gostando de te ver. Hoje anseio por te ver surgir atrás da porta que se abre e ver formar-se no teu rosto o sorriso que me ilumina. Hoje anseio por ti.

20.3.07

Sabedorias

… o mais impressionante na reprodução humana não é o processo de concepção ou gestação, mas a tarefa social, cultural simbólica e ética de tornar possível a criação de um novo sujeito humano.

Sílvia Tubert

19.3.07

Insinuação

Enquanto o sol permanece no céu e o deserto possui areia

Enquanto as ondas rebentam no mar e encontram a terra

Enquanto há vento e estrelas e arco-íris

Até as montanhas desabarem na planície



Oh sim continuaremos a tentar

Percorrer essa fina linha

Oh continuaremos a tentar sim

Até passar o nosso tempo


Enquanto vivermos de acordo com raça, cor ou crença

Enquanto governarmos por loucura cega e pura ambição

As nossas vidas ditadas por tradição, superstição, falsa religião

Através de eons e assim por diante

Oh sim continuaremos a tentar

Caminharemos essa fina linha

Oh continuaremos a tentar

Até ao fim do tempo

até ao fim do tempo


Pela mágoa, por todo o nosso esplendor

Não te ofendas com a minha insinuação

Podes ser qualquer coisa que queiras

Transforma-te apenas em algo que acredites que possas ser

Sê livre com o teu ritmo sê livre sê livre

Entrega o teu ego sê livre sê livre para ti próprio

Se existe um Deus ou qualquer tipo de justiça debaixo do céu

Se há um objectivo, se há uma razão para viver ou morrer

Se existe uma resposta às perguntas que hesitamos colocar

Mostra-te - destrói os nossos medos - liberta a tua máscara

Oh sim continuaremos a tentar

A caminhar essa fina linha

Sim, continuaremos a sorrir

E o que for será será

Oh continuaremos a tentar

Oh apenas continuaremos a tentar

Até ao fim do tempo tempo

Innuendo, Queen

17.3.07

A poesia em mim perdeu-se

Ficou-se pela aspiração.

O lirismo não vive no dia real

Não paga contas, contrai dívidas.

E o corpo não sobrevive apenas da alma,

Necessita dos seus confortos:

Da sua alimentação, do seu calor, da sua vaidade.

Troca-se o inalcançável abstracto

Por este corpo que tenho

Com que vivo o dia a dia.

Findou-se a poesia.

Ficou-se o esqueleto que não restará jamais.

16.3.07

Seu perfil: ENTP

(Extroversão iNtuição Pensamento (Thinking) Percepção)

Como sua intuição extrovertida domina sua personalidade, o que mais lhe interessa na vida é compreender o mundo no qual você vive. Você está constantemente absorvendo ideias e imagens relacionadas a situações com o qual você se depara no dia a dia da sua vida. Fazendo uso de sua intuição para processar essas informações, você é quase sempre extremamente rápido e preciso em sua capacidade de avaliar uma situação. Você é um tipo de pessoa dos que melhor compreendem a realidade à sua volta.

Essa capacidade de compreender pessoas e as situações de uma maneira intuitiva proporciona a você uma distinta vantagem com relação às outras pessoas. Você geralmente compreende as coisas com rapidez e em grande profundidade. De maneira similar, você é flexível e se adapta bem a uma grande variedade de tarefas. Você é bom em praticamente qualquer coisa que lhe interessar. À medida que você crescer e desenvolver mais ainda sua capacidade intuitiva e suas compreensões das coisas (insights), você desenvolverá uma óptima noção quanto às mais variadas possibilidades existentes, e isso lhe fará uma pessoa extremamente criativa e engenhosa na hora de solucionar problemas.

Você é uma pessoa de ideias. Sua capacidade perceptiva faz com que você enxergue possibilidades em todo lugar e em tudo. Você se anima e se empolga com suas ideias, e consegue compartilhar esse entusiasmo com outras pessoas. Dessa maneira, você consegue o apoio do qual você necessita para atingir suas visões do futuro.

Você se interessa menos por desenvolver planos de acção ou por tomar decisões do que por gerar ideias e possibilidades. Acompanhar a fase de implementação de uma ideia até o final geralmente é uma tarefa desagradável para você, mas muitas vezes necessária. Isso pode resultar num hábito de nunca acabar o que você começa. Se você não desenvolver seu lado racional e lógico, você poderá encarar problemas, pois ficará pulando de ideia em ideia sem dar prosseguimento a nenhuma delas. Você precisa tomar o cuidado de avaliar completamente suas ideias, para conseguir tirar vantagem delas.

Seu processo auxiliar, que é a lógica introvertida, guia suas tomadas de decisão. Apesar de você se interessar mais por absorver informações do que por tomar decisões, você é um tanto racional e lógico ao chegar às suas conclusões. Quando você aplica a lógica às suas percepções intuitivas, o resultado pode ser realmente muito forte. Se você conseguir se desenvolver bem, você poderá se tornar uma pessoa extremamente visionária, inventiva, e empreendedora.

Você é uma pessoa que conversa com fluência, que pensa com rapidez, e que gosta de debater tópicos com outras pessoas. Aliás, você gosta tanto de discutir questões que pode até trocar de lado de quando em vez, simplesmente por amor ao debate. Quando você expressa seus princípios básicos, porém, você pode se sentir um pouco esquisito e acabar falando de maneira abrupta e intensa.

Você poderia até ser conhecido como o “advogado”, pois você consegue compreender uma situação com rapidez e precisão, e é objectivo e lógico ao tomar atitudes necessárias. Seu lado racional faz com que suas acções e decisões sejam baseadas numa lista de regras e leis objectivas. Se você defendesse alguém que tivesse cometido um crime, você provavelmente tiraria vantagem das pequenas falhas na lei que poderiam libertar seu cliente. Se você ganhasse o caso, você veria sua acção como totalmente justa e apropriada para a situação, pois suas acções estavam dentro da lei. A verdadeira culpa ou inocência do seu cliente não seria tão relevante. Porém, se esse tipo de pensamento racional passar despercebido por você, isso poderá causar que outras pessoas o vejam como uma pessoa de carácter antiético e até desonesto. Como não é de sua natureza considerar o elemento humano ou pessoal nas suas tomadas de decisão, você deveria se preocupar em notar esse lado mais pessoal e subjectivo das situações. Esta é uma área particularmente problemática para você. Apesar de suas capacidades lógicas lhe darem força e propósito, elas podem acabar lhe isolando das outras pessoas e dos seus próprios sentimentos.

As áreas menos desenvolvidas para você são a da sensação e do sentimento. Se você negligenciar a área da sensação – que é relacionada à sua ciência dos seus cinco sentidos, do “aqui e do agora”, você poderá tender a não cuidar dos detalhes mais mundanos de sua vida. Se sua área sentimental for negligenciada, você poderá não valorizar as ideias das outras pessoas o suficiente, ou se tornar uma pessoa demasiadamente dura e agressiva.

Sob stress, você poderá perder sua capacidade de gerar possibilidades e se obcecar com pequenos detalhes que poderão parecer extremamente importantes para você, apesar de na realidade não serem tão importantes assim, na visão maior da coisa.

Em geral, você é um visionário animado. Você valoriza muito o conhecimento, e passa muito tempo de sua vida buscando uma compreensão maior das coisas. Você vive num mundo de possibilidades, e se empolga com conceitos, desafios e dificuldades. Quando encontra um problema pelo caminho, você improvisa bem, preparando uma solução criativa com rapidez. Criativo, inteligente, curioso e teórico, você possui uma gama abrangente de possibilidades para sua vida.

Atitude: Extrovertida

Temperamento: Racional

  • Atitude (segundo Spranger): teórica
  • Elemento: água
  • Fonte de alegria (Aristóteles): dialógica (investigação lógica)
  • Símbolo mitológico (segundo Paracelso): silfos (curiosidade)
  • Temperamento (segundo Galen): fleumático

Sua oração: "Senhor, ajude-me a seguir as regras hoje. Pensando bem, amanhã."

Faça o teste

12.3.07

P: O Amante Visual


P: é um exercício de Leitura do Livro do Desassossego que se quer intimista e por isso coloca o público em contacto directo com o seu desenrolar, quer pela proximidade física, quer pela inserção de pequenos “depoimentos” e imagens no seu decorrer.

É um espectáculo de subtilezas que ganha vida a partir da interpretação de P. Saavedra em conjunção com singelos elementos cénicos.

11.3.07

9.3.07

As Mãos que Constuiram a América

Oh, meu amor, é longo o caminho que percorremos
Desde os montes castanhos até aos desfiladeiros de aço e vidro
Desde os campos com pedras, até pendurar aço a partir do céu
Desde procurar nos nossos bolsos uma razão para não dizer adeus

Estas são as mãos que construíram a América
Russos, sioux, holandeses, hindus
Oh América
Polacos irlandeses alemães italianos

Vi a tua face pela última vez sob um céu azul límpido
Como os pássaros marinhos grasnam, um longo adeus
Tomei o teu beijo, sob o rasto de infindáveis estrelas
Tens de viver os teus sonhos, sem os tornar tão difíceis

Estas são as mãos que construíram a América
Os irlandeses os pretos os chineses os judeus
Ah America, mão
Coreanos hispânicos muçulmanos indianos

De todas as promessas, conseguiremos manter esta
De todos os sonhos, continuará este fora de alcance

É início de Outono, há uma nuvem no horizonte de Nova Iorque
Inocência arrastada para além do limite

The Hands That Built America, U2


8.3.07

Palavra #7

Malsão - fem. Malsã, de mal + são, adj., doentio; insalubre; enfermiço; mal curado; fig., maldoso; maléfico.

7.3.07

Goa ou o Guardião da Aurora, Richard Zimler

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Ti é um jovem que aos 18/19 anos se vê enredado nas teias da inquisição com a detenção do seu pai pelo Santo Ofício na Goa quinhentista não conseguindo a libertação do seu pai, e após o seu suicídio, Ti é também preso durante dois anos ao fim dos quais é exilado para Lisboa e de onde só regressará seis anos depois c0om o intuito de se vingar de quem denunciou e destruiu a sua família.

Mas Goa não é somente a história de uma prisão e de uma vingança. É a história de uma família em crescimento e que apesar das boas intenções parentais não consegue evitar o desmoronamento da mesma. Goa entra na família Zarco desde a morte da figura materna e acom0panha Ti, o filho mais velho, até completar a sua vingança e um pouco mais tarde, quando conclui o relato da sua vida.

Acompanha o crescimento dos dois jovens da família, Ti e Sofia, e o modo como o zeloso pai tenta prepara-los para a vida, sem, no entanto, conseguir que as suas personalidades individuais sigam por caminhos indesejados e que acabam por culminar com o fim e desmembramento da família.

É um relato interessante boba vários aspectos: o modo como constrói uma harmoniosa unidade familiar que gradualmente vai sendo corrompida por elementos exteriores; o modo como recria o terror e impotência suscitadas a todas as vítimas da inquisição e como tão realisticamente compõe o encarceramento e “conversão” das suas vítimas; o modo calculista como o protagonista compõe a sua vingança e a leva a cabo; percebendo no final que os objectos das sua vingança não passaram também eles de vítimas do mais improvável dos culpados; como demonstra que as implicações (para nós e para os outros) das acções de cada individuo; pelo hino à diversidade de culturas e à apologia da aceitação das várias religiões, como vários aspectos quiçá de um mesmo deus, não justificando as barbáries feitas em nome de cada uma delas.

6.3.07

Ipsilon

Para mim faz todo o sentido juntar dois suplementos dedicados às artes num só. Perde-se um título delicioso, Mil Folhas, e opta-se por escrever por extenso o Y, para demarcar a diferença. A qualidade mantém-se e a aproximação das várias áreas num só espaço contribuirá em muito para o alargamento do público-alvo do suplemento.

5.3.07

patinagem artística

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Adoro ver patinagem artística. Acho que é um espectáculo extremamente belo que junta graciosidade do ballett, a destreza física da ginástica e o sentido de espectáculo de um qualquer musical à aparente leveza e facilidade com que os patinadores deslizam no gelo.

Sempre que decorre algum campeonato, fico horas a ver este desporto que me seduz tanto. Para além das dificuldades técnicas dos elementos realizados, importa também a capacidade artística das exibições, os seja, o modo como se embeleza os elementos realizados e se faz a ligação entre os mesmo, tudo isto em consonância com a música em pano de fundo.

Depois, há os fatos. Alguns tão belos, tão belos que fico extasiada só de olhar para eles e a minha imaginação voa levando-me para dentro deles.

Como disse anteriormente, patinagem artística é como se fosse um espectáculo musical no qual se fundem uma coreografia, um guarda-roupa, uma partitura musical e uma interpretação que emocione o público.

4.3.07

Deixo-me ficar

De manhã, deixo-me ficar na cama atrasando indeterminadamente o momento de atirar os cobertores para trás e levantar o corpo para o fresco e para os movimentos usuais do dia.

Dirão que é preguiça. Também. Mas não só. Prolongo o mais possível o estado de semi-consciência que o despertar traz porque nele encontro um conforto e transporto-me para um estado que na realidade não existe.

Semi-inconsciente, enrolo-me nos cobertores e usufruo do seu calor como se de um abraço se tratasse. Imagino que não estou só numa grande cama vazia, mas sim nos braços de um amor que me conforta e acarinha.

3.3.07

Monção

Às vezes, vamos acumulando, acumulando resíduos de sentimentos aos quais não damos a devida importância e que deixamos sedimentar mal resolvidos. E vão ficando, quase inertes, latentes. Até que uma mínima pedra, atirada aleatoriamente, ao cair agita as águas calmas e provoca o remexer desses sedimentos. E revolve-se tudo e o tudo provoca um dilúvio de lágrimas impossíveis de estancar que ao caírem cedem lugar a que novas lágrimas aportem e rapidamente se sucedem numa devastadora monção que tudo arrasa.

E a recuperação da devastação é lenta e dolorosa.

1.3.07

Assalto e Intromissão

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As relações são um espaço estranho, ainda para mais se nelas se juntarem lugares de origem diferentes que podem, ou não, explicar as diferentes aproximações de cada um ao outro.

O filme tem como pano de fundo uma zona degradada de Londres onde convergem pessoas oriundas de muitas nacionalidades e experiências de vida. E a sua origem traz sempre uma visão, muitas vezes, estereotipada do outro sobre si.

É assim que se cruzam as vidas das personagens. Como pessoas marcadas por um passado, mais do que pessoal, nacional e com os estereótipos a eles referidos.

O filme traça uma espécie de mapa-mundo transportado para o nosso bairro, uma realidade cada vez mais presente nas nossas cidades. E que traz novos elementos à equação das relações. Mais ainda quando essas são amorosas.

Jude Law, atraente e bem sucedido inglês, tem uma relação de longa duração com Robin Wright-Penn, uma bela sueca, mãe de uma filha com alguns distúrbios psicológicos. No entanto, Law nunca consegue entrar no que chama unidade composta por mãe e filha e como a própria personagem afirma, não o procura fazer porque serve como desculpa ideal para poder escapar a uma realidade familiar, muitas vezes pesada, como todas o são.

Juliette Binoche é uma muçulmana, de origem sérvia, com um filho adolescente e problemático, que tenta refazer a vida em Inglaterra. E ao mesmo tempo salvar o filho de uma vida de crime.

E é através do assalto que o jovem comete na propriedade de Law que este se cruza com Binoche e desenvolvem uma relação em que nada é o que parece.

Em que cada um, à sua maneira, entra de assalto na vida do outro e se intromete no discorrer quotidiano da sua vida.

O argumento pega em lugares comuns e tenta demonstrar as pessoas para além deles, para além do que se vê à primeira vista, o que só se consegue por vezes à força. É um filme interessante, em que o final deixa uma sensação demasiado inócua de que tudo acaba bem, como desejado. E em que os erros são absolvidos e ultrapassados da melhor forma.