Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt

31.8.07

The simpsons

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Um dos grandes problemas em adaptar uma série ao cinema é sempre o da duração da aventura cinematográfica, uma vez que o cérebro do espectador está formatado para os cerca de 25 minutos de cada episódio. E este filme também se ressente desse facto.

A primeira metade do filme tem um bom ritmo ao qual se segue uma quebra da qual se recupera, embora sem a mesma energia.

A história acaba por ter uma espinha dorsal que agrupa três episódios quase distintos. Mas em qualquer das três etapas do filme há pormenores divertidos e irreverentes repletos do non sense e ironia a que esta excêntrica família nos habituou de há 18 anos para cá e sem os quais já não podemos passar.

29.8.07

Do equilíbrio

Se é fácil perceber a necessidade e os benefícios do equilíbrio, no entanto, é assaz complexo perceber onde e como este se atinge.

28.8.07

As Mulheres do Meu Pai, J. E. Agualusa

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Normalmente quando compro um livro não o leio logo de seguida. há casos até em que se passam anos entre a compra e a leitura. Seja porque entretanto se compraram outros ou porque simplesmente o entusiasmo se esbate. Aconteceu isso com o primeiro livro do Agualusa que li, Um Estranho em Goa. Quando o fiz gostei tanto que o pensamento foi: perdi tanto tempo a conhecer o autor. E foi a partir daí que o Agualusa se começou a delinear como um autor de eleição.

Entre esse e este As mulheres passaram-se alguns títulos e cada um deles foi cimentando a preferência e também elevando as expectativas. Assim, aquando do lançamento deste último livro a minha expectativa e desejo de o ler eram bastantes. Tanto, que decidi inclusive ir ao lançamento do mesmo na Casa Fernando Pessoa. Mas tendo sido o lançamento tão mediático e tão cheio de gente, confesso que a noite me deixou esgotada e com uma sensação de peso sempre que tocava no livro para iniciar a sua leitura. Só cerca de um mês depois consegui pegar nele provida já de uma leveza necessária para receber a sua história.

Como já vem sendo habitual, este livro gira em torno da memória e da sua construção. Ou mais precisamente das várias memórias que gradualmente vão desconstruindo o que se julga um passado verdadeiro. Não para acabar por substitui-lo, mas apenas para contribuir com mais uma série de novas memórias, todas elas tão verdadeiras quanto o desejam e assumem os seus fazedores e interlocutores, tanto que sem se anularem se completam ou complementam.

Vemos que nem tudo o que prece é, mas o que parece não deixa de ser. É-o também. É uma vertente dessa memória, dessa verdade que não há-de nunca ser una, e que lhe confere maior riqueza e autenticidade. E em cada memória, em cada verdade há ua lição e amor, de perdão e de aceitação. Não há julgamento possível para a acção das pessoas, cada um faz o que julga melhor para si e para os demais e a nós cabe-nos compreender e aceitar, se conseguirmos.

Interessante também de observar neste livro é o percurso paralelo ao percurso ficcional e que lhe serve de base.


26.8.07

Devia olhar o rei, Ana Paula Tavares

Devia olhar o rei
Mas foi o escravo que chegou
Para me semear o corpo de erva rasteira
Devia sentar-me na cadeira ao lado do rei
Mas foi no chão que deixei a marca do meu corpo
Penteei-me para o rei
Mas foi ao escravo que dei as tranças do meu cabelo
O escravo era novo
Tinha um corpo perfeito
As mãos feitas para a taça dos meus seios
Devia olhar o rei
Mas baixei a cabeça
Doce, terna
Diante do escravo.

25.8.07

O ar que respiro

Se pudesse fazer um desejo dispensava
Não recordo nada que necessite
Nem cigarros, nem dormir, nem luz, nem som
Nada, nem comer, nem livros para ler
Fazer amor contigo deixou-me um calor tão calmo por dentro
Que mais poderia desejar
Nada mais há a desejar

por vezes, tudo o que necessito é o ar que respiro e amar-te
Sim, o ar que respire e amar-te
Apenas ter-te agora
Tudo o que preciso é o ar que respiro estudo o que quero

A paz desceu sobre mim e murmura-me
Não durmas, anjo silencioso não durmas

The air that I breath, Simply Red

24.8.07

H. P. e a Ordem de Fénix

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Gosto de ver os filmes do Harry Potter porque esta personagem me parece ter sido feita para brilhar num ecrã de cinema. Porquê? Porque nada melhor do que o universo da magia – com o seu encanto e fantasia – para poder ser recriado no universo do cinema, que tem exactamente as mesmas premissas – encanto e fantasia. E daí que Harry Potter e cinema parecem almas gémeas.

Não tenho visto todos os filmes da saga, nem li nenhum dos seus livros. Embora ao deixar-me deslumbrar pelos vários efeitos visuais dos filmes tenha curiosidade em ver como este foram descritos no papel. Talvez um dia destes ainda me vejam com um dos livros debaixo do braço.

Esta não é uma narrativa com princípio, meio e fim, mas sim um episódio de uma sequência maior, o que acaba por ser o maior senão do filme. Pois fica a sensação de peripécia, de atalho na narrativa maior, essa sim de relevância para o desenovelar do enredo.

Ainda assim, é acrescido um novo enigma ao enredo e que me recorda outra personagem do cinema de recorte trágico: Luke Skywalker. O lado negro começa também a exercer um grande fascínio sobre Harry Potter e talvez por razões genéticas. Suposições à parte, este episódio é como os outros de um grande deslumbre visual, com pormenores excelentes e de grande beleza estética. Dá mesmo vontade que esse universo paralelo seja real.

23.8.07

Workshop Semântico #3

Exercício #1

Apropinquava-se esconsamente, denunciado apenas pela lustrosa dragona.


Exercício #2

Era uma dragona tímida. As folhas fechavam-se para que passasse quase absconsa. De tal modo, que mal se apropinquava fora do canto da sala.

22.8.07

Pleasantville

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Este é um filme com algumas semelhanças temáticas com A vila, no sentido em que há em ambos um olhar para o passado como momento de pureza, embora depois os desenvolvimentos sejam diferentes.

Insatisfeito com o ambiente familiar pouco acolhedor, um jovem - fã de um famoso seriado da década de 50 - vê-se por artes mágicas transformado no protagonista da série Pleasentville e, assim sendo, transformado e integrado na família perfeita. Mas, pouco a pouco, começa a perceber que essa perfeição é apenas aparente e que há muito mais na vida para lá dos cenários e personagens de uma série de televisão.

É uma história sobre a mudança e de como esta não tem de ser má, é apenas o que permite estabelecer a maturidade e com ela uma maior compreensão do que nos rodeia.

21.8.07

Sexo, Amor e Traição

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O cinema brasileiro é, provavelmente, um dos mais dinâmicos cinemas latino-americanos, quer em quantidade, quer em qualidade. Pena é que em Portugal nem sempre tenhamos acesso a muitas das usas produções. No cinema são raros os casos, depois em DVD já aparecem alguns títulos, talvez até devido à grande comunidade brasileira em Portugal, o que vai justificando o investimento. Em televisão também é quase caso raro. Daí a minha surpresa que esta madrugada a TVI nos tenha brindado com este filme. Ainda mais se tivermos em conta que seria mais lógico ser a SIC a transmiti-lo, uma vez que esta detém o exclusivo das produções Globo, e, mesmo não sendo um filme Globo, todos os seus protagonistas são caras conhecidas da estação.

Sexo, amor e Traição é um filme escrito e realizado por Jorge Fernando, que iniciou a sua carreira como actor e passou depois para trás das câmaras, mas sem deixar de fazer algumas participações nas novelas que dirige. Estas são sobretudo novelas de pendor cómico e é também este o tom deste filme que acompanha as peripécias amorosas de um grupo de amigos. Entre amores, sexo e traições estes amigos vão passar momentos decisivos nas suas vidas e avaliar os seus objectivos de vida. Tudo isto é feito com muito humor à mistura e com uma óptima sínteses dos comportamentos masculinos e femininos quanto a estas questões de sexo, amor e traição.

O filme conta com as interpretações de: Malu Mader, irrepreensível; Murilo Benicio, num registo que infelizmente já se torna muito rotineiro na sua carreira; Fábio Assunção, muito bem neste registo cómico e que normalmente não vemos; Alessandra Negrini; Heloisa Perissê; Caco Ciocler, sempre irrepreensível e no tom certo, este é um dos melhores actores brasileiros da actualidade e um dos mais “mutáveis”; e Marcello Anthony, numa participação que alegra qualquer mulher.

20.8.07

Entre nós há muito que dizer

Há ainda muitos espaços a preencher para que uma ligação seja feita. Para que se diga algo e esse algo faça sentido. Palavras e sons, gests e inflexões que transportem o muito que há ainda a dizer entre nós.

Há um universo a dizer. somos dois mundos entre tantos outros e com outros tantos pelo meio que são necessários ligar. Que queremos ligar.

Há mundos e mundos dentro de nós que ainda sequer desconhecemos. E como os diremos?

Entre nós há tanto ainda a dizer.

19.8.07

Workshop Semântico #2

Exercício #1

Estiolou-se gradualmente após se ter bispado ao ser atingido por um corisco.

Exercício #2

Encerrada que estava naquele ínfimo casulo, a pequena e estiolada crisálida foi enrubescendo de tanto corisco proferido em vão pelos demais insectos, que outro remédio não teve senão bispar-se daquela prisão.

18.8.07

Palavras # 23 a 25

dragona - de dragão. s. f., galão com ou sem franjas, ou peça de metal amarelado, que os militares usam no ombro, como distintivo; Bot., planta trepadeira arbustiva da família das maregraviáceas; Ornit., ave icterídea; Anat., o deltóide.

apropinquar - do Lat. Appropinquare. v. tr., aproximar; avizinhar; chegar.

absconso - do Lat. Absconsu. adj., encoberto; escondido, esconso.

17.8.07

Folia!


Este é o quarto trabalho dos Tapafuros que vejo nas noites de verão da Quinta da Regaleira. Sendo a encenação uma vez mais a cargo de Rui Mário é inevitável evidenciar alguns elementos que se tornam recorrentes no seu trabalho. Sem desprimor para o mesmo, seria interessante ver uma produção a cargo de outra pessoa, o que traria alguns novos elementos cénicos e também, quem sabe, outras opções a nível de intérpretes. Seria bastante interessante uma injecção de sangue novo.

A encenação tem por base o texto Folia! O Mistério de Uma Noite de Pentecostes, da autoria de Paulo Borges. Esta faz uma reconstrução dos festejos do Espírito Santo nos Açores e estabelece várias ligações a momentos e pessoas chaves no desenvolvimento histórico e cultural português, tais como Agostinho da Silva, Camões, Pessoa, Padre António Vieira, os Descobrimentos e a demanda do V Império. é um texto por vezes hermético para um público desconhecedor de várias referências, mas bastante interessante.

A encenação, propriamente dita, permite ao público, como é já apanágio das produções de verão da Regaleira, um percurso nocturno por alguns dos mais bonitos espaços da Quinta. Além disso, existe uma grande interactividade entre actores e público, cuja participação traz uma grande vivacidade ao espectáculo.

Em cena até 8 de Setembro, recomenda-se a quem já conhece estas noites de verão na Regaleira e muito mais a quem ainda desconhece.

14.8.07

A Vila

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Como falar deste filme sem revelar a sua história? Tudo o que me advém dizer é: nem tudo o que parece é.

Shyamalan consegue construir uma história coerente na qual se conjugam o terror inculcado a um inimigo desconhecido e uma tradição arreigada numa comunidade americana fechada ao mundo. Ou seja uma excelente metáfora à própria sociedade americana actual. É uma história interessante sobre a qual vale a pena reflectir.

13.8.07

Uma Sogra do Pior

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Este filme foi apresentado como o regresso de Jane Fonda, afastada do cinema há 15 anos. E para tal, nada melhor do que dividir protagonismo com Jenniffer Lopez, a maior artista latina da actualidade. Se os trunfos são interessantes, a jogada, no entanto, não é nada de extraordinária, porque todo o resto do filme é apenas fórmula de comédia romântica e nada mais acrescenta ao registo.

12.8.07

O Diabo Veste Prada

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Esta é uma engraçada comédia sobre os meandros da moda e que propõe uma superficial análise da mesma enquanto forma de afirmação pessoal, trunfo económico de nível mundial e, no fundo, como futilidade se não for tida com conta, peso e medida. Vê-se bem, mas está longe de ser uma grande comédia. Vale por Meryl Streep e embora não creia que justifique a sua nomeação aos Óscares, esta carrega o filme com a mestria e força que já lhe conhecemos.

11.8.07

Campos de Ouro

Recordarás quando o vento oeste bulir
Sobre os campos de cevada
Esquecerás o sol no seu céu ciumento
Enquanto caminhamos nos campos de ouro
Então ela tomou o seu amor para olhar um pouco
Sobre os campos de cevada
Sentia-se nos seus braços enquanto o seu cabelo caia
Entre os campos de ouro

Ficarás comigo, serás o meu amor
Entre os campos de cevada
Esqueceremos o sol no seu céu ciumento
Ao deitarmos-nos nos campos de ouro
Vê o vento oeste mover-se como um amante
Sobre o campos de cevada
Sente o seu corpo erguer-se ao beijar a sua boca
Entre os campos de ouro

Nunca fiz promessas levianamente
E houve algumas que quebrei
Mas juro que nos dias que ainda restam
Caminharemos nos campos de ouro

Muitos anos passaram desde esses dias de verão
Entre os campos de ouro
Vê as crianças correr enquanto o sol se põe
Entre os campos de ouro
Podes dizer ao sol ciumento
Quando caminhar-mos nos campos dourados

Fields of gold, Sting

8.8.07

O Poder dos Sonhos IV

Hoje sonhei com um lugar mágico. Realmente mágico. Onde os seus habitantes tinham o dom da magia.

Era um sitio muito, muito verde. De montes e colinas. E casas muito pitorescas construídas com pedras de cores garridas e de formas triangulares. Eram casas felizes por estarem ao sol. Felizes apenas por serem alegres.

Neste reino encantado, conheci Galandriel e perdi-me nos seus olhos castanhos. Galandriel pouco falava, mas olhava intensamente captando toda a minha atenção. Era difícil fugir do encantamento dos seus olhos. E não fugi. Aceitei o seu olhar e tudo o que não dizia. E tudo o que deixava em aberto.

7.8.07

Little Miss Sunshine

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Que todas as famílias são disfuncionais, já o sabemos. Que há umas mais disfuncionais que as outras, também. Agora que nem todas são tão divertidas como esta é que é pena.

Não há duas famílias iguais e como esta não há certamente. Há um pai obcecado pela sua teoria de nove passos para chegar ao sucesso, mas que nunca o levou a lado nenhum; um avô materno drogado e alcoólico com uma linguagem que deixa muito a desejar; um tio gay a recuperar de uma tentativa de suicídio; um filho adolescente em voto de silêncio, uma mãe trabalhadora que tenta conciliar toda a gente e uma filha cujo grande sonho é participar no concurso de beleza infantil Little Miss Sunshine.

Com esta louca galeria de personagens que se une à filha mais nova na senda desta improvável participação no concurso, e através das mais hilariantes peripécias, esta família vai reencontrar uma união familiar há muito perdida. É um filme muito divertido, de fazer chorar a rir em certos momentos, com interpretações no ritmo certo e que vale a pena ver ou rever.

5.8.07

Workshop semântico

Exercício 1

O excesso de esforço que lhe provocou uma ancilose, além do risto estampado no rosto, teria originado uma aparatosa queda, não fosse o rápido apoio no lúçufe.

Exercício 2

A queda do lúçufe sobre a perna do pobre Jorg provocou-lhe uma dolorosa ancilose visível no seu ricto facial.

4.8.07

Palavras # 20 a 22

bispar - v. tr., exercer a dignidade de bispo; fam., lobrigar, avistar, furtar; v. int., queimar, esturrar a comida; v. refl., escapulir-se.

corisco - s. m., faísca eléctrica; centelha que fende as nuvens, sem ser acompanhada por trovões; fig., desaforo; insulto; dizer raios e -s: dizer muito mal de; proferir insultos, blasfémias.

stiolar - do Fr. Étioler. v. tr., perder a cor e o vigor por falta de luz; definhar; v. int. e refl., definhar-se; debilitar-se; consumir-se lentamente.

2.8.07

O Canto da Sereia - Um Noir Baiano, Nelson Motta

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A editora Asa, através da chancela Palavra, que agora é uma editora autónoma, apostou há tempos na divulgação de autores brasileiros contemporâneos na sua colecção Letras Tropicais. Desta colecção faz parte este O Canto da Sereia e outros títulos que certamente lerei mais tarde. Em lista de espera está já Inveja de Zuenir Ventura, mas deixemos este para outras núpcias.

O que me levou a este Canto foi a curiosidade de saber como seria a escrita de Nelson Motta, cujo trabalho em outras lides já conhecia. Nomeadamente, como autor de algumas letras de músicas de Marisa Monte, em especial o meu muito dilecto Bem que se Quis.

E como os livros são como as cerejas, cheguei a este noir baiano, subtítulo mais do que adequado, bem como o título. O enredo inicia-se com um crime que o detective Augustão é incumbido de desvendar. Pelo meio, mais do que o crime, vão-se desvendando também intrigas políticas, amorosas e. principalmente, uma baianidade. E é esse modo de ser baiano que emerge do livro que o torna tão interessante. O crime e a sua investigação são apenas a espinha dorsal, mas o interessante é observar como cada escama, cada fio de cabelo compõem esta sereia e esta baianidade, com o ponto certo de leveza, ginga e humor. Recomendo.

1.8.07

Sinto-me finalmente no meio de um momento de silêncio há muito desejado.

Deitei-me na cama, li algumas linhas que decompõem África. Não liguei a música, nenhuma delas me traria a paz que só este calmo silêncio me aporta. Não queria mais palavras ou melodias que se intrometessem entre mim e esta calmaria que necessitava para sossegar.

Oiço apenas ao fundo uma torneira que pinga, o vento nas janelas e algumas vozes difusas na rua. Tudo o resto sou eu deitada à luz do candeeiro que alumia o quarto e a minha cama ampla, onde daqui a pouco encontrarei um outro silêncio: o das terras longínquas e férteis do sono e do sonho. Daqui a pouco a calmaria culminará também no silêncio de luz que o sono traz e que as minhas pálpebras pesadas começam já a anunciar.

Resta muito pouco para que inicie a viagem. Muito pouco mesmo.