Como o título sugere, este livro relata a tentativa de compreensão de Sana, uma mulher enigmática que o narrador conhece momentos antes da sua morte. Acontecimento que o instiga a encetar um percurso de descobertas, muitas delas tão inquietantes, quanto inesperadas.Sendo este o segundo livro que leio do autor, constato que continua a explorar a temática da religião, como um elemento de identificação do indivíduo e não como sua definição. E nesta característica de identificação, mas não definição, faz-me tecer ligações com outros autores que aprecio, nomeadamente José Eduardo Agualusa e Ismael Kadaré.
A ligação com Agualusa vejo-as no modo como o narrador se apropria da figura do escritor para assim fazer o percurso de descoberta, num registo em que a ficção e a realidade se fundem a cada momento, sem se saber ao certo onde é que se separam, ou mesmo se há separação possível. Também como Agualusa, Zimler explora a temática da construção da memória – quer pessoal, quer social – de modo a oferecer um retrato mais fiel do individuo. Assim se explica que o individuo não se confine a rótulos de língua, pátria ou religião. O individuo engloba essas características, mas não as é somente, vai mais além. E é esse espaço e tempo pessoais que é necessário encontrar, sob prejuízo de se encetar guerras em nome desses elementos. Daí que as personagens destes autores sejam sobretudo apátridas, não por vontade própria, mas por uma situação imposta. Desse modo, procuram construir e redescobrir a sua memória de modo a legitimar-se perante os olhos dos outros que apenas sabem ver os rótulos da origem (geográfica).












