Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt

11.3.09

a segurança dos tribunais

Por motivos que não interessam aqui, hoje tive, pela primeira vez, de ir a tribunal e percebi em primeira mão o porquê de muitas das notícias a que assisto nos telejornais.

Logo à entrada somos obrigados a depositar malas e outros objectos numa mesa, para depois passarmos por um detector de metais. Depois pegamos nas nossas malas e seguimos para os nossos compromissos. Isto até parece um procedimento normal e até seria se em algum momento as malas fossem inspeccionadas ou passassem também elas por algum tipo de detector, como por exemplo nos aeroportos. Mas não. Neste tribunal, se uma pessoa “apitar” tem de tirar o que quer que apite ou passar por um segundo detector. Mas e as malas, senhor? Às malas não acontece nadinha de nada. Ou seja, poderia ter entrado muito tranquilamente com uma arma de fogo ou uma arma branca e ter atacado quem quisesse. Pois, é assim o estado da segurança nos nossos tribunais e assim se compreende que se ameacem juízes, se roubem processos e computadores, e outras coisas que mais.


P.S. – Como a audiência foi adiada porque foram marcados dois julgamentos para a mesma sala (o que no meio disto tudo não é de espantar) e terei de comparecer novamente em tribunal daqui a uns meses, estou seriamente a ponderar levar o meu canivete suíço e uma das facas da cozinha para ver ser alguém me diz alguma coisa.

10.3.09

Vulcão

Há tanto que percorro estas ruas
Que já não sei onde me levarão

Mas creio ter visto um fantasma

Não sei se são as minhas ilusões que me mantêm viva

Não sei o que vi
Terá sido tudo ilusão?
Uma miragem errada?
Estou cansada do mal
E de tudo que alimenta
Mas não sei

Há tanto que derivo nesta onda
Não sei se já atingiu a costa
E há tanto que viajo neste comboio
Não sei dizer se és tu ou eu que nos guia para o chão

Não sou se estou sã
Mas há um fantasma no meu coração
Qye tenta ver no escuro
Estou cansada de pessoas que só querem ser agradadas
Mas ainda te quero agradar

Ouvi falar naquela japonesa
Que saltou para o vulcão
Estaria a tentar regressar?
Regressar ao útero do mundo?

Há tanto que sorvo estas lágrimas
Só me resta na boca o sabor a sal

Não sei onde estive
Mas sei para onde vou

Para esse vulcão
Não quero cair em pensamento
Apenas quero aquecer os meus ossos
Um pouco nesse fogo

Volcano, Beck

9.3.09

slumdog millionaire - quem quer ser bilionário?

O filme é um produto bem conseguido, pois consegue conciliar uma série de clichés mais ou menos sérios. Acaba por não ter um tom tão realista como uma Cidade de Deus, mas também se assume desde o início como um filme a puxar pela vertente humorística.
O mais descabido ainda é o final, mas tendo como cenário a Índia, é um claro piscar de olhos a Bollywood e à Academia que aprecia este tipo de filmes: o self made man (boy) que vence todas as probabilidades. Não me espanta nada que tenha ganho os prémios que ganhou, afinal as pessoas ainda gostam de filmes com finais felizes.

8.3.09

Gata em Telhado de zinco Quente

Há noites em que o sono não me visita tão prontamente como gostaria. É nessas noites que me encontro com alguns clássicos do cinema.

Desta feita, encontrei-me inesperadamente com os jovens Elisabeth Taylor e Paul Newman – talvez o mais belo para de pares de olhos da história do cinema. Um casal à deriva entre os seus sonhos pessoais, sentimentos e desejos, e as imposições e expectativas sociais e familiares.

Baseado na obra homónima de Tenesse Williams, transparece para o filme a estrutura teatral, em que o cenário é uma mansão familiar e as personagens são analisadas e os seus movimentos coreografados ao milímetro.

6.3.09

trabalho projecto

A nível nacional, as acções de promoção à leitura têm maioritariamente como públicos-alvo as faixas etárias infanto-juvenis, deixando à margem o público Adulto.
O objectivo deste projecto é apresentar uma proposta de animação à leitura para um público adulto, tendo em conta a sua heterogeneidade, como configurações sociais, económicas e culturais.
O projecto tem como base a promoção de obras literárias não canónicas e de vertente humorística.

5.3.09

Diálogo repetido

- eu já vi este filme e já sei como acaba.
- pois, eu também sei.
- não, não sabes.
- sei, sim, porque sou a sequela, não é? E normalmente as sequelas não são tão boas como o original, não é? Se calhar é melhor ficarmos por aqui.
- não disse isso.
- não, não disseste, mas gostas sempre de me atirar à cara que já passaste por isto, como se isso te fizesse especialista na matéria, e que eu sou apenas alguém demasiado imaturo para compreender. Acontece que não sou. Tenho maturidade suficiente para passar por inúmeras situações e ultrapassa-las. Sei disso perfeitamente.
- pois não parece.
- então parece o quê? Já agora, elucida-me.
- porra, pá|
- deixa-me dizer o que parece. parece que me achas incapaz de lidar com as merdas de uma relação, mas esqueces que desde o início que lido com isso. Aliás, além das nossas que teimas em afastar ou minimizar eu também lido com as merdas das tuas outras relações. Eu lido com as tuas crianças. Aceito que a tua anterior relação nunca acabará, porque há sempre as crianças. E merda, tenho lidado com isso tudo com toda a maturidade possível e tenho feito um bom trabalho. Agora, quem és tu para me negar lidar com as merdas da nossa relação. Porque é que tenho de lidar com tudo o que te diz respeito e tu não tens coragem para lidar com as nossas?
- merda, tenho medo. É isso que queres ouvir? Tenho medo que se repita. De cometer os mesmos erros. De cometer outros erros e de acabar na mesma. talvez esteja sempre a adiar porque não quero passar por nada semelhante. Estou escaldado, porra. Não compreendes isso?
- compreendo, claro que sim. E se pudesse evitar uma série de situações, evitava. Mas, por favor, não me negues viver a minha relação viver a nossa relação. Não nos negues isso.

4.3.09

Sento-me tantas vezes em frente as estas paredes, perguntando-me por onde começar: como se arrumando a confusão que está a minha casa, arrumasse a confusão que é a minha vida.
Deixei acumular tanta coisa, tantas incertezas, tantas merdas que nunca levam a nada. Agora não consigo destrinçar por onde começar a endireitar a minha vida.
Como devo começar a arruma-la? O que devo deitar fora, o que devo guardar? Será que devo guardar algo?
Às vezes só me apetece estalar os dedos e esvaziar tudo, todas as gavetas, todos os armários, todas as memórias e começar de novo. Com as paredes em branco, as gavetas a cheirar a novo e prontas a receber novos conteúdos. Tudo novo. Era tão bom fazer tábua rasa à vida e começar de novo.

3.3.09

Diálogo triste

- sabes o que é triste? Teres desistido dos outros.
- Não. O que é triste é ter desistido de mim.

2.3.09

Cold Cases / Casos Arquivados

Casos Arquivados é uma série policial diferente das demais existentes na televisão, pois a sua tónica reside não no imediatismo da resolução de um crime, mas sim no impacto que um crime não resolvido tem nos entes queridos, e não só, de uma vitima. Ou seja, aborda uma temática quase sempre negligenciada pelas outras séries: a da consequência do crime, seja nas vitimas, nos réus - eventuais culpados ou inocentes, ou no círculo de relações humanas tocadas pelo crime. Assim, dá-nos interpretações muito realistas de sentimentos como dor, culpa, indagação, inconformidade, injustiça.

1.3.09

Palavras #143 a 145

Coalescer - do Lat. Coalescere. v. tr., juntar; fazer aderir; unir; aglutinar.

esbarrondar - v. tr., esboroar; desmoronar; v. int. e refl., precipitar-se; desmoronar-se; ruir; cair de despenhadeiro.

plinto - do Lat. plinthu < style="">plínthos, tijolo. s. m., peça quadrangular, que serve de base a um pedestal ou coluna; soco em que assentam os pés da estátua; aparelho de ginástica próprio para saltos.

28.2.09

Não sei dizer quando aconteceu, mas aconteceu.

A dado momento deixei de viver.

Ainda estou viva é certo, mas já não sinto a vida em mim.

Constato talvez o inexorável e constante discorrer do tempo.

Mas a vida sentida e apreciada esgueirou-se do meu quotidiano.

Deambulo agora nos dias que se seguem uns aos outros.

Iguais, sem alegrias relembradas ao deitar.

Vazios de emoções e sentimentos, sem sentido.

apenas somo sóis e luas, sem brilho nem calor.

Aconteceu-me assim, deixar de viver.

27.2.09

saldos literários

por 11,00€ comprei

2 filmes e algo de algodão, Jacinto Lucas Pires

Betânia, Filomena Marona Beja

20 Navios, Ruy Guerra

O Câo Amarelo, Martin Amis

Boda à Beira-Mar, Abdelkader Benali

Como ser Bom, Nick Hornby

26.2.09

títulos poéticos

como averiguar o seu grau de pureza, Jacinto Lucas Pires

o vendedor de passados, José Eduardo Agualusa

a poeira que cai sobre a terra, Francisco José Viegas

a insustentável leveza do ser, Milan Kundera

Abril despedaçado, Ismaël Kadaré

24.2.09

O Poder do Amor

Proteger-te-ei da garra encapuçada
E afastarei os vampiros da tua porta

Parece fogo
Estou tão apaixonado por ti
Os sonhos são como anjos
Mantém o mal à margem, à margem
O Amor é a luz
Que afugenta a escuridão

Estou tão apaixonado por ti
Purga a alma
Faz o amor o teu objectivo

O poder do amor
Uma força superior
Que limpa a alma
Uma chama de desejo flamejante
Amor com línguas de fogo
Purga a alma
Faz do amor o teu objectivo

Proteger-te-ei da garra encapuçada
E afastarei os vampiros da tua porta
Quando tudo desmoronar estarei aqui
Com o meu imortal e desafiador
Amor por ti

A inveja mutila-se
Deixa-te ser bela
Amor borbulhante, flores
Pérolas e raparigas bonitas
O amor é uma energia
Correndo no meu interior

Desta vez seremos sublimes
Amantes divinos
O amor é perigo, o amor é prazer
O amor é puro – o único tesouro

O poder do amor
Uma força superior
Que purifica a minha alma
O poder do amor
Uma força superior
Uma pomba que rasa os céus

23.2.09

Às vezes ainda sou demasiado sincera e falo o que penso e sinto. Mas quem me rodeia não o é e utiliza as minhas palavras como arma contra terceiros que não tem coragem de encarar, pois todos temos telhados de vidro.

Mas a minha confiança nas pessoas vai-se esboroando e retorno ao silêncio como forma de auto-protecção.

21.2.09

O louco

O louco deambula novamente nas ruas do bairro. Sem destino aparente, emite sons guturais que irrompem pelo silêncio das casas. Das janelas vemos o seu andar atabalhoado e incerto e o modo como dobra o corpo para trás para grunhir.

Quem passa, afasta-se a medo e queda-se a observar os gestos tresmalhados.

Agora, passa quase todas as noites nestas ruas e o seu barulho, incamuflado pelas televisões acessas, acumula-se nos ouvidos já cansados do seu excessivo ressoar.