First she broke the sentence,
now she has broken the sequence.
Virginia Woolf, A Room of One's Own
29.4.08
28.4.08
Câmara Clara
27.4.08
Palavras #77 a 79
Cilício - do Lat. ciliciu < kilíkion; s. m., ant., pano grosseiro de pele de cabra com que se cobriam os soldados e marinheiros; túnica ou cinto largo de crina ou lã áspera, por vezes provido de puas, que se trazia sobre a pele por mortificação; fig., tormento, martírio, sacrifício voluntário. de Cilícia, n. pr.; adj., que se refere à Cilícia.
anamnese - do Gr. anámnesis, lembrança; s. f., Ret., recordação do que se finge esquecido; reminiscência; recordação.
26.4.08
Num domingo chuvoso

25.4.08
50 livros marcantes, by The Telegraph
Slaughterhouse-Five by Kurt Vonnegut (1969)
The Alexandria Quartet by Lawrence Durrell (1957-60)
A Rebours by JK Huysmans (1884)
Baby and Child Care by Dr Benjamin Spock (1946)
The Beauty Myth by Naomi Wolf (1991)
The Bell Jar by Sylvia Plath (1963)
Catch-22 by Joseph Heller (1961)
The Catcher in the Rye by JD Salinger (1951)
The Celestine Prophecy by James Redfield (1993)
The Dice Man by Luke Rhinehart (1971)
Chariots of the Gods: Was God An Astronaut? by Erich Von Däniken (1968)
A Confederacy of Dunces by John Kennedy Toole (1980)
Confessions by Jean-Jacques Rousseau (1782)
The Private Memoirs and Confessions of a Justified Sinner by James Hogg (1824)
Dianetics: the Modern Science of Mental Health by L Ron Hubbard (1950)
The Doors of Perception by Aldous Huxley (1954)
Dune by Frank Herbert (1965)
The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy by Douglas Adams (1979)
The Electric Kool-Aid Acid Test by Tom Wolfe (1968)
Fear of Flying by Erica Jong (1973)
The Female Eunuch by Germaine Greer (1970)
The Fountainhead by Ayn Rand (1943)
Gödel, Escher, Bach: an Eternal Golden Braid by Douglas R Hofstadter (1979)
Gravity's Rainbow by Thomas Pynchon (1973)
The Holy Blood and the Holy Grail by Michael Baigent, Richard Leigh and Henry
I Capture the Castle by Dodie Smith (1948)
If on a Winter’s Night a Traveller by Italo Calvino (1979)
Iron John: a Book About Men by Robert Bly (1990)
Jonathan Livingston Seagull by Richard Bach and Russell Munson (1970)
The Magus by John Fowles (1966)
Labyrinths by Jorge Luis Borges (1962)
The Leopard by Giuseppe di Lampedusa (1958)
The Master and Margarita by Mikhail Bulgakov (1967)
No Logo by Naomi Klein (2000)
On The Road by Jack Kerouac (1957)
Fear and Loathing in Las Vegas by Hunter S Thompson (1971)
The Outsider by Colin Wilson (1956)
The Prophet by Kahlil Gibran (1923)
The Ragged Trousered Philanthropists by Robert Tressell (1914)
The Rubáiyát of Omar Khayyám tr by Edward FitzGerald (1859)
The Road to Oxiana by Robert Byron (1937)
Siddhartha by Hermann Hesse (1922)
The Sorrows of Young Werther by Johann Wolfgang von Goethe (1774)
Story of O by Pauline Réage (1954)
The Stranger by Albert Camus (1942)
The Teachings of Don Juan: a Yaqui Way of Knowledge by Carlos Castaneda (1968)
Testament of Youth by Vera Brittain (1933)
Thus Spoke Zarathustra by Friedrich Wilhelm Nietzsche (1883-85)
To Kill a Mockingbird by Harper Lee (1960)
Zen and the Art of Motorcycle Maintenance: an Inquiry into Values by Robert M Pirsig (1974)
Legenda: Lido - Filme
24.4.08
Wimbledon

Há comédias românticas que valem pelo modo como apresentam os conflitos amorosos e como as suas personagens constroem ou questionam as suas várias relações humanas. Wimbledon não é o caso. Vale pouco enquanto objecto romântico, vale mais enquanto imagem, embora ligeira, do mundo desportivo e das motivações dos seus atletas. E vale por Paul Bettany.
23.4.08
conversas com Carlota Lagido
22.4.08
21.4.08
Nestes olhos azuis
Ser o homem mau
Ser o homem triste
Nestes olhos azuis
Ser odiado
Ser fadado
A dizer mentiras solitárias
Mas em sonhos, não são tão vazias
Como a minha consciência parece ser
Tenho momentos, em que apenas só
O meu amor é vingança
Que nunca é livre
Ter estes sentimentos
Que tenho
E culpo-te
Ninguém retrai tão ferozmente
A sua raiva
Nenhuma da minha dor e desgosto
Pode transparecer
Ninguém sabe
Ser espezinhado
Ser vencido
Nestes olhos azuis
E ninguém sabe como dizer
Que lamenta
E não te preocupes
Não estou a mentir
20.4.08
19.4.08
18.4.08
Workshop semântico #20
Devia ter desconfiado do olhar rapace do adeleiro ao vender aquela camisola. Agora tinha o corpo coberto de prurigem.
Caramba. Outra vez um mês comprido demais para o ordenado. E o problema é que a situação se está a tornar sistemática e não há qualquer perspectiva de mudança próxima. Outro mês magro com os tostões contados ao mínimo cêntimo e todas as compras ponderadas. E depois, quando menos jeito dá, há sempre despesas extras sem as quais é difícil passar.
Agora, foi a vez do casaco grosso, velho de guerra dos últimos Invernos, se rebentar literalmente pelas costuras. E Inverno sem casaco quente é um inferno gelado.
A solução é recorrer a um qualquer adeleiro de roupa e procurar algo quente o mais barato possível. Não é uma má solução. O problema é muitas vezes a qualidade e a higiene dos produtos. Desta vez foi azar: uma prurigem tremenda na zona do pescoço. Além do incómodo, obrigou ainda à limpeza do casaco semi-novo, à compra de uma pomada para a irritação e a usar camisolas de gola alta ou cachecóis durante quase duas semanas.
O pior é que nem satisfações à loja podia pedir, pois não havia como comprovar se o problema era de limpeza do casaco ou uma simples (credo!) alergia minha. Nem adiantava falar da situação ao dono rapace, mas a vontade de fazer outra compra do género ficou bastante abalada. Não será para repetir num futuro próximo. Aliás, num futuro próximo não será de repetir seja qual compra for que não se destine às necessidades, quer do consumo da casa, quer alimentares.
É a crise!
17.4.08
(des)acordo ortográfico
16.4.08
Hoje comecei o laborioso processo de analisar, catalogar, organizar e arrumar a minha vida. Preparei-me atempadamente. Comprei marcadores coloridos, pos-its para as anotações à margem, pastas e caixas simples, mas bonitas à vista. Disperso todo o material de forma acessível.
Mas tristemente ao pegar no meu objecto de trabalho percebi que se resumia a um simples epitáfio:
n. 1976 – m. ?
15.4.08
casei com uma feiticeira

Casei… era uma série da década de 60 que nos fazia rir, que mais não fosse pela simplicidade dos efeitos visuais existentes na época, quando comparados com os actuais. A série tinha uma mensagem simples (como se comporta um homem com uma mulher feiticeira), as personagens eram estereotipadas (a mulher feiticeira/dona de casa, o marido boa pessoa mas totó, a sogra do “pior”, a vizinha abelhuda e as visitas muitas vezes inesperadas) e o humor era servido por bons gags e a expressão de estapafúrdio do actor/marido.
Trazer a série ao cinema tinha os seus desafios: a sociedade mudou, e o papel social das personagens tinha de ser actualizado; a tecnologia evolui e abriam-se novas possibilidades narrativas. Mas se tudo parecia apontar, ou possibilitar, um bom resultado final, no entanto, o filme é inócuo, há falta de melhor expressão.
O filme não é uma recriação da série. Antes, acompanha as peripécias da equipa de produção de procurava fazer uma nova edição desta série. O problema é que a actriz que interpreta a feiticeira é mesmo uma feiticeira. Assim, temos uma continua passagem das personagens filmicas para as personagens televisivas, o que se torna confuso, porque não há transformações visíveis entre as diferentes personagens. Ou seja, complica-se o jogo e ao complicar perde-se a magia da sua simplicidade.
Caso fosse uma adaptação à realidade actual, possivelmente seria mais fácil conseguir gags melhores e com os quais o público se identificasse. Afinal, histórias divertidas e inusitadas entre casais, com enganos e mal-entendidos, ainda para mais quando um dos elementos tem poderes mágicos, é um terreno que dá pano para mangas. Mas a solução adoptada, faz com se veja, não uma adaptação da série, mas sim uma comédia pobre sobre os meandros da televisão. E não é a mesma coisa.
14.4.08
13.4.08
Palavras #74 a 76
Adeleiro - de adelo. s. m., o que compra e vende objectos usados, especialmente roupas; ferro-velho; adelo.
Prurigem - do Lat. Prurigine. s. f., prurido; erupção cutânea acompanhada de intenso prurido.
rapace - do Lat. Rapace. adj. 2 gén., que rouba; rapinante; ladrão; ávido de lucro; s. f., Ornit., (no pl. ) ordem de aves carnívoras.
12.4.08
A efemeridade do teatro amador
Sendo uma actividade voluntária, a sua prática depende muito das disponibilidades de tempo dos seus intervenientes. Devido aos vários ciclos de vida a que qualquer pessoa está sujeita, o teatro amador está sujeito a participações por vezes efémeras ou de curta e média duração. Isto significa que os grupos de teatro amador, nascidos em circunstâncias e pela mão de pessoas específicas, tenham também períodos curtos de vida. A continuidade de alguns grupos passa eventualmente pela profissionalização ou pelo associativismo. Contudo, é relevante perceber o que motiva ou quem motiva um grupo a manter uma longevidade. Bem como, perceber como mantêm uma estrutura associativa e as suas estratégias de captação de públicos.
11.4.08
10.4.08
O Gosto - Uma Reflexão
Só gosto de ti
Porquê, não sei
Mas estou bem assim
Heróis do Mar
Duas das noções mais próximas à de gosto são a de prazer e de irracionalidade. Tem-se uma reacção agradável, seja de carácter afectivo ou sensorial, por algo ou alguém, mas raras vezes se consegue perceber e expressar porquê. E também não se procura saber, receando que a racionalização do gosto anule o prazer simples e imediato da fruição.
Sendo o elemento gosto tão relevante na apreciação de bens culturais é fácil perceber como se pode entrar em contradição, uma vez que a análise de um bem pressupõe um juízo crítico justificado e o gosto, à partida, o exclui. Poder-se-á simultaneamente gostar e efectuar um juízo crítico válido? Essa é talvez o grande dilema que norteia qualquer criação cultural, o jogar num campo que impreterivelmente provoca reacções irracionais, mas que obriga a uma racionalização, quando o objectivo é uma difusão colectiva de um bem.
A definição de um gosto pessoal é um juízo que usualmente se exprime através dos adjectivos bom e mau, que sem a respectiva justificação, são termos tão relativos que pouco ou nada dizem sobre o bem cultural, uma vez que o bom para uma pessoa pode ser mau para outra. Bom e mau são assim conceitos extremamente dúbios. O conceito de bom, na sua acepção clássica, faz parte de uma trindade que tem por vértices as noções de beleza e verdade. Daí que a aplicação do adjectivo bom nos direccione imediatamente para a noção estética de belo e se o belo é verdadeiro, logo ascende a uma posição quase dogmática de verdade inquestionável. Daí a pouco comum necessidade de se justificar o gosto. Gosta-se porque é bom, logo belo, logo verdadeiro.
Esta trindade aplica-se não só ao gosto pessoal como ao gosto colectivo, patente no usual senso-comum. Tudo o que foge ao senso comum, ou seja, ao conjunto de juízos ou opiniões comummente aceites em determinado espaço, é facilmente rotulado de mau, logo rejeitado. É exactamente através do esforço de racionalização, sem perder de vista a capacidade de fruição, que se pode legitimar o esforço de criação artística, que na sua busca de novas perspectivas e fronteiras colide por vezes com noções tão quotidianas como bom, beleza e verdade.
