9.11.07
8.11.07
Discorrer
Sonido, off. Remela. Chinelos, luz, sanita, papel, autoclismo. (censurado) rádio, leite, pão, conduto. Tv. Esquentador. Água fria morna quente, champoo, sabonete, esponja, roupão, toalha. Cuecas, sutiã, creme hidratante, calças/saia, desodorizante, camisola, meias, sapatos/ténis. Creme alisante, desembaraçar, pentear. Mala carteira Multibanco chave telemóvel. Saco do lixo, contentor. Montra, montra. Loja, cestinho, colocar, caixa, pagar. Casa, guardar. Cama, puxar, esticar, dobrar, ajeitar, aspirador, vai frente, vem trás, zumbido. Pano, brilho. Roupa branca/escura, máquina, detergente, botão, roda roda. Ferro tomada, quente, vai, vem, direito franzido vinco folho. Tacho, cebola, azeite alho, dourar, carne/peixe, espera, massa/batata, envolve, molho. Prato faca garfo copo guardanapo. Água, detergente, escoador. Mala carteira dinheiro chaves, casaco. Comboio, correr/esperar, entrar, sentar, sair. Café. Recados. Telefone fax mail telefone fax fax ofício erro refazer ordens exigências impasses contradições indecisões registos contas cálculos previsões intromissões pesquisas redacções lufa-lufa. Mala carteira telemóvel chaves, casaco. Comboio, esperar, entrar, sentar, sair. Almoço: micro-ondas. Prato faca garfo copo, guardanapo. Pilha. Tv/livro. Pijama. Vazio. Lençóis, edredão. Escuro.
7.11.07
A Inveja em mim
Não invejo toda a gente: gosto de festejar e partilhar as vitórias e as conquistas muito desejadas dos meus amigos. Mas custa-me imenso que algumas pessoas tenham coisas e estejam em situações que olho e questiono: como é que conseguem. Como é que conseguem ter a vida que têm e há tanta gente que se esforça e não o consegue alcançar.
Há pessoas que têm lugares e trabalhos que não se percebe como os conseguem atingir e depois manter. E talvez o que inveje nessas pessoas não seja a sua posição mas sim a sua capacidade para o atingir.
Como é que a cabeça dessas pessoas funciona, como é que agem, o que é que as move? Como é a sua esperteza? É isso que me intriga e que verdadeiramente cobiço nos outros6.11.07
5.11.07
Lista de Desejos
Desejo ser um sacrifício e continuar a viver.
Desejo ser um ornamento sentimental que pendures
Na árvore de Natal, Desejo ser a estrela no seu topo,
Desejo ser a prova
Desejo ser a base de cinquenta milhões de mãos levantadas em direcção ao céu.
Desejo ser tão afortunado, tão afortunado como eu.
Desejo ser mensageiro e que todas as notícias sejam boas.
Desejo ser a lua cheia reflectida no capô de um Camaro.
Desejo ser a recordação onde guardas a chave de casa.
Desejo ser o travão do qual dependes.
Desejo ser o verbo confiar e nunca te desapontar.
Desejo, Desejo, desejo, Desejo,
Bem, acho que nunca acaba.
4.11.07
Michael Palin e a Nova Europa
Na sua nova série de documentários, Michael Palin apresenta-nos os mais recentes membros do clube da União Europeia. Neste primeiro episódio, os anfitriões foram os países balcânicos: Croácia, Bósnia, Sérvia e Albânia. Para mim, foi a oportunidade de ver mais algumas imagens desse país e região, que é a Albânia, que tanto me tem intrigado. PS: Quando for grande, quero viajar assim pelo mundo como o Michael Palin.
3.11.07
Inveja - Mal Secreto, Zuenir Ventura
Este é o 4º livro da Colecção Plenos Pecados publicada originalmente pela editora brasileira Objetiva. Já li sobre a gula, a luxúria e a ira e ficam a faltar a preguiça e a avareza. E não sei se o sétimo pecado chegou a ser editado, pois não encontro o seu registo no site da editora. Em comparação com os outros títulos da colecção, a diferença maior é que este não é apenas uma ficção. Ou melhor, para lá da ficção ou não, assume-se como um relato de uma viagem sentimental. É o relato da descoberta de um sentimento recôndito e inconfessável. Um mal secreto. Acompanhamos a pesquisa feita em torno do tema: as pessoas ouvidas, os livros lidos, os conceitos apreendidos, alguns exemplos e um case study. Aparentemente ficcional, ou talvez não.
É um livro interessante pois nos leva a pensar no tema e a avaliar até que ponto ou em que aspectos do nosso quotidiano a inveja nos suga grande parte da nossa energia e vitalidade.
2.11.07
Procurei o meu nome nas linhas do jornal.
Queria assim saber novas da minha vida.
Algum qualquer acontecimento que me tivesse passado despercebido com o andar dos dias.
Nada.
Passei até os olhos pela necrologia.
Quem sabe a minha morte seria notícia.
Nada.
Quer dizer que ainda vivo?
Procurei procurei procurei
Estava ausente.
Não encontrei qualquer informação.
Onde ando?
Que faço?
Alguém me diz?
1.11.07
The Deep End of the Ocean

Este filme retrata o desespero de uma família a quem desaparece um filho de três anos e posteriormente o … quando este é reencontrado. À luz de alguns últimos casos bastante mediáticos – Maddie e Esmeralda – é interessante observar o desenrolar do enredo e o desenvolvimento dos personagens dos pais, pois parece ser uma conjunção das duas situações, em períodos diferentes.
Primeiro, há a situação do desaparecimento. Numa reunião de antigos colegas de escola num hotel, uma mãe perde os filhos de 3 e 4 anos de vista por momentos. É o suficiente para que o mais novo desapareça. Começam-se a tomar as primeiras medidas: alerta-se toda a gente presente, que se empenha em encontrar uma criança que primeiro se julga apenas escondida. O tempo passa e surge a polícia que assume as buscas. Há o fantasma das 5 horas pós desaparecimento, o tempo que os especialistas determinam como crucial, pois é nesse espaço de tempo que usualmente ocorrem abusos sexuais ou homicídios. Há o arrastar das horas, as dúvidas, as culpas, as reacções, as desconfianças dos pais, da família, da polícia. Há o lidar com a perda, o questionar até quando se justifica continuar a busca, se há mesmo um período para se terminar, como se refaz uma vida quotidiana depois de uma perda deste género. São tudo aspectos que, embora merecessem uma análise mais profunda, são tratados com dignidade e sem uma resposta cabal do que seria o mais correcto.
Depois há o segundo desafio, quando nove anos depois a família, por mero acaso, reencontra o filho e o tenta recuperar. Para a policia é o perceber o que correu mal na investigação, para a família é a integração daquele membro tão ansiado mas que é simultaneamente um estranho, é o restabelecer laços que se reconhecem racional mas não emocionalmente, é o lidar com a família de criação e também com a dor da sua perda actual, é a emersão de vários sentimentos como a culpa, a redefinição de expectativas e a aceitação da nova situação.
É um filme bastante interessante e infelizmente bastante actual. E um ponto de partida de reflexão.
31.10.07
Workshop Semântico #8
Exercício 1
O are em redor daquela súcia tresandava a araca condimentada de cinamomo.
Exercício 2
Ela sentia-se mais do que perdida naquelas ruas imundas. Sentia-se desorientada e desamparada. Nada em seu redor lhe era familiar. Nem os edifícios degradados. Nem a súcia que a marcava com um olhar zombeteiro. Nem os cheiros nauseabundos de uma qualquer araca pestilenta. Um cheiro que a momentos se tornava adocicado e enjoativo e que por fugazes segundos lhe pareciam recordar o aroma do cinamomo.
30.10.07
Scientific discovery
Scientists have finally discovered what's wrong with the male brain:
On the left side, there is nothing right, and on the right side, there is nothing left !!!
29.10.07
28.10.07
Palavras #38 a 40
araca - do Ár. arak, (attamr) suor de tâmaras. s. f., bebida alcoólica que se obtém pela fermentação do suco de palmeira, de arroz, etc. ; Bot., planta leguminosa, também conhecida por chícaro-miúdo.
súcia - de súcio. s. f., reunião de pessoas de má índole ou fama; malta; prov., patuscada.
27.10.07
26.10.07
25.10.07
Todos nós procuramos uma sensação de lar, cuja definição mais próxima e mais simples é talvez a do sentimento de pertença e bem querença. Mais do que um porto seguro para tempos de intempérie, é uma escola que nos prepara e nos lança na vida e a que sabe bem retornar. O lar impele-nos a seguir em frente e rejubila no regresso, oferecendo o reconforto no momento certo.
24.10.07
Skirts Ahoy!
Em noites di insónia por vezes recorre-se à televisão para o tempo passar mais rápido ou para que o sono venha mais depressa. Então, esta noite passei pelo TCM e fiquei a ver este Skirts Ahoy!Protagonizado por Esther Williams, tem como cenário o serviço voluntário feminino da marinha norte-americana na década de quarenta. Desprovido de qualquer realismo, é um musical que acompanha três mulheres e os seus problemas com os homens. Lá pelo meio vemo-las dentro de uma piscina e é a única água que vemos. Temos ainda direito a duas ou três coreografias aquáticas por Esther Williams que ficam aquém da beleza e espectaculariedade de outros filmes em que vemos a sua técnica de natação sincronizada bem melhor aproveitada.
23.10.07
Hope Springs
Um dos géneros cinematográficos aparentemente mais fáceis é o da comédia romântica. No entanto, esta vive de um equilíbrio difícil de atingir.Este Hope Springs não é um produto final bem sucedido. A mistura dos vários ingredientes é deficiente e assenta numa fórmula sem quaisquer rasgos de originalidade. Há alguns momentos engraçados, mas não se consegue nunca alcançar uma gargalhada bem dada. A história de amor também sofre de demasiados clichés.
Vale a pena por Colin Firth.
22.10.07
Mundanices
21.10.07
Miss Sarajevo
Um tempo para desviar o olhar
Existe um tempo para baixar a cabeça
Para
Um tempo para encaracolar o cabelo
Existe um tempo para fazer compras na avenida
Para encontrar o vestido certo
Aí vem ela
As cabeças viram-se
Aí vem ela
Buscar a sua coroa
Um tempo para beijar e falar
Existe um tempo para cores diferentes
Nomes diferentes e difíceis de pronunciar
Um tempo para ouvir East 17
Existe um tempo para virar para Meca
Existe tempo para ser uma rainha de beleza
Bela na sua coroa
Aí vem ela
Surreal na sua coroa
Dizes que o rio
Encontra o caminho para o mar
E como o rio
Encontrar-me-ás
Para lá das fronteiras
E das terras secas
Dizes que como um rio
Como um rio
O amor virá
O amor
E já não sei rezar
E já não sei como encontrar esperança no amor
E já não sei esperar por esse amor
existe um tempo para fazer laçinhos
Um tempo para árvores de Natal
Existe um tempo para por mesas
E a noite está fria


