9.2.09
sobre deus
8.2.09
diálogo pittiano
- quem e em que teste?
- o Carlos no teste Brad Pitt.
- ahhhh. Não.
- lá estás tu, pode passar…
- nop, ninguém passa nesse teste, nem o próprio.
- credo, que cepticismo
- não, é realismo.
- ai sim?
- ainda não percebeste que não são eles que têm de passar no teste, mas sim elas?
- elas?
- sim.
- explica lá isso como deve ser.
- na verdade não são eles que têm de passar o teste, são elas. Porque o Brad Pitt não existe, nem o próprio. O Brad Pitt é a projecção de tudo o que uma mulher aspira encontrar num homem. É o ideal que elas querem, mas nenhum homem é o ideal, seja lá ele quem for. Então, o verdadeiro teste não é elas compararem quem quer que seja com o homem ideal. O verdadeiro teste é elas aceitarem um homem tal como ele é, com defeitos e qualidades. Esse é o verdadeiro teste, tudo o resto são brincadeiras.
7.2.09
6.2.09
5.2.09
4.2.09
Central do Brasil
Walter Salles é actualmente um dos mais conceituados realizadores brasileiros, ultrapassado em renome apenas por Fernando Meirelles, e dai que o seu trabalho tenha já projecção mundial. E essa projecção começou exactamente com este Central do Brasil, que valeu a Fernanda Montegro a primeira nomeação aos Óscares de um actor brasileiro na categoria de representação. É certo que não ganhou o prémio, mas reconheceu o mérito desta grande dama da representação. Para Salles foi também a pedra de toque para projectos como Os Diários de Che, Paris Je T’aime, Dark Waters e o aguardado On The Road, adaptação do livro homónimo de Kerouac.
Este Central do Brasil relata a viagem de Dora, professora aposentada que ganha a vida a escrever cartas para pessoas que não sabem ler nem escrever, e Josué, um rapaz de nove anos, cuja mãe utilizava os serviços de Dora, em busca do pai deste. No seu encalço, encetam uma viagem pelo interior nordestino. Pelo caminho, Dora reencontra um sentido para a vida.
3.2.09
Viagem, Mia Couto
na boca da água
me vai trocando entre céu e mar,
o azul de outro azul,
enquanto
na funda transparência
sinto a vertigem
da minha própria origem
e nem sequer já sei
que olhos são os meus
e em que água
se naufraga minha alma
Se chorasse, agora,
o mar inteiro
me entraria pelos olhos
2.2.09
1.2.09
Palavras #137 a 139
Áulico - do Lat. auliciu < aulikós, da corte. adj., que pertence à corte ou lhe diz respeito; s. m., cortesão, palaciano.
Pênsil - do Lat. Pensile. adj. 2 gén., suspenso; construído sobre abóbadas ou colunas.
31.1.09
Livraria Trama
Esta livraria é um espaço bastante agradável e acolhedor, pois permite deambular calmamente sem constantes interrupções de funcionários. Oferece uma programação que engloba clube de leitura, concertos, lançamentos de livros, entre outros. Como não é um espaço de grandes dimensões, cria um ambiente quase familiar de sala de estar.
30.1.09
29.1.09
28.1.09
Sabedorias
A leitura torna o homem completo;
a conversação torna-o ágil,
e o escrever dá-lhe precisão.
Sir Francis Bacon
27.1.09
cidade de luzes ofuscantes
Menos descobres enquanto segues
Sabia muito mais do que sei agora
Olhos que brilham com corações de néon
Uma cidade acesa por pirilampos
Anunciam nos céus
Sinto a tua falta quando não estás
Estou a preparar-me para deixar o chão
Na cidade de luzes ofuscantes
Parece feia a fotografia
Olhos roxos do flash
A câmara não vê
vi-te nas roupas que fizeste
consegues ver a beleza em mim?
Que aconteceu à beleza em mim?
Não me deixará como estou
Mas o tempo não tirará o rapaz deste homem
Alguns rezam para outros roubarem
26.1.09
25.1.09
Vicky Christina Barcelona
Woody Allen brinda-nos com uma divertida comédia, em que se misturam sentimentos. Relações amorosas, aspirações e frustrações. Ou seja, mais do mesmo no universo alleniano, em que as relações, especialmente amorosas, são analisadas pelas suas vertentes mais ridículas e irónicas.Desta feita, a acção ocorre em Barcelona. No entanto, poderia ocorrer em qualquer outra cidade espanhola, mas não for a do mundo hispânico, ou correr-se-ia o risco de se perder algumas das piadas. Mas quem está à espera de (re)conhecer a cidade na tela, ficará desiludido, pois são-nos apenas apresentados alguns cartões postais gaudianos.
24.1.09
Orgias, L. F. Veríssimo
Aprecio bastante a escrita de Veríssimo, pois possui um registo humorístico com que me identifico e que reconheço em muito poucos. Já são alguns os livros que li deste autor, sobretudo colectâneas das crónicas que vai assinando em várias publicações do outro e deste lado do Atlântico. Algumas dessas crónicas estão a ser editadas em Portugal em volumes temáticos, como: sexo na Cabeça, Mesa Voadora ou As Mentiras que os Homens Contam.Desta feita comprei este Orgias. Mas se esperam uma descrição de devaneios sexuais, ficarão desapontados, porque o que temos é algumas boas tiradas sobre os equívocos que rodeiam as relações entre homens e mulheres. Sendo, é claro, engraçado, considero que não é a melhor das colectâneas. Prefiro as Mentiras que os Homens contam e que, finalmente, nos elucida sobre tal facto. Seja como for, é um autor que recomendo a quem quiser dar umas gargalhadas à conta dos ridículos das relações humanas.
23.1.09
confissão de orfeu
às vezes preciso de escrever
nem sempre é certo o que preciso
de uma certeza que me suporte
de um porto onde voltar
baralho-me no caminho
sigo vias que não são minhas
afasto-me da luz
enquanto procuro certezas
de seguir a luz almejada
que ofusca e exige fé
a minha fé dúvida
duvido até se tenho fé
na luz
22.1.09
Diálogo significativo
- acho que devíamos sair com outras pessoas.
- isso significa o que estou a pensar ou significa que queres alargar o nosso grupo de amigos?
- o que é que estás a pensar?
- primeiro, penso que não sou idiota para merecer essa pergunta. Depois, penso que significa o mesmo que significa nos filmes.
- pois…
- pois? Vá, continua. Mereço mais do que um pois. Muito mais.
- claro que mereces, não é isso que está em causa.
- realmente não é. O que está em causa é que a nossa relação já não te satisfaz.
- não é isso.
- se não é isso, é o quê? E, por favor, não me venhas com o: não és tu, sou eu. Não me convence. Nunca me convenceu. Nem nos filmes.
- é uma desculpa lamechas, é verdade. Mas e se a culpa for realmente minha? Não há outra maneira de o dizer, pois não?
- talvez não haja muita volta a dar na gramática. Mas há com certeza muitas opções a seguir e somos os dois suficientemente inteligentes para saber que não será ver outras pessoas que vai resolver qualquer problema que tenhamos. E é isso que me ofende, que me tomes por uma pessoa crédula e ingénua.
- preferes que acabe tudo aqui e agora, mesmo sem saber se é isso que quero?
- não. Quero que me digas com sinceridade que o nosso nós já não te satisfaz. Prefiro até o cliché de precisares de um tempo. Às vezes precisamos mesmo de tempo para nos ouvirmos no meio de tudo o que é a nossa vida. Mas não acredito que terceiras pessoas vão resolver seja o que for. O que farão é alargar ainda mais a distância que sentimos e alarga-la de tal modo que depois já não há volta a dar. E eu acredito que ainda estamos muito próximos para percorrer essa distância e não estou na disposição de a aumentar.
- tens mais coragem do que eu.
- coragem?
- às vezes os pequenos passos são os mais difíceis.
- eu sei.
- claro que sabes. É uma das coisas que simultaneamente me atrai e me amedronta em ti: as tuas certezas.
- nem sempre tenho certezas.
- tens mais do que eu. Isso é bom. Sabes o que queres e lutas por isso.
- tento, sim. Isso, sim.
- acreditas em nós? Ainda acreditas em nós?
- sim, acredito.
- pode não parecer, mas também acredito. Tenho dúvidas, receio, mas acredito. Ajudas-me a ultrapassa-las?
- vou fazer o meu melhor por isso. Só preciso é que, sempre que tiveres dúvidas e medo, venhas ter comigo. Tal como espero poder contar contigo quando sentir medo e insegurança. É contigo que quero estar.
- não sei se vou estar à altura.
- acredito em ti.
- bem, então está decidido.
- decidido?
- não saídas com outras pessoas para ninguém.


