31.12.11
Data, Sophia
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| José d'Almeida e Maria Flores |
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça
30.12.11
Toy Story 3 (2010)
O fim da infância acontece quando trocamos os nossos brinquedos por outros mais legítimos à nova maturidade e responsabilidades, seja sob a forma de novas tecnologias ou de novos hobbies, mas consideramos sempre essa despedida como um adeus unilateral. Ao oferecer-nos a vida dos brinquedos depois de desligarmos as luzes, a trilogia Toy Story devolveu-nos o sorriso inocente e de respeito por todos os brinquedos que nos acompanharam e com os quais crescemos e aprendemos o mundo. Num final bittersweet, fecha-se um ciclo na vida dos brinquedos mais famosos do mundo (Buzz, o casal Batata, Rex, Barbie, entre outros), quando estes percebem que o seu propósito não chegou ao fim com a ida de Andy, seu dono para a faculdade, pois têm em si o poder de fazer feliz outra criança e assim desenvolver novos laços de afecto sincero. O melhor final para esta ode à imaginação, que nos relembra que o infinito e mais à além estão ao nosso alcance.
Realização: Lee Unkrich * Argumento: John Lasseter e Andrew Stanton * Elenco (VO): Tom Hanks, Tim Allen e Joan Cusack
Realização: Lee Unkrich * Argumento: John Lasseter e Andrew Stanton * Elenco (VO): Tom Hanks, Tim Allen e Joan Cusack
Poética, Vinicius de Moraes
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.
29.12.11
Desabafos escatológicos
É a meio da manhã que costumo cagar. E assim o faço vai para 12, 13 anos. Antes não me lembro a que horas cagava, mas lembro-me de ter prisão de ventre – provavelmente, apenas me esquecia de cagar.
Não é que cague impreterivelmente todos os dias à mesma hora, afinal há dias em que outros afazeres se interpõem. Mas regra geral, a meio da manha lá me devaneio para o wc. É um processo rápido, de tão habituado e preparado que o corpo está. Cago e pronto, sinto-me pronta para o resto da manhã e preparada para acomodar algo mais lá pela hora de almoço.
Mas durante aproximadamente meia hora, sinto os intestinos reajustarem-se ao espaço agora livre, num processo de expansão e adaptação que por vezes me intriga e me deixa à espera que algum alien se escape das minhas entranhas.
Não é que cague impreterivelmente todos os dias à mesma hora, afinal há dias em que outros afazeres se interpõem. Mas regra geral, a meio da manha lá me devaneio para o wc. É um processo rápido, de tão habituado e preparado que o corpo está. Cago e pronto, sinto-me pronta para o resto da manhã e preparada para acomodar algo mais lá pela hora de almoço.
Mas durante aproximadamente meia hora, sinto os intestinos reajustarem-se ao espaço agora livre, num processo de expansão e adaptação que por vezes me intriga e me deixa à espera que algum alien se escape das minhas entranhas.
Acima de qualquer suspeita, José Paulo Paes
a poesia está morta
mas juro que não fui eu
eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la
imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car-
los drummond de andrade manuel bandeira murilo
mendes vladmir maiakóvski joão cabral de melo neto
paul éluard oswald de andrade guillaume appolinaire
sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos
não adiantou nada
em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou
incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada
de ferro araraquarense
porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro
araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece
nunca ter existido
nem eu
mas juro que não fui eu
eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la
imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car-
los drummond de andrade manuel bandeira murilo
mendes vladmir maiakóvski joão cabral de melo neto
paul éluard oswald de andrade guillaume appolinaire
sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos
não adiantou nada
em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou
incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada
de ferro araraquarense
porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro
araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece
nunca ter existido
nem eu
28.12.11
nenhuma amizade
Nada perguntei, porque nada me foi dito, mas como mulher percebo os olhares, sinto as mudanças de dinâmica, ouço os silêncios, e, acima de tudo, sei que se parece, nunca uma mulher fica impávida e serena.
À custa de algumas aprendizagens em primeira mão, sei que nenhuma amizade entre homem e mulher pode ser demasiado próxima. Entre a eventualidade de um dos lados extrapolar a amizade, há o fator cônjuge que analisa ao pormenor cada palavra, hesitação ou olhar e sente mesmo o que não está lá.
Com a idade é certo que isso alterou as minhas amizades masculinas, que, apesar de queridas, não são tão efetuosamente expressas, porque há uma distância entre o que é e o que parece à vista dos outros. Prezo, acima de tudo, os lares das amizades em que sou recebida e onde quero continuar a ser sem constrangimentos e em serenidade.
Foi uma aprendizagem à custa de alguns dissabores e é o tipo de aprendizagem que não se consegue transmitir, porque só se aprende à custa de arranhões.
À custa de algumas aprendizagens em primeira mão, sei que nenhuma amizade entre homem e mulher pode ser demasiado próxima. Entre a eventualidade de um dos lados extrapolar a amizade, há o fator cônjuge que analisa ao pormenor cada palavra, hesitação ou olhar e sente mesmo o que não está lá.
Com a idade é certo que isso alterou as minhas amizades masculinas, que, apesar de queridas, não são tão efetuosamente expressas, porque há uma distância entre o que é e o que parece à vista dos outros. Prezo, acima de tudo, os lares das amizades em que sou recebida e onde quero continuar a ser sem constrangimentos e em serenidade.
Foi uma aprendizagem à custa de alguns dissabores e é o tipo de aprendizagem que não se consegue transmitir, porque só se aprende à custa de arranhões.
Os poemas, Mário Quintana
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…
27.12.11
2011: de A a (quase) Z
Amizades: ainda não foi este ano que restabeleci contatos, mas será um dos grandes desafios do próximo ano.
Blogosfera: uma fonte de aprendizagem diária, que me ajuda a manter a serenidade e a alimentar a alma.
Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro: um grupo acolhedor, bem disposto e um momento de partilha indispensável.
Desporto: com longas caminhadas e “quase” uma vontade de correr.
Escotismo: mais tempo, mais dedicação e o sentir que ainda há muito para dar.
Formação: à partida sem expectativas nesta área, revelou-se um ano frutífero.
Geocaching: uma brincadeira entre amigos que se pode vir a tornar um vicio.
Incógnita: o que nos espera em 2012.
Juventude: a eterna questão, o eterno desafio.
Quilometragem: sem esperar foram cerca de 170, este ano espera-se 200.
Leituras: 27, numa média de 12 livros mês.
Mudanças: com receio, mas ansiosa.
Óculos: já há muito a necessitar, no verão renovei o look.
Participação juvenil: como, onde, com quem. Uma das aprendizagens do ano.
Resmas de listas: the sene of a purpose.
SIADAP: a caixa de Pandora para 2012.
Things we forget: para perspectivar o futuro.
Whishes (101 em 1001): lá vai andando devagar e aumentando depressa. Afinal, há tanto que ainda não se fez.
Ypsilon: sempre a aprender.
Blogosfera: uma fonte de aprendizagem diária, que me ajuda a manter a serenidade e a alimentar a alma.
Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro: um grupo acolhedor, bem disposto e um momento de partilha indispensável.
Desporto: com longas caminhadas e “quase” uma vontade de correr.
Escotismo: mais tempo, mais dedicação e o sentir que ainda há muito para dar.
Formação: à partida sem expectativas nesta área, revelou-se um ano frutífero.
Geocaching: uma brincadeira entre amigos que se pode vir a tornar um vicio.
Incógnita: o que nos espera em 2012.
Juventude: a eterna questão, o eterno desafio.
Quilometragem: sem esperar foram cerca de 170, este ano espera-se 200.
Leituras: 27, numa média de 12 livros mês.
Mudanças: com receio, mas ansiosa.
Óculos: já há muito a necessitar, no verão renovei o look.
Participação juvenil: como, onde, com quem. Uma das aprendizagens do ano.
Resmas de listas: the sene of a purpose.
SIADAP: a caixa de Pandora para 2012.
Things we forget: para perspectivar o futuro.
Whishes (101 em 1001): lá vai andando devagar e aumentando depressa. Afinal, há tanto que ainda não se fez.
Ypsilon: sempre a aprender.
Drumundana, Alice Ruiz
26.12.11
The Gospel (2005)
Interessante drama musical que aborda a vida e ambições de dois homens jovens numa comunidade negra evangélica e a forma como vivem a fé, da palavra à acção. Oportunidade para observar o trabalho de Idris Elba, que ganhou notoriedade pelo protagonismo da série britânica Luther.
Realização e Argumento: Rob Hardy * Elenco: Boris Kodjoe, Nona Gaye e Idris Elba
Realização e Argumento: Rob Hardy * Elenco: Boris Kodjoe, Nona Gaye e Idris Elba
25.12.11
A culpa é da maçã
A Eva lixou-se (e lixou-nos).
A Branca de Neve foi o que se viu.
O Newton foi outro.
O Jobs não se safou.
Quanto a mim? São reinetas e em tarte, sff.
24.12.11
Um Conto de Natal (2009)
O clássico de Dickens recebe uma nova roupagem através da animação digital, onde imperam a qualidade dos efeitos e o realismo das feições dos actores que dão voz à história, embora ainda transpareçam uma plasticidade keniana. Foi bom rever esta história de redenção, em que um velho rico e avarento é visitado, na véspera de Natal, pelos espíritos do passado, presente e futuro (que ainda depende de nós).
Título original: A Christmas Carol * Realização: Robert Zemeckis * Argumento: Robert Zemeckis, baseado no romance homónimo de Charles Dickens * Elenco (VO): Jim Carrey, Gary Oldman e Colin Firth
Título original: A Christmas Carol * Realização: Robert Zemeckis * Argumento: Robert Zemeckis, baseado no romance homónimo de Charles Dickens * Elenco (VO): Jim Carrey, Gary Oldman e Colin Firth
A propósito de estrelas, Adília Lipes
Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz se quando vi o rapaz vi as estrelas
[Um jogo bastante perigoso, 1985]
23.12.11
A Princesa e o Sapo (2009)
Quando o conto da cigarra e da formiga se funde com o tema de A Bela e o Monstro resulta: A princesa e o Sapo.
Na Nova Orleães, algures na década de 20 do século passado, uma jovem esfalfa-se a trabalhar para cumprir o seu sonho de infância: ter o seu restaurante. Nesse percurso, conhece um sapo, nada mais do que um príncipe deserdado que acaba enfeitiçado pelo voodoo. Em vez de quebrar o feitiço com o famoso beijo, também ela fica enfeitiçada, vivem os dois várias aventuras, mas lá terminam, com o amores para sempre, juntos e cumprindo os seus sonhos, ela de ter um restaurante e ele de tocar jazz.
Longe de ser um qualquer marco na animação, permite-nos algumas reflexões:
- ao adoptar uma protagonista negra e um herói indiano, indica o peso destes dois públicos, quer no mercado americano, quer a nível mundial. Seria interessante perceber o impacto desta escolha junto destes públicos.
- mais do que o provérbio: quem feio ama, bonito lhe parece, que parece estar na génese destas histórias (A Bela e O Monstro incluída), está subjacente o conceito de que homem feio mas rico tem sempre uma mulher bonita. logo, a beleza é um bem que pode adquirir e/ou uma moeda de troca.
- os príncipes Disney são uns desocupados, que se limitam ser príncipes e bonitos, não tendo sequer a responsabilidade real de governar um reino.
- as futuras princesas são, muito modernamente, umas plebeias trabalhadoras e dotadas de uma beleza encantadora. (Volta Rapunzel, estás um bocado aperdoada.)
Título original: The Princess and the Frog * Realização e Argumento: Ron Clements, John Musker * Elenco (VO): Anika Noni Rose, Keith David e Oprah Winfrey
22.12.11
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