Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

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13.8.14

RIP: Williams & Bacall

No espaço de algumas horas, a notícia da morte de 2 atores. (É impressionante com a morte anda sempre aos pares.) não sendo habitual fazer registo sobre óbitos de celebridades, estes não me deixaram impávida e aqui fica o registo do porquê.
De Williams, toda a gente retém a sua inquestionável veia cómica, mas para mim será sempre O Homem Bicentenário. Longe de ser um dos seus registos mais aclamados, este é um dos que mais me tocou e que me conquista a cada encontro furtuito na tv. Numa versão moderna de Pinóquio, Williams dá corpo e sentimento a um robô que ao longo de dois séculos procura perceber o que é o ser humano e sê-lo. Então, para mim, Williams é a procura da centelha humana e a consciência da sua fragilidade, fragilidade que venceu o actor que conquistou o mundo inteiro exactamente com a sua humanidade. Que tenha encontrado a paz desejada.
Já Bacall, dona de uma beleza impar, é uma das epitomes da mulher que soube envelhecer aceitando a idade, mas não se deixando subjugar (à tirania da estética), o que fez perdurar a sua carreira e fará perdurar a sua memória.

Fotograma de O Homem Bicentenário (1999)
82ª Edição dos Óscares (2010)



3.1.14

46664

Não tenho por hábito assinalar a morte de personalidades, nem escrever sobre elas. Lamento, mas para mim são referências sociais e não parte da minha rede afectiva. Já o processo de luto por quem me é próximo faz muitas vezes, infelizmente, parte do registo que aqui deixo.
Mas hoje deixo aqui apenas uma breve reflexão sobre Nelson Mandela, sobre quem já foi tudo devida e perfeitamente dito. Apesar de só saber superficialmente sobre a sua vida e a sua luta, não posso deixar de considerar digno de respeito alguém que sobreviveu a 27 anos de prisão e não se quedou. Este não pode ser realmente um homem vulgar. Quantos de nós terão a capacidade de manter a mesma crença, não só num valor mas também no modo como o alcançar, durante tão longo período? Apenas alguns.