Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

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22.5.11

Ridículo

The Opening Gambit, Jack Vettriano
- já reparaste no ridículo?
- De quê?
- Tu, com dois cigarros, uma na boca e outro na mão.
- O que é que tem? Talvez goste de fumar e saber que o prazer não termina com esse cigarro. Há sempre outro à espera de ser fumado. Ansiosamente à espera. Talvez até a promessa do próximo seja mais prazeirosa do que o actual.
- Parvoíces.
- Talvez. O que é que te dá mais prazer? Saber que te posso excitar ou excitar-te realmente.
- A ansiedade é excitante, mas se não for satisfeita é frustrante. Prefiro o real.
- Qual é a tua realidade.
- Sentir os teus lábios nos meus seios.

22.2.11

Verão Azul

Blue Wall and Two Doves, Jay Maisel
As longas horas de verão têm uma música de fundo azul, enquanto o carro desliza pelo asfalto rumo ao refúgio estival, perdido numa pequena aldeia algures numa paisagem com memórias de um Alentejo profundo.
Azuis são também as paredes que nos recebem e acolhem o calor soalheiro. No interior, a frescura contrasta com o exterior e provoca um arrepio inesperado. A casa simples e mobilada apenas com o essencial dá acesso a um pátio traseiro convidativo a ceias tardias acompanhadas pelo calor mais ameno das noites. De dia, as sombras minguam e apenas dois pombos aproveitam a escassa moldura da janela para descansar da nacícula da tarde.

QUE TEXTO QUER LER NA 2ª QUINZENA DE FEVEREIRO? 5 Fotografias, 5 Textos.
1ª Fotografia 1 (50%)
2ª Fotografia 1 (50%)
3ª Fotografia 0 (0%)
4ª Fotografia 0 (0%)
5ª Fotografia 0 (0%)

Votos apurados: 2

20.2.11

Parada no meio da praça enorme, o meu olhar captou a unha de lua a espreitar por trás das torres pinaculadas vermelhas cintiladas pelos seus cristais de gelo.

Através dos guias, sabia que paisagens me esperavam, mas nenhum guia nos prepara para o impacto da imponência, a magia da beleza, o desarmamento da simplicidade e o calor de um olhar.

Rendo-me ao momento em que o meu olhar perpetua na memória os segundos irrepetíveis de arrebatamento.

QUE TEXTO QUER LER NA 2ª QUINZENA DE FEVEREIRO? 5 Fotografias, 5 Textos.
1ª Fotografia 1 (50%)
2ª Fotografia 1 (50%)
3ª Fotografia 0 (0%)
4ª Fotografia 0 (0%)
5ª Fotografia 0 (0%)

Votos apurados: 2
Sondagem fechada

19.2.11

Os meus pecados capitais

Preguiça – o meu mais letal dos pecados

Avareza – o que menos sofro

Orgulho – em pedir ajuda

Inveja – do conhecimento dos outros

Ira – pela minha palavra silenciosa

Gula – por filipinos brancos

Luxúria – inconfessável


Que pecado o domina?
Avareza 1 (16%)
Gula 0 (0%)
Inveja 1 (16%)
Ira 0 (0%)
Luxúria 2 (33%)
Preguiça 3 (50%)
Vaidade 1 (16%)

Votos apurados: 6


21.1.11

O que ficou por dizer

Não sou uma pessoa corajosa. Nem nas acções e muito menos nas palavras. Se os meus olhares silenciosos falassem, diriam tudo o que os meus lábios hesitam proferir e que se dilui gradualmente nas tramas da minha memória.
São tantas as pessoas a quem não disse o que queria e tão poucas as linhas para o fazer e uma vez mais o silêncio reinará sobre as minhas palavras. O que ficou por dizer restará inaudito, prisioneiro no milionésimo segundo do fugaz pensamento.

QUE TEXTO QUER LER NA 2ª QUINZENA DE JANEIRO?
As Sandálias 1 (14%)
Errata 0 (0%)
As âncoras que nos Lançamos 0 (0%)
Namoros, amizades coloridas, fuck buddies, e amizades platónicas 5 (71%)
O que ficou por dizer 1 (14%)

Votos apurados: 7

18.1.11

Namoros, amizades coloridas, fuck buddies e amizades platónicas

As relações são complexas e o que queremos e com quem queremos nem sempre é o mesmo. Tal como nem todos somos talhados para o que se espera de nós, nem nós, na maioria dos casos, sabemos o que queremos.
O namoro é uma relação estável, pautada por um contacto rotineiro e praticamente diário, maioritariamente várias vezes ao dia. Tem a vantagens de permitir a construção de uma intimidade e, usualmente, evolui para o casamento ou união de facto. Requer dos seus intervenientes uma disponibilidade emocional e temporal.
Nas amizades coloridas, que são o mais parecido com o namoro, mas sem a disponibilidade temporal, permite que se tenha a amizade – com saída para um copo, um jantar descontraído, idas ao cinema e outros programas - e sexo recorrente, mas sem qualquer tipo de vínculo, a não ser o de desfrutar das companhia alheia.
Há também as pessoas por quem sentimos uma grande atracção física, mas com as quais é muito complexo estabelecer um diálogo. Se o nosso corpo deseja, a nossa mente enfastia-se. São exactamente as pessoas com quem saciamos o corpo, sem qualquer expectativa, pois não existe. E normalmente, esse saciamento esgota-se ao fim de meia dúzias de quecas, porque o corpo quer, mas a mente ainda quer mais.
Mas, por mais que até achemos alguém interessante, há sempre quem não nos suscite a mínima atracção física, e se alguém achar que não é importante, é mentira. Há pessoas que por mais que queiramos, não passarão de uma amizade platónica. Alguém cujo simples toque nos arrepia, não com borboletas no estômago, mas sim com um gélido arrepanhar na espinha.
Que queremos nós afinal? A cada um a sua resposta.

QUE TEXTO QUER LER NA 2ª QUINZENA DE JANEIRO?
As Sandálias 1 (14%)
Errata 0 (0%)
As âncoras que nos Lançamos 0 (0%)
Namoros, amizades coloridas, fuck buddies, e amizades platónicas 5 (71%)
O que ficou por dizer 1 (14%)

Votos apurados: 7

16.1.11

As sandálias

Comprei-as na Ana Candeias, digamos que lá para os idos de Maio de ---, como presente de aniversário. Cremes, de marca brasileira, tinham uns saltos em cunha enormes, mas, admiravelmente, davam um óptimo andar. Pensando bem, foi o primeiro para de calçado de salto (bem) alto que tive e o que melhor suportava o meu peso e disfarçava a minha ignorância em andar de saltos. As suas tiras simples permitiam o seu uso em todas as situações. Usei-as em todos os casamentos de verão a que assisti, até este último verão, em que não houve nenhum convite, e o seu estado de velhice comprometia já qualquer imagem de aprumo e elegância.
Fomos também felizes em muitas outras ocasiões: dançamos horas a fio no Gringo’s, no Cool e outros locais da noite lisboeta, ao som de rock e, que prazer, muita música latina. Levaram-me a jantares, cafés, teatros, concertos. Fosse com calças, saias ou vestidos, permitiam-me ser chique, casual, juvenil, adulta, mas sempre feminina. Usei-as em quase todas as situações, até mesmo quando me vesti só com elas.

QUE TEXTO QUER LER NA 2ª QUINZENA DE JANEIRO?
As Sandálias 1 (14%)
Errata 0 (0%)
As âncoras que nos Lançamos 0 (0%)
Namoros, amizades coloridas, fuck buddies, e amizades platónicas 5 (71%)
O que ficou por dizer 1 (14%)

Votos apurados: 7

4.1.11

Para 2011, como vamos deixar de desperdiçar tempo?

Amar- 2 (40%)
Aprender-1 (20%)
Arriscar-0 (0%)
Comer-1 (20%)
Criar-0 (0%)
Dormir-0 (0%)
Orar-1 (20%)
Sonhar-0 (0%)

Votos apurados: 5

Como toda a gente faz questão de salientar, segundo a tradição maia, o mundo acaba em 2012. então, resta-nos aproveitar ao máximo 2011, o último ano completo que temos.
Numa singela auscultação aos leitores deste estamine, de entre as possibilidades apresentadas, as escolhas recaíram sobre, os muito em voga, comer, orar, armar, ao qual se junta também, aprender. Como esperado, amar é a opção mais votada, confirmando a crença generalizada de que o amor é o grande remédio (ou será placebo) para alma e para os corpos.
Assim, em 2011, vou tentar comer mais (ou não, porque não quero ultrapassar os meus 60 e poucos quilos), orar – e para isso vou ter mesmo de aprender -, e abrir o meu coração ao amor.

23.12.10

O 1º Beijo

O primeiro beijo é aspirado pelas raparigas com um misto de ansiedade e ilusão de que é mágico como em quaisquer filmes Disney ou outras comédias românticas. Mas este, como outras primeiras vezes na vida, nem sempre têm a magia que julgamos.
O meu primeiro beijo foram na verdade dois: o técnico, com troca de salivas inesperadas, e o mágico, com troca de calores e línguas e carícias e…
O Miguel foi meu colega de escola durante anos e nunca conseguiu esconder que gostava de mim. Prestes a cada um seguir diferentes rumos, e porque já quase toda a gente em meu redor namorava, resolvi aproveitar (oportunista!) aquele tão prestável colaborador. E o primeiro beijo lá aconteceu à entrada de um prédio vizinho, de olhos bem abertos, e com muitas salivas inesperadas. E depois houve o 2º e o 3º e o 4º e lá entre o 5º e o 6º resolvi que não íamos a lado nenhum e que o melhor era mesmo cada um seguir o seu caminho. Perdi um óptimo amigo e comecei a minha trajectória de certa insensibilidade para com os homens.
O Nelson era colega de faculdade da Susana, uma das minhas melhores amigos e era normal, de quando a quando, sairmos todos juntos. O Nelson era moreno (e eu sempre tive mais do que um fraquinho por morenos), bem humorado e diferente dos restantes rapazes que conhecia. No final do curso, fomos festejar num novo bar e os ânimos estavam ao rubro. Após dançarmos um bom bocado em que nos fomos aproximando gradualmente, o inevitável aconteceu. E eu, singelamente à espera de algumas salivas menos apropriadas, fui surpreendida por tudo aqui que imaginava ser um beijo.
É uma das minhas mais caras memórias e ainda hoje, sempre que um beijo não é lá grande coisa, recordo o longínquo prazer de beijar o Nelson.

15.11.10

Sondagem: Que temas gostaria de ver mais desenvolvidos?

Arte e Cultura 1 (100%)
Política 0 (0%)
Aspectos do quotidiano 0 (0%)
Dúvidas existênciais 0 (0%)
Outros 0 (0%)

Votos apurados: 1

Este realmente é um dos meus temas de eleição. Tal deve-se ao facto de um dos meus grandes sonhos é fazer jornalismo cultural. Não o faço profissionalmente, mas decidi não deixar de ofazer e assim este espaço torna-se um local ideal para esboços de textos. Infelizmente, acabam por raramente ter a profundidade e riqueza de pormenor que pauta um artigo exigente. No entanto, estes esboços obrigam-me a acompanhar o que se faz, nem que seja pelos textos de outros, e obrigam-me a treinar também o raciocínio. Por isso, é um exercício plenamente válido. Valor ao qual se acrescenta o dos vários leitores que têm a paciência de passar por este espaço que de tão pessoal quer apenas reflectir um pouco daquilo que recebe.