Há já vários meses que este livro esperava na prateleira por uma leitura num momento mais oportuno. Esse momento chegou com o visionamento recente do filme. Um dos motivos para a leitura foi perceber as naturais diferenças entre os dois formatos. Para meu espanto, a adaptação cinematográfica é bastante fiel, contribuindo para a história original com o seu componente visual, oferendo pormenores enriquecedores. Outra diferença é que o filme, como é hábito, dá maior relevância à história de amor, enquanto o livro explora sobretudo as questões existenciais inerentes ao processo no qual o protagonista se vê envolvido.
Como a leitura de um livro nunca é isolada, as palavras de um mergem-se sempre nas de outras leituras passadas, esta Juventude remeteu-me para Conrad e o seu Coração nas Trevas. Talvez pela exploração dos meandros da mente humana face a situações limite, mas também pelo modo como (não) explora as personagens femininas. Estas são elementos impactantes, mas não lhes conhecemos a profundidade de uma história, de um passado, de um sentimento, o que lhes confere um atrativo mistério.
É interessante, embora não densa, a abordagem de conceitos como o homem pós-histórico, a educação versus conhecimento, a emoção, juventude e velhice, espiritualidade e religião, experiência e oportunidades.
21.8.10
20.8.10
19.8.10
5 vícios de verão
- McFlurry Magnum
- Pleno Suyo de romã e bagas vermelhas
- gelados de frutos silvestres
- ar condicionado dos comboios
- colecção Biblioteca de Verão
- Pleno Suyo de romã e bagas vermelhas
- gelados de frutos silvestres
- ar condicionado dos comboios
- colecção Biblioteca de Verão
18.8.10
17.8.10
Diálogo substancial
- há uma diferença substancial entre nós. - Há com certeza várias, mas diz…
- Talvez por seres homem, o sexo para ti é uma obsessão. Para mim é um prazer que partilho, mas não me comanda.
- Vais dizer que nunca tomaste decisões baseadas no sexo.
- Claro que dita algumas das minhas decisões, mas não é o denominador comum.
- Nem para mim.
- Não parece.
- Talvez por seres homem, o sexo para ti é uma obsessão. Para mim é um prazer que partilho, mas não me comanda.
- Vais dizer que nunca tomaste decisões baseadas no sexo.
- Claro que dita algumas das minhas decisões, mas não é o denominador comum.
- Nem para mim.
- Não parece.
16.8.10
Volume ao Máximo – Pump up the Volume
Sempre tive uma paixoneta por Cristian Slater, principalmente pelos seus olhos azuis, tendo visto grande parte dos seus filmes durante a minha adolescência. Depois, o moço enredou-se pelas drogas e os filmes deixaram de aparecer. Este filme é de 1990, mas só agora o vi, não em nome dessa paixoneta adolescente, mas sim da banda sonora que comprei há vários, muitos anos numa promoção. É sempre estranho ver filmes de/para adolescentes quando já não o somos. Se por um lado recordamos alguns “dramas” da adolescência, por outro parece que fazem parte de uma outra vida, uma outra existência. Ou não tive algumas dessas angústias, ou pelo menos com a mesma intensidade, ou, simplesmente, o tempo encarregou-se de as relativizar.
A minha adolescência foi como a de tantos outras pessoas. Enquanto tentava definir a minha identidade, as minhas pequenas angústias foram o excesso de peso e o usar óculos, porque percebi desde sempre que a imagem é mais importante do que todos queremos admitir. Mas a adolescência teve também o acontecimento que eclipsou outros: o nascimento da minha sobrinha, o meu primeiro grande amor.
Apesar de não me identificar, foi interessante ver o filme e rever não só C. Slater mas também Samantha Mathis, par que viria a reencontra-se em Operação Flecha Quebrada.
15.8.10
Quem quer ser bilionário?, Vikas Swarup
Gostei bastante do filme homónimo realizado por Danny Boyle. Tenho um jogo de tabuleiro do concurso. Sou viciada no jogo televisivo, no qual participei duas vezes. Logo, não é de espantar que não tenha resistido à leitura desta obra de Vikas Swarup.
Livro e filme apresentam algumas diferenças, sobretudo na ênfase dada a determinados aspectos da história, como a violência e a pobreza. No filme estas são mais explícitas, porque visuais, enquanto no livro não há discrições muito pormenorizadas. Também a história de amor ocupa mais tempo no filme, mas também o que seria do cinema sem histórias de amor.
O livro apresenta os capítulos estruturados de acordo com os níveis de perguntas do concurso, que remetem para determinados episódio, quase sempre cronológico, da vida do personagem e que de algum modo lhe permitiu saber a resposta necessária.
A mensagem subjacente quer ao filme quer ao livro é que a nossa sorte é construída por nós, através das decisões que tomamos, dos riscos que aceitamos e também pela persistência com que seguimos os nossos objectivos. A sorte é importante, não pode ser menosprezada, mas sem aceitar e estimar essa sorte, essa acaba por se esgotar.
A participação vitoriosa neste tipo de concurso comporta um grande factor de sorte: é necessário que saiam perguntas cujas respostas saibamos. Mas estes concursos devem grande parte do seu sucesso e fascínio por funcionarem como o RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências). Todos temos os mais variados conhecimentos e áreas de interesse, que muitas das vezes não são valorizados nem por quem nos rodeia, nem por nós próprios. Dai que estes concursos funcionem como um momento em que se pode afirmar e confirmar muitos dos conhecimentos adquiridos ao longo das mais variadas experiências. Tendo já participado, posso confirmar que, não menosprezando o desafogo financeiro que me proporcionou nos tempos seguintes, a sua importância para mim foi claramente maior a nível pessoal e sob vários aspectos: o orgulho dos meus pais, o reconhecimento de que o tempo que emprego a ler tem compensações, e a “coragem” de participar. E foi notório como muitas pessoas me passaram a olhar de outro modo e a respeitar.
Livro e filme apresentam algumas diferenças, sobretudo na ênfase dada a determinados aspectos da história, como a violência e a pobreza. No filme estas são mais explícitas, porque visuais, enquanto no livro não há discrições muito pormenorizadas. Também a história de amor ocupa mais tempo no filme, mas também o que seria do cinema sem histórias de amor.
O livro apresenta os capítulos estruturados de acordo com os níveis de perguntas do concurso, que remetem para determinados episódio, quase sempre cronológico, da vida do personagem e que de algum modo lhe permitiu saber a resposta necessária.
A mensagem subjacente quer ao filme quer ao livro é que a nossa sorte é construída por nós, através das decisões que tomamos, dos riscos que aceitamos e também pela persistência com que seguimos os nossos objectivos. A sorte é importante, não pode ser menosprezada, mas sem aceitar e estimar essa sorte, essa acaba por se esgotar.
A participação vitoriosa neste tipo de concurso comporta um grande factor de sorte: é necessário que saiam perguntas cujas respostas saibamos. Mas estes concursos devem grande parte do seu sucesso e fascínio por funcionarem como o RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências). Todos temos os mais variados conhecimentos e áreas de interesse, que muitas das vezes não são valorizados nem por quem nos rodeia, nem por nós próprios. Dai que estes concursos funcionem como um momento em que se pode afirmar e confirmar muitos dos conhecimentos adquiridos ao longo das mais variadas experiências. Tendo já participado, posso confirmar que, não menosprezando o desafogo financeiro que me proporcionou nos tempos seguintes, a sua importância para mim foi claramente maior a nível pessoal e sob vários aspectos: o orgulho dos meus pais, o reconhecimento de que o tempo que emprego a ler tem compensações, e a “coragem” de participar. E foi notório como muitas pessoas me passaram a olhar de outro modo e a respeitar.
14.8.10
Diálogo responsável
- achas mesmo que somos responsáveis por aqueles que cativamos, mesmo quando não temos qualquer intenção de o fazer? - dizer desinteressadamente é querer fugir às responsabilidades, porque no fundo todos gostamos de cativar os outros.
- sim, também é verdade, mas neste momento não quero assumir essa responsabilidade. Definitivamente, não agora. Por isso me mantenho em silêncio, quanto menos falar, menos cativo, certo?
- errado, é exactamente o contrário.
- como?
- quando calas, quando omites, o outro preenche os espaços em branco com projecções das suas expectativas. Claro que se cativa, não por ti, é verdade, mas por aquilo que se espera que sejas.
- não tinha pensado nessa perspectiva. Ou seja, a minha estratégia não é a mais correcta, mas no fundo também não tenho a culpa que o outro projecte em mim as suas expectativas.
- só temos culpa das expectativas alheias quando realmente são induzidas por nós, muitas vezes até as desconhecemos. No fundo a nossa maior responsabilidade é sempre sermos sinceros e directos nas nossa intenções e explicitar o que queremos, o que não queremos, e, claro, o que nem sabemos se queremos ou não.
- sim, também é verdade, mas neste momento não quero assumir essa responsabilidade. Definitivamente, não agora. Por isso me mantenho em silêncio, quanto menos falar, menos cativo, certo?
- errado, é exactamente o contrário.
- como?
- quando calas, quando omites, o outro preenche os espaços em branco com projecções das suas expectativas. Claro que se cativa, não por ti, é verdade, mas por aquilo que se espera que sejas.
- não tinha pensado nessa perspectiva. Ou seja, a minha estratégia não é a mais correcta, mas no fundo também não tenho a culpa que o outro projecte em mim as suas expectativas.
- só temos culpa das expectativas alheias quando realmente são induzidas por nós, muitas vezes até as desconhecemos. No fundo a nossa maior responsabilidade é sempre sermos sinceros e directos nas nossa intenções e explicitar o que queremos, o que não queremos, e, claro, o que nem sabemos se queremos ou não.
13.8.10
Inxalá – Espero Por Ti na Abissínia, Carlos Quiroga
Sempre que esperes alguma coisa do futuro, pronuncia um inxalá.
Este é o meu primeiro contacto com este autor, cujo nome sequer conhecia. No entanto, tal como a maioria das descobertas inesperadas, revelou-se-me de uma estranha cumplicidade com o momento que vivo.
Não apreciei particularmente a primeira parte, com a sua prosa poética e hermética. Mas, à medida que o enredo do protagonista se foi revelando e contextualizando o estado de espírito do personagem e a sua viagem, foi-se tecendo essa estranha cumplicidade. A obra oferece uma reflexão sobre a religiosidade e, em particular, as religiões orientais, acabando por ser didáctico. Apresenta o divino como experiência, como caminho a percorrer (metáfora antiga e sempre actual), e o amor como a mais verdadeira forma de ascender ao divino e a única capaz de dar sentido à existência.
12.8.10
SINTRA CELEBRA DIA INTERNACIONAL DA JUVENTUDE
A Câmara Municipal de Sintra celebra o Dia Internacional da Juventude, que se assinala hoje, dia 12 de Agosto, com diversas actividades nos Espaços Jovens Municipais.
11.8.10
Sintra Arte Pública VII
Sintra promove a sua oitava mostra de Arte Pública. Este ano, sob o tema Príncipios humanos, podemos observar um conjunto de 16 peças, das quais destaco as de Carlos Madeira e de Nicolau Campos. A exposição estará patente na Volta do Duche, até Junho de 2011.
10.8.10
9.8.10
8.8.10
Blas de Otero
Besas como si fueses a comerme
Besas besos de mar, a dentelladas
Las manos en mis sienes y abismadas
nuestras miradas. Yo sin lucha, inerme,
me declaro vencido, si vencerme
es ver en ti mis manos maniatadas.
Besas besos de Dios. A bocanadas
bebes mi vida. Sorbes. Sin dolerme,
tiras de mi raíz, subes mi muerte
a flor de labio. Y luego mimadora,
la brizas y la rozas con tu beso.
Oh Dios, oh Dios, oh Dios, si para verte
bastara un beso, un beso que se llora
después, porque, ¡oh por qué!, no basta eso.
Besas besos de mar, a dentelladas
Las manos en mis sienes y abismadas
nuestras miradas. Yo sin lucha, inerme,
me declaro vencido, si vencerme
es ver en ti mis manos maniatadas.
Besas besos de Dios. A bocanadas
bebes mi vida. Sorbes. Sin dolerme,
tiras de mi raíz, subes mi muerte
a flor de labio. Y luego mimadora,
la brizas y la rozas con tu beso.
Oh Dios, oh Dios, oh Dios, si para verte
bastara un beso, un beso que se llora
después, porque, ¡oh por qué!, no basta eso.
7.8.10
Justiças
Dos rios de tinta escritos à conta do caso Freeport e outros, importa apenas reter o desgosto com que o cidadão normal fica ao perceber a falta de justiça em Portugal. Ou melhor, a justiça, que se quer igualitária para todos, só é para alguns. Para os que têm poder económico, para os que podem tecer influências, a justiça é incólume. Passam anos sem acusações e se as há os réus são considerados inocentes. Já para os cidadãos leigos, e por vezes ingénuos, a justiça é onerosa, pelo tempo que demora e por não atribuir culpas e compensações. É de lamentar as justiças que temos, pois há justiças mais justas que outras e que, infelizmente, eclipsam as justas justiças.
6.8.10
Turma mais
Seja em casa ou na escola, a educação é a maior e melhor ferramenta de um cidadão. Talvez a única que lhe permite fazer face às exigências e desafios da vida. Se a educação que temos é a que melhor se adequa às necessidades da actual sociedade, isso é outra questão.
Como outras áreas de conhecimento, os métodos de educação necessitam de reformulações e ajustes regulares para se adaptarem à constante evolução da sociedade. Há reformas mais adequadas e/ou eficazes que outras, dependendo de períodos e áreas de implementação. O que não há é fórmulas únicas e certeiras, ou seja, a solução de um caso não é a mesma do caso seguinte, e usualmente não há fórmulas cujos resultados sejam imediatos.
Os últimos anos têm sido pautados por inúmeras tentativas de reformular o sistema educativo português, sempre caracterizados por muitas críticas por parte dos seus principais agentes. Não sou professora e não tenho filhos, mas há medidas que me parecem no mínimo estapafúrdias, tal como outras parecem ser bem intencionadas.
Hoje o DN apresenta o caso de um projecto levado a cabo em Setúbal, o Turma Mais. À primeira vista, pareceu-me uma experiência estranha. No entanto, após ler a sua descrição, parece-me uma hipótese que merece ser testada. Este projecto visou combater o abandono escolar a nível do 9ª ano, através da criação de uma turma extra, pela qual iam transitando vários elementos das outras turmas, por níveis de aproveitamento. Para os agentes envolvidos, os resultados foram satisfatórios. Parece-me um projecto relativamente simples e exequível em qualquer escola, podendo ser alargado a outros anos e ciclos.
Como outras áreas de conhecimento, os métodos de educação necessitam de reformulações e ajustes regulares para se adaptarem à constante evolução da sociedade. Há reformas mais adequadas e/ou eficazes que outras, dependendo de períodos e áreas de implementação. O que não há é fórmulas únicas e certeiras, ou seja, a solução de um caso não é a mesma do caso seguinte, e usualmente não há fórmulas cujos resultados sejam imediatos.
Os últimos anos têm sido pautados por inúmeras tentativas de reformular o sistema educativo português, sempre caracterizados por muitas críticas por parte dos seus principais agentes. Não sou professora e não tenho filhos, mas há medidas que me parecem no mínimo estapafúrdias, tal como outras parecem ser bem intencionadas.
Hoje o DN apresenta o caso de um projecto levado a cabo em Setúbal, o Turma Mais. À primeira vista, pareceu-me uma experiência estranha. No entanto, após ler a sua descrição, parece-me uma hipótese que merece ser testada. Este projecto visou combater o abandono escolar a nível do 9ª ano, através da criação de uma turma extra, pela qual iam transitando vários elementos das outras turmas, por níveis de aproveitamento. Para os agentes envolvidos, os resultados foram satisfatórios. Parece-me um projecto relativamente simples e exequível em qualquer escola, podendo ser alargado a outros anos e ciclos.
4.8.10
3.8.10
Cidade Proibida, Eduardo Pitta
A família nunca se discute com terceiros.
À excepção da blosgosfera, com o seu Da Literatura, esta é a minha primeira incursão na escrita de Eduardo Pitta. É uma escrita límpida, escorreita, muito pormenorizada, que gostei de descobrir.
Lisboa é a cidade proibida, palco de uma sociedade abastada e conservadora, apenas ao primeiro olhar, que esconde paixões, desejos, amores, muitos deles homossexuais. Uma sociedade don’t ask, don’t tell, de públicas virtudes e vícios privados, onde se perpetuam códigos de conduta, aspirações políticas, sociais, culturais e económicas.
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