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| Javier Perez |
20.7.14
Hannah agradeceu
o facto da suave cenda proteger o seu rosto, impedindo que os participantes
descobrissem quem estava na origem de tão baixo tabuismo. Não era razão para
tanto, mas espera-se que uma jovem domine apenas algumas qualidades, sendo a
dança uma delas. No entanto, não havia como atinar com o ritmo da mazurca.
19.7.14
18.7.14
Para atravessar contigo o deserto do mundo, Sophia de Mello Breyner Andresen
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Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
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17.7.14
Todas as
minhas cicatrizes são interiores. Na mente ou naquilo que alguns chamam alma,
no coração, nas crenças, nos sonhos. Os golpes desferidos foram duros, alguns
deceparam parte de mim. No seu lugar renasceram outras perspectivas, outros
desejos. Algumas são feitas de memórias e saudade, mas tudo permanece em mim. Cada
marca indelével é uma vitória dorida contra as agressões externas. Cada uma
corresponde a um recomeçar e o que não nos derrota, torna-nos mais fortes.
16.7.14
A Namorada do Meu Melhor Amigo (2008)
um encantador de mulheres faz com que estas se apaixonem para depois se
transformar num cretino e preparar a aproximação dos seus antigos namorados. Um
verdadeiro profissional até ao momento que se apaixona por uma das suas
encomendas. Well, há comédias bem melhores sobre as desventuras do dating game
e esta não acrescenta nada nem à fórmula nem aos intérpretes do costume.
Título original: My Best Friend's
Girl * Realização: Howard Deutch * Argumento: Jordan Cahan * Elenco: Kate Hudson, Dane Cook, Jason Biggs, Alec Baldwin
15.7.14
#5 – não mereço
O erro, a
perda e a consequente sensação que falhamos levam-nos a que muitas vezes
achemos que não merecemos algo. Alguns erros de decisão levaram a que sofresse
elevadas perdas materiais que ainda hoje, e no futuro, terão um grande peso no
meu modo de vida. Uma das coisas que perdi foi exactamente um modo e um
projecto de vida. Como tal, um dos meus desafios diários é combater o
sentimento de falhanço.
É um sentimento que tem melhorado mas que está longe de estar erradicado. É um processo gradual cujo único garante é acreditar que vai melhorar, mesmo que não chegue alguma vez a ser ultrapassado por completo.
Tenho trabalhado, e muito, para o ultrapassar, porque só eu o posso conseguir. Esse esforço tem dado frutos em algumas áreas e isso aumento a minha auto-estima e a confiança que tenho nas minhas competências e capacidades. Ainda não é transversal a toda a minha vida, mas para lá caminho e já me considero merecedora, por exemplo, de outro tipo de reconhecimento profissional. Este é um passo para que risque outros não merecimentos que me têm acompanhado. Pois, como sempre que um desafio nos parece demasiado avassalador, temos de ir por partes. Esta foi a primeira, restam as seguintes.
É um sentimento que tem melhorado mas que está longe de estar erradicado. É um processo gradual cujo único garante é acreditar que vai melhorar, mesmo que não chegue alguma vez a ser ultrapassado por completo.
Tenho trabalhado, e muito, para o ultrapassar, porque só eu o posso conseguir. Esse esforço tem dado frutos em algumas áreas e isso aumento a minha auto-estima e a confiança que tenho nas minhas competências e capacidades. Ainda não é transversal a toda a minha vida, mas para lá caminho e já me considero merecedora, por exemplo, de outro tipo de reconhecimento profissional. Este é um passo para que risque outros não merecimentos que me têm acompanhado. Pois, como sempre que um desafio nos parece demasiado avassalador, temos de ir por partes. Esta foi a primeira, restam as seguintes.
14.7.14
20 minutos para mudar a nossa vida
A nossa vida
pode mudar de um momento para o outro. Embora o saibamos, temos tendência pra
esquecer esse facto e raras são as vezes em temos consciência da mudança no
exacto momento.
Hoje, a minha vida não mudou repentinamente. Mas a verdade é que tive acesso a 20 minutos que poderão transformar-se numa grande mudança daqui a uns meses. Apresentei-me para a última fase de um processo de selecção: a entrevista profissional.
Na fase anterior fiquei bem posicionada, por isso uma das vagas disponíveis está perfeitamente ao meu alcance. Necessitava fazer uma boa prestação para me bastar a mim própria em termos de classificação. A minha dificuldade não era tanto saber o que responder, pois preparei várias questões possíveis, mas sim vencer a minha ansiedade. Creio que a minha última entrevista foi há mais de 8 anos e sei que tão cedo não terei uma oportunidade como esta. Saber que cabe a nós mudar a nossa vida e que para tal bastam uns quantos 20 minutos pode ser avassalador.
Não fiz uma entrevista perfeita. E só os entrevistadores podem dizer (e dirão) se cumpri os seus requisitos. Mas fiquei satisfeita com a minha prestação. Se é suficiente ou não, não depende só de mim. Por agora resta-me aguardar pelos resultados com a consciência do empenho e dedicação que dediquei a este processo.
Hoje, a minha vida não mudou repentinamente. Mas a verdade é que tive acesso a 20 minutos que poderão transformar-se numa grande mudança daqui a uns meses. Apresentei-me para a última fase de um processo de selecção: a entrevista profissional.
Na fase anterior fiquei bem posicionada, por isso uma das vagas disponíveis está perfeitamente ao meu alcance. Necessitava fazer uma boa prestação para me bastar a mim própria em termos de classificação. A minha dificuldade não era tanto saber o que responder, pois preparei várias questões possíveis, mas sim vencer a minha ansiedade. Creio que a minha última entrevista foi há mais de 8 anos e sei que tão cedo não terei uma oportunidade como esta. Saber que cabe a nós mudar a nossa vida e que para tal bastam uns quantos 20 minutos pode ser avassalador.
Não fiz uma entrevista perfeita. E só os entrevistadores podem dizer (e dirão) se cumpri os seus requisitos. Mas fiquei satisfeita com a minha prestação. Se é suficiente ou não, não depende só de mim. Por agora resta-me aguardar pelos resultados com a consciência do empenho e dedicação que dediquei a este processo.
13.7.14
Georg deveria
levar a carroça até à fortificação existente no penedo cimeiro. Ao redor desta
abunda erva que manterá os animais alimentados nos próximos dias. Tudo o que
terá de fazer é levar o garavanço e recolher o que conseguir. Mas hoje, antes
de iniciar a tarefa, subiu ao cimo da fortificação para, através das troneiras,
observar o vale. Ao faze-lo não pode deixar de admirar os pormenores da
construção: medidas, mísulas, arcadas, torreões.
12.7.14
Sobre o compromisso
... e viveram felizes para
sempre. Viveram? Sempre
? felizes?
O que marca a maioridade não é a autonomia financeira, nem a tomada de responsabilidades, nem seque um qualquer marco etário. É a compreensão e a consciência de que não há felicidade eterna seja em que relacionamento for: familiar, profissional, amoroso.
Qualquer compromisso que assumamos vai ter os seus momentos bons e os seus momentos de crise. Alguns resolverão a crise com a cessação (brusca ou gradual) da relação. Outros encontrarão forma de, apesar da mudança, continuar a encontrar mais-valias na mesma. Visto assim, os relacionamentos assemelham-se a um negócio. E são. Apenas não há trocas financeiras ou monetárias envolvidas. Mas todos sabemos, embora não queiramos admitir, que qualquer relacionamento prossupõem uma troca (de vivências, de sentimentos, de companhia) e estes têm o seu prazo de validade definido pela capacidade que as pessoas envolvidas têm de contribuir e receber algo do qual afiram um resultado positivo. Quando esse resultado se torna negativo é hora de mudar o relacionamento cessando-o ou transformando-o.
Ao assumirmos um compromisso estamos somente a estabelecer uma clausula de segurança, segundo a qual os envolvidos se comprometem a não ceder à saída mais fácil: a cessação. O compromisso não é o objectivo final. É a manifestação de intenção em dar tempo ao tempo, em encontrar soluções, em adaptarmo-nos às situações futuras e que fragilizarão a relação. O compromisso é a manifestação de empenho numa solução satisfatória para os envolvidos mediante ameaças e circunstâncias inesperadas.
Felizes os que se comprometem cientes de que tudo muda, nem sempre do modo desejado, mas que estamos dispostos a ser o porto de abrigo para quem queremos que seja o nosso.
O que marca a maioridade não é a autonomia financeira, nem a tomada de responsabilidades, nem seque um qualquer marco etário. É a compreensão e a consciência de que não há felicidade eterna seja em que relacionamento for: familiar, profissional, amoroso.
Qualquer compromisso que assumamos vai ter os seus momentos bons e os seus momentos de crise. Alguns resolverão a crise com a cessação (brusca ou gradual) da relação. Outros encontrarão forma de, apesar da mudança, continuar a encontrar mais-valias na mesma. Visto assim, os relacionamentos assemelham-se a um negócio. E são. Apenas não há trocas financeiras ou monetárias envolvidas. Mas todos sabemos, embora não queiramos admitir, que qualquer relacionamento prossupõem uma troca (de vivências, de sentimentos, de companhia) e estes têm o seu prazo de validade definido pela capacidade que as pessoas envolvidas têm de contribuir e receber algo do qual afiram um resultado positivo. Quando esse resultado se torna negativo é hora de mudar o relacionamento cessando-o ou transformando-o.
Ao assumirmos um compromisso estamos somente a estabelecer uma clausula de segurança, segundo a qual os envolvidos se comprometem a não ceder à saída mais fácil: a cessação. O compromisso não é o objectivo final. É a manifestação de intenção em dar tempo ao tempo, em encontrar soluções, em adaptarmo-nos às situações futuras e que fragilizarão a relação. O compromisso é a manifestação de empenho numa solução satisfatória para os envolvidos mediante ameaças e circunstâncias inesperadas.
Felizes os que se comprometem cientes de que tudo muda, nem sempre do modo desejado, mas que estamos dispostos a ser o porto de abrigo para quem queremos que seja o nosso.
10.7.14
Entre Irmãs (2011)
Pode um homem minar a relação entre duas irmãs? Não, mas pode beliscar. Durante um fim-de-semana inusitado, Duplass conhece DeWitt, a irmã da sua paixão inconfessável e que considera inacessível. Os desabafos regados a muita bebida acabam na cama. Blunt surpreende o envolvimento e a partir daqui os três começam a por os pontos nos is sentimentais: afinal, o interesse entre Duplass e Blunt é reciproco. Por sua vez, DeWitt, lésbica, usou Duplass para conceber o desejado filho. No fim todos saem a ganhar, apesar da inconvencionalidade da relação.
Título original: Your Sister's Sister * Realização e Argumento: Lynn Shelton *
Elenco: Mark
Duplass, Emily
Blunt, Rosemarie
DeWitt
9.7.14
Definição de objectivos de desenvolvimento pessoal
Como definir
de forma SMART um objectivo de desenvolvimento pessoal? Como se quantifica a
auto-estima? É possível percentualizar a regulação emocional? Conseguirei, até
Setembro, aumentar a minha capacidade de liderar? Qual o primeiro passo a
confiança?
8.7.14
Palavras #516 a 518
tabuísmo - (tabu + -ismo) s.m. [Linguística] Palavra ou expressão considerada grosseira, obscena ou ofensiva. = PALAVRÃO
cendal s. m. 1. Tecido fino; véu. 2. [Antigo] Guarnição própria para vestidos.
mazurca – s. f. Dança ou música polaca, a três tempos.
cendal s. m. 1. Tecido fino; véu. 2. [Antigo] Guarnição própria para vestidos.
mazurca – s. f. Dança ou música polaca, a três tempos.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
[em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/
7.7.14
Amigos, Amigos... Sexo à Parte (2011)
Dois amigos de longa data decidem ter um filho em conjunto e assim cumprir o
desejo da parentalidade sem as complicações de uma relação afectiva. Mas a
história não seria digna de filme se depois dos necessários desencontros e amadurecimentos
não constatassem que afinal o que os unia era mais do que uma profunda amizade.
Título original: Friends with Kids *
Realização e Argumento: Jennifer Westfeldt * Elenco: Jennifer Westfeldt, Adam Scott, Maya Rudolph Kristen Wiig Jon Hamm
6.7.14
5.7.14
4.7.14
E por que haverias de querer minha alma, Hilda Hist
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras liquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Na tua cama?
Disse palavras liquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
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| Krzysztof Izdebski |
3.7.14
Penelope (2006)
Uma jovem oriunda de uma família aristocrática amaldiçoada
nasce com um focinho de porco. Demasiado protegida pelos pais, cresce na crença
de que só o casamento acabará com a maldição. Após os 18 anos enceta uma
inesgotável busca por alguém que a aceite como é, até descobrir que a única
pessoa que tem de a aceitar é ela própria. Só assim consegue quebrar a maldição
e aceitar o amor.
Realização:
Mark Palansky * Argumento: Leslie Caveny * Elenco: Christina Ricci, James McAvoy, Reese Witherspoon, Richard E. Grant, Peter Dinklage
2.7.14
#6 – não faz parte da minha natureza
Não sou uma líder
nata. No entanto, para atingir determinados objectivos, compreendo que tenha de
desempenhar um papel de chefia. Nesse sentido, tenho procurado preparar-me para
o desafio, embora a distância entre a preparação e a realidade por vezes me
pareça demasiada para o meu passo.
A minha melhor preparação passa pela observação de quem desempenha esse papel e o modo como ajustam a sua actuação às situações, aos subordinados e aos superiores hierárquicos. Das várias aprendizagens percebo que a liderança depende, entre outras, de:
- o grau de hierarquia desempenhado;
- a equipa disponível (que é muito diferente de uma equipa criada e seleccionada para o efeito a que nos propomos);
- os objectivos estipulados;
- os tempos de resposta necessários aos desafios previstos e, sobretudo, aos imprevistos;
- a imagem junto dos públicos directos e indirectos.
Estas variantes tornam o desempenho da função complexo e a verdade é que esta complexidade nunca permite um momento de pausa, por vezes necessário ao recarregar de baterias e de distanciamento necessário ao ganho de perspectiva sobre os desafios a enfrentar.
Outra dificuldade inerente à função deve-se ao facto que muitos dos seus detentores o considerarem perpétuo e como tal abusam do mesmo. Mas, a não ser numa empresa particular em que o dono seja o chefe, qualquer cargo de chefia é temporário e muitas vezes umas vezes somos chefiados e outras chefiamos. E ao assumirmos essa função não podemos perder o respeito de e por com quem trabalhamos e que procuram fazer o seu melhor e cumprir as suas responsabilidades. E quando nos deparamos com pessoas inlideráveis, por vezes o melhor é dar algum tipo de poder sobre si mesmos, chegando a ser irónico como prontamente abdicam dessa complexidade.
E chefiar é realmente diferente de liderar. Por isso, há quem até seja um bom chefe, mas não seja um bom líder. Quanto às dream teams, elas existem mas precisam de tempo, por vezes de meios, e às vezes até de se renovar.
Voltando à minha não predisposição natural para a liderança, a verdade é que cada vez respeito mais quem desempenha este papel com coerência e com honestidade. Também por isso passei a ter menos respeito por outras pessoas. É um papel ingrato, pois a critica está sempre pronta a ser usada contra nós embora o reconhecimento pelos acertos passe quase sempre ao lado. É uma função de pressão: do(s) público(s), dos superiores, dos subordinados, e de nós próprios, quando queremos dar o melhor de nós e nos constatamos aquém das expectativas de todos. Mas, por vezes, o mais terrível é ficarmos aquém de nós próprios.
A minha melhor preparação passa pela observação de quem desempenha esse papel e o modo como ajustam a sua actuação às situações, aos subordinados e aos superiores hierárquicos. Das várias aprendizagens percebo que a liderança depende, entre outras, de:
- o grau de hierarquia desempenhado;
- a equipa disponível (que é muito diferente de uma equipa criada e seleccionada para o efeito a que nos propomos);
- os objectivos estipulados;
- os tempos de resposta necessários aos desafios previstos e, sobretudo, aos imprevistos;
- a imagem junto dos públicos directos e indirectos.
Estas variantes tornam o desempenho da função complexo e a verdade é que esta complexidade nunca permite um momento de pausa, por vezes necessário ao recarregar de baterias e de distanciamento necessário ao ganho de perspectiva sobre os desafios a enfrentar.
Outra dificuldade inerente à função deve-se ao facto que muitos dos seus detentores o considerarem perpétuo e como tal abusam do mesmo. Mas, a não ser numa empresa particular em que o dono seja o chefe, qualquer cargo de chefia é temporário e muitas vezes umas vezes somos chefiados e outras chefiamos. E ao assumirmos essa função não podemos perder o respeito de e por com quem trabalhamos e que procuram fazer o seu melhor e cumprir as suas responsabilidades. E quando nos deparamos com pessoas inlideráveis, por vezes o melhor é dar algum tipo de poder sobre si mesmos, chegando a ser irónico como prontamente abdicam dessa complexidade.
E chefiar é realmente diferente de liderar. Por isso, há quem até seja um bom chefe, mas não seja um bom líder. Quanto às dream teams, elas existem mas precisam de tempo, por vezes de meios, e às vezes até de se renovar.
Voltando à minha não predisposição natural para a liderança, a verdade é que cada vez respeito mais quem desempenha este papel com coerência e com honestidade. Também por isso passei a ter menos respeito por outras pessoas. É um papel ingrato, pois a critica está sempre pronta a ser usada contra nós embora o reconhecimento pelos acertos passe quase sempre ao lado. É uma função de pressão: do(s) público(s), dos superiores, dos subordinados, e de nós próprios, quando queremos dar o melhor de nós e nos constatamos aquém das expectativas de todos. Mas, por vezes, o mais terrível é ficarmos aquém de nós próprios.
1.7.14
Pergunto-me quem
mais terá partilhado as minhas leituras silenciosas. Terão as mesmas palavras
ecos semelhantes noutras vidas, experiências, sensibilidades.
Deixo em
cada livro a marca da minha leitura em diversos sublinhados a lápis: palavras
que desconheço, excertos, ideias que me surpreendem ou que confirmam os meus
valores e orientações. De certa forma, é como se passasse um testemunho ao
leitor que se segue. E se me apraz deixar este lastro, também gosto de
encontrar outros testemunhos e através deles perceber interesses e motivações.
Hoje, sou surpreendida
pelo sublinhado a caneta verde. Não que considere ético sublinhar a caneta um
livro que não seja nosso, mas este leitor decidiu registar-se para a
posteridade até à página 27. Apenas. Que terá acontecido nessa página? Desistiu,
acabou o empréstimo ou simplesmente o seu período de leitura numa das salas do
Palácio Galveias. Agora a questão que resta é: em que outros livros deixaste a
tua marca verde?
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