Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
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29.12.14

Palavras #552 a 554

láparo – s. m. 1. Coelho pequeno. 2. Lebracho novo. Confrontar: lábaro.
macota - |ó| s. m. 1. [Brasil]  Homem de prestígio ou de influência numa localidade. 2. [Angola] Personagem importante do séquito dos sobas. Adj. dois gén. 3. [Brasil]  Grande. 4. Bom5. Aptoque sabe do seu ofício. 6. Rico. 7. Formoso.
alfobre - |ô| s. m. 1. Viveiro onde se semeiam plantas hortenses para transplantá-las. 2. Leira ou tabuleiro de horta.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/

28.12.14

Ruizinho aprendera na escola: aquela não era uma simples minhoca. Era um nematóide. Como adulto complica. Já não bastava chamarem Zacarias ao seu irmão bebé, como agora davam nomes igualmente estranhos às minhocas.

Com tal nome, que mais parecia judiaria, agora custava-lhe brincar com os bichos, belourá-los entre os dedos, deixa-los cair do cimo do tronco sobre o rio, tentar (incansavelmente) alinha-los para bater o recorde de linha-minhoca. Agora, o seu empenho era protege-los de qualquer ameaça. Então, é vê-lo, ainda a cacimba humedece a terra e cobre todas as plantas com a sua cama brilhante, na sua tarefa de protector dos pobres bichos.


27.12.14

Palavras #549 a 551



cacimba s.  f. 1. Orvalho e relento em certos pontos da África. 2. Ocasião em que vem a cacimba. 3. Cova ou poço em que se junta a água paludosa. 4. Em Angola, poço que recebe a água pluvial filtrada pelos terrenos circunjacentes e que é utilizada pelas povoações. 5. [Brasil]  Buraco cavado até se encontrar um lençol de água.
belourar v. t. Fazer rolar, rebolar, revolver.
nematóide - |ói|  (grego nêma, -atos, filamento, fio, linha + -óide) adj. dois gén. 1. Que é fino e alongado como um fio. 2. [Zoologia]  Relativo aos nematóides. = NEMATÓDEO, NEMATODE s. m. 3. [Zoologia]  Espécime dos nematóides. = NEMATÓDEO, NEMATODE nematóides s. m. pl. 4. [Zoologia]  Principal classe dos nematelmintes que compreende os vermes dotados de um tubo digestivo. (Muitos são parasitas: ascáride, filária, oxiúro, triquina.) = NEMATÓDEOS, NEMATODES
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/

25.12.14

10 anos #13 (Dez. 2004)

Natal. O registo de uma noite de natal. Volvidos 10 anos, o registo é diferente. No espaço, nos protagonistas, na memória e até no animo. Crescemos, a família modificou-se, modificamo-nos e até o sentimento por esta época.
Ar. Nunca pensei muito profundamente em questões de signos, elementos e outras características tidas como esotéricas. Mas este ano tem sido de aprofundamento e mudanças pessoais. Então tenho aproveitado diversas dicas para reflectir sobre o passado, mas, sobretudo, o futuro que anseio. E o elemento ar tem vindo muito à baila. Afinal, anda tudo ligado.
Gente que lê. A leitura tem sido a grande constante na minha vida. Dá-me evasão, intimidade, silêncio, perspectiva, ambição e um meio de conhecer novas e interessantes pessoas. Um voto que desejo que se mantenha nos anos vindouros.

Gilad Benari

24.12.14

#11 – Celebrar a vida

Inevitavelmente, relembrei diversas ceias de Natal desde a infância até agora. Algumas são já uma amálgama, como as passadas na Póvoa com a família materna, pois os avós paternos já não eram uma realidade física. Depois, a casa da Póvoa foi-se e ocorreram diversas alterações. A família passou a alternar o local de reencontro, acolhendo, consoante o local, outros ramos familiares.
Depois, o Natal passou a ser em nossa casa ou nos meus irmãos. Os meus tios paternos passaram a ser presença obrigatória. Os meus irmãos ora jantavam, ora almoçavam, ora tudo. Mesmo na ausência da minha mãe, e talvez por isso, fazia sentido estarmos todos juntos. Depois afastamos-nos um pouco. Um afastamento tão estúpido como o são todos os causados pela nossa incapacidade de lidar com as rasteiras da vida. E quando alguém deixa de fazer parte da nossa realidade física parecem ainda mais ridículos. O ano passado foi um ano de ausências. Este ano há um novo membro na família.
As famílias são assim: estruturas peculiares, sem forma definida ou definível. Por vezes parecem encolher e logo a seguir renovam-se. Estão em constante transformação e pobres de nós se as julgamos estáticas. A família, seja de sangue, ou das pessoas que escolhemos para acompanhar-nos nesta passagem pela vida, é ela própria uma metáfora e demonstração da renovação da vida. Por isso, o Natal é uma celebração de e em família, porque ao celebrarmos a vida, celebramos a família.
E no próximo ano? Aguardemos com serenidade quem se sentará à nossa mesa e quantos mais melhor.

23.12.14

2 Dias em Paris (2007)

Escrito, realizado e protagonizado por Julie Delpy, esta dá-nos mais uma perspectiva das relações amorosas pautadas pelas diferenças culturais com origem em nacionalidades diferentes. Tema recorrente na trilogia Ante de..., de Richard Linklater, e que a atriz volta a abordar em 2 Dias em Nova Iorque.
A sua personagem, residente em Nova Iorque, visita Paria com o seu actual namoradp, que se vê confrontado não só com a sua excêntrica família, mas, sobretudo, com o seu aparentemente abundante passado amoroso. É mais diário relacional, que explora igualmente o impacto de um diferente passado cultural.


Título original: 2 Days in Paris * Argumento & Realização: Julie Delpy * Elenco: Julie Delpy, Adam Goldberg, Daniel Brühl

22.12.14

Com que público me vejo mais a trabalhar? (Parte II – Adultos)

Há uns tempos, fizeram-me esta questão, cuja resposta, para mim, não foi novidade: jovens e adultos. E porque não crianças? É a contra pergunta habitual. Porque:
I.        Regra geral, o público adulto é visto apenas como consumidor final e, como tal, como sendo agente activo com disponibilidade financeira e acesso a formação e hobbies. Mas raras vezes lhe é disponibilizado um serviço educativo.
II.      Considerando os níveis de desemprego e a diminuição do poder de compra registados nos últimos anos, o público adulto cresceu exponencialmente, em termos de disponibilidade de tempo e de necessidade de aquisição de competências, para as quais poderá não ter disponibilidade financeira.
III.    Mesmo sendo um trabalhador activo, um adulto tem, hoje, a consciência de que o seu processo de aprendizagem se faz ao longo da vida, e procura, assim, diversas formas de a obter.
IV.   A selecção desta aprendizagem é potenciada, ou condicionada, por diversos factores: diversidade de horários, proximidade, acessibilidade. Isto faz com que as inteituições tenham, muito perto de si, públicos potenciais que não estão a ser captados.
V.     O público sénior, devido ao envelhecimento da população, é o que denota maior crescimento. Em conjunto com outras instituições, como universidades sénior, que comprovam que este é um público potencial, pode-se explorar uma nova oferta a nível de serviços educativos e formativos.
VI.   Instituições como museus, bibliotecas e outros espaços públicos polivalentes e transversais, sobretudo de gestão autárquica, podem potenciar o valor de aquisição e transmissão de conhecimento do público sénior através, p.e., do voluntariado.
Outros factores poderiam ainda ser nomeados, mas estes são já uma base suficiente de trabalho a explorar. Quem sabe, num local perto de si.


21.12.14

Sentados à volta da tosca mesa de madeira, na pequena esplanada do rossio, Amílcar e os seus companheiros já perderam a conta das consecutivas partidas de truco do dia. Hoje, a sorte não quer nada com ele. Ou lhe saem cartas pequenas ou naipes menores. Neste momento, só já tem um licanço em mãos.

O calor da tarde não chega a ser incomodativo, pois é compensado a jarros de capilé ou de cerveja, conforme os gostos. Pior são as salalés impelidas para o exterior da terra que perseguem tudo e todos e originam umas quantas bofetadas auto-infligidas. 

Fernando Vicente

20.12.14

Com que público me vejo mais a trabalhar? (Parte I – Jovens)

Há uns tempos, fizeram-me esta questão, cuja resposta, para mim, não foi novidade: jovens e adultos. E porque não crianças? É a contra pergunta habitual. Porque:

  1. Esse é sempre o público prioritário de qualquer instituição. Logo, o habitual é já haver projectos instituídos direccionados para estes.
  2. Trabalhar com crianças, p.e., em grandes grupos, como turmas, não me motiva. Gosto de conversar com elas, mas o processo de descoberta que desejamos encetar com elas corre sempre o risco de resvalar para o entretenimento.
  3. Embora adore participar nesse processo de partilha e não resista à transformação que podemos observar nos seus rostos, não me vejo a faze-lo de modo massificado.
  4.  Talvez ainda não tenha desenvolvido as competências e ferramentas para prender a atenção das crianças e incutir respeito e, por vezes, não digo silêncio, mas acalmia.
  5. Trabalhar com jovens não é necessariamente mais fácil. No entanto, estes têm já um substrato de informação sobre o qual é possível trabalhar.
  6. Os jovens, estando à procura da sua voz, estão também disponíveis para experimentar diferentes formas de expressão.
  7. O grande problema dos jovens é a distracção, provocada pela novas tecnologias. É necessário motiva-los para projectos de desenvolvimento pessoal ou de envolvimento comunitário. Porque quando se empenham, o difícil é acompanhar o seu ritmo e ímpeto.
  8. Este trabalho deve ser realizado em colaboração com as escolas, pois:
    1. É lá que eles estão;
    2. Estas sentem a necessidade de os envolver em projectos complementares ao trabalho dos professores e demais profissionais;
    3. Estas não conseguem dar resposta a todas as suas necessidades.
  9. A formação oficial não é suficiente para responder a todos os desafios que encontrarão pela vida.

18.12.14

Fases de dependência


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 Dependência
Agir em função da aceitação de um grupo.
Co-
Agir em função da família, em que todos são dependentes de todos.
In
Agir sem a muleta, desculpa de outras pessoas.
Inter
Agir com base na cooperação, na troca de ideias, para a construção de algo novo. Aceitar que ninguém, sabe nada sozinho e entre pares há sempre lugar à interajuda.