barbacã - (talvez do árabe persa barbahhane) s. f. 1. [Militar] Obra de fortificação avançada, geralmente erigida sobre uma porta ou ponte de acesso, que protegia a entrada de uma cidade ou castelo medieval. 2. [Militar] Muro anterior (e mais baixo que as muralhas) para defesa do fosso. 3. [Militar] Fresta aberta na muralha para por ela lançar setas ou fazer fogo. = SETEIRA
açodar - (origem onomatopaica) v. tr. Dar pressa a. Confrontar: açudar.
almadraquexa - (ê) s. f.[Antigo] Travesseiro.
3.9.12
III (Grande Hotel de Paris), Manuel de Freitas
para a Inês Dias
dias grandes, irredutíveis a versos,
em que a indecisão da luz
nos açoita de felicidade.
São dias raros, futuras
imagens do nada, o suficiente
para que a palavra amor substituao primeiro cigarro da manhã.
Chegámos tarde. O quarto 203
trazia-me de novo o teu corpo.
E até a música dos sinos
vinha deitar-se connosco.
Telhados de Vidro n.º 3 [Último poema do tríptico Passeio Alegre]. Lisboa, Averno, 2004, p. 44.
2.9.12
Palavras #299 a 301
mesnada - s. f. [Antigo] Tropa mercenária.
báculo - s. m. 1. Bordão alto e recurvo na parte superior. 2. Insígnia prelatícia, em forma de bastão, com a parte superior curva. 3. [Figurado] Amparo. 4. [Anatomia] Curvatura da aorta.
linimento – s. m. Medicamento untuoso, isto é, para fricções, destinado a acalmar dores. Confrontar: lenimento.
báculo - s. m. 1. Bordão alto e recurvo na parte superior. 2. Insígnia prelatícia, em forma de bastão, com a parte superior curva. 3. [Figurado] Amparo. 4. [Anatomia] Curvatura da aorta.
linimento – s. m. Medicamento untuoso, isto é, para fricções, destinado a acalmar dores. Confrontar: lenimento.
in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
[em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo
O LIVRO, Jorge Sousa Braga
Há um livro que nunca chegarás
da mão estava exposto na livraria
a ler um livro que te escapou
da mão estava exposto na livraria
mas outra coisa chamou a tua
atenção ou alguém o arrumou
em segunda fila na estante…
Tu não o sabes – como o poderias
saber? – mas esse livro descreve
como e quando vais morrer
[in O Novíssimo Testamento e outros poemas, Assírio &Alvim, 2012]
1.9.12
E em setembro, um poema por dia...
Em setembro retornam os livros, os cadernos, as palavras, os lápis e canetas. E há também novas ideias, novos conceitos e a descoberta de novo acasos de beleza, alguns na miragem de um poema por dia.
O amor antigo, Carlos Drummond de Andrade
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
![]() |
| Willem Dafoe |
31.8.12
Palavras #293 a 295
beetria - s. f. [Antigo] Localidade que gozava o direito de eleger todos os seus magistrados.
azorrague - (origem obscura) s. m. 1. Açoite de várias correias ou cordas. 2. Látego ou chicote de couro. 3. [Figurado] Flagelo.
adarve - s. m. 1. Espaço estreito que corre ao longo do alto das muralhas para serviço das ameias. 2. Muralha.
azorrague - (origem obscura) s. m. 1. Açoite de várias correias ou cordas. 2. Látego ou chicote de couro. 3. [Figurado] Flagelo.
adarve - s. m. 1. Espaço estreito que corre ao longo do alto das muralhas para serviço das ameias. 2. Muralha.
in Inês de Portugal, de João de Aguiar
30.8.12
Palavras #290 a 292
merlão - s. m. [Fortificação] Parte do parapeito entre duas seteiras.
sanha - s. f. 1. Fúria; ímpeto de raiva; crueldade; furor. 2. Madeira de Cabinda, muito aplicada em construções. Confrontar: canha.
vergel - (provençal vergier, do latim viridarium, -ii, lugar com árvores) s. m. Lugar com árvores. = HORTO, JARDIM, POMAR.
sanha - s. f. 1. Fúria; ímpeto de raiva; crueldade; furor. 2. Madeira de Cabinda, muito aplicada em construções. Confrontar: canha.
vergel - (provençal vergier, do latim viridarium, -ii, lugar com árvores) s. m. Lugar com árvores. = HORTO, JARDIM, POMAR.
in Inês de Portugal, de João de Aguiar
29.8.12
O que fazer perante uma ameaça?
Uma pessoa próxima de mim foi ameaçada por um vizinho toxicodependente. A maioria de nós considerará que cão que ladra não morde, mas a verdade é que também mordem. Fosse uma pessoa dita normal talvez não ficasse preocupada, mas sendo toxicodependente, este já não possui qualquer filtro social, qualquer noção de bem ou mal e basta qualquer situação para despoletar o gatilho. E, exatamente por ser toxicodependente, poderá ter ligações iliticas com vários tipos de criminosos. Como já causou vários desacatos entre vizinhos e há relatos de violência, inclusive contra familiares, como pais, ex-mulher e filho, então não haverá qualquer impedimento em ser violento contra outra pessoa.
A minha pessoa ficou aterrorizada. Com medo do cumprimento das ameaças e com medo de eventuais represálias por ir à polícia. Não estando na sua pele, foi-me fácil dizer: vamos à polícia. E perante a sua relutância, que compreendo, só consegui argumentar: se vais ter medo, não tenhas medo duas vezes. Pelo menos vamos lá, contamos o que aconteceu e sempre nos dirão como atuar nesta ou em situações futuras.
O que aprendemos foi: como a situação aconteceu na véspera e sem testemunhas, a fazer queixa, seria uma queixa privada e isso implica custos para o queixoso. Logo, não é uma situação apelativa para ninguém. o que qualquer pessoa deve fazer numa situação destas é telefonar imediatamente à polícia, que ao deslocar-se ao local, mesmo que não presencie o ato, fará uma ocorrência e permitirá desenvolver e despoletar outros procedimentos, sem qualquer ónus para o queixoso, pois tratar-se-á de uma queixa pública.
Esta situação levou-me a refletir alguns pontos: na verdade, a maioria de nós vê a policia como uma ameaça e não como um organismo de defesa e apoio; perante ameaças, as vitimas são-no duplamente, com medo do perpetrador e de eventuais retaliações por queixas feitas à polícia; perante uma situação destas, a polícia deve ser chamada imediatamente, mesmo que a sua ação tenha limites, o perpetrador começará a ficar com registos associados e a vitima poderá ficar com meios testemuniais; caso seja uma situação recorrente, manter um diário de ocorrências e de dados, que mesmo não constituindo prova, será informação que um advogado poderá trabalhar; o medo é real e não deve ser menosprezado, não deve ser combatido sozinho; não devemos considerar algumas destas situações infundadas, devemos procurar saber como ajudar efetivamente, pois cabe a todos nós não só evitar determinadas situações, como ser amigo do nosso amigo. Nunca se sabe se um dia estaremos nós do outro lado das situações.
A minha pessoa ficou aterrorizada. Com medo do cumprimento das ameaças e com medo de eventuais represálias por ir à polícia. Não estando na sua pele, foi-me fácil dizer: vamos à polícia. E perante a sua relutância, que compreendo, só consegui argumentar: se vais ter medo, não tenhas medo duas vezes. Pelo menos vamos lá, contamos o que aconteceu e sempre nos dirão como atuar nesta ou em situações futuras.
O que aprendemos foi: como a situação aconteceu na véspera e sem testemunhas, a fazer queixa, seria uma queixa privada e isso implica custos para o queixoso. Logo, não é uma situação apelativa para ninguém. o que qualquer pessoa deve fazer numa situação destas é telefonar imediatamente à polícia, que ao deslocar-se ao local, mesmo que não presencie o ato, fará uma ocorrência e permitirá desenvolver e despoletar outros procedimentos, sem qualquer ónus para o queixoso, pois tratar-se-á de uma queixa pública.
Esta situação levou-me a refletir alguns pontos: na verdade, a maioria de nós vê a policia como uma ameaça e não como um organismo de defesa e apoio; perante ameaças, as vitimas são-no duplamente, com medo do perpetrador e de eventuais retaliações por queixas feitas à polícia; perante uma situação destas, a polícia deve ser chamada imediatamente, mesmo que a sua ação tenha limites, o perpetrador começará a ficar com registos associados e a vitima poderá ficar com meios testemuniais; caso seja uma situação recorrente, manter um diário de ocorrências e de dados, que mesmo não constituindo prova, será informação que um advogado poderá trabalhar; o medo é real e não deve ser menosprezado, não deve ser combatido sozinho; não devemos considerar algumas destas situações infundadas, devemos procurar saber como ajudar efetivamente, pois cabe a todos nós não só evitar determinadas situações, como ser amigo do nosso amigo. Nunca se sabe se um dia estaremos nós do outro lado das situações.
28.8.12
Ódio de Estimação (OE)
Há muitos anos que esta é uma expressão comum na sociedade. Embora desconheça quem a popularizou, é fácil compreender o sentido e a sua origem em cada um de nós.
Tenho por objetivo conseguir ser indiferente com quem não gosto. Mas ao longo dos meses, creio ter vindo a desenvolver um OE. Isto não é positivo, principalmente para mim, que me irrito e consumo, enquanto que para a pessoa em questão sou, na melhor das hipóteses, um incómodo ocasional. O que me leva a ponderar: o que me fez desenvolver esta aversão?
A nossa relação é profissional. Durante cerca de ano e meio convivi diariamente e fui somando várias posturas, comentários e manipulações que me incomodaram. No início, tinha imensa expetativa sobre esta nova relação de trabalho e esperava vir a aprender imenso. As minhas expetativas saíram goradas e aprendi sim, mas não o que queria. Aprendi, melhor constatei, apesar de já o saber, que se consegue mais através de manipulação do que sendo apenas profissionais.
Procurei integrar-me neste novo cenário de trabalho e, embora sinta que o tenha feito a nível das relações pessoais, não consegui fazê-lo em termos de projetos. Como percebi que não haveria mudanças num futuro próximo, resolvi tomar a iniciativa w propor um novo cenário ao meu responsável hierárquico. É assim que tenho trabalhado desde o início do ano, com altos e baixos, e mesmo não tendo feito tudo o que queria, estou satisfeita com o que alcancei.
É claro que as relações não cessaram, nem tinham de cessar e, à partida, o afastamento era suficiente. Mas, considerando a posição da pessoa em causa na estrutura, o seu trabalho também tem impacto no meu e ocasionalmente tenho de lidar com ela, o que faço de igual para igual, e que não é bem visto.
Tenho por objetivo conseguir ser indiferente com quem não gosto. Mas ao longo dos meses, creio ter vindo a desenvolver um OE. Isto não é positivo, principalmente para mim, que me irrito e consumo, enquanto que para a pessoa em questão sou, na melhor das hipóteses, um incómodo ocasional. O que me leva a ponderar: o que me fez desenvolver esta aversão?
A nossa relação é profissional. Durante cerca de ano e meio convivi diariamente e fui somando várias posturas, comentários e manipulações que me incomodaram. No início, tinha imensa expetativa sobre esta nova relação de trabalho e esperava vir a aprender imenso. As minhas expetativas saíram goradas e aprendi sim, mas não o que queria. Aprendi, melhor constatei, apesar de já o saber, que se consegue mais através de manipulação do que sendo apenas profissionais.
Procurei integrar-me neste novo cenário de trabalho e, embora sinta que o tenha feito a nível das relações pessoais, não consegui fazê-lo em termos de projetos. Como percebi que não haveria mudanças num futuro próximo, resolvi tomar a iniciativa w propor um novo cenário ao meu responsável hierárquico. É assim que tenho trabalhado desde o início do ano, com altos e baixos, e mesmo não tendo feito tudo o que queria, estou satisfeita com o que alcancei.
É claro que as relações não cessaram, nem tinham de cessar e, à partida, o afastamento era suficiente. Mas, considerando a posição da pessoa em causa na estrutura, o seu trabalho também tem impacto no meu e ocasionalmente tenho de lidar com ela, o que faço de igual para igual, e que não é bem visto.
É verdade que não temos a mesma idade, nem a mesma experiência profissional, e até lhe admiro isso. Mas há algo que tenho e que procuro nunca esquecer, que é respeito pelos colegas, sejam eles academicamente mais educados ou não, e, independentemente das idades, respeitar o seu passado profissional. E creio que é ai que residem a minha aversão: sentir que sou tratada apenas como subalterna, quando sou uma colega e parte do seu sucesso depende de mim.
27.8.12
Um Cappuccino Vermelho, Joel G. Gomes
Há cerca de 12 anos, conheci o Joel numa formação na área do audiovisual. Na altura, o Joel já se dedicava ao guionismo e ao longo dos anos fui acompanhando o seu percurso de escrita através da blogosfera, em blogues como Protuberância. mas a sua escrita não restringe à blogosferea e tem igualmente publicado artigos de cariz humorístico em jornais locais da margem sul.Este ano, o Joel decidiu dar à estampa, em edição de autor, o trabalho Um Cappuccino Vermelho, escrito em 2001, e após um processo de revisão.
Este vermelho do título não engana: esta história envolve sangue, sangue derramado por um assassino profissional – escritor nas horas vagas – que involuntariamente se vê envolvido na trama escrita por outro colega de oficio literário, envolvendo-se inclusive, sem surpresa, com namorada deste, a inevitável femme fatal, e perfazendo o habitual triângulo que caracteriza os policiais.
O livro revela uma estrutura cuidada e pensada, sem discrepância de pormenores. Embora não seja original, a intriga é intrigante e coerente com as idiossincrasias deste pais à beira mar plantado. As personagens e os seus intuitos são compreensíveis, embora nem sempre o Joel lhes consiga conferir uma grande profundidade, como é o caso de Laura, a femme fatale.
Não sendo grande apreciadora de policiais, considero que Um Cappuccino Vermelho está bem conseguido e aconselho a sua leitura. Quem o desejar, pode seguir as novidades sobre a apresentação do livro e também obter informações sobre a sua aquisição no blogue homónimo.
26.8.12
![]() |
| For unknown Netherlands artist, by Katerina Belkina |
25.8.12
Para um sentido de fim
Apaga-se todo e qualquer registo, para que nada traga à memória o momento cujo sentido se perdeu no próprio momento.
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