Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt

10.6.12

9.6.12

Baseado numa história verídica


O canal Q carateriza-se pela sua aposta no humor, o que faz dele o congénere nacional do americano The Comedy Central. Mas não é só do humor que o canal vive. Uma das suas mais interessantes ofertas é o programa de entrevistas baseado numa história verídica, que tem como anfitrião o jornalista Aurélio Gomes. É uma conversa sóbria e serena onde impera o respeito pelo entrevistado.
Recomendo.

8.6.12

E de repente, o arquivo do sr. Guedes, outrora reconhecido pela sua organização mirificante, deu lugar a um badanal de folhas soltas. No espaço de segundos,  anos de cuidados acúmulos em sistema décimal unitário e cotação alfanumérica  na parede lateral da repartição cederam sob a pressão da voz de milhares de reclamações. Pobre parafuso. Pobre coração do sr. Guedes que bate apenas pelo seu periquito laranja quase fluorescente e pelos louvores de imaculada organização. Quase sincopou acentuando a sua palidez e arganázia.
Londres, 1940

7.6.12

O anafado capataz puxou o cinto sobre a avantajada barriga conquista ao longo de anos de excessos antes de pegar no minúsculo lornhão, pelo qual era motivo de troça de todos assim que virava as costas. Apesar de ainda mais minúsculo nas suas mãos carnudas, não havia arpente que escapasse ao seu escrutínio. E aí de alguém que lhe tentasse uma negaça em dia de mercado ou noutro qualquer. Seria a primeira e última vez. A verdade é que era o mais temido comprador do mercado de Santana, mas era também verdade que muita boca era alimentada pelos seus negócios.

6.6.12

A teoria apresentada por Hans Lubenvitch era considerada suspicaz, mesmo no seio da comunidade crente na teoria dos antigos astronautas. Além de irríta, a sua teoria parecia apenas apresentar um episódio teratológico do que o resultado de uma experiência de manipulação genética alienígena de resultados nefastos.

5.6.12

Há já semanas que Georg não se entregava àquele sopor. Sempre impelido a colocar a maior distância possível entre si e a sua aldeia natal, o descanso era um luxo a que não se podia permitir. Mas a mais de 20 dias de caminhos percorridos pela noite dentro encontrou uma pequena cabana na margem de um rio, cujo nome desconhecia, e que servia de arrecadação de material de pesca e não era utilizada há já semana e só o seria quando a primavera trouxesse o salmão rio acima. Sem necessidade de dormir sobre a escarcha de qualquer árvore ou gruta, sentiu-se redivivo quando os pequenos raios se infiltraram pelas frestas da cabana e iluminaram as suas pálpebras sem o toque da perseguição.

4.6.12

Serviço de Voluntariado Europeu (SVE)

Há dias, a Dinamo lançou o desafio aos seus associados e parceiros no sentido de conseguir a colaboração de dois voluntários locais que contribuam para a integração dos dois voluntários internacionais que vão receber através do programa SVE.

Eu aceitei o desafio!

3.6.12

As famílias são lugares estranhos para se crescer e aprender a viver o mundo. À partida, tomamos como certos os ensinamentos que recebemos no seu seio. Cremos errados quase todos os outros. Tomamos como nossas as dores dos nossos e não pensamos sequer que erros poderão estar a ser praticados.


Na minha infância, não compreendia muitas das decisões dos adultos, embora os meus pais procurassem explicar o porquê da maioria das suas decisões. Como criança e adolescente compreendia, mas nem sempre percebi a total dimensão dessas explicações. Há perceções que só a idade e a experiência permitem.

Na minha adolescência fui tia. apaixonei-me pela primeira vez na vida e dei todo o meu amor incondicionalmente. A partir da minha experiência, prometi que seria sempre uma tia presente para os meus sobrinhos, ao contrário do que os meus tios de sangue foram. Mas falhei redondamente esta promessa. Não sou a tia que prometi ser, não pelas crianças, mas pelos adultos, sendo eu um deles.

Falha-me não o amor, não o carinho. Falha-me a capacidade de lidar com os seus adultos, estes seres estranhos que compõem as famílias e ditam os seus caminhos.

2.6.12

Sobre a reorganização autárquica


A pouco mais de um ano sobre as próximas eleições autárquicas é normal que comece o habitual baile de cadeiras, em que alguns tentam, até à força, surripiar o assento aos demais. As próximas eleições terão, no entanto, uma particularidade: serão as primeiras a obedecer ao novo mapa autárquico – e as cadeiras, em principio, serão bem menos. Então, como devem calcular, a atual dança está a ser tudo menos pacífica.
Cada proponente a um lugar joga com todos os trunfos ao seu dispor, mesmo os menos politica e eticamente correntes, mas como diz o provérbio: em tempo de guerra, não se limpam armas. Para alguns, este é mesmo um caso de sobrevivência, seja de que espetro partidário, há em todos estes clubes politarecos de carreira que findos os mandatos têm a fila da segurança social à espera. E haverá por certo quem não ache muito interessante contratar um ex-autarca. Bem, mas isso depende sempre das intenções. Na verdade, gostaria muito de ver que currículos apresentam estes ex-futuros autarcas.
O novo mapa autárquico não está isento de novas possibilidades. por exemplo, para quem tinha atingido o limite de mandatos à frente de um município ou freguesia, há agora novas possibilidades. Mas essas serão apenas para alguns, e utilizando de novo um provérbio: são cem cães a um osso.
Este vai ser um verão quente, talvez mais do que o de 2013 que será de pré-campanha. Quem tem armas utilizá-las-á, quem não tem vai procurar criar situações e condições favoráveis. Além de muitas palmadinhas nas costas, haverá talvez ainda mais punhaladas. Sim, sobreviverão os melhores, mas os melhores dos piores. E nós? Votaremos ou não nos menores dos males, sujeitos às suas agendas em que os munícipes e fregueses são apenas degraus para outros poisos.

1.6.12

Em Junho...

... uma citação diária ilustrada pelo artista gráfico brasileiro Céo Pontual.

Disposições finais


Não é uma questão de estar com pensamentos suicidas ou menos próprios, mas por várias leituras e algumas conversas circunstancias, de vez em quando dou por mim a pensar o modo como gostaria que os meus procedentes norteassem as suas decisões quanto aos meus momentos finais e consequentes restos mortais.
Em caso de eventual reanimação, quero que a emoção não prevaleça inconscientemente à racionalidade. Mediante as opiniões médicas e eventuais consequências para a minha qualidade de vida (embora este seja um conceito subjetivo), desejo que se proceda à reanimação se houver perspetivas realistas de uma recuperação e vida futura relativamente normal. Se existirem danos cerebrais e cognitivos que ponham em causa, por exemplo, a minha autonomia e consciência da realidade, devem ser desligados quaisquer suportes de vida e os meus órgãos serem doados. Se está ao meu alcance a vida de outrem quando a minha me está vedada, estão que estes sejam uma nova oportunidade.
Quanto aos meus restos mortais, apesar de não gostar da ideia de fogo, é para mim até poético que as minhas cinzas sejam espalhadas idealmente em 3 locais à escolha dos meus sobreviventes, de acordo com o seguinte critério: uma parte enterrada num espaço verde ou flores; outra deitada ao mar e a última espalhada ao vento. Se facilitar o processo e a superação do luto a alguém guardar um pouco das minhas cinzas, tal não me choca.
Para este procedimento é necessário dinheiro. Se essa for uma questão imperiosa, também não me choca (embora me faça alguma confusão) que doem os meus restos mortais para estudos. Como qualquer ser, gostaria que a minha vida tivesse algum impacto futuro, embora não acredito que consiga ser a grande escala, acredito que possa ser em menor. Dai que se aminha morte puder trazer beneficio de vida para alguém (mas esperem lá, não vale homicídio para receber herança, se bem que também não tenho herança a deixar) quero que quem tenha de tomar decisões quanto aos momentos finais e restos mortais tenha isto sempre em mente. Assim, estaria a agir de acordo com as minhas disposições finais.

31.5.12

Reencontros no Facebook


Há poucas semanas, antigos colegas de faculdade criaram um grupo no Facebook onde, pouco a pouco, se têm conetado vários elementos da minha turma: LLM/PI 94/98, da UAL.
É um pouco estranho. Mantenho óptimas recordações, mas as ligações foram ficando pelo caminho (talvez desnecessariamente, é certo). Parece que as recordações pertencem a uma outra vida, de tão distantes no tempo e na experiência.
Como é natural, tinha um núcleo de relações, mas fora esse núcleo foi um choque como certos nomes e caras, com os quais partilhei 4 anos, são completamente estranhos. Mas também me são estranhas afirmações como: foram os melhores tempos da minha vida. Não consigo passar assim. foram 4 ótimos anos, mas fui mais bem feliz a posteriori. E ainda hoje, em que passo um período complicado e sem fim à vista, não tenho essa rememoração passadista. É claro que não me importava nada de saber na altura parte do que sei hoje, visto que me pouparia muitas lágrimas e cabelos brancos, mas não se pode voltar atrás. Para o bem e para o mal, para a frente é que é o caminho.
Voltando à vaca fria, o grupo do Facebook tem aumentado e alguns dos elementos falam em marcar-se um encontro, o que me faz lembrar os tradicionais high school reunions americanos e em como será reencontrar um grupo que, para o efeito, agora estranho. Há a curiosidade, é claro, mas também a sensação de regresso ao passado e a dúvida: quero mesmo reencontra-los e tecer as inevitáveis comparações de vida, percursos e conquistas. A verdade é que tenho pouco para mostrar e talvez por isso não me sinta motivada para uma tal reunião. Mas talvez esta seja uma postura preconceituosa. Talvez seja apenas divertido reencontrar os miúdos que fomos em dado momento das nossas vidas.