| José Luís Peixoto |
| José Saramago |
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| The Assessment, Jack Vettriano |
Par Elle Même vislumbra a pessoas por trás dos quadros, por trás do ícone. É ter uma vontade imensa de pôr a chaleira a ferver e preparar um chá. Pôr o disco na vitrola e sentar num cadeirão largo com uma manta quente a proteger do frio. Sentar e saborear o silêncio da descoberta de um traço que procura o seu caminho numa tela. Perceber como por vezes se encontram, se cruzam e de repente ver que apenas estavam à espera de se cruzar e trazer à superfície da tela algo que estava lá há já muito, muito tempo. Apenas à espera que uma mão sacudisse a areia branca da tela. E tudo isto num simples golo de chá.
Dar vida a palavras que não são escritas para representação não é tarefa fácil. Há ritmos escritos difíceis de conciliar com a oralidade. São outros tempos, outras pausas, outra respiração. É necessário um empenho total nas palavras. Uma maior garimpagem de tonalidades. E Maria José Paschoal brinda-nos … com a sua versatilidade e as suas capacidades interpretativas. Como a própria afirma: é o papel de uma vida. Ou melhor, é uma vida que vai além do papel em que as palavras foram escritas.

Perez-Reverte é mais conhecido do público pelas adaptações ao cinema da grande maioria das suas obras, como as mais recentes O Capitão Alatriste, com Viggo Mortesen, e A Nona Porta, com Johnny Depp, e rodado parcilamente em Portugal. Menos conhecidas, são as adaptações, quer espanholas, quer americanas, de O Maestro de Esgrima, A Tábua de Flandres, Território comanche e o mais recente A Carta Esférica.
Na escrita de Perez-Reverte reúnem-se vários elementos como o thriller, a literatura e a arte. Em a Tábua junta-se a estes a lógica e a estratégia do xadrez. Tem como protagonista Júlia, uma jovem restauradora de arte cujo mais recente trabalho é restaurar A Partida de Xadrez do pintor flamengo Pieter van Huys. Ao tratar do quadro descobre nele uma inscrição que leva à investigação de um crime cometido cerca de 500 anos antes e envolvendo os protagonistas do quadro. Mas esta investigação não é impune, pois alguns implicados na investigação actual surgem mortos. É um enredo interessante que nos permite passear um pouco pelas obras dos mestres flamengos e também nos dá vontade de conhecer melhor o xadrez, o elemento fundamental na resolução de todos os crimes da trama.