Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
Mais informações: www.cm-sintra.pt
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura (Ficcional/Técnica). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura (Ficcional/Técnica). Mostrar todas as mensagens

30.4.14

O Teu Rosto Será o Ùltimo, João Ricardo Pedro

Este livro ficou nas bocas do mundo por, ao ter ganho o prémio Leya, ter sido uma primeira obra, escrita numa situação de desemprego, cujo autor aproveitou esse hiato profissional para cumprir o sonho da escrita. Ou seja, esta é exactamente uma daquelas histórias que se lêem nos livros.
E como primeira obra, vale o muito que se escreveu sobre ela? Sim. Revela maturidade, organização, opções estilísticas, personagens e episódios sui generis. Relata a história da família Mendes através de 3 gerações masculinas que atravessam a ditadura, a guerra colonial, o 25 de abril e as décadas posteriores. As vidas destes três homens emaranham-se em cruzamentos com consequências inesperadas e insuspeitas.
Em rescaldo da leitura de O Eléctrico 16, de Filomena Marona Beja, não posso deixa de tecer algumas comparações. A moldura temporal é similar e é nos dada igualmente por três gerações de uma mesma família. Mas o facto de estas serem femininas, a visão não é a mesma. No livro de JRP, devido às ocupações profissionais masculinas, temos uma visão e episódios mais cruéis e violentos.
É um livro a ler com atenção e que recomendo.

24.4.14

A Casa e o Cheiro dos Livros, Mª Rosário Pedreira

Há muito que sigo o blogue Horas Extraordinárias, desta autora, e tenho igualmente tropeçado em alguns dos seus poemas através da internet. No entanto, só agora peguei num volume completo. Este é um volume de poemas de que transparece uma memória outonal de verões passados, polvilhados pelos cheiros e cores de casas familiares, corpos amantes e esperanças estivais.

21.4.14

Todas as Cores do Vento, Miguel Miranda

Esta foi a minha primeira incursão na obra deste escritor portuense, médico de profissão. É uma história situada nesta cidade, mais propriamente num prédio, cujos inclinos são, talvez, o mais dispares possível. Começando pelo dono do prédio, Narhanda – indiano, e passando por um judeu, por um palestiniano que transportam para as traseiras do prédio o conflito que move estes dois povos há séculos. Juntam-se-lhe Antolino Guardado, testemunha e jeová e em fase de elaboração de uma tese sobre Cubas Brás, imortalizado pela obra homónima de Machado de Assis, e Maria Magnifica, agnóstica, portageira e amante virtual, que se esconde sobre o avatar de Alba Green. Esta revela-se a incógnita grande paixão de Herberto Brum, o mais recente residente deste prédio, falso poeta e professor catedrático, herdeiro de uma secreta e bastarda linhagem do dito Brás Cubas. Uma reunião de personagens antagónicos, cujo elemento unificador é um gato preto de nome Napoleão, Quincas, Faisal, David, reflectindo através de cada nome os vários habitantes do prédio.

9.4.14

Nunca te distraias da vida, Manuel Forjaz

A luta de Manuel Forjaz contra o cancro sempre foi pública e, eventualmente, eclipsou todas as suas conquistas pessoais e profissionais. Há poucos dias, a sua luta cessou e motivou as mais variadas manifestações públicas, inquinando inclusive a sua intenção de viver a vida para além da doença.
Um dos registos que deixou foi o livro Nunca te Distraias da Vida em que procura fazer um pequeno manual de combate á doença, com informações, dicas, estratégias e posturas úteis. É um livro que se lê de uma assentada e prima pela lucidez, racionalidade, clareza de espirito e esperança. Nele revi muitas das minhas crenças perante a doença e, sobretudo, a vida e acredito que realmente pode ser uma leitura benéfica não só para quem padece de cancro mas também para familiares e amigos, pois nem sempre se consegue ter esta lucidez perante a doença.
Recomendo.

18.3.14

O Eléctrico 16, Filomena Marona Beja

Quatro gerações de mulheres cruzam-se, tendo como fio condutor Helena, filha, mulher, profissional, mãe, avó. As circunstâncias e diferentes expectativas pessoais, familiares e sociais a que cada uma responde tendo como pano de fundo a segunda metade do século vinte português, com principal incidência para a época que precedeu a revolução dos cravos. Uma lição de história e uma história em que cada mulher se revê.

10.3.14

Chega de Desculpas, Wayne Dyer

Sempre senti que utilizava demasiadas desculpas para não realizar ou comprometer-me com diversos objectivos e sonhos. Ao deparar-me com este livro, em promoção, a minha consciência ditou-me: é desta que vais aprender algo mais como vencer as inseguranças por de trás das desculpas. A sua leitura não me livrou das ditas, mas com certeza que me ajudou a compreender algumas e, se no futuro, conseguir combater uma que seja, então terá valido a pena.

7.3.14

O amor nos Tempos de Cólera, Gabriel Garcia Marquez

Não sei precisar há quanto tempo li este livro, mas foi certamente há mais de 10 anos, pois não tenho qualquer registo da sua leitura neste 10 anos de participação na blogosfera. Não tendo relido a obra, vou basear este registo na minha memória feita dos pragmatismos e inexperiências próprios dos vinte e poucos anos.

Realismo mágico – não será uma característica típica desta obra e o único momento em que o identifico será exactamente no final, quando os protagonistas se refugiam de qualquer contacto com a realidade viajando alternadamente rio acima, rio abaixo, num espaço e tempo só seus.

Amor – o que é o amor? Se soubéssemos não estávamos aqui. Imaginado o que seriam as palavras de Drummond, este polígono amoroso poderia ser descrito do seguinte modo: Florentino ama Fermina que juga amar Urbano, que vai amando outras mulheres, que terão outros amores e talvez até tenham amado Florentino. Ou, parafraseando alguém que me é caro, então é tudo ao contrário.

Fermina não ama Urbano, ama as possibilidades que lhe identifica: o estatuto social, o desafogo económico, a boa parecença, as expectativas familiares. Ou seja, quando muito, é um amor circunstancial e, como tal, efémero. Quando muito é um bem-intencionado desejo de amar, mas de intenções...

Se não fosse uma personagem ficcional, esperaria Florentino 50 anos por uma mulher? Talvez o próprio Florentino seja o expoente desse realismo mágico, pois um amor assim tem algo de sobrenatural, como um fantasma que não abandona o plano físico, pois ainda lhe falta concretizar algo.

21.2.14

10 Anos #2: Agualusa e Kadaré

Os meus registos blogosféricos permitem-me situar no tempo o início de dois amores literários: José Eduardo Agualusa e Ismael Kadaré. O primeiro deu-se com a leitura de O Ano em que zumbi tomou o rio, que já há muito aguardava na estante lá de casa para ser descoberto. O segundo foi através, primeiro do visionamento do filme homónimo de Walter Salles, e posteriormente com a descobertas alguns meses depois que este era uma adaptação de uma obra oriunda dos seus antípodas e situada algures na planície albanesa. Em ambos os autores descobri o procuro na escrita: um olhar novo sobre a realidade, um quê de surreal e novas realidades. Tudo com a simplicidades e ciência que gostaria de possuir.

9.2.14

O Sistema Periódico, Primo Levi

O Sistema Periódico"... a matéria é a matéria, nem nobre nem vil, infinitamente transformável, e efectivamente não interessa saber a sua origem mais próxima."

A leitura da obra de Primo Levi é uma leitura de vida, pois, se não nos transforma enquanto leitores, transforma-nos enquanto pessoas. Foi assim que me senti após a leitura de Se isto é um homem, o seu registo cru da experiência como prisioneiro num campo de concentração , no qual relata o modo como o homem pode ser rebaixado ao estatuto de animal e como a sua única qualidade poderá ser o seu instinto de sobrevivência. É um registo cuja não ficcionalidade nos toca e nos permite relativizar ou valorizar a nossa vida e experiências passadas.

Em O Sistema Periódico o registo flutua igualmente entre a memorialística, mas mescla-se ora com o conto, ora com capacidade de observação poética da vida. E toda esta experiência é filtrada pela perspectiva de uma escolha de vida: a química. Aclamado já como o melhor livro de ciências escrito, é perceptível para os entendidos e curioso e poético para os leigos. E para estes trespassa um registo sentido, vivido, sem palavras supérfluas e uma perspectiva diferente da realidade.
 

15.1.14

Beloved, Toni Morrison

Sethe, uma antiga escrava, e Denver, a sua filha mais nova, vêem a sua rotina alterar-se com a chegada de Paul D., antigo amigo de família. No entanto, nada os prepararia para o confronto final com o passado provocado por Beloved, o espirito da filha mais velha de Sethe, que retorna para exigir o amor e atenção que lhe são devidos.
É uma dolorosa história de escravidões, sofrimento, dor, (des)esperança e liberdade, para ler com tempo e de coração aberto.

13.1.14

Ética para um Jovem, Fernando Savater

Este livro é um monólogo de pai par afilho em que de modo pragmático e nada académico o autor procura de forma simples e perceptível transmitir e explicar diversos conceitos e valores, como felicidade, responsabilidade, escolha, motivação, preconceito, prazer, medo, entre outros.
Um livro de leitura obrigatória para todos, sobretudo os menos jovens.

7.11.13

A Morte do Rei de Espanha, Carlos Daniel

A Morte do Rei de EspanhaEste é um livro sobre a obsessão de um filho pelo desejo de justiça (?) pelo seu pai. E se essa obsessão molda a sua meninice, adolescência e parte da vida adulta, no entanto, chega o momento deste perceber se a mesma faz sentido ou, seja, se a sua obsessão é de algum modo justa.

29.7.13

As 7 Leis Espirituais dos super-heróis, Deepak e Gotham Chopra

Ultimamente, tenho sentido necessidade de me afastar da leitura ficcional, por sentir que as suas eventuais reflexões não colmatam as minhas actuais necessidades de novas aprendizagens e perspectivas. Neste estado de espírito, deparei-me com este As 7 Leis Espirituais dos super-heróis e ao folheá-lo pareceu-me que seria interessante em duas vertentes: de desenvolvimento pessoal e de análise e construção de personagens. A sua leitura foi realmente interessante e a exploração e reflexão sobre estas 7 leis (equilíbrio, transformação, poder, amor, criatividade, intenção e transcendência) foi um útil suporte para momentos menos bons a nível pessoal.

8.7.13

Última Paragem Massamá, Pedro Vieira

Numa manhã de semana de trabalho, a circulação de comboios na linha de Sintra é interrompida pelo suicídio de uma mulher. Além do inconveniente, os utentes nunca virão a saber a sua história, nem sequer o seu nome – Vanessa -, fazendo jus ao anonimato urbanos a que as actuais sociedades estão vetadas.
Mas o que levou vanessa a tal decisão, a tal impossibilidade de manter a continuidade da sua existência? Uma história de desencantamento igual a tantas outras com que nos cruzamos diariamente nas carruagens dos transportes públicos, mas que não temos nem o interesse nem a coragem de perscrutar e compreender.
Este é um relato fidedigno de uma sociedade anódina que nos anula enquanto indivíduos.

4.7.13

Noites Brancas, Fiódor Dostoiévski

As oníricas noites brancas do norte da europa são o cenário para um inusitado enamoramento. Em são Petersburgo, cruzam-se os caminhos de um jovem par, o sonhador – há muito distante da realidade – e Nastienka – literalmente presa à sua muito real avó. Ao longo de 4 noites vão partilhar as suas experiências e aspirações, num encontro que mudará para sempre as suas vidas.

17.6.13

5 livros para reflectir o holocausto


Se isto é um homem, Primo Levi
A Sétima Porta, Richard Zimler
A Rapariga que roubava livros, Markus Suzak
O Rapaz do Pijama às Riscas, John Bouyne
O Leitor, Bernhard Schlink

9.6.13

Vai aonde te leva o coração, Susanna Tamaro


A história é simples: uma avó escreve – durante mês e meio – uma longa carta à sua neta, que foi estudar durante um ano para os EUA. Nesta, conta-lhe vários episódios familiares, o seu impacto na vida de 4 gerações de mulheres e o modo como influenciaram a geração seguinte. Sem ser inovadora, a história confronta-nos com experiências e aprendizagens comuns a todos nós, o que a torna transversal e de fácil identificação. De um modo geral, a história relata-nos as diferentes expectativas sobre o papel da mulher ao longo do século 20 e o modo como esse colidia com quaisquer expectativas e aspirações individuais, bem como o modo como cada geração influencia – inevitavelmente – a geração seguinte.

É uma leitura fácil e aprazível.

8.6.13

O Delfim, José Cardoso Pires

Há livros que são uma surpresa e que nos devolvem o desafio da leitura. O delfim, de José Cardoso Pires, foi – para mim – o mais recente. Deste autor, tinha já lido há muitos anos O Anjo Ancorado, que não me motivou a voltar à sua leitura, apesar do renome.
Então, o que me surpreendeu neste livro? A sua construção. A tal ponto que o considero de leitura obrigatório a todos quanto se interessam pelos processos de desenvolvimento da escrita ficcional e apresentação dos respectivos elementos narrativos.
Mas, como não tenho o mesmo engenho do autor, comecemos pelo início: a história decorrer em Gafeira, uma localidade do interior litoral, cuja particularidade é a sua Lagoa, pertença da família Palma Bravo há gerações. O seu último representante – Tomás (nome de todos os primogénitos) – é engenheiro e casado – como mandam os preceitos sociais – com Maria das Mercês (à mercê dos ditames do senhor seu esposo). Os dois têm um casamento maninho – sem filhos -, não se sabendo por causa de quem. Entre os dois há também Domingos, um empregado mulato e maneta que Tomás acolhe e defende e Mercês procura educar. A relação com os patrões é de tal modo indefinida que quando este surge morto na cama deles, uns o julgam amante dela e outros – sem nunca serem explícitos – dele.
É com a notícia desta morte inesperada, e com o aparente sequente suicídio de Mercês e desaparecimento de Tomás, que o narrador – um escritor que anualmente visita a aldeia na época de caça – se depara num dos anos. E é através de diversas conversas com os habitantes locais – cada um com uma versão diferente – que vai reconstituindo a noite fatídica, sem nunca chegar a uma conclusão.
Situado na década de ‘960, esta é uma alegoria sobre o final inevitável de uma era e de um poder (a ditadura salazarista e os seus valores) e o poder de regeneração de uma nação (Lagoa), visto e relatado pelos olhos de um narrador participante que tem de reconstruir a verdade possível sobre o passado e contribuir democraticamente para o futuro de todos (os 98).
A ler!

30.5.13

Natureza Morta, Paulo José Miranda

José Paulo Miranda (PJM) ficou conhecido sobretudo por ter sido o primeiro vencedor do Prémio Saramago, que premeia bienalmente um autor de língua portuguesa com menos de 35 anos, com este Natureza Morta (NM). No entanto, nunca granjeou o mesmo reconhecimento que os seus sucessores. Porquê? Talvez o mesmo explique na entrevista de 2009 ao Diário de Notícias.
NM transporta-nos para o universo criativo do compositor português João Domingos Bomtempo, explorando o seu trajecto pessoal, viagens e relações, e dando-nos o retrato de um homem solitário dedicado exclusivamente ao seu dom e ofício, mas ciente e crítico da sociedade em mutação que o rodeia.
É um livro interessante e que me deixa curiosa para chegar a dois outros romances do autor: Um prego no Coração e O Vicio, de que este NM completa o tríptico, dedicados a Cesário Verde e Antero de Quental, e nos quais PJM explora a relação do autor com as suas obras e as interrogações que as mesmas lhes suscitam.