Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois

Ler Ferreira de Castro 40 Anos Depois
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15.2.10

Diálogo questionável

- é impressionante como tudo muda.
- pensavas que não?
- teoricamente. A verdade é que me acomodei: a um emprego sem perspectivas, mas estável; a uma rotina sem emoção, mas confortável. Deixei de lutar, seja pelo que for. Fiquei à espera que a vida se resolvesse por si.
- a vida não se resolve, isso é trabalho nosso.
- sim, é como diz o ditado ou o provérbio: quando julgas que tens todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.
- que perguntas é que mudaram?
- creio que as normais: o que é que é realmente importante; pelo que é que estou disposta a lutar; o que estou disposta a sacrificar.
- perguntas difíceis.
- as perguntas não, mas as respostas sim, não são fáceis. Ou não deveriam ser. Deveriam ser bastante simples. O problema é exactamente esse: quando deixam de o ser, porque perdemos a perspectiva. É quando a vida dá uma guinada e nos baralha as referências e obriga a repensar tudo.

23.1.10

Diálogo conventual

- foi tão estranho.
- estranho mau ou estranho bom?
- estranho bom, mas estranho, sabes… foi inesperado.
- inesperado porquê? Não estás com ninguém, ele também não, dão-se bem. acho perfeitamente normal.
- racionalmente sim, mas… estou tão habituada a vê-lo como amigo, que está a ser difícil desformatar-me.
- mas é óptimo que sejam amigos, já se conhecem, compreendem-se.
- sim, isso é tudo verdade. Gosto de estar com ele, da conversa, do carácter. mas nunca o vi, digamos, como homem.
- mas ele até é bastante atraente.
- sim, mas desde que nos conhecemos houve sempre alguém de qualquer das partes. Ele com a Júlia, eu como Pedro e depois com o Miguel. Então nunca pensei nele como homem, mas sempre como o amigo, parte do casal amigo. Nunca foi só o homem atraente, percebes?
- percebo. mas ele e a Júlia já terminaram há bastante, tu e o Miguel também já há uns meses e acho que vocês fazem um bom par. É muito fácil imaginar-vos junto, agora e no futuro.
- do género: é o tal?
- sim, bem, pelo menos de fora, sim. Que dentro do convento, só quem lá está dentro. Mas não estás com vontade de conhecer o convento sequer?
- ahahah. Claro que tenho curiosidade, mas acho que os meus pensamentos são mais pecaminosos do que virtuosos.
- e até parece que nos conventos não, eheheh.

15.1.10

Diálogo cultural

-queres ir ao cinema?
-Boa ideia. O que é que estavas a pensar ir ver?
-Não sei qual o filme d’hoje, mas estão a fazer uma reposição de homenagem ao rohmer.
-Epá, não me está nada a apetecer ver um filme de um francês morto.

7.1.10

diálogo esperançado

- a partir de que momento é que uma vida desmorona irremediavelmente? Achas que se consegue perceber antes de não haver volta a dar?
- ei, hoje estamos em baixo?
- sim, um pouco.
- conta: que aconteceu?
- sempre pensei que bastava o nosso esforço e o nosso trabalho para ter uma vida digna e que alguma situações se deviam a falta de capacidade ou acomodação, não sei bem adjectivar. Mas percebo agora que nenhum de nós está livre de, de um momento para o outro, se ver sem eira, nem beira, sem apoio de ninguém. É assustador perceber isso.
- sempre achaste que podias controlar a tua vida e agora percebeste que não.
- sim, é isso. Ingenuidade, não é?
- sim e não. Sim, temos de acreditar que podemos cumprir os objectivos que traçamos, senão nunca atingimos nada. Mas também não podemos julgar que controlamos o futuro. Não podemos, há demasiadas provas em contrário.
- sinto-me desorientada. Dou por mim a pensar que qualquer que seja o objectivo, que é inútil.
- não podes pensar assim. Tens de ter consciência da tua fragilidade, mas não te podes deixar dominar por ela, senão serás sempre vencida. Pode não ser fácil, há situações e acontecimentos que não podes contrariar, mas também há que acreditar e pensar o futuro. mesmo que não atinjas todos os teus objectivos, percorres o caminho e vives. Não te permitas sair derrotada à partida, porque assim é que nunca vencerás.

11.11.09

diálogo friorento

-         hoje, demorei mais de 20 minutos no duche.
-         E?
-         Não é normal. Demoro, quando muito, cinco minutos.
-         Isso não é um banho, é passar o corpo por água.
-         É tempo mais que suficiente para lavar o cabelo e o corpo. Não ando a cavar terra para andar imunda.
-         Então, demoraste 20 minutos. qual é o problema? Estava a saber-te bem e aproveitaste.
-         O problema é que no meio do duche finalmente percebi porque é que também ando a dormir tanto e porque é que quando chego a casa visto quase logo o roupão.
-         Andas cansada, precisas de relaxar.
-         Não, não é isso. É pior. É porque não tenho calor na minha vida. Por isso recorro ao calor do duche, da cama, do roupão. Para sentir calor. Para me sentir aconchegada, reconfortada.
-         És friorenta. Não é nada demais.
-         Não, não sou friorenta. Sou sozinha, sabes há quanto tempo ninguém me abraça? Eu já nem me lembro quando foi a última vez.
-         Tadinha. Precisas de um abraço. Anda cá que isso resolve-se.
-         Desculpa, mas não se resolve com os teus abraços, por mais bem intencionados que sejam, apesar de ajudar sempre. Obrigada. Sinto falta de um abraço a meio da noite, tem de ser o calor de um corpo ao meu lado no sofá em silêncio ou a partilhar os acontecimentos do dia. Tem de ser uma mão a ajeitar-me os caracóis e a acariciar-me o pescoço.
-         Compreendo. Realmente esse calor não te posso dar lamento.
-         Também eu. Infelizmente, a conta da água este mês vai ser grande. 

30.8.09

Diálogo fantasmagórico

- tens fantasmas a assombrar-te?

- fantasmas?

- sim, digamos que espíritos/momentos do passado que estão sempre presentes em situações inesperadas ou quando tens de tomar decisões?

- fantasmas! Nunca teria classificado desse modo, mas na verdade é uma palavra adequada. Sim, tenho alguns. Haverá alguém que não os tenha? Deve ser impossível não ter. talvez quando somos mais novos e ainda não temos tempo para cria-los. Fantasmas… sim há alguns que me atormentam.

- achas que alguma vez os vais conseguir superar?

- Espero bem que sim, porque é assustador pensar como podem condicionar a nossa vida. Mesmo quando os combatemos conscientemente, condicionam-nos. São uma presença constante. Sim, espero um dia tomar determinadas decisões sem esse espectro a rondar-me.

27.8.09

diálogo escrito

-porque é que não escreves um livro?
-É complicado.
-Mas gostas tanto de escrever…
-Sim, gosto. Mas escrever um livro não é só escrever muitas páginas. É muito mais. São necessários mais elementos e mais capacidades que eu não tenho.
-Como?
-É preciso saber o que escrever, organizar, ser persistente. Ter algo que valha a pena ser escrito. Coisas que não tenho.
-Claro que tens.
-Não, não tenho. Senão, já o teria escrito.
-Mas não há nenhuma história que queiras escrever?
-Haver, há duas ou três. Mas o que gosto mesmo é de reflectir no papel. O tempo da escrita dá-me tempo para ponderar. Mas não consigo manter a atenção no mesmo assunto durante o tempo necessário para escrever textos de maior extensão ou com maior profundidade.
-Eu acho que consegues. Talvez de falta alguma confiança ou até alguma ajuda. Mas acredito que consigas. Só tens de te empenhar.

19.8.09

Diálogo errático

- Não dizes nada?
- Não tenho nada a dizer.
- Digo-te uma série de asneiras que fiz e não dizes nada? Não críticas, não refilas, não andas de um lado para o outro, não gritas, não me chamas irresponsável, não dizes que já não confias em mim?
- Não, não vou fazer nada disso. É verdade que preferia que não tivesses feito o que fizeste. E também não estava exactamente à espera destas revelações. Mas no fundo também não me surpreendem.
- Não?
- Não. Todos nós temos a nossa bagagem. Também já fiz asneiras das quais não me orgulho. Asneiras cujas consequências não valeram a pena tê-las cometido. Não me orgulho. Mas aprendi com alguns dos meus erros e tenho evitado repeti-los. Embora, por vezes deia por mim a repeti-los. Acho que há erros que nos estão destinados.
- Quais foram os teus erros?
- Ao contrário de ti, ainda não estou pronta para revela-los.
- São graves?
- Alguns, outros nem tanto, outros só na minha cabeça.

16.8.09

Diálogo colorido

- Mas, afinal, o que aconteceu?
- Não vais acreditar, foi um bocado surreal.
- Então?
- Convidou-me para ter sexo com os amigos.
- A sério?
- Sim.
- E tu?
- Recusei, muito delicadamente. Mas a curiosidade venceu-me e tentei tirar o máximo de nabos da púcara. Fartei-me de fazer perguntas, o que acabou por lhe dar a ideia errada e fartou-se de insistir.
- Olhando, nunca diria que era do género.
- Pois, na verdade, ninguém tem aspecto de nada. Se bem que… eu devo ter, senão não me perguntava, não é?
- Ahahah. Realmente, agora que olho para ti.
- Dah. Caramba, eu só queria uma amizade colorida, não três.
- Não devias negar à partida uma ciência que desconheces.
- Pois, pois. Queres lá ver? Algo me diz que se mudar de ideias, ainda vou a tempo.
- E mudas?
- Não. Pelo menos nos próximos tempos. Não sou tão liberal quanto eventualmente possas parecer. Quero alguém que me queira, não alguém que me partilhe. Afinal, sou bastante egoísta.

9.8.09

- what do you need?
- hope.
- Hope? Ouch. That’s a though request.
- you bet.
- so, and hope in what?
- mostly in men.
- uuuuh. Double ouch.
- second you.
- and who made you lost it?
- all of the previous ones.
- and what about the last one?
- he just finished what was left.
- and now you need someone to give you a new hoe on the species.
- exactly.
- good luck with that.

19.7.09

Diálogo inesperado

  • não te esperava.

  • Não planeava vir, mas aqui estou... posso?

  • Claro, entra. Ainda bem que vieste. Acabei agora de jantar, mas se quiseres comer.

  • Não obrigado. Também já jantei.

  • Queres beber algo?

  • Talvez um vinho, tens?

  • Vê na garrafeira o que te apetece.

  • Bebes comigo? Senão, não vale a pena abrir uma garrafa.

  • Sim, claro que te acompanho.

30.5.09

diálogo evasivo


-desapareceram.

-O quê?

-As tartarugas.

-As tartarugas? Mas como? Não estavam no aquário?

-Sim estavam. Mas agora não estão e não as consigo ver. Como é que terão saído?

-Mas ninguém as tirou? Não limpaste o aquário e esqueceste de as pôr lá outra vez?

-Não, não esqueci. Já me bastou uma vez.

-Tens a certeza?

-Claro que tenho.

-Mas se não foste tu, como é que elas desapareceram? Não há mais ninguém em casa.

-Isso gostava eu de saber, não achas? Limpei ontem o aquário e dei-lhes de comer. Agora olho para lá e não as vejo.

-Pensa lá bem. Se calhar julgas que as puseste no aquário e afinal não. Diz lá o que fizeste exactamente.

-Eu pus as tartarugas no aquário , sim senhor. Ainda não endoideci. Sei bem o que fiz. E também sei que elas desapareceram. Só não sei como é que tu em vez de ajudares, nada. Só ficas aí a chatear-me.

-Pronto, vá lá, desculpa. É que elas ainda são pequeninas, como poderão ter saído do aquário se ninguém as tirou? É estranhou. Não percebo o que poderá ter acontecido.

-Nem eu. É o que mais me confunde. O que raio terá acontecido?

10.5.09

diálogo escaldante

-vem.
-Está muito calor.
-Sim, mas vem.
-Epá, não.
-Vá lá.
-Porra, está demasiado calor. Sinto-me desconfortável, transpirada e peganhenta. Agora não.
-Qual é o problema? Vais acabar assim mesmo.
-Já disse que agora não. Mais logo, quando estiver mais fresquinho.
-Mas está-me a apetecer agora.
-E a mim não. Que queres que faça?
-Sabes bem o que quero.
-Mais logo, a sério. Mais logo compenso-te.
-Compensas mesmo?
-Sabes bem que sim. Vai ser muito melhor do que agora, que até me custa a respirar. Logo vou compensaR-te, muito bem compensado. Tomamos um duche antes, para ficarmos fresquinhos e depois é como tu quiseres, quando quiseres, onde quiseres.
-Não sei se aguento até logo.
-Aguentas sim. Vai pensando como queres ser compensado e verás que aguentas. A expectativa pode fazer milagres.

9.4.09

Diálogo limiar

- esse teu silêncio não é bom sinal.

- porquê?

- porque está a guardar o que devias dizer e isso não te faz nada bem.

- se falar fará ainda pior.

- impossível.

- oh, não. Garanto-te que é muito possível. Aliás, mais do que possível é muito provável.

- estás a deixar-te tomar pelo cinismo.

- o mundo é um lugar cínico.

- não seja pessimista, costumas ser uma pessoa tão alegre.

- tento sê-lo, mas nem sempre me deixam.

- não podes deixar que os outros te atinjam desse modo.

- era bom, mas a minha força nem sempre é suficiente e estou a atingir os meus limites.

5.3.09

Diálogo repetido

- eu já vi este filme e já sei como acaba.
- pois, eu também sei.
- não, não sabes.
- sei, sim, porque sou a sequela, não é? E normalmente as sequelas não são tão boas como o original, não é? Se calhar é melhor ficarmos por aqui.
- não disse isso.
- não, não disseste, mas gostas sempre de me atirar à cara que já passaste por isto, como se isso te fizesse especialista na matéria, e que eu sou apenas alguém demasiado imaturo para compreender. Acontece que não sou. Tenho maturidade suficiente para passar por inúmeras situações e ultrapassa-las. Sei disso perfeitamente.
- pois não parece.
- então parece o quê? Já agora, elucida-me.
- porra, pá|
- deixa-me dizer o que parece. parece que me achas incapaz de lidar com as merdas de uma relação, mas esqueces que desde o início que lido com isso. Aliás, além das nossas que teimas em afastar ou minimizar eu também lido com as merdas das tuas outras relações. Eu lido com as tuas crianças. Aceito que a tua anterior relação nunca acabará, porque há sempre as crianças. E merda, tenho lidado com isso tudo com toda a maturidade possível e tenho feito um bom trabalho. Agora, quem és tu para me negar lidar com as merdas da nossa relação. Porque é que tenho de lidar com tudo o que te diz respeito e tu não tens coragem para lidar com as nossas?
- merda, tenho medo. É isso que queres ouvir? Tenho medo que se repita. De cometer os mesmos erros. De cometer outros erros e de acabar na mesma. talvez esteja sempre a adiar porque não quero passar por nada semelhante. Estou escaldado, porra. Não compreendes isso?
- compreendo, claro que sim. E se pudesse evitar uma série de situações, evitava. Mas, por favor, não me negues viver a minha relação viver a nossa relação. Não nos negues isso.

3.3.09

Diálogo triste

- sabes o que é triste? Teres desistido dos outros.
- Não. O que é triste é ter desistido de mim.

8.2.09

diálogo pittiano

- achas que passa no teste?
- quem e em que teste?

- o Carlos no teste Brad Pitt.

- ahhhh. Não.

- lá estás tu, pode passar…

- nop, ninguém passa nesse teste, nem o próprio.

- credo, que cepticismo

- não, é realismo.

- ai sim?

- ainda não percebeste que não são eles que têm de passar no teste, mas sim elas?

- elas?

- sim.

- explica lá isso como deve ser.

- na verdade não são eles que têm de passar o teste, são elas. Porque o Brad Pitt não existe, nem o próprio. O Brad Pitt é a projecção de tudo o que uma mulher aspira encontrar num homem. É o ideal que elas querem, mas nenhum homem é o ideal, seja lá ele quem for. Então, o verdadeiro teste não é elas compararem quem quer que seja com o homem ideal. O verdadeiro teste é elas aceitarem um homem tal como ele é, com defeitos e qualidades. Esse é o verdadeiro teste, tudo o resto são brincadeiras.

22.1.09

Diálogo significativo

- acho que devíamos sair com outras pessoas.
- isso significa o que estou a pensar ou significa que queres alargar o nosso grupo de amigos?
- o que é que estás a pensar?
- primeiro, penso que não sou idiota para merecer essa pergunta. Depois, penso que significa o mesmo que significa nos filmes.
- pois…
- pois? Vá, continua. Mereço mais do que um pois. Muito mais.
- claro que mereces, não é isso que está em causa.
- realmente não é. O que está em causa é que a nossa relação já não te satisfaz.
- não é isso.
- se não é isso, é o quê? E, por favor, não me venhas com o: não és tu, sou eu. Não me convence. Nunca me convenceu. Nem nos filmes.
- é uma desculpa lamechas, é verdade. Mas e se a culpa for realmente minha? Não há outra maneira de o dizer, pois não?
- talvez não haja muita volta a dar na gramática. Mas há com certeza muitas opções a seguir e somos os dois suficientemente inteligentes para saber que não será ver outras pessoas que vai resolver qualquer problema que tenhamos. E é isso que me ofende, que me tomes por uma pessoa crédula e ingénua.
- preferes que acabe tudo aqui e agora, mesmo sem saber se é isso que quero?
- não. Quero que me digas com sinceridade que o nosso nós já não te satisfaz. Prefiro até o cliché de precisares de um tempo. Às vezes precisamos mesmo de tempo para nos ouvirmos no meio de tudo o que é a nossa vida. Mas não acredito que terceiras pessoas vão resolver seja o que for. O que farão é alargar ainda mais a distância que sentimos e alarga-la de tal modo que depois já não há volta a dar. E eu acredito que ainda estamos muito próximos para percorrer essa distância e não estou na disposição de a aumentar.
- tens mais coragem do que eu.
- coragem?
- às vezes os pequenos passos são os mais difíceis.
- eu sei.
- claro que sabes. É uma das coisas que simultaneamente me atrai e me amedronta em ti: as tuas certezas.
- nem sempre tenho certezas.
- tens mais do que eu. Isso é bom. Sabes o que queres e lutas por isso.
- tento, sim. Isso, sim.
- acreditas em nós? Ainda acreditas em nós?
- sim, acredito.
- pode não parecer, mas também acredito. Tenho dúvidas, receio, mas acredito. Ajudas-me a ultrapassa-las?
- vou fazer o meu melhor por isso. Só preciso é que, sempre que tiveres dúvidas e medo, venhas ter comigo. Tal como espero poder contar contigo quando sentir medo e insegurança. É contigo que quero estar.
- não sei se vou estar à altura.
- acredito em ti.
- bem, então está decidido.
- decidido?
- não saídas com outras pessoas para ninguém.

11.1.09

Diálogo inconsequente

- que me querias dizer?

- queria saber novidades.

- não há.

- nenhuma?

- assim que me lembre, não.

- é impossível.

- talvez seja improvável, mas não impossível.

- estás de mau humor.

- não. Não estou é com humor para este tipo de conversa.

- que tipo de conversa?

- conversa da treta.

- bem, desculpa lá. não te incomodo mais.

- não incomodas.

- incomodo, sim. E se não precisas de conversas da treta eu também não tenho paciência para este tipo de conversa.

- da treta?

- não, estúpidas.

3.1.09

Diálogo de despedida

- assim? Sem mais nem menos?
- não é sem mais nem menos.
- não?
- foi um erro e desde o início que o sabíamos.
- Não foi.
- Foi sim. Admito que me aproveitei da situação. Pensei que o que sinto por ti fosse suficiente, mas não é. Na verdade nunca foi, a penas tive a esperança…
- …
- o teu silêncio confirma-o. Mas agora a esperança rendeu-se à realidade.
- mas eu gosto de ti.
- sim, tens até um carinho especial… sim, conheço todas essas palavras. Mas eu quero mais, quero ser aquela que faz esquecer tudo o resto e que provoca sorrisos à toa. Quero ser essa pessoa e sei que a posso ser. Apenas não contigo.
- mas…
- sem mas, nem arrependimentos. Tentei e falhei. Ou melhor, não aconteceu o que esperava. Agora tenho de seguir, porque ficar não é hipótese.
- não quero que vás.
- mas também não me queres. Não como eu te quero e já não estou disposta a aceitar menos do que mereço. Mereço mais do que me ofereces.
- mereces, mereces muito mais. Lamento…
- não lamentes, mas adeus…